Dilema do ouriço

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O dilema do ouriço é uma parábola escrita em 1851 por Arthur Schopenhauer na obra Parerga e Paralipomena.[1]

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Em um dia gélido, um grupo de ouriços que se encontravam próximos sentiram simultaneamente grande necessidade de aquecer-se. Para satisfazer sua necessidade, buscaram a proximidade corporal dos outros. Porém, quanto mais se aproximavam, mais dor lhes causavam os espinhos do ouriço vizinho. Não obstante, devido ao fato de que o afastar-se era acompanhado da sensação de frio, viram-se obrigados a ir modificando a distância até que encontrarem a melhor (a mais suportável).

A ideia que esta parábola quer transmitir é que quanto mais próxima for a relação entre dois seres, mais provável será que possam causar dano um ao outro, ao mesmo tempo em que quanto mais distante for sua relação, tão mais provável será que morram de frio.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Sigmund Freud cita a parábola de Schopenhauer em uma nota de pé de página de seu ensaio Psicologia das Massas e a Análise do Eu:

«Consideremos o modo em que os seres humanos em geral se comportam afetivamente entre si. Segundo a famosa comparação de Schopenhauer sobre os ouriços que se congelavam, nenhum suporta uma aproximação demasiado íntima dos outros»[2]

Luis Cernuda se refere a ela nas palavras iniciais de Donde habite el olvido:

«Como os ouriços, já sabeis, os homens um dia sentiram seu frio. E quiseram compartilhá-lo. Então inventaram o amor. O resultado foi, já sabeis, como nos ouriços».[3]

Referências

  1. Parerga e paralipomena, volume II, capítulo XXXI, seção 396.
  2. Freud, Sigmund, Psicologia das Massas e a Análise do Eu em Obras Completas, Vol. XVIII, Amorrotu, B. Aires 9ª. Edição, 1996, p. 96, ISBN 950-518-594-4 (Título original: Massenpsychologie und Ich-Analyse, 1921).
  3. Los erizos de Cernuda (em espanhol).