Dilatação térmica

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Anel de Gravesande, usado para descrever o fenômeno de expansão térmica.

Em termodinâmica, dilatação térmica é o nome que se dá ao aumento do volume de um corpo ocasionado pelo aumento de sua temperatura, o que causa o aumento no grau de agitação de suas moléculas e consequente aumento na distância média entre as mesmas. A dilatação ocorre de forma mais significativa nos gases, de forma intermediária nos líquidos e de forma menos explícita nos sólidos, podendo-se afirmar que: Dilatação nos gases > Dilatação nos líquidos > Dilatação nos sólidos.

Experimentos podem ser usados para mostrar a dilatação de forma mais evidente, como o identificado na figura ao lado, que consiste de uma esfera, um anel, uma haste e uma vela. A esfera, quando em temperatura ambiente, passa facilmente pelo orifício, quando aquecemos a mesma, ela sofre expansão térmica, não passando mais pelo anel. Podemos chegar ao mesmo resultado, mantendo a temperatura da esfera e resfriando o anel, que por sua vez comprime, impossibilitando a passagem da esfera.[1]

Coeficiente de dilatação térmica \alpha [editar | editar código-fonte]

Fórmula genérica: materiais isotrópicos[editar | editar código-fonte]

Nos materiais isotrópicos pode-se calcular a variação de comprimento, e consequentemente de área e volume, em função da variação de temperatura:

 \Delta L = \alpha \cdot L_0 \cdot \Delta T

  •  \Delta L,\ variação do comprimento em metros (m) ;
  •  \alpha,\ coeficiente de dilatação linear em 1/Kelvin ( K^{-1} ) ;
  •  L_0,\ comprimento inicial em metros (m) ;
  •  \Delta T = T-T_0,\ variação de temperatura em Kelvin (K) ou em graus Celsius (°C).
Nota: Visto que se utiliza uma variação, uma diferença, é indiferente que a unidade de medida da temperatura seja graus Celsius ou Kelvin pois ambas são centigradas. Se o coeficiente de dilatação for dado em Fahrenheit, a temperatura do cálculo deve ser também Fahrenheit.

Tensor de dilatação térmica: materiais anisotrópicos[editar | editar código-fonte]

Os materiais cristalinos não cubicos apresentam uma dilatação anisotrópica:o seu coeficiente de dilatação \alpha\, varia com a direção. Para descrever a sua dilatação recorre-se a um tensor simétrico de ordem 2:

\begin{bmatrix} \alpha_{11} & \alpha_{12} & \alpha_{13} \\ \alpha_{21}=\alpha_{12} & \alpha_{22} & \alpha_{23} \\ \alpha_{31}=\alpha_{13} & \alpha_{32}=\alpha_{23} & \alpha_{33} \end{bmatrix}

Por exemplo, para uma rede triclínica é necessário conhecer seis coeficientes de dilatação ortogonais, que não têm necessariamente que coincidir com os eixos do cristal.

Os valores próprios do tensor de dilatação térmica ou coeficientes de dilatação linear principais \alpha_1\,, \alpha_2\, e \alpha_3\,, permitem obter o coeficiente de dilatação volúmica traço do tensor: \beta=\alpha_1+\alpha_2+\alpha_3=\alpha_{11}+\alpha_{22}+\alpha_{33}\,

Tipos de Dilatação[editar | editar código-fonte]

Quanto à dilatação dos corpos, esta é de três tipos.

Dilatação linear[editar | editar código-fonte]

Na dilatação linear (uma dimensão), considera-se uma das dimensões do sólido, o comprimento. Uma barra aumenta linearmente. As barras dos trilhos ferroviários são feitas com um espaçamento para a dilatação não envergarem com ganho de calor, ou retraírem com a queda da temperatura. Vale lembrar também que a dilatação não é um fenômeno visível, variando de acordo com o material e a temperatura. A dilatação linear é apenas teórica, sendo que para que algo exista ele deve ser tridimensional, numa dilatação a matéria ira dilatar em três dimensões, mas como não é possível calcular essa dilatação, adota-se somente o calculo da dilatação linear. O coeficiente de dilatação linear (α) é constante em apenas alguns intervalos de temperaturas, por isso seus valores tabelados são obtidos por médias de temperaturas.

Trilhos de trem envergados por dilatação térmica.[2]


∆L = Lo . α . ∆T Onde:

∆L: variação do comprimento do corpo que sofreu a dilatação linear.

Lo: comprimento inicial da superfície do corpo.

α: coeficiente de dilatação linear do material que constitui o corpo.

∆T: variação de temperatura sofrida pelo corpo.

Dilatação do vazio[editar | editar código-fonte]

Para avaliar o comportamento de uma chapa metálica com um furo circular no centro, podemos avaliar o sistema separadamente, pensando que os objetos são formados por moléculas, e que ao aquecerem essas moléculas se agitam, aumentando a distância de uma para as outras. Logo as moléculas da borda do furo devem obedecer a este princípio, como a única maneira disso ocorrer é no sentido da placa, o perímetro do círculo acaba aumentando. Basicamente é conveniente saber que o espaço vazio sofre expansão da mesma forma que sofreria se estivesse preenchido.[3]

Dilatação superficial[editar | editar código-fonte]

Na dilatação superficial (superfície = área, logo, neste caso temos duas dimensões). A dilatação do comprimento e da largura de uma chapa de aço é superficial. Se um disco ou chapa com um furo central dilatar, o tamanho do furo e da chapa aumentam simultaneamente. Ou seja, é aquela em que predomina a variação em duas dimensões, isto é, a variação da área.

∆S = β . So . ∆T Onde:

∆S: variação da área superficial do corpo que sofreu a dilatação linear.

So: área inicial da superfície do corpo.

β: coeficiente de dilatação superficial do material que constitui o corpo. É importante destacar que β = 2 x α.

∆T: variação de temperatura sofrida pelo corpo.

Dilatação volumétrica[editar | editar código-fonte]

Na dilatação volumétrica calcula-se a variação do volume, logo avaliamos três dimensões. A dilatação de um líquido ou de um gás é volumétrica. O coeficiente de dilatação volumétrica é dado da seguinte forma: Coeficiente de dilatação linear multiplicado por três, tal procedimento é explicado pelo fato de que quando calculamos um volume levamos em conta as três dimensões (altura, largura e comprimento).

∆V = γ . Vo . ∆T Onde:

∆V: variação do volume do corpo que sofreu a dilatação linear.

Vo: volume inicial da superfície do corpo.

γ: coeficiente de dilatação volumétrico do material que constitui o corpo. É importante salientar que γ = 3 x α.

∆T: variação de temperatura sofrida pelo corpo.

Dilatação Anômala da Água[editar | editar código-fonte]

  • A dilatação da água apresenta uma anomalia em relação as outras substâncias, tendo seu volume aumentado quando alcança a temperatura de 4ºC (à pressão normal).

(fato mostrado na curva contida no gráfico Volume por Temperatura.).

Gráfico VxT.

Olhando para o lado ecológico, nos perguntamos como espécies aquáticas sobrevivem ao alto inverno. A explicação está relacionada com a anomalia térmica da água. Quando a temperatura baixa, a densidade aumenta, fazendo com que a água quente suba e a mais fria desça, originando correntes para cima e para baixo. Quando a temperatura de toda água presente no sistema chega a 4ºC, o fluxo das correntes para, fazendo com que a água do fundo não suba e a da margem não desça. Isto ocorre, pois a esta temperatura, a densidade da água é máxima. O inverno vai ficando mais rigoroso e a superfície da água se congela, porém abaixo desta camada a água continua em estado líquido. O gelo é um bom isolante térmico (mau condutor), portanto essa camada isola a água líquida inferior do meio externo, impedindo o congelamento de toda água. Isto possibilita que a vida das espécies aquáticas continue durante os períodos mais frios.A densidade da água aumenta 0ºC a 4ºC, seguindo da diminuição da densidade a partir de 4ºC.[4]

Coeficientes de dilatação linear[editar | editar código-fonte]

Os coeficientes de dilatação linear de algumas substâncias e elementos químicos[5] [6] a seguir indicados aplicam-se à faixa de temperaturas indicada. Quando não indicada presume-se uma temperatura ambiente. Na realidade estes coeficientes variam com a temperatura mas assume-se a sua exatidão na faixa mostrada.

Nota: clicando em cada um dos títulos é possível reordenar a tabela.
Substância α 10^-6(máx.) α 10^-6(min.) Faixa de temperaturas
Gálio 120,0 vgv
Índio 32,1
Zinco e suas ligas 35,0 19,0 100 °C-390 °C
Chumbo e suas ligas 29,0 26,0 100 °C-390 °C
Alumínio e suas ligas 25,0 21,0 100 °C-390 °C
Latão 18,0 21,0 100 °C-390 °C
Prata 20,0 100 °C-390 °C
Aço inoxidável 19,0 11,0 540 °C-980 °C
Cobre 18,0 14,0 100 °C-390 °C
Níquel e suas ligas 17,0 12,0 540 °C-980 °C
Ouro 14,0 100 °C-390 °C
Aço 14,0 10,0 540 °C-980 °C
Cimento (concreto)[7] 6,8 11,9 Temp. ambiente
Platina 9,0 100 °C-390 °C
Vidro (de janela)[8] 8,6 20 °C-300 °C
Cromo 4,9
Tungstênio 4,5 Temp. ambiente
Vidro borossilicato (vidro pyrex)[9] 3,2 20 °C-300 °C
Carbono e Grafite 3,0 2,0 100 °C-390 °C
Silício 2,6
Quartzo fundido [10] 0,6

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]
  2. http://www.volpe.dot.gov/coi/pis/work/archive/buckling.html
  3. [Robert Resnick|Resnick Robert]], Halliday David e Krane Kenneth S.. Física 2, Quinta edição. Editora LTC. Gaspar Alberto. Física Série Brasil, 1ª edição. Editora Ática.],
  4. Gaspar Alberto. Física Série Brasil, 1ª edição. Editora Ática.
  5. Coeficientes de dilatação dos elementos
  6. Lista de coeficientes de dilatação
  7. Associação de cimenteiras do Canadá
  8. Tabela de características de diferentes vidros
  9. Dep. de física da Clemson University
  10. Quartz.com-Companhia científica nacional