Direito socialista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde junho de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Bloco Socialista, de vermelho, durante a Guerra Fria

Direito socialista é um tipo de sistema jurídico que foi utilizado nos Estados socialistas. Ele foi baseado no sistema jurídico Sistema romano-germânico, entretanto sofreu algumas modificações vindas do Marxismo e do Leninismo. Existem algumas controvérsias se o direito socialista constituiu um sistema jurídico separado dos demais ou não. Caso se considere esse sistema como único, antes do término da Guerra Fria, o direito socialista estaria entre os principais sistemas jurídicos do mundo. A família do direito romano-germânico trata da propriedade privada, como adquiri-la, transferi-la ou perdê-la. Já no sistema socialista, as propriedades são em sua grande maioria de posse do Estado.

Contexto Histórico[editar | editar código-fonte]

O direito socialista teve sua origem na Rússia, em 1917, devido aos avanços das ideias de Karl Marx e Lenin. Com o advento da Revolução Russa, um novo tipo de sociedade é criada, a sociedade comunista. Essa sociedade foge da tradição Romano-Germânica pois, no comunismo, em tese, não existiria Estado nem Direito. Para os socialistas, o direito é o reflexo de uma estrutura econômica opressora e desigual. O direito socialista é influenciado pela noção de um Estado social. Diferentemente do Estado Capitalista, esse Estado de bem-estar social interfere de maneira demasiada na sociedade, inclusive na economia, visando, através de serviços públicos, promover o bem-comum. Com a queda do Muro de Berlim, e o fim da Cortina de Ferro, no final do século XX, o âmbito territorial dessa família de direitos reduziu drasticamente. Essa redução pode ser agravada já que alguns estudiosos não consideram o direito chinês como parte da família socialista.

Transformação[editar | editar código-fonte]

Karl Marx

Como foi dito anteriormente, o direito, na concepção de Marx é um fenômenos de classe, e esse direito burguês deve ser substituído por um direito que emane dos proletários. Segundo Marx, essa transformação aconteceria de maneira lenta e gradual, o direito burguês iria perecer com o passar do tempo. Assim que essa sociedade comunista fosse instalada, não seria necessário a presença do Direito. Primeiramente, os proletários destruiriam as classes sociais, e consequentemente os antagonismos entre elas. Segundo Marx: “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes”[1] . Os meios de produção passarão a ser de toda a sociedade, uma vez que a classe burguesa for extinta. Com o fim da burguesia, a resistência contra essa nova ordem social que surgiu desaparecerá. E, como o papel do Direito é assegurar que as normas sejam cumpridas através da sanção, ele não seria mais essencial. Mesmo assim, é possível que ainda exista um direito, já que a antiga classe detentora dos meios de produção, pode não ter sido totalmente "liberta de sua ideologia". Logo, nesse fase, é preciso que exista um mínimo de direito, para evitar que ocorra um renascimento da ideologia capitalista.

Quando as classes sociais forem realmente extintas, não haverá nenhum tipo de dominação por uma parcela da população. A sociedade estará unificada e o Direito se transformará em simples regras sociais. Um exemplo de regra social seria a de distribuição de produtos de modo proporcional ao seu trabalho, e visando evitar novas desigualdades, como Marx disse: “De cada um, de acordo com suas habilidades,a cada um, de acordo com suas necessidades”. Karl Marx ainda completa seu pensamento mencionando que em uma sociedade comunista plenamente desenvolvida, até mesmo essas normas de distribuição serão desnecessárias. Com o passar do tempo, as demais normas se tornarão obsoletas e portanto desaparecerão. Com o fim das classes sociais, a sociedade tende a se converter em uma sociedade igualitária, na qual as ideias são aceitas por todos os membros, o que culmina como fim do direito nas sociedades comunistas.

Principais Características[editar | editar código-fonte]

O direito socialista é semelhante ao Sistema romano-germânico e ao Sistema da Common Law , mas com uma prevalência do direito público em relação ao direito privado. Suas principais características são:

  • Expulsão parcial ou total das antigas classes dominantes da vida pública em estágios iniciais de existência de cada Estado socialista, para que se chegasse a um patamar onde não existem classes sociais.
  • Contrário a existência de ideologias políticas diferentes.
  • Partido Comunista permanecia no poder.
  • Abolição da propriedade privada. Esta é considerada a principal característica do socialismo.
  • Coletivização dos meios de produção.
  • Pouca privacidade e intenso controle da vida privada pelo Partido Comunista.
  • Pouco respeito pela propriedade intelectual
  • Muitas garantias sociais por parte do governo ( direitos de trabalho, educação e saúde gratuita, aposentadoria aos 60 anos para os homens e 55 para as mulheres, licença maternidade, benefícios devidos à invalidez...)

Direito Socialista Soviético[editar | editar código-fonte]

Leonid Brejnev

O sistema jurídico soviético possui muitas características que são derivadas do caráter socialista do Estado Soviético, refletindo os ideais do marxismo e do leninismo. Lenin aceitou a concepção marxista de que o Estado e as próprias leis são um instrumento de coerção da burguesia que reprime os operários. Segundo Henri Lévy-Bruhl para Marx “O direito não existe sem o Estado, nem o Estado sem o direito, e o Estado nada mais é que instrumento de dominação de uma classe burguesa sobre o proletariado”. Devido a isso, Lenin criou tribunais populares para administrar essa justiça revolucionária. Um dos principais teóricos do direito socialista da União Soviética foi Pēteris Stučka.

Paralelamente à essa tendência utópica surgiu também uma outra ideia. Essa concepção, mais crítica que a anterior, parte do conceito de "justiça proletária", e teve no jurista russo Evgeni Pachukanis o seu principal expoente. Essa tendência ditatorial defendia o uso do aparato coercitivo do Estado para suprimir qualquer tipo de oposição ao regime. Essa linha de pensamento alcançou seu apogeu no governo de Stalin. Este ditador russo, reprimia a população com terror, visando controlar os trabalhadores e exigia o cumprimento de metas, para assim, aumentar a produção no campo. Em seu governo, Josef Stalin também coletivizou o campo, através da criação de fazendas comunais e propriedades estatais. Outras medidas tomadas por esse governo foi controlar a educação e incentivar uma "revolução cultural", objetivando o combate a burguesia.

Com a morte de Stalin em 1953, Nikita Khrushchov assume o poder da União Soviética e estabelece novas diretrizes para o governo. Khrushchev descentralizou o poder do Partido Comunista da União Soviética, dando mais liberdade para os Estados Satélites. Além disso, ele também deu destaque para a necessidade de proteger os direitos processuais e legais dos cidadãos, ao mesmo tempo que exigia a obediência dos cidadãos perante o Estado. Novos Códigos legais foram introduzidos em 1960, e faziam parte de um grupo de esforços para estabelecer normas jurídicas no direito vigente. Embora essas leis tenham sido implementadas, dando uma maior juridicidade ao Direito Socialista, ainda havia uma grande predisposição à influência de ideias ditatoriais e utópicas no processo jurídico. Mesmo assim, as perseguições a políticos e religiosos contrários ao regime continuaram.

Khrushchov renunciou do seu cargo, e quem assumiu foi Leonid Brejnev. Durante a Era Brejnev (1964-1985), o regime se endureceu, e qualquer forma de ameaça ao comunismo foi combatida. Brejnev também foi o responsável pelo criação da Constituição Soviética de 1977. Essa Constituição defendia a Ditadura do Proletariado, e dava poderes absolutos aos trabalhadores. Ela só foi substituída após o fim da URSS pela Constituição russa de 1993.

Por volta de 1986, Mikhail Gorbachev realçou novamente a importância dos direitos individuais em relação ao Estado, criticando aqueles que violassem o direito processual ao implementar o ideário de uma "justiça soviética". Esse passo assinalou o ressurgimento da legalidade dentro do próprio socialismo. É importante notar que, mesmo dessa maneira, o direito socialista ainda carecia de algumas características da legislação ocidental.


Direito Socialista Chinês[editar | editar código-fonte]

Entre os governos comunistas remanescentes, entre eles a República Popular da China, várias mudanças foram adicionadas em seus ordenamentos jurídicos. Em geral, essas mudanças ocoreram devido à crescente abertura econnômica desses países. No entanto, várias influências comunistas ainda podem ser vistas, principalmente no que diz respeito à distribuição de terras.

No direito chinês por exemplo, o Estado é dono de todas as terras, mas não dos meios de produção nem das demais estruturas presentes no terreno. Muitas pessoas cometem um equívoco ao achar que as reformas de Deng Xiaoping resultaram na privatização das terras agrícolas e na criação de um sistema de posse de terra semelhantes aos encontrados nos países ocidentais. Na verdade, o que ocorreu foi a criação de um comitê que tem a posse das terras, e através de contratos as distribui aos agricultores, que podem utilizar essa terra para ganhar seu próprio dinheiro. Isso gera várias consequências. Uma delas é que o trabalhador rural não possui um direito absoluto sobre a terra, já que ela não é dele, logo, transferências não são permitidas. Por outro lado, há um seguro, uma espécie de garantia caso o agricultor queira deixar a agricultura para realizar um novo negócio. Caso essa nova empreitada não obtenha resultados satisfatórios, o trabalhador pode retornar para a agricultura, renovando o seu contrato. Como as terras são distribuídas por esse comitê, quase ninguém é deixado sem terra, o que contribuí para aumentar a qualidade de vida dos chineses.

Estão sendo discutidas várias propostas para reformar esse sitema de terras, visando privatizar a propriedade rural, para assim, aumentar sua eficiência. Essas propostas não receberam apoio significativo, já que o sistema atual é muito popular entre os trabalhadores do campo. Esse comitê de terras, tenta sempre impor um contrato que traga o maior número de benefícios ao agricultor, pois dessa maneira, a quantidade de dinheiro recebida em troca é maior. Como foi dito anteriormente, o agricultor posssui grande flexibilidade em relação a deixar a agricultura para iniciar um negócio próprio e em seguida, retornar ao trabalho no campo.

Referências

  1. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo Editorial, 2005