Transtorno bipolar

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Transtorno bipolar do humor
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Classificação e recursos externos
CID-10 F31
CID-9 296.80
OMIM 125480 309200
DiseasesDB 7812
MedlinePlus 001528
MeSH D001714

Como categorizado pelo DSM-IV e pelo CID-10, o distúrbio bipolar é uma forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca[1], que são estágios diferentes pela gradação dos seus sintomas, hiperatividade física e mental, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber e realizar ideias, e ansiedade ou tristeza. Juntos estes sintomas são comumente conhecidos como depressão maníaca[2].

Índice

[editar] Classificação

A depressão maníaca foi inicialmente descrita em fins do século XIX pelo psiquiatra Emil Kraepelin, que publicou seu conhecimento da doença em seu Textbook of Psychiatry. Existem várias variações do distúrbio bipolar:

  • TIPO I: Predomínio da fase maniaca com depressão mais leve (distimia).
  • TIPO II: Predomínio da fase depressiva com mania mais leve (hipomania).
  • MISTA: Quando os episódios possuem várias características tanto de mania quanto de depressão simultaneamente.[3]
  • CICLOS RÁPIDOS: Quando os episódios variações humor duram menos de uma semana.
  • CICLOTIMIA: Os sintomas são persistentes por pelo menos dois anos, períodos em que sintomas de hipomania são leves e depressão ou distimia não são tão profundos para ser qualificados como Depressão maior.

[editar] Introdução

O transtorno bipolar do humor, também conhecido como distúrbio bipolar, é uma doença caracterizada por episódios repetidos, ou alternados, de mania e depressão. Uma pessoa com transtorno bipolar está sujeita a episódios de extrema alegria, euforia e humor excessivamente elevado (mania), e também a episódios de humor muito baixo e desespero (depressão). Entre os episódios, é comum que passe por períodos de normalidade.[4][5]

Deve-se ter em conta que este distúrbio não consiste apenas de meros "altos e baixos". Altos e baixos são experimentados por praticamente qualquer pessoa, e não constituem um distúrbio. As mudanças de humor do distúrbio bipolar são mais extremas e mais duradouras que aquelas experimentadas pelas demais pessoas. Quando tanto a depressão quanto a mania são mais leves mas mais duradouras o transtorno passa a ser classificadas como ciclotimia.[6]

O doente de distúrbio bipolar era também comumente chamado de "maníaco-depressivo", entretanto, este uso não é um termo usado atualmente entre os psiquiatras, que padronizaram o uso de Kraepelin do termo depressão maníaca para descrever o espectro bipolar como um todo, que inclui tanto o distúrbio bipolar como a depressão; eles agora utilizam distúrbio bipolar para descrever a forma bipolar da depressão maníaca.[7]

A natureza e duração dos episódios variam grandemente de uma pessoa para outra, tanto em intensidade quanto em duração. No caso grave, pode haver risco pessoal e material.

[editar] Prevalência

Seguindo os critérios médicos, o número de diagnósticos ficou entre 0,5% a 2,2% da população, para transtorno bipolar tanto tipo I quanto tipo II. Já seguindo um conceito de espectro bipolar mais amplo, ampliando seus limiares, as estimativas sobem para 5% a 8% da população. Não foram encontradas diferenças significativas na prevalência entre homens e mulheres na maioria dos estudos nem entre classes sociais, porém foi mais comum em solteiros e divorciados, provavelmente como consequência da doença.[8] Em um estudo porém, foi consideravelmente (1,5:1) mais comum em mulheres. [9]

A doença pode se manifestar em crianças, porém talvez pela dificuldade em identificá-la, o primeiro episódio costuma ser identificado em adolescentes e jovens adultos, por volta dos 15 a 25 anos.[4][5] A prevalência em crianças e adolescentes é de cerca de 1% de diagnósticos e de cerca de 7,2% identificadas usando conceitos mais amplos.[10]

[editar] Característica

No transtorno bipolar as mudanças de humor duram pelo menos uma semana, podendo durar meses. Porém existem casos de ciclagem mais rápida.

O paciente com bipolaridade pode chegar ao extremo da depressão ao tentar suicídio e, no outro extremo, a euforia de tentar escrever um livro num só dia, por exemplo.

Equivocada é a ideia de que a bipolaridade seria estar hiper contente pela manhã, triste à noite e com um sentimento médio à tarde. Tal ideia não traduz a bipolaridade. Na verdade a bipolaridade pode vir a se manifestar nos dois pólos da doença: depressão e mania. Hoje há remédios de última geração que controlam com sucesso qualquer alteração de humor para esses dois pólos da doença.

O transtorno bipolar é a patologia do eixo I mais associada ao uso indevido de substâncias psicoativas. Entre 60% a 85% dos portadores de TBH abusam de álcool alguma vez ao longo da vida.[11]

[editar] Critérios Diagnósticos

[editar] Mania

Em clínicas de alcoolismo 20 a 30% são identificados como bipolar, e cerca de 50% como depressivos.[12]

Segundo o DSM-IV, três ou mais dos seguintes sintomas persistirem por pelo menos uma semana[13]:

  1. Auto-estima inflada ou sentimento de grandiosidade
  2. Necessidade de sono diminuída (por ex., sente-se repousado depois de apenas 3-4 horas de sono)
  3. Mais eloquente do que o habitual ou pressão por falar
  4. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão muito acelerados
  5. Distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com excessiva facilidade para estímulos externos insignificantes ou irrelevantes)
  6. Aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou sexualmente) ou agitação psicomotora
  7. Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para consequências dolorosas (por ex., envolvimento em surtos incontidos de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos)

A perturbação do humor deve ser suficientemente severa para causar prejuízo acentuado no funcionamento ocupacional, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.

Caso durante o período da perturbação do humor, inclua pelo menos três dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) em um grau significativo, mas durar apenas alguns dias, e essas mudanças ocorrerem há pelo menos 2 anos (1 ano para crianças e adolescentes), classifica-se como hipomania.

[editar] Depressão

Antidepressivos são quase sempre ineficazes caso não incluam também psicoterapia, especialmente quando envolvem alcoolismo, tabagismo ou uso de drogas ilícitas.[14]

Deve conter 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia[15]:

  1. Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
  2. Anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  3. Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
  4. Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  5. Fadiga ou perda de energia;
  6. Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  7. Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
  8. Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  9. Ideias recorrentes de morte ou suicídio.

Caso existam 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos no mínimo, classifica-se como distimia.

[editar] Principais sintomas

[editar] Como identificar o humor

Um dos principais problemas da fase maniaca é o indivíduo impulsivamente se endividar, abusar de drogas e/ou fazer sexo com inúmeros parceiros diferentes por conta da libido aumentada.
Sintomas da depressão[16][17]

O indivíduo deprimido em geral se sente abatido, quieto e triste. Pode dormir muito, como uma fuga do convívio, reclamar de cansaço em tarefas simples como escovar os dentes, apresentar traços de baixa auto-estima e de sentimentos de inferioridade. Demonstra pouco interesse pelos acontecimentos e coisas e pode se isolar da família e amigos.

O indivíduo pode se sentir, nesta fase, culpado por erros do passado, e fracassos em sua vida e de seus familiares. Pode haver irritabilidade, lamentos, e auto-recriminação.

Pode haver um distúrbio do apetite, tanto para aumentá-lo, como para diminuí-lo. O deprimido pode apresentar queda na sua imunidade, o que o deixa mais predisposto a contrair doenças. Em alguns casos a depressão pode se manifestar de forma psicossomática, e o indivíduo pode apresentar algumas doenças de causa psicológica, que normalmente se caracterizam por dores pelo corpo ou cabeça.

Há uma queda da libido e o indivíduo se afasta de seu companheiro, se o possuir.

É comum nesta fase pensamentos suicidas, uma vez que o indivíduo se sente mal em sua vida e sem energia para mudá-la. A conseqüência mais grave de uma depressão pode ser a concretização do suicídio.

Sintomas da Euforia (Mania)[16][17]

Na fase eufórica o indivíduo pode apresentar sentimentos de grandiosidade, poderes além dos que possui e grande entusiasmo. O indivíduo passa a dormir pouco, tornar-se agitado.

Pode falar muito, ter muitas ideias ao mesmo tempo, sentindo os pensamentos bem mais acelerados, formando linhas de raciocínio difíceis de serem compreendidas por outras pessoas.

Há uma alteração na libido e o indivíduo tem um aumento do desejo sexual. É comum a bipolares terem vários de parceiros sexuais a cada episódio.

O indivíduo perde a inibição social, podendo passar por situações vexatórias por falta de senso crítico.

Também é comum a irritabilidade, que associada com a impulsividade, pode levar o indivíduo a se envolver em mais brigas.

Nesta fase é comum os indivíduos se endividarem ou perderem muito dinheiro, comprometendo até bens de família. Durante os delírios de grandeza os gastos são muito acima do que sua realidade permitiria. Devido ao grande otimismo, é possível que o indivíduo empreste dinheiro a pessoas a quem mal conhece, e que podem estar aproveitando-se da situação.

São comuns manias como perseguição, realização de sonhos (reformas, viagens, compras) que a primeira vista podem até parecer normais.

No tipo de THB com surtos psicóticos, é comum nesta fase que o paciente tenha alucinações e delírios de grandeza.

[editar] Tratamento

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Os estabilizantes de humor diminuem o excesso de atividade neural em episódios de euforia.

As alarmantes mudanças de humor podem ser controladas por diversos medicamentos conhecidos como estabilizantes de humor. O tratamento com carbonato de lítio é o mais antigo e ainda em uso, e hoje há significativos progressos no estudo de novos tratamentos com poucas, mas significativas novas medicações introduzidas na medicina nos últimos tempos. O lítio induz a uma série de efeitos adversos e, por isso mesmo, precisa ser dosada sua concentração no sangue periodicamente. O tratamento moderno de transtorno bipolar não usa tanto sais de lítio, dando preferência a estabilizantes de humor como olanzapina, valproato, divalproato de sódio ou quetiapina. Quando existe abuso de álcool, cigarro e drogas ilícitas, os estabilizantes de humor também ajudam a controlar a dependência química e psicológica. [18]

Com o uso de medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.[19][20]

[editar] Terapia ocupacional

No caso de Psicose Maníaco-Depressiva o tratamento dos pacientes crônicos é feito em hospitais-dia, onde se fazem terapias ocupacionais durante o dia e, à noite, os pacientes voltam ao convívio de suas famílias.

[editar] Como controlar

Para controlar as mudanças de humor é necessário regularmente[20]:

  • Acompanhamento por médico (psiquiatra) e psicólogo.
  • Uso da medicação prescrita conforme recomendação médica.
  • O uso da medicação é particularmente importante porque é muito comum o paciente de bipolaridade interromper a terapia medicamentosa. A interrupção no uso do medicamento recomendado, via de regra, desencadeia novos episódios da conduta característica a essa condição: estados de depressão mais intensa e maior exaltação na euforia
  • Restrição ao uso de álcool, drogas e cafeína.
  • Vida saudável com horas de sono suficientes e em horário regular, alimentação equilibrada e atividade física adequada.

Referências

  1. Revista de Psiquiatria Clínica
  2. Revista de Psiquiatria Clínica
  3. Goldman, E. (1999). Severe Anxiety, Agitation are Warning Signals of Suicide in Bipolar Patients. Clin Psychiatr News . pg 25.
  4. a b ABC da Saúde - Transtorno bipolar do humor
  5. a b Veja - Um tormento que começa cedo
  6. http://www.mental-health-today.com/bp/cyclo.htm
  7. Drauzio Varella - Entrevistas
  8. LIMA, Maurício Silva de; TASSI, Juliana; NOVO, Ingrid Parra and MARI, Jair de Jesus. Epidemiologia do transtorno bipolar. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2005, vol.32, suppl.1 [cited 2011-05-23], pp. 15-20 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000700003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-6083. doi: 10.1590/S0101-60832005000700003.
  9. ANGST, J. - The Emerging Epidemiology of Hypomania and Bipolar II Disorder. J Affect Disord 50(2-3): 143-51, 1998.
  10. LUIS AUGUSTO ROHDE, SILZÁ TRAMONTINA. tratamento farmacológico do transtorno bipolar na infância e adolescência. Rev. Psiq. Clín. 32, supl 1; 117-127, 2005. http://www.scielo.br/pdf/rpc/v32s1/24421.pdf
  11. VIETA, E.; COLOM, F.; CORBELLA, B. et al. - Clinical Correlates of Psychiatric Comorbidity in Bipolar I Patients. Bipolar Disord 3: 253-258, 2001.
  12. GRANT, B.F. - The Influence of Comorbid Major Depression and Substance Use Disorders on Alcohol and Drug Treatment: Results of a National Survey. In: National Institute on Drug Abuse (NIDA). Treatment of Drug-Dependent Individuals with Comorbid Mental Disorders. NIH, Rockville, 1997.
  13. http://www.scribd.com/doc/504519/Bipolar-Transtornos-do-Humor-DSM-IV-2
  14. SALLOUM, I.M.; THASE, M.E. - Impact of Substance Abuse on the Course and Treatment of Bipolar Disorder. Bipolar Disord 2: 269-280, 2000.
  15. http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/438/depressao
  16. a b Portal de Psiquiatria - Transtorno Afetivo Bipolar
  17. a b Centro de Estudos em Psicologia - Transtorno Bipolar
  18. BROWN, E.S.; NEJTEK, V.A.; PERANTIE, D.C. et al. - Lamotrigine in Patients with Bipolar Disorder and Cocaine Dependence. J Clin Psychiatry 64: 197-201, 2003.
  19. Drauzio Varella - Entrevistas
  20. a b Tratamento da bipolaridade

[editar] Ligações externas


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