Distributismo

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Distributismo, também conhecido como distribucionismo ou distributivismo é uma filosofia económica, defendida por alguns pensadores católicos, como Chesterton e Hilaire Belloc, segundo a qual a propriedade privada é um bem a que deve ter acesso senão a totalidade ao menos a maioria dos agentes sociais[1] .

Estas ideias se baseiam nos ensinamentos economico-sociais do papado dos séculos XIX e XX, através Doutrina Social da Igreja, começando com o Rerum Novarum do Papa Leão XIII.

O Distributismo, basicamente, possui como bases três fundamentos presentes na Doutrina Social da Igreja: propriedade privada, princípio da solidariedade e princípio da subsidiariedade[2] .

De acordo com o distributismo, a posse dos meios de produção deve estar o mais amplamente distribuída possível entre a população, ao contrário de estar centralizada no Estado (como no capitalismo de Estado) ou restrita a uma influente classe plutocrática (capitalismo liberal[3] ).

Distributismo é considerado uma terceira via da ordem económica, além do capitalismo e socialismo ou social democracia, sendo apreciada pela chamada democracia cristã. Nesse sistema, a maior parte das pessoas deveria conseguir sobreviver sem ter que contar com o uso da propriedades de outrem para fazê-lo. Só assim uma pessoa teria autonomia assim como auto-subsistência e assim alcançar a liberdade, que era esse o valor mais alto para os apologistas deste conceito ou ideologia[4] antiliberal[5] . Alguns exemplos seriam agricultores que são donos de suas terras, mecânicos que possuem suas próprias ferramentas e equipamentos, desenvolvedores de software de posse de seus computadores e seus copyrights, etc.

A propriedade é, para o distributismo, condição e salvaguarda da liberdade individual. É a propriedade e as associações intermediárias que permitem que o homem não seja tiranizado pelo Estado ou pelos detentores de capital. No distributismo a própria noção de democracia é tida como um contra-senso se não estiver baseada na distribuição da propriedade, pois, de acordo com essa corrente de pensamento, um homem sem posses é um homem destituído de poder e que está permanentemente dependente[6] .

Para este sistema o capitalismo e socialismo são duas faces da mesma moeda na medida em que ambos são sistemas concentradores de propriedade: o primeiro a concentra nas mãos de alguns poucos indivíduos, o segundo nas do Estado[7] .

Enquanto as encíclicas papais foram um ponto de partida, Belloc e Chesterton basearam muitas de suas sugestões sobre o que mudar hoje por meio da análise do que funcionou em tempos medievais, antes do desenvolvimento da filosofia capitalista, conforme articulada pela primeira vez por Jean Quidort (d. 1306) na teoria de homo economicus em De potestate regia et papali.

O pensamento distributista consistiu principalmente numa crítica ao capitalismo e num proposta, mais conservadora e tradicionalista, de uma alternativa a ele baseada nos princípios que moldaram a Idade Média. O socialismo não era visto pelos distributistas como principal inimigo, uma vez que estes o consideravam como uma consequência do capitalismo e não como uma alternativa a ele. Os dois sistemas económicos sofriam dos mesmos males, sendo o maior deles a concentração da propriedade[8] .

Uma boa síntese do distributismo é a caçoada ou tirada de Chesterton: "O problema do capitalismo é que não há capitalistas suficientes."

Há quem refira que há influência das ideias distributivistas na obra «O Senhor dos Anéis», escrita entre 1937 e 1949 por J. R. R. Tolkien, mas que o filme não o reproduz muito bem[9] .

Origens[editar | editar código-fonte]

O lançamento da base do pensamento distributista surge duma ruptura com o socialismo quando se deu num debate, travado na revista New Age nos anos de 1907 e 1908, do qual se colocou em lados opostos as duplas de intelectuais Chesterton e Belloc e George Bernard Shaw e H. G. Wells. Nele foram pela primeira vez expostos pela dupla de intelectuais cristãos algumas das ideias que constituiriam o distributismo[10] .

Em 1913, Hilaire Belloc publica seu livro “Servil State” que é considerado como o marco inaugural do distributismo por ser a obra na qual pela primeira vez essse termo aparece. É ainda necessário dizer que o distributismo foi principalmente um movimento de ideias. Nessa altura nunca houve um partido ou um sindicato que o tenha levantado como bandeira. Existiu a liga distributista, mas ela era um movimento mais de cunho intelectual que político[11] . Essa surge, no dia 17 de Setembro de 1926, e tinha como objectivo “restaurar a propriedade”, segundo pronunciou Chesterton no discurso inaugural. Ele que foi eleito o seu primeiro presidente, da Liga. Escreveu uma série de artigos no G. K. Weekly. Ele ainda publicará outras obras, mas o principal veículo de aprofundamento e divulgação das ideias distributistas será nesse semanário, os quais depois foram compilados no livro The Outline of Sanity (1926).

Nos Estados Unidos, durante a década de 1930 , o distributismo foi tratado em inúmeros artigos no The American Review, publicado e editado por Seward Collins.

Textos-chave[editar | editar código-fonte]

Pensadores[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. distributivismo, iDicionário Aulete
  2. Chesterbelloc e o Distributismo, Diego Guilherme da Silva, Revista In Guardia, Ano I, v. 5, abril 2012
  3. Uma excelente introdução ao distributismo, por Miles, A Cigarrilha de Chesterton, 7 de Maio de 2012
  4. A liberdade, no distributismo é considerada um valor tão alto que não pode ser trocada nem por melhorias sociais. Sob a organização social capitalista ou socialista os indivíduos poderão até desfrutar de certas comodidades, mas o que nenhum dos sistemas tem a oferecer ao homem é o ser livre (Daniel Sada Castaño, «Gilbert Keith Chesterton y el Distributismo Inglês en el Primer Tercio del Siglo XX», Madri: Fundación Universitaria Española, 2005) - Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia.
  5. A liberdade é o valor central para o pensamento distributista mas este conceito difere do conceito liberal na medida em que o homem não é considerado como um indivíduo desvinculado e que é livre apenas para perseguir seus próprios interesses, mas ao contrário está fundamentado numa antropologia que vê o homem imerso numa rede de relações às quais não se pode e nem se deve desconsiderar - Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia.
  6. Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia
  7. Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia
  8. Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia
  9. Chesterbelloc e o Distributismo, Diego Guilherme da Silva, Revista In Guardia, Ano I, v. 5, abril 2012
  10. Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia
  11. Alceu Amoroso Lima e o distributismo como proposta para o Brasil, Alessandro Garcia

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]