Disfrenia tardia

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Disfrenia tardia ou Psicose por Supersensibilidade é uma rara síndrome iatrogênica psiquiátrica observada nos pacientes tratados com neurolépticos ou antipsicóticos típicos, os principais medicamentos antipsicóticos usados à entre os anos 50 e 90.

Causa[editar | editar código-fonte]

Uso prolongado de antipsicóticos típicos danificando as vias dopaminérgicas mesolímbicas, especialmente os os receptores de D2 da via nigroestriatal.

Sinais e Sintomas[editar | editar código-fonte]

O paciente pode apresentar qualquer das seguintes categorias de sintomas:

  1. Sintomas psicóticos;
  2. Sintomas maníacos ou hipomaníacos, cicloides, polimórficos e/ou disfóricos graves;
  3. Sintomas obsessivo-compulsivos.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Critérios diagnósticos:

A. O paciente apresenta sintomas novos ou exacerbação sintomatológica com inédita e injustificada gravidade, desenvolvidos após interrupção do uso ou ao longo da manutenção de doses fixas, que melhoram temporariamente com a reinstituição e ou incrementos sucessivos de doses de medicamentos antipsicóticos típicos e atípicos.

B. Os sintomas estão presentes por um período mínimo de 4 semanas e ocorrem segundo qualquer um dos seguintes padrões: 1. sintomas psicóticos: alucinações, delírio, desorganização do comportamento/pensamento; ou 2. sintomas maníacos/hipomaníacos, cicloides, polimórficos e/ou disfóricos graves; ou 3. sintomas obsessivo-compulsivos.

C. Os sinais e sintomas nos Critérios A e B desenvolvem-se durante a exposição a um medicamento antipsicótico, ou dentro de 4 semanas após a abstinência de um medicamento antipsicótico oral (ou dentro de 8 semanas após a abstinência de um medicamento).

D. Houve exposição a um medicamento antipsicótico típico ou atípico por pelo menos 3 meses (1 mês se o indivíduo tem 60 anos ou mais).

E. As seguintes condições podem ser seguramente excluídas como causas dos sintomas observados: - Psiquiátricas (p. ex.: Transtorno Bipolar; Transtorno Esquizo-Afetivo; Intoxicação ou Abstinência por Abuso de Substâncias como álcool, psicoestimulantes e/ou psicotomiméticos;Transtorno Obsessivo-Compulsivo; Transtorno Psicótico Agudo Transitório/Psicoses Ciclóides; Transtorno do Estresse Pós-Traumático). - Neurológicas (p. ex.: Demência, Encefalite,Epilepsias, Coréias). - Condições médicas gerais (por ex.: Hipertiroidismo, Doença de Wilson, AIDS, etc). - Estresse Situacional Grave. - Exposição a medicamentos que causem sintomas psicóticos (por ex., L-dopa, bromocriptina, corticoesteróides, anticolinérgicos, antidepressivos). NOTE BEM: Evidências de que os sintomas são devido a uma dessas etiologias podem incluir as seguintes: os sintomas precedem a exposição a um medicamento antipsicótico ou presença de sinais neurológicos focais inexplicáveis.

F. As seguintes explicações podem ser excluídas como causas dos sintomas: 1. progressiva evolução naturalmente desfavorável do Transtorno prévio (por ex.: Esquizofrenia Primáriamente Refratária, Mania Aguda, Demência com Psicose); ou 2. eventual Disforia Neuroléptica.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Foi concebida para figurar ao lado da discinesia tardia e demais síndromes tardias induzidas por neurolépticos, já reconhecidas (Distonia Tardia, Acatisia Tardia). Mais recentemente o psiquiatra brasileiro Leopoldo Hugo Frota, professor-adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ampliou o conceito original de Fahn de modo a também incluir os conceitos independentes, embora relacionados em etiologia, da Psicose de Rebote, da Psicose por Supersensibilidade (Guy Chouinard) e da Esquizofrenia Pseudo-refratária (Heinz Lehmann & Thomas Ban) ou Refratariedade Secundária Adquirida. A etiologia de todas estas síndromes foi atribuída por Frota a uma adaptativa, mas duradoura e excessiva, proliferação (upregulation) dos receptores do tipo D2 da via dopaminérgica mesolímbica.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A mudança de medicamentos para antipsicóticos atípicos pode aliviar os sintomas temporariamente, porém podem agravar os sintomas a longo prazo. Agonistas parciais de D2 devem receber preferência.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FROTA LH. Agonistas Parciais no Armamentarium da Esquizofrenia. Disfrenia Tardia: O Desafio da Vez para os Antipsicóticos Atípicos de Última Geração? J Bras Psiquiatr 2003; Vol 52 Supl 1;14-24. [1]
  • FROTA LH. Cinqüenta Anos de Medicamentos Antipsicóticos em Psiquiatria. 1ª ed eletr Ebook em CD-Rom/On-Line em Português, ISBN 85-903827-1-0, Arquivo .pdf (Adobe Acrobat) c/ 6Mb, Informática, Rio de Janeiro, agosto 2003, 486pp. Ebook [2]
  • FROTA LH, MAZZEO A. DISFRENIA TARDIVA INDOTTA DA ANTIPSICOTICI – INTERVISTA STRUTTURATA. PSYCHIATRY ON LINE – ITALY, 2006. [3]
  • FROTA LH, MAZZEO A. Tardive Dysphrenia Induced by Antipsychotic. Research Criteria semi-structured interview in Portuguese, English, Spanish and French. Artigo do Mês. Psychiatry On-line Brazil, abril 2006. [4]
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