Diego Maradona

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Diego Maradona
Maradona at 2012 GCC Champions League final.JPG
Informações pessoais
Nome completo Diego Armando Maradona
Data de nasc. 30 de outubro de 1960 (53 anos)
Local de nasc. Lanús, Província de Buenos Aires,
 Argentina
Altura 1,66 m
Canhoto
Apelido Dieguito, El Pibe de Oro, El Diez,
Pelusa, Barrilete Cósmico, D10S
Informações profissionais
Posição Treinador (ex-meia e atacante)
Clubes de juventude
1969–1976 Argentina Argentinos Juniors
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1976–1982
1981–1982
1982–1984
1984–1991
1992–1993
1993–1994
1995–1997
Total
Argentina Argentinos Juniors
Argentina Boca Juniors
Espanha Barcelona
Itália Napoli
Espanha Sevilla
Argentina Newell's Old Boys
Argentina Boca Juniors
0166 00(116)
0040 000(28)
0058 000(38)
0259 00(115)
0029 0000(8)
0005 0000(0)
0031 0000(7)
0588 00(312)
Seleção nacional
1977–1979
1977–1994
Flag of Argentina.svg Argentina Sub 20
Flag of Argentina.svg Argentina
0024 000(13)
0091 000(34)
Times que treinou
1994
1995
2008–2010
2011–2012
Argentina Textil Mandiyú
Argentina Racing
Flag of Argentina.svg Argentina
=Emirados Árabes Unidos Al Wasl

Diego Armando Maradona Franco (Lanús, 30 de outubro de 1960) é um treinador e ex-futebolista argentino que atuava como meia ou atacante.

Amplamente considerado um dos maiores, mais famosos e mais polêmicos jogadores do século XX.[1] Reunia inteligência, vontade e talento, com dribles, habilidade para mudar drasticamente sua velocidade e dar giros surpreendentes.[2] . Enquanto jogador, Maradona foi reverenciado como uma divindade em seu país natal, sendo criada inclusive uma igreja dedicada a ele.[3]

Seu maior momento foi na Copa do Mundo de 1986, que na opinião popular foi ganha inteiramente por El Pibe de Oro,[1] outra de suas muitas alcunhas. Internacionalmente, Maradona também consagrou-se como herói da equipe italiana do Napoli, um clube que, embora tradicional, estava entre os pequenos do país. Com El Diez, o Napoli viveu momentos de glória no final da década de 1980, ganhando seus dois únicos títulos no campeonato italiano e lutando de igual para igual com as maiores equipes do país.

A carreira de Maradona, porém, foi cercada de controvérsias, que não se limitaram aos gramados. As maiores delas foram relacionadas ao seu envolvimento com drogas, um vício que acabou por arruiná-lo nos gramados e que por algum tempo o deformou fisicamente. Teve também dois filhos fora do casamento que não reconheceu como seus.[4] E rotineiramente faz declarações contra os bastidores da FIFA,[5] [6] principalmente aos dirigentes João Havelange, Sepp Blatter, Michel Platini, Franz Beckenbauer, além de Pelé,[6] e também tem um histórico de atritos com imprensas, incluindo a de seu próprio país.[5] [7]

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Argentinos Juniors[editar | editar código-fonte]

Aos nove anos, seu talento com a bola já o fazia ser a criança mais popular da favela em que morava, no subúrbio de Buenos Aires.[1] Um colega havia sido aprovado em um teste para as categorias de base do Argentinos Juniors, e respondeu aos elogios do treinador dizendo que conhecia um garoto ainda melhor. O treinador, Francis Cornejo, deu-lhe então dez pesos para que pedisse a esse outro jovem para ir vê-lo. Cornejo e outros observadores do clube, incrédulos com o que viram no outro menino, foram acompanhá-lo na volta até a casa deste e, pedindo à mãe dele, conferiram sua documentação para desfazer qualquer engano plausível. Viram que Maradona realmente tinha apenas nove anos de idade.[8]

Os pais foram então convencidos a colocar Maradona no Argentinos, clube pequeno da capital, mas famoso pelo bom trabalho que desenvolvia com as categorias de base. Com quinze anos, disputava partidas preliminares, já atraindo multidões. Quando finalmente foi lançado entre os profissionais, não saiu mais.[1] Demonstrava um repertório completo certeiro com a sua mágica perna esquerda: lançamentos, passes, dribles curtos, chutes certeiros de curta e longa distância, cobranças de falta e escanteios. Aos dezessete anos, recebeu a primeira convocação para a Seleção Argentina, da qual foi polemicamente cortado na Copa do Mundo de 1978.

1978 também significaria o ano em que foi pela primeira vez artilheiro do campeonato argentino. Em 1979, seria artilheiro tanto do campeonato argentino quanto do campeonato metropolitano, torneio que reunia os clubes da Grande Buenos Aires e que era na época considerado mais importante até do que o campeonato nacional.[9] Naquele ano, seria eleito pela primeira vez o melhor jogador sul-americano.[1]

A dose repetiu-se em 1980: Maradona foi artilheiro dos dois campeonatos [9] e eleito outra vez o melhor jogador da América do Sul,[1] com o adicional de ter levado o Argentinos Juniors ao vice-campeonato nacional, melhor resultado do clube até então.[9] O Boca Juniors, que não conseguia títulos argentinos desde 1976, resolveu ir atrás dele, no que era a realização de um sonho para o jogador: Maradona sempre fora um torcedor xeneize fanático. Jamais seria esquecido, todavia, na equipe que o revelou: o Argentinos renomearia seu campo para Estádio Diego Armando Maradona.

Boca Juniors[editar | editar código-fonte]

E foi em um amistoso contra o Argentinos que Maradona fez sua estreia pelo Boca, marcando de pênalti, atuando pelos dois times. Parte da concordância do Argentinos em emprestá-lo[10] estava em uma cláusula do contrato de venda em que proibia que Diego enfrentasse a antiga equipe em jogos oficiais.[11] Dois dias depois, atraiu 65 mil pessoas à Bombonera para vê-lo marcar duas vezes em vitória por 4–1 na primeira partida oficial, contra o Talleres de Córdoba. Amistosos, todavia, seriam continuamente disputados paralelamente às disputas do metropolitano, servindo para arrecadar finanças ao clube e gerando também uma Diegomania. Em dois deles, enfrentou dois adversários que lhes seriam comuns: o Milan, em San Siro (vitória por 2–1) e Zico, contra o Flamengo, no Maracanã (derrota por 0–2).[10]

Naquele ano de 1981, com o Boca, Maradona fez grande dupla com Miguel Ángel Brindisi, com os dois marcando juntos 33 dos 60 gols que reconduziram o time ao título metropolitano - a primeira conquista do clube auriazul em cinco anos.[10] Maradona também marca em seu primeiro Boca x River, em um 3–0 listado entre as dez inesquecíveis vitórias do Boca em Superclásicos pela enciclopédia do centenário do clube;[12] ele fez o último gol, deslocando o goleiro Ubaldo Fillol e completando para as redes antes que Alberto Tarantini conseguisse bloquear seu ângulo.[10]

Contra o grande rival, marcaria em todos os clássicos disputados em 1981. O segundo deles, empatado em 1–1, foi de forma similar: tirando Fillol da jogada e marcando antes de Tarantini chegar. Os outros dois foram pelo campeonato nacional. Este foi disputado em quatro chaves de sete times onde os dois primeiros de cada uma se enfrentariam em mata-matas até a final, como Boca liderando a sua, apesar de não vencer o River – foram uma derrota por 2–3 e um empate em 2–2, neste com Maradona marcando os dois, empatando a partida no último minuto.[10]

Nas quartas-de-final, os boquenses enfrentaram o Vélez Sarsfield. Na Bombonera, em um tumultuado jogo de ida, em que os dois times terminaram a partida com nove jogadores, Maradona acabaria revidando uma das faltas que sofreu e foi suspenso pela comissão disciplinar da AFA. Seria seu último jogo oficial pelo clube do coração: o Boca acabaria eliminado pelo adversário na partida de volta.[10] Maradona ainda participaria de amistosos em excursões do clube pelas Américas e Ásia antes de ser vendido para o Barcelona por uma transferência recorde de mais de 7 milhões de dólares acertada pouco antes da Copa do Mundo de 1982.[13] Coincidência ou não, sem seu grande astro, o Boca só voltaria a ser campeão argentino onze anos depois.

Barcelona[editar | editar código-fonte]

Camisa do Barcelona utilizada por Maradona, no museu do clube

Maradona chegou à Catalunha como um messias. O Barça vivia carência de títulos desde o final da década de 1950. Desde 1960, só conseguira vencer o campeonato espanhol em 1974. Via o rival Real Madrid se distanciar cada vez mais no ranking de vencedores e ainda sentia o Atlético de Madrid aproximando-se, com um título a menos. O clube fez de tudo para que seu astro se sentisse à vontade, contratando vários argentinos para servirem-lhe de assessores e funcionários. A estratégia não teria bons resultados: o craque acabou por fechar-se naquele círculo de convivências e demoraria a se adaptar no estrangeiro.[13]

Na primeira temporada, ele enfrentou o primeiro problema: em dezembro de 1982, sofre de hepatite e fica de fora dos campos por três meses.[4] Os blaugranas terminam apenas em quarto; o título de 1982–83 fica com o Athletic Bilbao. Na Copa do Rei, porém, decide a final contra o Real Madrid, marcando nos dois jogos da decisão e é aplaudido de pé pela torcida do arquirrival após a vitória por 2–1 em pleno Santiago Bernabéu – na partida de ida, no Camp Nou, o Barcelona havia deixado o rival empatar após estar vencendo por 2–0.[14]

Mal inicia-se a segunda temporada e, num jogo contra o Athletic, sofre uma entrada bastante desleal do adversário Andoni Goikoetxea e fratura o tornozelo esquerdo. O astro levaria 106 dias para retomar o futebol. Quando volta, conduz os blaugranas ao caminho do título. No entanto, por um ponto, a taça fica justamente com o Athletic. Ambos os times decidem também a Copa do Rei, e um novo dia ruim contra a equipe basca (que vence por 1–0) faz Maradona surtar. Ele protagoniza uma briga generalizada entre os jogadores.[4]

Maradona, que já não tinha um relacionamento bom com a diretoria do Barcelona, é praticamente descartado por ela após receber uma suspensão de três meses em razão da confusão: a cúpula culé aceita a oferta do pequeno Napoli, da Itália. Desgostoso com o que julgou como falta de esforço do clube em defendê-lo nos tribunais, Maradona acatou a transferência,[13] encerrando um ciclo de dois anos de altos e baixos no Camp Nou.[15]

Declararia em sua autobiografia, Yo Soy Diego, que o presidente Josep Lluís Núñez teria inveja de sua popularidade e era o principal responsável direto por sua saída.[15] No livro, Maradona também apontou a coleção de fatores que o impediram de triunfar no Barcelona: desde a hepatite e lesões até gostar mais de Madrid. Ele também revelou que foi na Catalunha que começou seu relacionamento com as drogas. Aceitou a proposta do Napoli pois também estava arruinado financeiramente;[16] chegou a doar a casa que tinha em Barcelona para pagar suas dívidas.[13]

Napoli[editar | editar código-fonte]

Embora tradicional, a equipe napolitana era minúscula. Seus troféus resumiam-se a títulos nas divisões inferiores e a duas conquistas na Copa da Itália. Maradona foi logo amado e venerado como um rei,[1] chegando de helicóptero a um Estádio San Paolo tomado por torcedores que ainda custavam a acreditar. Ele, curiosamente, poderia ter chegado antes ao time: o clube o havia sondado em 1979, quando ainda estava no Argentinos Juniors, mas ele recusara a proposta na época. "Para mim, Napoli era apenas uma coisa italiana, como pizza", comentou.[13]

O espanto foi geral: a equipe mais vencedora do país, a Juventus, também estaria interessada, de acordo com a imprensa. Maradona terminou por escolher o clube celeste porque "foi o único a me fazer uma proposta real e porque o Giampiero Boniperti, ex-jogador e presidente da Juventus na época, já havia dito que um jogador com meu porte físico não chegaria a lugar algum". De acordo com as lendas, o presidente do Napoli, Corrado Ferlaini, teria blefado: depositou na federação italiana um envelope vazio, onde deveria estar o contrato do jogador, a fim de registrá-lo logo. Era o que ele precisava para ganhar tempo, enquanto a manobra era descoberta, para levantar o dinheiro para pagar o Barcelona.[13]

Cquote1.svg Fiz o que me recomendaram: falei "Buonasera, napoletani. Sono molto felice di essere con voi." e chutei a bola nas arquibancadas. Eles deliravam e eu não entendia nada [13] Cquote2.svg
Maradona, sobre sua chegada apoteótica ao estádio do Napoli

Na primeira temporada, o clube ficou apenas em oitavo, mas somente dez pontos atrás do campeão Verona. Na segunda, a de 1985–86, conseguiu um terceiro lugar. Sua terceira temporada começou com ele já consagrado em todo o planeta, com a conquista da Copa do Mundo de 1986. Em setembro, porém, surge a primeira grande polêmica extracampo: sua ex-empregada doméstica, Cristina Sinagra, denuncia que Maradona é o pai do filho que ela teve. A paternidade é confirmada posteriormente na justiça. O filho, Diego Sinagra (também conhecido como Diego Armando Maradona Jr.), jamais seria assumido e os dois só teriam seu primeiro encontro em 2003.[4]

Ainda assim, é na temporada 1986–87 que Maradona dá ao Napoli seu primeiro título na Serie A, sobre a poderosa Juventus. A festa termina completa no clube e na vida pessoal: paralelamente, o Napoli é também campeão da Copa da Itália, e nasce sua filha Dalma (batizada com o mesmo nome da mãe de Diego).[17] Na temporada seguinte, Maradona, com quinze gols, alcança a artilharia do campeonato. O vice-artilheiro é a sua dupla ofensiva, o brasileiro Careca – que fora para a equipe justamente para poder jogar ao lado de Maradona [18] –, com treze. O bi, porém escapa por três pontos: o título fica com o Milan de Marco van Basten e Ruud Gullit, que consegue a liderança em vitória direta, em plena Nápoles, quando os dois clubes enfrentaram-se na antepenúltima rodada.[19] O clube rossonero tornar-se-ia o maior rival do Napoli pelos títulos italianos: a Juventus decaía com a aposentadoria de Michel Platini em 1987 e a Internazionale vivia certa carência. Na Copa dos Campeões da UEFA, o Napoli cai cedo: é eliminado pelo Real Madrid, primeiro adversário que enfrenta.

Na temporada 1988–89, o campeonato italiano vai surpreendentemente para a Inter de Milão, com a perseguição única do Napoli (único time na reta final com chances de tirar o título da Inter[20] ) terminando em vão. O consolo fica por conta da Copa da UEFA: Maradona lidera o Napoli na campanha rumo ao primeiro título continental do clube. Nos mata-matas finais, o clube passa pela rival Juventus e pelo Bayern Munique até chegar na decisão, contra o Stuttgart. Os alemães são vencidos no embalo da dupla de Maradona com Careca: ambos marcam na vitória de virada no jogo de ida, em Nápoles, e seguram o empate na Alemanha Ocidental. Paralelamente, naquele ano ele casa-se em um estádio fechado com a namorada de infância, Claudia Vilafañe, e nasce Gianinna, sua segunda filha.[17]

1989–90 chega e o argentino novamente conduz o Napoli ao scudetto, com dois pontos de vantagem sobre o Milan. Maradona vivia o auge da carreira. A veneração em Nápoles em torno dele era tamanha que ele sentiu-se à vontade para convocar a população local para torcer pela Argentina, e não pela Itália, na Copa do Mundo de 1990, a ser realizada em solo italiano em semanas. Gerou enorme polêmica no resto do país, notadamente no norte, região dos times mais tradicionais, ressentidos com o sucesso meteórico do Napoli, que, por sua vez, era um clube de uma região historicamente desfavorecida no país. O presidente da federação italiana chegou a ir a público pedir que os cidadãos napolitanos torcessem pela Azzurra, e pesquisas de opinião foram feitas por jornais e revistas para calcular a que ponto Maradona conseguira influenciar Nápoles.[5]

Cquote1.svg Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcendo pela seleção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano[5] Cquote2.svg
Maradona, reiterando os pedidos para que os napolitanos apoiassem a Argentina na Copa de 1990, e não a anfitriã Itália
Maradona segue cultuado religiosamente em Nápoles

Na Copa, Maradona liderou uma Argentina esfrangalhada ao vice-campeonato, mas eliminando a Itália nas semifinais, aumentando o rancor do resto do país.[5] 1990/91 significar-lhe-ia um baque maior que a fratura em 1984 e as constantes pancadas no duro futebol italiano: novamente, o Napoli caiu cedo na Copa dos Campeões, na disputa por pênaltis contra os soviéticos do Spartak Moscou. Nada comparado ao que vem em março de 1991: seu exame antidoping após partida contra o Bari dá positivo para cocaína,[4] escancarando o vício do astro nas drogas.

Ele, ligado por provas robustas com a Camorra, a máfia napolitana,[5] foi suspenso do futebol por quinze meses. Entra em depressão e, no mês seguinte, em abril, é, sob efeito de drogas, preso em Buenos Aires pela polícia no bairro de Caballito.[4]

Decadência[editar | editar código-fonte]

O Napoli consegue se virar na temporada 1991–92 sem seu maior ícone, terminando em quarto. Maradona, decidido a deixar o time, protagoniza uma batalha judicial que dura 86 dias. A liberação foi brecada pelo presidente do clube, que estava brigado com o argentino. Após intervenção da FIFA, Maradona consegue se desligar do Napoli e acerta um retorno à Espanha, agora como jogador do Sevilla,[4] na época comandado por Carlos Bilardo, seu ex-técnico na Seleção.[17] Anos mais tarde, Ferlaini, o antigo presidente do Napoli, declararia que Diego fora salvo diversas outras vezes do antidoping, que era burlado com a urina de jogadores "limpos" nas vezes em que o argentino era sorteado.[4]

Sua estadia no clube andaluz não dura mais que a temporada 1992–93, onde fora apenas razoável: Maradona, pesando mais do que deveria,[17] descobre que os diretores do Sevilla, com suspeitas sobre suas saídas noturnas, contrataram detetives para monitorá-lo.[4] O argentino, que também desentendera-se com Bilardo, abandona o time imediatamente e acerta outro regresso, desta vez ao país natal, contratado pelo Newell's Old Boys. Mesmo recuperando a forma,[17] duraria menos ainda na equipe de Rosário: uma sucessão de lesões musculares provoca o término de seu contrato, após apenas cinco jogos oficiais [4] e alguns amistosos, um deles, curiosamente, contra o Vasco da Gama.[21]

Deprimido, Maradona afunda cada vez mais nas drogas. Em fevereiro de 1994, irritado com o assédio da mídia, atira com uma espingarda de ar comprimido em jornalistas que faziam plantão em frente à sua casa.[4] Acima do peso e desmotivado, a impressão geral era a de que ele abandonaria a carreira antes da Copa do Mundo de 1994. Conheceu então um fisiculturista em Buenos Aires que prometeu deixá-lo em forma novamente. A promessa foi cumprida, mas um novo antidoping durante a Copa desmascaria que, por trás do milagre, estava a proibida substância efedrina, uma droga usada para emagrecer.[1] A FIFA termina por puni-lo com outros quinze meses de banimento.[4]

Sem poder jogar, Maradona passa rápido como diretor-técnico do pequeno Textil Mandiyú. Em poucas semanas, porém, abandona o cargo do time de Corrientes. Assume como treinador do Racing, mas em março do ano seguinte desvincula-se dele também: o presidente que o havia contratado havia perdido as eleições.[4] As duas experiências foram curtas e pouco alentadoras: no Mandiyú, foram doze partidas e apenas uma vitória e, no Racing, onze jogos e apenas dois triunfos.[22] Poderia ter tido menos jogos ainda no Racing: após um 0 a 0 no clássico da cidade de Avellaneda, contra o Independiente, em que foi expulso pelo árbitro, ameaçou sair do cargo, mas foi contido pelo presidente.[23]

Com o fim da punição, ele volta ao seu amado Boca Juniors, comprado por dez milhões de dólares pelo Grupo Eurnekian, que em troca teria os direitos televisivos sobre onze partidas. O retorno, iniciado em jogo contra o Colón,[11] é estampado até em seus cabelos: Maradona descolore uma faixa do lado superior direito, simbolizando a faixa dourada do uniforme boquense.[24] [25] O clube acerta também com seu amigo Claudio Caniggia, outro notório usuário de cocaína.[5] É no jogo seguinte, o primeiro oficial dele contra o Argentinos Juniors, que ele marca seu primeiro gol na volta ao Boca.[11]

O Boca não ganhava títulos argentinos havia cinco campeonatos – o último fora o Apertura de 1992. Com Maradona e Caniggia em grande parceria, o clube consegue confortável liderança no Apertura 1995. Porém, em partidas sem seu maior astro, os xeneizes perdem pontos preciosos, chegando e levar de 4–6 para o Racing em plena Bombonera - a mesma quantidade de gols que haviam tomado em todo o torneio, até então. O clube deixa o título escapar para o Vélez Sarsfield e termina apenas em quarto.[11] O mesmo clube ganha o Clausura 1996, com o Boca, comandado por Carlos Bilardo (cuja contratação ele se opusera; no mesmo ano, brigaria com o presidente boquense, Mauricio Macri[17] ), ficando em quinto. A edição do torneio é mais lembrada por uma goleada de 4–1 sobre o River Plate em qua a afinada dupla Caniggia e Maradona se beija na boca, em comemoração após o terceiro gol do atacante loiro.[26] [27]

No entanto, é o rival quem viverá períodos melhores: ganha o Apertura 1996 (o Boca, sem tantas presenças de Maradona, fica apenas em décimo), a Taça Libertadores da América de 1996, o Clausura 1997 (nono lugar para o Boca, que só vê Maradona jogar uma vez [26] ) e o Apertura 1997. Durante este último campeonato, em que, no início, chegaria a ser novamente pego no antidoping,[28] Maradona faz sua última partida profissional, justamente em um Superclásico no Monumental de Núñez, em 25 de outubro. Joga o primeiro tempo da partida e é substituído pelo jovem Juan Román Riquelme. O Boca vence por 2–1 e conseguia a liderança com dois pontos de vantagem sobre o arquirrival, mas Maradona prefere anunciar sua retirada, após rumores de novo antidoping positivo.[17] O River conseguiria retomar a dianteira e seria campeão com um ponto de vantagem sobre o Boca.

Falando de si na terceira pessoa, Maradona resumiu seu retorno infrutífero em títulos ao Boca: "O Maradona não está feliz porque sabe que o Maradona está abaixo do padrão em que normalmente se coloca".[29] Ainda assim, houve setores da imprensa que defenderam sua convocação para a Copa do Mundo de 1998,[17] o que o faria ser um dos recordistas em participações no torneio.

Seleção argentina[editar | editar código-fonte]

Maradona fez seu primeiro jogo pela Argentina em 1977, em amistoso contra a Hungria.[30] Integrou o grupo dos pré-convocados para a Copa do Mundo de 1978, mas, apesar do clamor popular para vê-lo no torneio, a ser disputado no país, foi deixado de fora pelo técnico César Luis Menotti, em decisão polêmica em favor de Norberto Alonso, também apreciado por público e mídia – no momento da convocação, este era o artilheiro do campeonato com o futuro campeão River Plate e fizera belo gol no último amistoso, contra o Uruguai, tendo entrado durante a partida.[31] O que mais favorecia Beto Alonso, todavia, era o fato de ele ser o preferido dos dirigentes da AFA,[32] o que incluía o general Carlos Alberto Lacoste.[31]

"Ele ainda é um garoto e precisa amadurecer. Mas sem dúvida ele pode mais que os outros e ainda vai brilhar muito no futebol", explicou Menotti sobre a decisão de cortar Maradona.[1] Maradona ficou arrasado, mas não guardou mágoas de Menotti, considerado por ele o melhor técnico que já teve, superior até a Carlos Bilardo, o comandante em 1986.[6] Pouco após o corte, foi consolado por Omar Sívori, ex-craque de história no River Plate e na Juventus e que defendera tanto a Argentina quanto a Itália: "Me escute, garoto... você tem a verdade do futebol dentro de si e toda uma vida para mostrá-la". Apesar da decepção, Maradona chegaria a enviar um telegrama desejando sorte aos jogadores, a acompanhar dois jogos da Albiceleste no Monumental de Núñez, contra Itália e na decisão contra os Países Baixos, e a participar dos festejos pós-título pela cidade de Buenos Aires.[32]

Cquote1.svg Poderia ter jogado no mundial de 1978. Estava afinado como nunca. Chorei muito, senti como uma injustiça. (...) Quando se deu a notícia [de que seria cortado] vieram alguns a me consolar: Luque, um grande tipo, o Tolo Gallego... e ninguém mais. Nesse momento eram demasiado grandes para gastar uma palavra com um garoto. (...) O pior foi quando voltei a minha casa. Parecia um velório. Chorava minha velha, meu velho, meus irmãos... esse dia, o mais triste da minha carreira, jurei que iria ter revanche. Foi a maior desilusão da minha vida, me marcou para sempre[32] Cquote2.svg
Sobre o corte da Copa de 1978

No ano seguinte, Maradona liderou a Seleção na conquista do Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 1979. Marcou seis vezes e foi eleito o melhor jogador da competição.[1] 1979 foi também o ano em que ele marcou o primeiro gol pela seleção principal, em sua nona partida por ela. Foi em vitória por 3–1 sobre a Escócia, em Glasgow. Ele também marcou o único gol da Argentina na derrota por 1–2 para Seleção do Resto do Mundo,[30] em amistoso que ironicamente celebrava o primeiro aniversário do título argentino na Copa do Mundo de 1978.

Copa do Mundo de 1982[editar | editar código-fonte]

A Argentina, detentora do título, realizou contra a Bélgica o jogo inaugural da Copa do Mundo de 1982. O time, no papel, era ainda melhor do que o de 1978: reunia a campeã espinha-dorsal formada por Ubaldo Fillol, Daniel Passarella, Mario Kempes, Osvaldo Ardiles, Américo Gallego e Daniel Bertoni somada com as estrelas do título de juniores de 1979, Maradona e Ramón Díaz.[32] Dieguito já era conhecido internacionalmente, ainda mais após a venda para o Barcelona, concretizada pouco antes do mundial.

A estreia de Maradona em Copas, porém, seria desagradável. Ele foi repetidamente chutado e derrubado pelos belgas, chegando a receber entradas violentas pelas costas e ser puxado de cima da bola. Porém, o árbitro tchecoslovaco Vojtech Christov não tomou nenhuma medida contra os adversários, que venceram por 1–0.[5] A Argentina recuperou-se e se classificou após vencer Hungria, em que ele marcou seus dois primeiros gols em Copas, em goleada de 4–1,[30] e El Salvador. A segunda fase seria decidida em quatro grupos com três países, com cada grupo conferindo uma vaga nas semifinais. A Argentina enfrentaria Itália e Brasil.

O primeiro jogo foi entre argentinos e italianos e novamente Maradona seria caçado em campo, com uma truculenta marcação individual de Claudio Gentile. Após levar socos, chutes e joelhadas do início ao fim, foi Maradona, e não Gentile, a receber o cartão amarelo do juiz romeno Nicolae Rainea, que entendia que o argentino reclamava energicamente sem cabimento.[5] A Itália venceu por 2–1 e praticamente obrigou a Argentina a vencer os brasileiros para haver chances reais de classificação.

Contra os rivais, Maradona finalmente veria um cartão vermelho em uma falta desleal que lhe envolvia. Porém, o autor da infração era ele, após desferir com a sola do pé um chute, pensando ser em Falcão,[32] nos testículos de Batista. Cinco minutos antes do fim do jogo,[5] perdido por 1–3, Maradona saía de campo e da Copa. Permaneceu na Espanha, para jogar pelo Barcelona. Reconheceu mais tarde que a seleção vivia um ambiente festeiro e excessivamente confiante antes do torneio.[32]

Copa do Mundo de 1986[editar | editar código-fonte]

Maradona foi convocado para o segundo mundial do México com algumas críticas. Alguns setores da mídia questionavam a escolha do técnico Carlos Bilardo em chamá-lo e ainda por dar-lhe a tarja de capitão.[33] Maradona ainda não havia triunfado totalmente no Napoli. Na Itália, ainda era considerado apenas um bom jogador e malabarista.[6] Mesmo assim, o respeito que despertava em Bilardo era tão grande que o treinador não usaria na competição o convocado Daniel Passarella, estrela e capitão do título da 1978, mas desafeto de Dieguito.[34]

Maradona novamente apanhou na estreia, contra a Coreia do Sul, vencida por 3–1. No jogo seguinte, marcou o gol argentino no empate em 1–1 contra a campeã Itália. A classificação veio após vitória por 2–0 sobre a Bulgária. As oitavas-de-final seriam contra os rivais do Uruguai de Enzo Francescoli. Maradona teve um gol anulado e, instigado, realizou a melhor partida de sua vida, de acordo com o próprio. A Albiceleste eliminou a Celeste por 1–0, em dia em que ele afirma ter realizado bem todas as jogadas.[6] O próximo adversário da Argentina seria a Inglaterra.

Era a primeira vez que ambos se enfrentavam após a Guerra das Malvinas e um clima bastante tenso rondava a partida, fazendo com que o próprio exército mexicano patrulhasse as arquibancadas e as redondezas do Estádio Azteca, chegando a haver tanques nas ruas. O primeiro tempo terminou sem gols. No início do segundo, após driblar marcadores, Maradona passou a bola para um companheiro, que a perdeu. Steve Hodge, zagueiro adversário, chutou alto e a bola foi em direção ao goleiro Peter Shilton. Maradona continuou a correr e, com o punho cerrado, jogou a bola por cima de Shilton, vinte centímetros mais alto, fazendo com que a bola entrasse no gol inglês, naquele gol que ficou conhecido como La Mano de Dios. A despeito dos protestos dos britânicos com o árbitro, o tunisiano Ali bin Nasser, o gol foi validado.[5] Curiosamente, não era a primeira vez que ele fazia isso: em jogo do campeonato italiano de 1984–85 contra a Udinese de Zico, marcou dessa forma e ali, também, a trapaça não fora anulada.[35]

Em espaço de alguns minutos, o argentino marcaria outro gol igualmente célebre, e que ficou conhecido como O Gol do Século. A Argentina trocava passes em seu campo de defesa quando Maradona pediu a bola. Ele estava de costas para o campo de defesa inglês quando recebeu, tendo em volta três adversários: Hodge, Peter Reid e Peter Beardsley. Quando Beardsley aproximou-se para disputar a bola, Maradona girou em sentido contrário, saindo do meio-de-campo e avançando na meta inglesa. Reid o perseguiu sem sucesso e Terry Butcher foi facilmente deixado para trás, assim como Terry Fenwick.[5]

Butcher continuou correndo atrás, tentando ainda um carrinho quando Maradona tocou para as redes no momento em que Shilton tentou bloqueá-lo. A Argentina se fechou, chegando a sofrer gol de Gary Lineker a dez minutos do fim e quase levar empate do mesmo Lineker depois, mas conseguiu manter a vitória e se classificou. Após a partida, Maradona declarou que "se houve mão na bola, foi a mão de Deus", para o delírio da torcida argentina, sentindo-se vingada.[5] O outro gol, por sua vez, seria o eleito em 2002 o mais bonito da história das Copas. Porém, este não foi o gol que Don Diego considerou o mais bonito de sua carreira, e sim um que ele fez num jogo amistoso realizado em 19 de fevereiro de 1980, na Colômbia, quando o então jovem Maradona defendia o Argentinos Juniors.[36]

Se a Guerra das Malvinas motivara os argentinos contra os ingleses, Maradona continuou especialmente motivado nas semifinais. Reencontraria a Bélgica, que tanto lhe chutara em 1982. Para aumentar a animosidade, o goleiro adversário Jean-Marie Pfaff declarou antes da partida que "Maradona não é nada de especial".[37] Apesar de novas pancadas, El Pibe perseverou e anotaria dois lindos gols no segundo tempo. No primeiro, passou por dois zagueiros e venceu Pfaff com um chute de trivela. Vinte minutos depois, na entrada da área belga, virou para um lado, avançou para o outro, fingiu que passaria a bola, gingou, deixou quatro adversários para trás e bateu novamente Pfaff. A Argentina voltava a uma final.

O jogo seria contra a Alemanha Ocidental. Maradona, desta vez, não marcou. O técnico alemão, Franz Beckenbauer, ordenara que Lothar Matthäus marcasse de perto o argentino. Ainda assim, o primeiro gol surgiu em razão dele: Matthäus cometeu uma falta em Maradona que Jorge Burruchaga cobraria para José Luis Brown abrir o marcador. Todavia, Maradona continuou dominado por Matthäus até cinco minutos do fim do jogo. Após estarem perdendo por 0–2, os germânicos haviam acabado de empatar heroicamente. Foi quando Maradona recebeu a bola e, entre dois adversários, deu belo passe para Burruchaga fazer 3–2.[5] Ao final, como capitão, ergueu a Copa que, na opinião geral, ganhara praticamente sozinho.[1]

Cquote1.svg Não me assustei [após os alemães conseguirem o empate em 2–2]. Quando voltamos à metade do campo para reiniciar [a partida], (...) olhei Burru e lhe disse: 'veja que estão mortos, já não podem correr. Vamos movimentar a bola que os liquidaremos antes do fim [do tempo normal]'[32] Cquote2.svg
Sobre o final da decisão de 1986.

O título lhe faria ser coroado o melhor jogador do mundo pela revista Onze d'Or, premiação que receberia novamente no ano seguinte, após o primeiro título italiano com o Napoli. A Bola de Ouro, por sua vez, ainda era restrita a jogadores europeus, o que só terminaria em 1995. O prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA só seria criado em 1991.

Copa do Mundo de 1990[editar | editar código-fonte]

Quando o mundial começou, Maradona, bem diferente dos dois anteriores, era um jogador totalmente consagrado internacionalmente. Além de líder do bicampeonato mundial argentino, havia, finalmente, dado títulos importantes à até então inexpressiva equipe do Napoli. Mesmo na Copa América de 1989, a terceira que disputou e não venceu, encantara: no jogo contra os uruguaios, apenas o travessão o impediu de fazer um gol do meio-de-campo no Maracanã.[38] Declarou antes da Copa do Mundo que teriam de "arrancá-la de suas mãos". Embora seu relacionamento com o técnico Bilardo já não fosse tão boa, conseguiu impor-lhe novamente sua opinião na escalação: se em 1986 não queria que Passarella jogasse, em 1990 pressionou o treinador para chamar o amigo Claudio Caniggia.[32] Mas a relação com os italianos em geral, principalmente do norte, talvez fosse pior.[5]

Em razão de sua consagração, foi novamente caçado na estreia e a Argentina, supreendida com o futebol talentoso mas ao mesmo tempo violento de Camarões, que teve dois jogadores expulsos, perdeu por 0–1 para os africanos.[5] Após a partida, na coletiva de imprensa, ironizou que "o único prazer desta noite foi descobrir que graças a mim os italianos de Milão deixaram de ser racistas: hoje, pela primeira vez, apoiaram os africanos",[32] em alusão à cidade onde realizara-se o jogo, a mesma onde localizava-se o Milan e a Internazionale, os maiores rivais do Napoli na época. No jogo seguinte, os campeões encararam a União Soviética, que se entusiasmou após o goleiro argentino titular, Nery Pumpido, machucar-se sozinho e sair de maca aos dez minutos.

Os soviéticos passaram a pressionar o reserva, Sergio Goycochea, e abririam o placar com uma cabeçada de Oleh Kuznetsov se a mão de Maradona não entrasse em cena novamente. A bola ia entrando nas redes quando ele apareceu e puxou-a aos seus pés com a mão direita, para mandá-la para longe, e a irregularidade novamente não foi punida pelo árbitro,[5] o sueco Erik Fredriksson. Os argentinos venceriam por 2–0 e, após empatar em 1–1 com a Romênia, passaram por pouco à segunda fase apenas como um dos melhores terceiros colocados, sistema que passara a vigorar naquele mundial.

A Argentina enfrentaria nas oitavas-de-final o Brasil, que havia conseguido três vitórias em três jogos. Com tantas pancadas na primeira fase, Maradona entrou em campo com as pernas e coxas cobertas de equimoses e com uma inchação permanente em seu tão chutado tornozelo esquerdo,[5] que mais parecia uma bola.[32] Isso obrigou-lhe a praticamente apenas caminhar em campo na maior parte de partida. Os brasileiros, melhores em campo, chegaram a acertar três vezes as traves de Goycochea quando, a oito minutos do fim, Maradona finalmente acelerou em campo com a bola nos pés. Atraiu a marcação de quatro jogadores, deixando Claudio Caniggia totalmente livre.[5] Maradona entregou a bola a ele, que só teve o trabalho de vencer Taffarel.

O heroísmo quase deu lugar à vilania contra a Iugoslávia, nas quartas-de-final. A partida terminou em 0–0 no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, Maradona cobrou mal e Tomislav Ivković defendeu. Mesmo com Pedro Troglio também desperdiçando sua cobrança, os sul-americanos avançaram após Goycochea defender os chutes de Dragoljub Brnović e Faruk HadžibegićDragan Stojković já havia errado anteriormente a sua, chutando no travessão.

A semifinal prometia nova atmosfera tensa. A Argentina enfrentaria a Itália, que tanto vinha odiando Maradona. Para completar, o jogo seria em Nápoles. Uma bandeira da Argentina chegaria a ser arrancada da concentração da seleção e Maradona pediu intervenção da embaixada.[32] Mais uma vez, ele apelou a seu público napolitano que torcesse pela Argentina. E boa parte de sua audiência contumaz realmente se sentiu incapaz de torcer contra o ídolo.[1] Os anfitriões saíram na frente e sofreram o empate no meio do segundo tempo – era o primeiro gol que a Itália tomava na Copa. Na jogada, Maradona passou a bola para Julio Olarticoechea cruzar para Caniggia desviar com a cabeça das mãos de Walter Zenga, que ainda não havia tomado gols no torneio. Novamente, os argentinos encararam os pênaltis na Copa. Desta vez, Maradona marcou o seu. Goycochea defendeu outra vez duas cobranças, de Roberto Donadoni e Aldo Serena, e a Albiceleste tirou a Azzurra do caminho. Mais do que nunca, os italianos sentiam um verdadeiro ódio contra Maradona,[5] que declarou que eliminar os anfitriões foi o seu maior feito em Copas, "por todos os significados que teve, embora tenha me custado um montão de coisas depois. (...) Você não imagina o prazer".[6]

Não foi surpresa que ele tenha sido vaiado antes e durante todo o jogo, na final, novamente contra a Alemanha Ocidental. Durante a execução do hino nacional argentino, preferiu, ao invés de cantá-lo, soltar palavrões inaudíveis ao público.[39] Ele pouco pôde fazer na partida: a Argentina estava mais enfraquecida na Copa do que nunca, desfalcada de quatro titulares, suspensos: Caniggia, Olarticoechea, Ricardo Giusti e Sergio Batista. Pedro Monzón seria ainda expulso no início do segundo tempo. Os alemães conseguiram a revanche, vencendo com um único gol, de pênalti, a cinco minutos do fim. Os argentinos não perdoariam a marcação a penalidade, duvidosa, e o árbitro mexicano Edgardo Codesal. Gustavo Dezotti, posteriormente, também seria expulso e Maradona receberia um cartão amarelo por reclamação. Ao final da partida, o estádio inteiro se alegrou quando o telão transmitiu o rosto em lágrimas do argentino, que se recusou a apertar a mão do presidente da FIFA, João Havelange, ao receber a medalha de prata.[32]

Esquecendo-se que trapaceara em 1986 e no próprio mundial de 1990, Maradona declarou: Isto foi uma trama armada pela FIFA. Fomos punidos por vencer a Itália, que era a equipe que a FIFA queria que ganhasse esta Copa do Mundo. Há uma máfia no mundo do futebol. Aquele pênalti não existiu. Foi dado de graça para que os alemães vencessem.[5] Ele escreveria em sua biografia, anos mais tarde, que um dia antes da decisão, quando os argentinos foram realizar o reconhecimento do gramado, que Julio Grondona – presidente da AFA e um dos vice-presidentes da FIFA – comentara-lhe que estava com um mau pressentimento, de que os argentinos já estariam fora do título.[32]

Copa do Mundo de 1994[editar | editar código-fonte]

Maradona, após a suspensão de quinze meses dada pela FIFA, ficou três anos sem jogar pela Argentina partidas oficiais.[30] Em fevereiro de 1993, voltou a vestir a camisa alviceleste para um amistoso contra o Brasil celebrativo do centenário da Associação do Futebol Argentino,[40] e outro contra a Dinamarca pelo Troféu Artemio Franchi, amistoso que reunia o campeão sul-americano e o europeu.[30] Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, porém, não vinha sendo utilizado, e sem ele o país não vinha se dando bem: na última partida, chegou a ser goleado por 0 a 5 pela Colômbia em plena Buenos Aires e só não foi desclassificado porque o Paraguai não saiu de um empate com o Peru em Lima. Um clamor crescia a cada dia pelo retorno do astro,[7] [41] finalmente chamado de volta para os dois jogos da repescagem, contra a Austrália. O primeiro gol após voltar veio em abril de 1994, em amistoso contra o Marrocos.[30]

Após recuperar milagrosamente a velha forma, Maradona começou a Copa do Mundo de 1994 dando espetáculo. Marcou de fora da área contra a Grécia e, em famosa comemoração, rugiu com os olhos esbugalhados para uma câmera. Contra a Nigéria, demonstrou fôlego incansável [5] e inspirou os argentinos a vencerem de virada. O milagre por trás da perda de treze quilos – de 89 para 76 [32] – em um tempo assustadoramente curto antes do torneio foi revelado em novo antidoping, que detectou efedrina. A droga, além de ser usada para emagrecer,[1] era também um poderoso estimulante. Para a Seleção Argentina não ser desclassificada, Maradona teve de jurar inocência [5] e a Associação do país teve de retirar seu nome do elenco.[4]

Cquote1.svg Sentia que havia jogado um partidaço, estava feliz. Veio essa enfermeira a buscar-me e não suspeitei de nada. O único que fiz foi olhar à Claudia [esposa], que estava na tribuna, e lhe fiz um gesto como dizendo-lhe: 'e essa, quem é?'. Estava tranquilo porque havia feito controles [antidoping] antes e durante o mundial e todos davam bem.[32] Cquote2.svg
Sobre após a partida contra a Nigéria, sua última em mundiais

O episódio gerou bastante revolta na Argentina. Para os mais exaltados, Maradona, que recebera a solidariedade do tenor Luciano Pavarotti, declarado usuário de efedrina, estava sendo vítima de uma conspiração da FIFA. De acordo com a teoria de conspiração, a própria entidade, temerosa que a falta de grandes astros fizesse do mundial dos Estados Unidos um fiasco, havia autorizado informalmente que Maradona usasse substâncias ilícitas para voltar à forma e jogar a Copa. No entanto, suas exibições teriam extrapolado o que a FIFA queria dele, ameaçando interesses de outras seleções.[5] Fato é que Maradona, declarando ser este o episódio mais triste de sua carreira, afirmou: "me cortaram as pernas. Era meu último mundial e iríamos ser campeões".[6]

A Argentina em 1994, ao contrário das Copas anteriores, onde o talento se limitava a Maradona, reunia jogadores de renome: Claudio Caniggia se consagrara em 1990 e a seleção tinha também Gabriel Batistuta, Fernando Redondo e Ramón Medina Bello em grande forma.[1] [41] Eles, sem a companhia de Maradona, haviam conquistado as Copas América de 1991 e 1993, torneio que Dieguito não conseguira ganhar nas três ocasiões em que participou (1979, 1987 e 1989).

Porém, os companheiros não conseguiram superar o baque com a saída de Maradona. A Argentina perdeu a última partida da primeira fase por 0–2 para a Bulgária e novamente só se classificou como uma das melhores terceiras colocadas, sistema que não seria mais utilizado a partir da Copa seguinte. Nas oitavas-de-final, veio a eliminação perante a Romênia, jogo em que ele chegou a comentar para um canal de televisão.[32] O jogo contra a Nigéria deixou Maradona, em sua quarta Copa – um recorde entre os argentinos – como o jogador que mais partidas disputou no torneio. Poderia ter sido mais – houve certa pressão para que o agora técnico Daniel Passarella o chamasse para a Copa do Mundo de 1998, mesmo com Maradona já aposentado.[17]

Posteriormente, seu recorde seria superado por Lothar Matthäus em 1998 (em sua quinta Copa, o alemão alcançou a 25ª partida) e igualado por Paolo Maldini em 2002 (a quarta e última do italiano).

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua de Maradona acompanhada das de outros ícones argentinos: Carlos Gardel e Eva Perón.

Maradona não jogaria mais pela Argentina até 10 de novembro de 2001, quando foi realizada uma partida comemorativa em La Bombonera. O jogo foi contra um combinado de estrelas, dentre elas Enzo Francescoli, Éric Cantona, Davor Šuker, Hristo Stoichkov, René Higuita, Nolberto Solano e até o compatriota Juan Román Riquelme.[42]

A Argentina conseguira vencer a Copa do Mundo de 1978 sem Maradona. Porém, foi com ele no auge da carreira liderando a Seleção que a Albiceleste, já sem Mario Kempes, Osvaldo Ardiles, Ubaldo Fillol e Daniel Passarella, conseguiu com elencos fracos chegar a outras duas finais de Copa do Mundo, e saindo-se vencedora na de 1986. O país continuou a revelar bons talentos, mas nenhum conseguiu preencher com a mesma mística o vazio deixado com a saída um tanto precoce de El Pibe. Talvez por isso, a Seleção chegou a manifestar o desejo de aposentar o número 10 em sua camisa por ocasião da Copa do Mundo de 2002, mas foi impedida pela FIFA.[32]

O melhores resultados em Copas foram três eliminações nas quartas-de-final, em 1998, 2006 e 2010, sendo ele o treinador nesta última. Mais do que isso, todo jogador promissor a surgir no país recebe o fardo de "novo Maradona": a alcunha já caiu a diversos nomes, como Claudio Borghi, Diego Latorre (ambos despontaram com Dieguito ainda em boa forma; Borghi chegou a integrar o elenco campeão mundial de 1986), Marcelo Delgado, Ariel Ortega, Marcelo Gallardo, Hernán Crespo, Juan Román Riquelme, Leandro Romagnoli, Javier Saviola, Pablo Aimar, Andrés D'Alessandro, Carlos Tévez, Lionel Messi e o mais recente, Sergio Agüero, dentre outros.[43] [44] [45]

Turbulenta vida pessoal pós-gramados[editar | editar código-fonte]

Após aposentar-se definitivamente, Maradona aumentou consideravelmente de peso. Foto de 2005, meses antes de sua cirurgia de redução de estômago

Um ano após aposentar-se no Boca, foi à Copa do Mundo de 1998 como comentarista.[1] Após a eliminação da Argentina, comandada por Daniel Passarella, manifestou pela primeira vez sua intenção em tornar-se técnico da Albiceleste, ao mesmo tempo em que não perdoava o desafeto: "Para começar vou dizer que quero ser o técnico da Seleção. O que mais bronca me deu é que não jogou a Argentina. Nos disfarçamos de Alemanha e caímos fora do mundial. Nossos jogadores podem dormir tranquilos. Perdemos pelo planejamento tático. (...) Estou quente porque Passarella negou a 35 milhões de argentinos a presença de Caniggia e Redondo".[32] Passarella não chamara os dois por não concordar com cabelos compridos, e só não fizera o mesmo com Gabriel Batistuta porque este acatara o pensamento do treinador.[46]

No ano seguinte, em que é eleito o atleta argentino do século,[17] Maradona envolveu-se em nova polêmica com filhos fora do casamento: desta vez, a justiça argentina determinou que ele é pai de uma menina de três anos, após sete negativas do ex-jogador em fazer o exame de DNA. No entanto, Maradona faria o exame mais tarde e ficaria provado que ele não era o pai da jovem. Já no caso de Diego Sinagra, filho que Maradona teve enquanto viveu na itália, o reconhecimento, ainda que tardio, aconteceria. Em 2000, inicia um tratamento contra as drogas em Cuba, após ser internado depois de tomar um coquetel de remédios em Punta del Este, no Uruguai, e quase morrer. Na ilha, se enfurece com fotógrafos locais, agride-os e quebra o vidro de um carro com um soco, rendendo-lhe novo processo.[4]

Esteve próximo da morte novamente em 2000 em setembro, quando destrói sua caminhonete ao chocar-se com um ônibus em Havana, escapando ileso por milagre. Em outubro, é contratado para ser manager do Almagro, mas jamais assume o cargo. Em novembro, tem seu visto negado para entrar no Japão, onde iria assistir seu Boca Juniors enfrentar o Real Madrid no Mundial Interclubes; as autoridades japonesas alegam o vício de Maradona em drogas como justificativa. A redenção pessoal de Dieguito vem em dezembro, quando é eleito o melhor jogador do século pela FIFA por votação na Internet. Porém, ele se retira da festa para não cruzar com o desafeto Pelé, que recebe premiação similar oferecida por votos de jornalistas.[4]

No mês seguinte, em janeiro de 2001, é abordado por agentes do fisco italiano ao chegar ao aeroporto de Roma; Maradona estaria devendo 24 milhões de dólares em impostos. Antes de uma nova viagem à Itália, em novembro, quebra o telefone de um jornalista no aeroporto. Em 2002, volta a ter negada a sua entrada no Japão, onde pretendia assistir a Copa do Mundo de 2002. No mesmo ano, a namorada de infância que tornou-se sua esposa, Claudia Vilafañe, pede a separação. Ele também é condenado a dois anos e meio de prisão pela agressão aos jornalistas com espingarda em 1994, mas não precisou cumprir a pena. Arranja problemas também com a vizinhança de sua nova casa, na qual chega a provocar um incêndio na sauna.[4]

Após encerrar seu tratamento e realizar uma operação de redução de estômago, Maradona passou a realizar com alguma frequência amistosos e exibições de showbol

Em abril de 2004, fica novamente a ponto de morrer. Passa mal após assistir um Boca Juniors versus Nueva Chicago na Bombonera e é internado com problemas cardíacos e infecção pulmonar na Clínica Suíço-Argentina, em Buenos Aires, constantando-se overdose de cocaína. Ele fica em coma e chega a respirar com ajuda de aparelhos, reagindo apenas no oitavo dia. Sai dois dias depois sem ter alta dos médicos. Em maio, é novamente internado, chegando a ser recusado por várias instituições médicas da Argentina e do exterior. Chega a ser sedado e amarrado após uma crise de abstinência da cocaína. Seu médico particular declara em ultimato que ele tem a última chance de salvar sua vida.[4] Maradona posteriormente afirmaria que retirou forças para se desintoxicar definitivamente após apelos de sua filha Giannina: "pai, você tem que viver por mim".[6]

Após cinco meses de internação, obtém autorização judicial para ir à Cuba retomar seu tratamento.[4]

Recuperação[editar | editar código-fonte]

Recuperado, durante o ano de 2005 Maradona foi duas vezes destaque na mídia televisiva: em janeiro, confirmou a acusação de Branco de que, nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 1990, o massagista argentino fornecera água com tranquilizante ao lateral brasileiro. Em tom de deboche, Maradona, ciente do que ocorria, falou que oferecera a água também a Valdo[47] [48] e que se desesperou quando o colega Julio Olarticoechea estava prestes a beber na mesma garrafa.[47]

Depois, Maradona, após perder cinquenta quilos depois de uma cirurgia de redução de estômago em Cartagena, na Colômbia,[49] e chegar aos 75 quilos,[48] tornou-se apresentador de um talk show, "La noche del Diez" ("A noite do Dez"), onde recebeu figuras de todo o mundo, como o próprio desafeto Pelé, Xuxa, Mike Tyson [50] e Fidel Castro. A noite com Pelé foi marcada por um inesperado bom humor e amistosidade entre ambos, que cantaram juntos e terminaram trocando passes de cabeça, emocionando a plateia.[48] Por sinal, foi nos bastidores do programa que sua filha Giannina conheceria pessoalmente Sergio Agüero, com quem iniciaria um celebrado relacionamento amoroso.[51] No mesmo ano, sua popularidade junto ao Boca faz com que o clube aceite sua indicação para treinar o time: Alfio Basile.[17]

Um ano depois, demonstrou sua recuperação ao mundo ao assistir os jogos da Argentina na Copa do Mundo de 2006, inclusive aparecendo no vestiário para incentivar os jogadores – curiosamente, só não conseguiu fazê-lo na partida da eliminação, contra a Alemanha.[32] Para o seu desgosto, não é chamado para treinar a seleção; para ocupar a função, Julio Grondona escolhe tirar Basile do Boca.[17]

Em 28 de março de 2007, Maradona sofreu uma recaída e foi internado com uma crise hepática causada por abuso de álcool.[52] Ele afirma que não foi por causa de cocaína, reiterando que não a usa mais desde a crise de 2004;[6] por outro lado, foi tornando-se alcoólatra justamente para substituir a droga em pó.[17] Ainda assim, a internação gerou boatos de um susposto ataque cardíaco que teria causado sua morte, causando alvoroço até no governo argentino: o então presidente Néstor Kirchner chegou a pedir informações sobre o assunto ao seu ministro da saúde.[53] A preocupação justificava-se: 80% dos casos similares ao que tivera resultam na morte do paciente.[17] Um mês antes, o astro já havia sido internado, após sentir mal-estar repentino na casa dos pais.[53]

Como treinador da Seleção Argentina.

Em fevereiro de 2014, Maradona com 53 anos assumiu o namoro e anunciou o noivado com Rocío Oliva de 22 anos. Estiveram de casamento marcado até abril, altura em que Maradona descobriu que tinha sido roubado. Em junho, O ex jogador argentino pediu um mandado de captura internacional contra Rocío Oliva, que desapareceu com muitos dos seus bens.[54]

Rocío Oliva acusou Maradona de violência doméstica Rocío Oliva contou ainda que Maradona "bebia sem parar" e revela o motivo do final da relação: "Ele [Maradona] mantém uma relação com um homem, Alejo Clérici. Maradona desmentiu todas as acusações e revelou que não guarda rancor da ex-namorada, chegando até a dizer que ainda está "apaixonado" por Rocío. Ainda assim, Maradona não pediu para que fosse retirado o mandado de detenção da Interpol para Rocío Oliva e continua a alegar que esta lhe roubou algumas joias da sua casa no Dubai, avaliadas em mais de 310 mil euros.[55] Oliva foi detida, em 17 de julho de 2014, no aeroporto internacional de Ezeiza, Argentina.[56]

Técnico da Argentina[editar | editar código-fonte]

Maradona assumiu o comando da Seleção Argentina em outubro de 2008, após a saída de Alfio Basile.[57] Julio Grondona, o presidente da Associação do Futebol Argentino, já havia lhe prometido verbalmente o cargo após a Copa do Mundo de 2006,[6] mas na época optara por Basile. Após o técnico sucumbir com os maus resultados e críticas da imprensa, Grondona pensava em efetivar Sergio Batista, técnico da seleção argentina olímpica que conseguira a medalha de ouro nos Jogos de 2008.[22]

Porém, nas próprias Olimpíadas de Beijing Maradona pavimentou seu caminho. Com permissão livre para acompanhar a delegação, Maradona procurou travar relação forte com os jogadores, muitos deles figuras também da seleção principal, como seu genro Sergio Agüero, Fernando Gago e Lionel Messi.[58] Grondona, doze dias após a demissão de Basile, enfim acatou o desejo de Diego, por razões políticas: o homem mais indicado para o cargo, Carlos Bianchi, era um desafeto pessoal do presidente.

Já sendo técnico da Argentina, Maradona saúda fãs em Calcutá, na Índia

O anúncio causou furor. Quinhentos jornalistas se credenciaram para cobrir a sua estreia, contra a Escócia.[22] Maradona chegou a ameaçar demitir-se em menos de duas semanas, pois Grondona não aceitava o ex-jogador Oscar Ruggeri na comissão técnica. Mesmo endeusado, porém, Maradona continuou a colecionar polêmicas, como discussões indiretas com Juan Román Riquelme, que pediu dispensa da Seleção. Riquelme já se sentia deslocado por não receber a mesma atenção que Maradona dedicava os jogadores "europeus". O novo técnico ainda tirou-lhe a faixa de capitão, entregue a Javier Mascherano. A gota d'água para Riquelme foi ter sido criticado por Maradona na televisão.[58]

Em 2009, sofreu bastantes críticas. A Argentina obteve resultados vergonhosos, incluindo uma goleada de 1–6 para a Bolívia em La Paz, o pior resultado da história da seleção – sendo que, ironicamente, Maradona manifestara-se a favor do direito boliviano de usar a cidade, em alta altitude –, e uma derrota de 1–3 para o Brasil em plena Rosário. Os argentinos ficaram ameaçados de não se classificarem, conseguindo no sufuco a última vaga direta no confronto direto contra o Uruguai, em Montevidéu.[59] [60]

Em menos de vinte jogos, Maradona usou oitenta jogadores diferentes.[61] Apesar de criticado por muitos, completou um ano no comando da seleção com bons números: em 13 jogos, venceu 9 e perdeu 4.[62]

Após o árbitro apitar o fim da partida dramática contra o Uruguai, Maradona não se esqueceu das pesadas críticas que sofreu da imprensa, expressando todo o seu ressentimento em desabafos obscenos, gritando em referência às suas genitais "que la chupen, que la chupen y que la sigan mamando".[7] [63] A grosseria lhe renderia uma suspensão da FIFA por dois meses, além de uma multa.[64] Posteriormente, pediu publicamente desculpas, mas apenas às mulheres e crianças.[7] A fúria contra a própria imprensa argentina era anterior até mesmo ao caso onde atirara para espantar jornalistas em 1994: em 1991, após ser preso sob efeito de drogas em Caballito, Maradona não perdoou jornalistas que insinuaram a respeito de aventuras homossexuais do jogador, apanhado na companhia de vários homens que os jornalistas apontaram como "suspeitos".[65]

Durante a Copa, Maradona ostentou barba e bigode. O visual foi usado para disfarçar cicatrizes sofridas após ser mordido nos lábios por uma cadela de estimação.

Na convocação para a Copa, chamou apenas dois de quatro experientes argentinos que haviam contribuído decisivamente para a brilhante temporada 2009–10 da Internazionale triplamente campeã (campeonato italiano, Copa da Itália e Liga dos Campeões da UEFA, feito inédito na Itália): Walter Samuel e Diego Milito, deixando de fora Javier Zanetti e Esteban Cambiasso até da lista dos 30 pré-convocados , bem como o irmão de Diego, Gabriel Milito (do Barcelona) e Fernando Gago (do Real Madrid). Zanetti teria ficado com imagem negativa perante ao treinador após as derrotas para Brasil e Paraguai, nas eliminatórias, e o estilo de jogo de Cambiasso não agradaria Maradona. Gago e Gabriel Milito, por sua vez, pouco haviam jogado na temporada europeia (o madridista, pela reserva e Gabi, por lesões), e o técnico já havia antecipado que iria priorizar quem vinha mantido ritmo de jogo.[66] [67]

Também para a pré-lista não chamou outros mais famosos, por não viverem boa fase ou não se encaixarem no seu jogo: Pablo Aimar, Javier Saviola, Lucho González, Éver Banega, Pablo Zabaleta e Lisandro López já eram dados como fora do mundial antes mesmo da divulgação da lista preliminar.[67] Maradona não esqueceu, todavia, dos surpreendentes heróis da classificação argentina. Ele havia pré-convocado sete atacantes,[68] deixando de fora da lista final o jovem Ezequiel Lavezzi, destaque do Napoli, favorecendo o veterano Martín Palermo, autor do gol da vitória nos acrécimos sobre o Peru, na penúltima partida, minutos após o gol de empate peruano em pleno Monumental de Núñez. Já uma vaga de volante que poderia ter sido de Gago ficou com Mario Bolatti, autor do único gol da última partida, contra o Uruguai.[67]

Na disputa da Copa do Mundo de 2010, teve um bom começo, obtendo na fase de grupos três convincentes vitórias em três jogos, contra Nigéria, Coreia do Sul e Grécia – curiosamente, Maradona havia enfrentado os três países em primeira fase de Copas também como jogador; o técnico sul-coreano, Huh Jung-Moo, havia inclusive jogado contra ele na de 1986. As fases finais também remetiam ao passado, mas mais recente para os argentinos, onde enfrentaram os mesmos adversários da Copa do Mundo de 2006: nas oitavas-de-final, a Argentina obteve grande vitória sobre o México, ganhando a oportunidade da revanche contra a Alemanha, novamente nas quartas. Porém, a competição voltou a se encerrar para os argentinos nesta fase, em derrota pelo inesperado placar de 0–4.

No dia 28 de julho, Maradona foi confirmado que não mais continuaria no comando da equipe.[69] Pouco após a saída, já se lançava um livro sobre o trabalho de Maradona como técnico da seleção. O autor, um dos jornalistas insultados por ele, desfere várias críticas - desde a realização de treinamentos apenas vespertinos por causa da dificuldade de Maradona em acordar cedo, o que fazia os atletas se entendiarem pelas manhãs na concentração, até a acusação de que boa parte do alto número de jogadores convocados em um curto período por ele o foram por outros propósitos: seriam empresariados por amigos do técnico, que conseguiam vendê-los para clubes europeus após a convocação.[70]

Como personagem em mídias[editar | editar código-fonte]

Em 1982, Maradona, ainda antes de consagrar-se mundialmente, manifestou seu desejo em ter um personagem de história em quadrinhos idealizado nele, inspirado no sucesso da Turma do Pelezinho, de Mauricio de Sousa. Seu desejo chegou ao próprio Mauricio e um encontro entre os dois foi marcado na concentração da Seleção Argentina, às vésperas da Copa do Mundo da Espanha. Empolgado, Maradona chegou a fazer o próprio rascunho do personagem que imaginava, pediu a Mauricio que o nome fosse "Dieguito" em vez de "Maradoninha", e contou ao desenhista passagens de sua infância que pudessem render histórias.[71]

Mauricio saiu da Argentina com inspiração para um turma composta por outros onze personagens, dentre os quais Vaquita e Flaquito. Séries de tiras inteiras para jornais, revistas e mesmo um desenho animado foram produzidas, mas acabaram engavetadas constantemente:inicialmente, por conta da saída de Maradona para o Barcelona, ainda naquele ano, o que obrigou Mauricio a mudar alguns planos, com a previsão de que a Turma do Dieguito chegasse ao público argentino em 1984. Todavia, naquele ano o jogador trocou novamente de clube, indo para o Napoli, obrigando novo atraso. As notícias do envolvimento de Maradona com as drogas e outras polêmicas de sua vida pessoal acabaram fazendo Mauricio desistir de vez do personagem, lamentando: "Pela natureza dos problemas de Diego, resolvemos congelar o projeto. Coloquei tudo dentro de uma gaveta e nunca mais abri. Entreguei tudo para a mulher dele. (...) Dieguito poderia, quem sabe, ter dado um rumo diferente à vida de Maradona".[71]

Ainda assim, em 2005, o personagem Dieguito foi brevemente utilizado no programa televisivo de Maradona, La Noche del Diez, no dia em que Pelé foi entrevistado. Em uma animação, ele joga bola com Pelezinho, tal qual seus inspiradores fariam no programa.[71] Ficou a promessa de que Dieguito voltaria a ser utilizado, para campanhas de responsabilidade social.[71]

Ainda em 2005, foi lançado "Amando a Maradona - Una película sobre el amor incondicional", videotributo de Javier Vázquez que reúne imagens pouco conhecidas, testemunhos de pessoas próximas a Diego, de adeptos da Igreja Maradoniana e de diversos outros fãs. O cartaz do filme mostra uma Seleção Argentina composta por onze Maradonas, com rostos que correspondem a distintas épocas de sua vida.[3] Um filme intitulado Maradona - La Mano de Dios, dirigido pelo diretor italiano Dino Risi, foi lançado em 2007 em sua homenagem.[72] Em 2008, outro documentário biográfico sobre o ex-jogador foi lançado: "Maradona by Kusturica", produzido pelo cineasta sérvio Emir Kusturica.[73]

O cantor franco-espanhol Manu Chao é outro que já homenageou Maradona, tendo composto duas músicas para o ídolo: "Santo Maradona" e "La Vida Tombola", esta última pertencendo à trilha sonora do filme de Kusturica.[74]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Boca Juniors
Barcelona
Napoli
Seleção Argentina

Artilharias[editar | editar código-fonte]

Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x "Ele podia mais que os outros", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, págs. 7-8
  2. "Pelé x Maradona", Martín Mazur, FourFourTwo, número 6, abril de 2009, Editora Cádiz, págs. 24-27
  3. a b "Diego eterno", Elías Perugino, Placar número 1291, fevereiro de 2006, Editora Abril, pág. 40
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t "Por que Pelé e Maradona não sossegam?", Especial Placar Retrospectiva 2004, número 1277-A, dezembro de 2004, Editora Abril, págs. 56-61
  5. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x YALLOP, David A. Como eles roubaram o jogo – segredos dos subterrâneos da FIFA. São Paulo: Record, 1998. ISBN 85-01-05448-8
  6. a b c d e f g h i j "Ele não se cala", Elías Perugino, Placar número 1315, fevereiro de 1999, Editora Abril, pág. 72-77
  7. a b c d "O (pen)último tango", Antonio Vicente Serpa, ESPN, número 1, novembro de 2009, Ed. Spring, págs. 42-47
  8. "Bicho maníaco", Carlos Irusta, El Gráfico, número 4398, maio de 2010, págs. 118-121
  9. a b c "Dois campeões por ano", Anuário Placar 2003, Editora Abril, págs. 702-704
  10. a b c d e f "10 - El Diego", Boca - the book of xentenary, 1º ed. Buenos Aires: Planeta, 2005, pp. 176-189
  11. a b c d "The return of El Diez", Boca - the book of xentenary, 1º ed. Buenos Aires: Planeta, 2005, pp. 222-224
  12. "What a great party!", Boca - the book of xentenary, 1º ed. Buenos Aires: Planeta, 2005, p. 89
  13. a b c d e f g "Vou para onde sou rei", Leonardo Bertozzi, Trivela nº 37, março de 2009, Trivela Comunicações, págs. 52-53
  14. Carlos Lozano Ferrer (3 de fevereiro de 2004). Spain Cup 1983. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  15. a b "Pela porta dos fundos", Eduardo Camilli, Trivela nº 30, agosto de 2008, Trivela Comunicações, págs. 44-45
  16. "16 transferências que abalaram o mundo", Tim Barnett, Dan Brennan, James Corbett, Nick Harper, Ben Lyttleton, Andy Mitten, Leo Moynihan, Simon Talbo e Jonathan Wilson, FourFourTwo, número 2, dezembro de 2008, Editora Cádiz, págs. 62-67
  17. a b c d e f g h i j k l m n "Deus (não) morreu", Antonio Vicente Serpa, Trivela número 17, julho de 2007, Trivela Comunicações, págs. 26-32
  18. "Herói em qualquer lugar", Gustavo Hofman, Trivela número 17, julho de 2007, Trivela Comunicações, págs. 16-21
  19. Maurizio Mariani (26 de outubro de 2000). Italy Championship 1987/88. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  20. Ubiratan Leal (29 de setembro de 2008). A Inter que venceu e convenceu. Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  21. Baú do Esporte relembra as visitas de Maradona ao Rio de Janeiro. GloboEsporte.com (30 de outubro de 2010). Página visitada em 23 de fevereiro de 2011.
  22. a b c "Era uma vez, em Pequim...", Antonio Vicente Serpa, Trivela número 34, dezembro de 2008, Trivela Comunicações, págs. 44-46
  23. "Meus vizinhos são o terror", Placar número 1341, abril de 2010, Editora Abril, págs. 186-187
  24. Ubiratan Leal (25 de outubro de 2007). Com que roupa... Boca Juniors. Balípodo.com.br. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  25. Eroj (6 de novembro de 2008). 1994-1995 Boca Juniors (Home e Away). Kit Design. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  26. a b "Renewed dreams, dashed again", Boca - the book of xentenary, 1º ed. Buenos Aires: Planeta, 2005, pp. 224-226
  27. "Beso a beso...", El Gráfico, número 4398, maio de 2010, pág. 18
  28. "Waiting for the viceroy", Boca – the book of xentenary, 1º ed. Buenos Aires: Planeta, 2005, pp. 226-227
  29. "Aposentados", FourFourTwo, número 1, novembro de 2008, Editora Cádiz, págs. 45
  30. a b c d e f José Luis Pierrend (30 de julho de 2001). Diego Armando Maradona - International Appearances. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  31. a b "Vos sí, vos no", Eduardo Bolaños, El Gráfico, número 4397, abril de 2010, págs. 56-60
  32. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s "Los mundiales de Diego", Diego Borinsky, El Gráfico, número 4398, maio de 2010, págs. 24-30
  33. "Meu 11 perfeito", FourFourTwo, número 1, novembro de 2008, Editora Cádiz, págs. 82
  34. "O grande capitão", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 30
  35. DVD Placar Coleção Grandes Craques - Zico, o Galinho de Ouro do Brasil
  36. globoesporte.globo.com/ Vídeo de golaço do jovem Diego Maradona é encontrado na Colômbia
  37. Rafael Martins (9 de fevereiro de 2006). Pfaff: Carismático guardião. Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  38. Em 1989, Uruguai bate Argentina por 2–0 no Maracanã pela semifinal da Copa América. GloboEsporte.com (14 de julho de 1987). Página visitada em 22 de fevereiro de 2011.
  39. Fábio Altmann (28 de junho de 2010). A saga de Alemanha e Argentina nas Copas. Veja.com. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  40. Em 1993, Brasil empata por 1–1 com a Argentina no retorno de Maradona. GloboEsporte.com (19 de fevereiro de 1993). Página visitada em 22 de fevereiro de 2011.
  41. a b Mayra Siqueira (14 de outubro de 2010). História de um sufoco albiceleste. Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  42. Eroj (30 de dezembro de 2008). 2001 - Despedida de Maradona. Kit Design. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  43. "Produto típico argentino", Flávia Ribeiro, Placar número 1311, outubro de 2007, Editora Abril, págs. 56-61
  44. "A dura herança de Don Diego", Elías Perugino, Placar número 1322, setembro de 2008, Editora Abril, págs. 72-77
  45. Felipe Lobo (27 de outubro de 2010). Sucessores de Maradona. Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  46. André Melsohn Dayan (24 de setembro de 2009). Redondo: o "príncipe de Madrid". Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  47. a b "Êpa, Diego: a lei de Gérson é nossa!", Felipe Zylberstajn, Placar número 1280, março de 2005, Editora Abril, págs. 56-59
  48. a b c "E Diego mudou da água para o vinho...", Maurício Ribeiro de Barros e Marcelo Monteiro, Placar número 1290, janeiro de 2006, Editora Abril, pág. 76
  49. "Maradona - uma foto, uma esperança", Maurício Ribeiro de Barros, Placar número 1283, junho de 2005, Editora Abril, pág. 16
  50. Maradona recebe Xuxa em seu programa de TV na Argentina. Folha Online (4 de outubro de 2005). Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  51. "Esse é o (genro do) cara", Marcela Mora y Araujo, FourFourTwo, número 1, novembro de 2008, Editora Cádiz, págs. 46-49
  52. Maradona teve "desajuste com bebida, cigarro e comida", diz Cahe. UOL Esporte (29 de março de 2007). Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  53. a b "Diego vive", Placar número 1314, janeiro de 2008, Editora Abril, pág. 65
  54. Antiga noiva de Maradona procurada pela Interpol.
  55. 'Ex' acusa Maradona de violência doméstica e diz que argentino é homossexual.
  56. Maradona denunciou ex-noiva por roubo e a Interpol deteve-a.
  57. Maradona é o novo técnico da seleção argentina. UOL Esporte (28 de outubro de 2008). Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  58. a b "As razões de Román", Antonio Vicente Serpa, Trivela número 40, junho de 2009, Trivela Comunicações, págs. 42-43
  59. Alexandre Alliatti (14 de outubro de 2009). Histórico: Argentina bate Uruguai, vai à Copa e manda rival para repescagem. GloboEsporte.com. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  60. Alexandre Alliatti (15 de outubro de 2009). Maradona desabafa após classificar Argentina para Copa. iG Esporte. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  61. Felipe Lobo (1 de dezembro de 2009). ARGENTINA: Desorganizada, mas favorita. Trivela. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  62. Maradona completa um ano no comando da seleção argentina. Abril.com (4 de novembro de 2009). Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  63. "Que la chupen!", Elías Perugino, Placar número 1336, novembro de 2009, Editora Abril, pág. 22
  64. Maradona leva suspensão de dois meses da Fifa. Terra Esportes (15 de novembro de 2009). Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  65. "Marador", Edgardo Martolio, ESPN, número 1, novembro de 2009, Ed. Spring, pág. 47
  66. Thiago Henrique de Morais (14 de maio de 2010). Especialistas opinam sobre ausências de Cambiasso e Zanetti na Copa do Mundo. Futebol Portenho. Página visitada em 15 de janeiro de 2011.
  67. a b c Thiago Henrique de Morais (17 de fevereiro de 2010). Retrato da Seleção após convocação de Maradona. Futebol Portenho. Página visitada em 15 de janeiro de 2011.
  68. Thiago Henrique de Morais (11 de maio de 2010). Conheça os 30 eleitos de Maradona. Futebol Portenho. Página visitada em 15 de janeiro de 2011.
  69. AFA confirma que Maradona não é mais o técnico da Argentina. GloboEsporte.com (27 de julho de 2010). Página visitada em 27 de julho de 2010.
  70. "Mano de adiós", Leonardo Aquino, Placar número 1347, outubro de 2010, Editora Abril, pág. 81
  71. a b c d "Craque na gaveta", Carlos Eduardo Freitas, Trivela número 25, março de 2008, Trivela Comunicações, págs. 62-63
  72. Ansa (26 de março de 2007). Filme "Maradona - La Mano de Dios" será lançado sexta na Itália. Folha.com. Página visitada em 15 de junho de 2012.
  73. Três filmes para conhecer Maradona. GloboEsporte.com (28 de outubro de 2010). Página visitada em 15 de junho de 2012.
  74. Manu Chao não para de homenagear Maradona. Lazer Música (26 de janeiro de 2009). Página visitada em 15 de janeiro de 2011.
  75. Emmanuel Castro Serna (9 de julho de 2009). Argentina - List of Topscorers. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  76. Igor Kramarsic e Alberto Novello (17 de setembro de 2010). Italy - Serie A Top Scorers. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  77. Davide Rota (17 de setembro de 2010). Italy - Coppa Italia Top Scorers. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  78. José Luis Pierrend (16 de janeiro de 2009). Argentina - Player of the Year. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  79. José Luis Pierrend (9 de junho de 1999). FIFA Awards - World Cup 1986 "Golden Ball". RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  80. Marcelo Leme de Arruda (15 de maio de 2004). World All-Time Teams. RSSSF. Página visitada em 15 de fevereiro de 2011.
  81. br.esporteinterativo.yahoo.com/ Melhor que Messi? Boxeador é eleito o atleta argentino do ano
  82. globoesporte.globo.com/ No "fim do mundo", jornal elege Maradona como melhor da história

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Diego Maradona
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Diego Maradona