Distrito Federal (Brasil)

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Distrito Federal
Bandeira do Distrito Federal
Brasão do Distrito Federal
(Bandeira) (Brasão)
Hino: Hino do Distrito Federal (Brasil)
Gentílico: brasiliense ou candango[1]

Localização do Distrito Federal no Brasil

Localização
 - Região Centro-Oeste
 - Estados limítrofes Goiás (S, O, N e L) e Minas Gerais (SE)
 - Mesorregiões nenhuma
 - Microrregiões nenhuma
 - Regiões administrativas (RA's) 31
Sede do governo Brasília[2]
Governo
 - Governador(a) Agnelo Queiroz (PT)
 - Vice-governador(a) Tadeu Filippelli (PMDB)
 - Deputados federais 8
 - Deputados distritais 24
 - Senadores Cristovam Buarque (PDT)
Gim Argello (PTB)
Rodrigo Rollemberg (PSB)
Área  
 - Total 5 779,999 km² (27º) [3]
População 2014
 - Estimativa 2 852 372 hab. (20º)[4]
 - Censo 2010 2 562 963 hab.
 - Densidade 493,49 hab./km² ()
Economia 2010
 - PIB R$149 906 000 bilhões ()
 - PIB per capita R$58 489 ()
Indicadores 2008[5]
 - Esper. de vida 75,6 anos ()
 - Mort. infantil 16,3‰ nasc. ()
 - Analfabetismo 4,0% ()
 - IDH (2010) 0,824 () – muito alto [6]
Fuso horário UTC−03:00
Clima tropical Aw
Cód. ISO 3166-2 BR-DF
Site governamental http://www.df.gov.br/

Mapa do Distrito Federal

O Distrito Federal é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Situado na Região Centro-Oeste, é a menor unidade federativa brasileira e a única que não tem municípios, sendo dividida em 31 regiões administrativas, totalizando uma área de 5 779,999 km². Em seu território, está localizada a capital federal do Brasil, Brasília, que é também a sede do governo do Distrito Federal.

O Distrito Federal é praticamente um enclave no estado de Goiás, não fosse a pequena divisa de menos de dois quilômetros de extensão com Minas Gerais, marcada pela passagem da rodovia DF-285. Por via terrestre, o Distrito Federal conecta-se a Minas Gerais por uma pequena ponte de 130 metros sobre o rio Preto.[7] [8]

O atual Distrito Federal foi idealizado por um projeto do então presidente Juscelino Kubitschek de mudança da capital nacional do município do Rio de Janeiro para o centro do país[9] . No período colonial brasileiro (1500-1815), a área fazia parte da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, sob comando do donatário Jorge de Figueiredo Correia. Porém, com o fim das capitanias no Brasil, surgiram diversas cidades na região, incluindo Ilhéus e, mais tarde, a própria Brasília, construída por iniciativa do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek.[10]

Durante o império, o equivalente ao Distrito Federal atual era o município neutro, onde se situava a corte, no Rio de Janeiro. Depois da Proclamação da República, o Rio de Janeiro tornou-se a capital federal, a qual, no início da década de 1960, foi transferida para o centro do Brasil, no leste do estado de Goiás. Quando de sua transferência, o território onde se localizava anteriormente a capital passou a ser o estado da Guanabara (de 1960 a 1975).[9]

Com a reordenação republicana do território brasileiro, as províncias passaram a estados e cada um deles passou a ser uma unidade da federação. Quase todos os estados surgiram das províncias de mesmos nomes, exceto o Distrito Federal e outros estados criados pela divisão territorial, como, por exemplo a divisão de Goiás, em que o território norte passou a ser o estado do Tocantins e o sul permaneceu Goiás.[9]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Distrito Federal" (pronúncia em português: [d(ʒ)iʃˈtɾitu fedeˈɾaw]) é uma versão brasileira de distrito federal, utilizada normalmente em países que se organizam de forma federal. No Brasil Império, a cidade do Rio de Janeiro passou a denominar-se Município Neutro da Corte a partir de 1834.[11] Após a Proclamação da República, em 1891, quando da promulgação da Constituição Federal de 1891, passou a se chamar Distrito Federal, mantendo a antiga capital imperial como sede do novo regime político.[12] Com a mudança dos três poderes do Sudeste para o Centro-Oeste do Brasil, o novo Distrito Federal passou a sediar a nova capital, Brasília, de acordo com a Constituição de 1946.[12]

O gentílico tanto do Distrito Federal como de Brasília é "brasiliense". O termo "candango", que é também utilizado para designar os brasilienses, foi originalmente usado para se referir aos trabalhadores que, em sua maioria provenientes da Região Nordeste do Brasil, migravam à região da futura capital para sua construção. Uma das vertentes diz que o termo "candango" era usado pelos africanos para designar os portugueses. A denominação é derivada de uma língua africana e significa "ordinário, ruim",[1] embora alguns dicionários apontem como de origem duvidosa.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Primórdios da ocupação humana[editar | editar código-fonte]

Até a chegada dos portugueses ao litoral do Brasil, no século XVI, a porção central do país, na qual se inclui o atual Distrito Federal, era ocupada por indígenas do tronco linguístico macro-jê, como os acroás, os xacriabás, os xavantes, os caiapós, os javaés, etc.[14] No século XVIII, a atual região ocupada pelo Distrito Federal, que era cortada pela linha do Tratado de Tordesilhas que dividia os domínios portugueses dos espanhóis, tornou-se rota de passagem para os garimpeiros de origem portuguesa em direção às minas de Mato Grosso e Goiás.[15] Data dessa época a fundação do povoado de São Sebastião de Mestre d'Armas (atual região administrativa de Planaltina, no Distrito Federal).[16]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Gustave Hastoy: "Assinatura do projeto da Constituição de 1891", c. 1891. Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro

A cidade de Salvador foi a primeira sede administrativa do Brasil durante o período que vai de 1549 a 1763, quando foi transferida para o Rio de Janeiro.[17] Os participantes da Conjuração Mineira de 1798 defendiam que a capital do país deveria ser a cidade de São João del-Rei, enquanto os nordestinos da revolução de 1817 defendiam que a capital do Brasil deveria ficar no Nordeste e nas proximidades do mar.[18] Mesmo com todas essas divergências, havia o consenso de que o Brasil deveria ter, como sede administrativa, uma cidade que facilitasse tanto o desenvolvimento do país como sua defesa. Havia preferências para que esta sede funcionasse no interior do país, pois isto estimularia a ocupação do interior do Brasil, bem como tornaria a capital menos predisposta às invasões estrangeiras, que aconteciam com mais frequência na zona litorânea.

Henrique Morize: acampamento da Comissão Exploradora às margens do Rio Paranaíba, em 1894

O sonho com Brasília, a capital federal, começou a existir a partir de 1823, na primeira Constituinte no Império Brasileiro, com uma proposta feita por José Bonifácio de Andrada e Silva, que defendeu a mudança da capital para uma região mais central no país, mostrando as vantagens de se construir a capital em uma das vertentes do Rio São Francisco. Durante a defesa de sua proposta, ele até sugeriu o nome da cidade tal qual conhecemos hoje. Porém, somente partir de 1839 iniciou-se uma reflexão sobre a construção de uma cidade no cerrado do planalto central, nas proximidades do rio São Francisco. Em 1852, essa questão despertou o interesse do historiador Varnhagen, que defendeu essa ideia em vários artigos, reunidos em um pequeno bloco de textos, com o nome "A Questão da Capital Marítima ou no Interior". Para a sua satisfação pessoal, Varnhagen, em 1877, fez a primeira visita prática ao local, onde definiu o lugar mais apropriado para a construção da futura capital: um triângulo formado pelas lagoas Feia, Formosa e Mestre d'Armas. A construção da Capital Federal ficou consolidada no artigo 3° da Constituição da República de 1891, que estabelece:[19]

Cquote1.svg Fica pertencente à União, no Planalto Central, uma zona de 14 000 km², que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal Cquote2.svg
Artigo 3º da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1891
A pedra fundamental de Brasília, assentada pelo presidente Epitácio Pessoa em 1922, ano das comemorações dos cem anos da independência do Brasil, está localizada no Morro do Centenário, em Planaltina.

Floriano Peixoto, o segundo presidente da república, pretendendo dar continuidade ao que tinha sido determinado pelo texto da Constituição, estabeleceu, em 1892, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil que foi chefiada pelo geógrafo Luís Cruls. Este, após seu retorno, apresentou um relatório, no qual delimitava uma área retangular, no mesmo ponto definido por Varnhagen, a qual ficou conhecida como Retângulo Cruls. Após essa expedição, devido às dimensões desse empreendimento, o plano de construção foi um pouco esquecido, porém, com a vitória da Revolução de 1930, o assunto voltou à tona.[19]

Em 1922, uma comissão do Governo Federal estabeleceu a localização no cerrado goiano, mas o projeto ficou engavetado. No dia do centenário da Independência, o presidente Epitácio Pessoa mandou erigir no Morro do Centenário, em Planaltina, um obelisco com os seguintes dizeres:

Cquote1.svg Sendo Presidente da República o Exmo. Sr. Dr. Epitácio da Silva Pessôa, em cumprimento ao disposto no decreto 4494 de 18 de janeiro de 1922, foi aqui collocada em 7 de setembro de 1922, ao meio-dia, a Pedra Fundamental da Futura Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil Cquote2.svg

Interiorização da capital federal[editar | editar código-fonte]

Em 1946, uma comissão chefiada por Poli Coelho atestou a excelente qualidade do lugar já preestabelecido para a construção. Em 1954, outra comissão, chefiada pelo general José Pessoa, finalizou os estudos já realizados e definiu que a área da futura capital seria o espaço delimitado pelos rios Preto e Descoberto e pelos paralelos 15°30 e 16°03, que abrangia áreas territoriais de três municípios goianos. Em 1955, durante um comício na cidade de Jataí, Juscelino Kubitschek, que em seus discursos sempre defendia o respeito à Constituição e às leis, foi perguntado se respeitaria, se eleito, a Constituição e mudaria a capital federal para o Planalto, de acordo com o que ela determinava. Juscelino respondeu que cumpriria com o que a Constituição decretava. Em 1956, após ser eleito para a presidência da República brasileira, Juscelino Kubitschek, por iniciativa própria, enviou ao congresso uma mensagem propondo a criação da Companhia Urbanizadora na Nova Capital (Novacap). Após a aprovação do congresso para esse projeto, em setembro do mesmo ano, o presidente sancionou a lei que criou empresa.

Com isso, a Novacap, empresa de caráter público, foi incumbida de planejar e executar a construção da capital federal na região delimitada pelo general José Pessoa. Após um concurso público que selecionaria o plano-piloto da cidade, uma comissão julgadora escolheu o projeto urbanístico do arquiteto Lúcio Costa, que foi aprovado, como lei, por unanimidade na Câmara e no Senado. Com isso, também foi oficializado o nome Brasília, bem como a escolha do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Em 2 de outubro de 1956, Juscelino Kubitschek assinou, no local da futura capital federal, o primeiro ato, nomeando Mário Meneghetti como ministro da Agricultura, ocasião em que proclamou o seguinte:[19]

Cquote1.svg Deste planalto central desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos sobre o amanhã do meu país e ante vejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino Cquote2.svg

Nesse mesmo ano deu-se inicio às obras, sob a fiscalização de Oscar Niemeyer e Israel Pinheiro. Formou-se, então, o Núcleo Bandeirante, com candangos (trabalhadores que atuaram na construção de Brasília vindos, inicialmente, de Goiás, Minas Gerais e principalmente do Nordeste. Os trabalhos de terraplanagem foram iniciados em novembro de 1956. Trinta mil operários construíram Brasília em 41 meses. Israel Pinheiro foi nomeado prefeito da capital em 17 de abril de 1960, um pouco antes da sua inauguração, ocorrida em 21 de abril de 1960, data escolhida em homenagem a Tiradentes, por Juscelino Kubitschek. Indicado pelo presidente da República, o primeiro governador do Distrito Federal foi Hélio Prates. Em 1987, ano em que Brasília é declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Comissão de Sistematização da Assembleia Nacional Constituinte aprovou a autonomia política do Distrito Federal, o que resultou, pela promulgação da Constituição em 1988, nas eleições diretas para governador, vice-governador e 24 deputados distritais. O primeiro governador eleito pelo voto direto foi Joaquim Roriz, que teve o seu mandato compreendido de 1988 a 1990.[19]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 2006, o senador José Arruda (Partido da Frente Liberal/Democratas) foi eleito governador em primeiro turno. Em março de 2008, entrou em vigor a lei que isenta o pagamento de despesas com funeral quando houver a doação de órgãos de uma pessoa morta.[21]

Em 29 de novembro, a veiculação de imagens de deputados do Distrito Federal e do governador José Roberto Arruda recebendo dinheiro vivo, em um escritório particular, deflagraram um escândalo político de corrupção. Arruda desligou-se do partido.[21]

Nas eleições de 2010, Agnelo Queiroz foi eleito governador no segundo turno, com 66,10 por cento dos votos válidos, contra a sua adversária Weslian Roriz, que ficou com 31,50 por cento.[22]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Parte do Distrito Federal visto da Estação Espacial Internacional. Brasília e o Lago Paranoá podem ser vistos no centro da imagem.

O Distrito Federal é uma unidade federativa diferente das demais, pois não é um estado, nem um município. É, na realidade, um território autônomo, dividido em regiões administrativas, cujos administradores são indicados pelo Governador, sendo constitucionalmente vedada a existência de municípios no interior do Distrito Federal. Com exceção de Brasília, Capital Federal, as outras regiões administrativas são conhecidas como cidades-satélite e possuem certa autonomia em suas administrações, pois para cada uma delas, inclusive para a região administrativa de Brasília, é nomeado um administrador.[23]

Brasília, Capital Federal, é uma cidade planejada que foi projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, possui o formato de um avião e engloba Asa Norte, Asa Sul, Setor Militar Urbano, Setor de Garagens e Oficinas, Setor de Indústrias Gráficas, Área de Camping, Eixo Monumental, Esplanada dos Ministérios, Setor de Embaixadas Sul e Norte, Vila Planalto, Granja do Torto, Vila Telebrasília, Setor de áreas Isoladas Norte e sedia os três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Relevo e hidrografia[editar | editar código-fonte]

O Distrito Federal está localizado no Planalto Central do Brasil, onde se localizam as cabeceiras de afluentes de três dos maiores rios brasileiros - o Rio Maranhão (afluente do Rio Tocantins), o Rio Preto (afluente do Rio São Francisco) e os rios São Bartolomeu e Descoberto (tributários do Rio Paraná).

O seu relevo é constituído por planaltos, planícies e várzeas[desambiguação necessária], características típicas do cerrado, que possui terreno bem plano ou com suaves ondulações. Sua altitude varia de 600 a 1 100 metros acima do nível do mar, e o ponto mais alto é o Pico do Roncador, com 1 341 metros, localizado na Serra do Sobradinho.[23]

Situado na denominada Província Hidrogeológica do Escudo Central,[24] a qual inclui parcialmente a Faixa de Dobramentos Brasília e se estende para norte/noroeste, ocupando a Faixa de dobramentos Paraguai/Araguaia e a parte sul do Cráton Amazônico. Esta província é amplamente dominada por aquíferos fraturados cobertos por mantos de intemperismo (solos e rochas alteradas) com características físicas e espessuras variáveis.
O polígono do Distrito Federal está situado em um alto regional que não apresenta grandes drenagens superficiais, sendo um divisor natural de três grandes bacias hidrográficas. Por isso, as águas subterrâneas têm função estratégica na manutenção de vazões dos cursos superficiais e no abastecimento de núcleos rurais, urbanos e condomínios.[25]

Em 2010, por meio de decreto administrativo, o Distrito Federal foi dividido em três Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH)[26] , que são:

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima predominantemente é o tropical sazonal, com uma estação chuvosa e quente (verão), normalmente compreendida entre outubro e março, e outra fria e seca (inverno), compreendida entre abril e setembro. Os índices de umidade giram em torno de 25% no inverno e 68% no verão, o que culmina em um clima típico do cerrado. A temperatura média é muito agradável, na maior parte do ano, com variações que vão de 13 até 27 graus célsius, constituindo uma temperatura média anual que gira em torno de 20 graus célsius. A média das precipitações anuais ficam entre 1 200 e 1 800 milímetros.[23]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação do Distrito Federal, caracterizada pelo cerrado, é o resultado de um longo processo de evolução, no qual as plantas buscaram adaptar-se às difíceis condições ambientais como: pouca água, falta de umidade no ar e acidez no solo. Em virtude disso, as principais vegetações do Distrito Federal são o cerrado, vegetação composta por árvores de galhos e caules grossos e retorcidos, distribuídos de uma forma esparsa, onde também existem gramíneas, várias espécies de capins, que se desenvolvem embaixo das árvores e umas espécies semi-arbustivas; a mata ciliar composta por florestas estreitas e densas, formadas ao longo do leito dos rios e riachos, por encontrarem solos mais férteis e com boa umidade, o que proporcionam o bom desenvolvimento dessas espécies, e os brejos, que são localizados nas nascentes de água onde desenvolve-se em grandes proporções o buriti. Entre as espécies de plantas que ficam mais em evidência, podemos destacar os ipês amarelo e roxo, a pindaíba e o óleo vermelho, o pau-santo[desambiguação necessária], a gabiroba, o araçá[desambiguação necessária] e a sucupira.[23]

Diferentemente de outras regiões brasileiras, durante o período dos meses de verão, o Distrito Federal adquire uma paisagem muito verde, porém, durante os meses de inverno, o capim seca e praticamente todas as árvores mudam suas folhagens, cada árvore ao seu tempo, de modo que não acontece de todas as árvores de uma mesma espécie trocarem de folhas, todas ao mesmo tempo.[23]

Ecologia e fauna[editar | editar código-fonte]

Durante a elaboração do projeto para a Construção de Brasília houve uma grande preocupação e cuidado com a relação ao trinômio cidade-natureza-homem, para que nessa cidade houvesse equilíbrio ambiental entre esses três elementos, objetivando o mantimento de um alto padrão na qualidade de vida dos seus habitantes Isto é evidente quando observamos que a relação área verde por habitante é a maior do país. Desde sua construção até os dias de hoje, há uma série de medidas adotadas para que seja mantido equilíbrio ambiental e para que sejam preservados os recursos naturais existentes em Brasília e em todo o Distrito Federal. Essas medidas resultaram na criação de várias unidades de conservação ambiental, bem como em áreas protegidas ambientalmente e reservas ecológicas, além da criação do Parque Nacional de Brasília. Chega a apresentar uma fauna com mais de 60 000 espécies diferentes, destacando-se a onça-pintada, suçuarana, veado-campeiro, lobo-guará, tamanduá-bandeira e tatu-canastra.[23]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Mapa do Distrito Federal. Em destaque a Região Administrativa de Brasília.

O crescimento demográfico se situa em 2,82%. A densidade média é de 410,8 hab./km e a taxa de urbanização, uma das mais altas do país, alcança 94,7%. Relativamente ao desenvolvimento socioeconômico são significativos os valores dos seguintes indicadores: a mortalidade infantil é de 17,8 por mil nascimentos; a taxa de analfabetismo alcança 4,7 por cento entre as pessoas maiores de 15 anos e o número de leitos hospitalares é de 3 777. Além disso, quase a totalidade da população tem acesso à água corrente e à rede de esgoto.[23]

Etnias[editar | editar código-fonte]

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a população brasiliense está composta por brancos (49,15 por cento), negros (4,80 por cento), pardos (44,77 por cento), asiáticos (0,39 por cento) e indígenas (0,35 por cento).[30]

Religião[editar | editar código-fonte]

Tal qual a variedade cultural verificável no Distrito Federal, são diversas as manifestações religiosas presentes.[30] Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração — e ainda hoje a maioria dos brasilienses declara-se católica —, é possível encontrar atualmente no Distrito Federal dezenas de denominações protestantes diferentes, assim como a prática do budismo, do islamismo, espiritismo, umbanda, candomblé, entre outras.[30]

De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do Distrito Federal está composta por: católicos (66,16 por cento), protestantes (19,50 por cento), pessoas sem religião (8,64 por cento), espíritas (2,69 por cento), budistas (0,14 por cento), muçulmanos (0,03 por cento), umbandistas (0,15 por cento) e judeus (0,03 por cento).[30]

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio do Buriti, sede executiva do governo do Distrito Federal

A política e a administração do Distrito Federal distinguem-se das demais unidades da federação em alguns pontos particulares, conforme definido na Constituição do Brasil de 1988:[31]

  • O Distrito Federal rege-se por lei orgânica, típica de municípios, e não por uma constituição estadual. Acumula as competências legislativas reservadas aos estados e municípios, não vedadas pela Constituição.
  • O Poder legislativo do Distrito Federal é exercido pela câmara legislativa, com 24 deputados distritais eleitos;
  • O caráter híbrido do Distrito Federal é observável por sua Câmara Legislativa, mistura de Câmara Municipal (Poder Legislativo Municipal) e Assembleia Legislativa (Poder Legislativo Estadual), sendo que o chefe do Poder Executivo é o governador.

O Distrito Federal possui autonomia para instituir e arrecadar tributos próprios aos estados, como o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, imposto sobre a propriedade de veículos automotores, Imposto sobre Transmissões Causa Mortis e Doações de Qualquer Bem ou Direito; e aos municípios, como o imposto predial e territorial urbano, Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza e Imposto sobre a transmissão de bens imóveis.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Caixa d'Água de Ceilândia, uma das regiões administrativas do Distrito Federal

A Constituição de 1988, em seu artigo 32, veda expressamente a divisão do Distrito Federal em municípios.[31] O Distrito Federal é dividido em 31 regiões administrativas, sendo Brasília a principal delas; dessas apenas dezenove são reconhecidas pelo IBGE,[32] pelo fato de os limites das regiões restantes ainda não terem passado por aprovação na Câmara Legislativa do Distrito Federal.[33]

No Brasil, a ideia de cidade está intimamente ligada à de sede de município. Porém, no Distrito Federal, são chamados de cidades os diversos núcleos urbanos sedes das regiões administrativas. Alguns destes núcleos são mais antigos do que a própria Brasília, como Planaltina, que era município de Goiás antes de ser incorporado ao Distrito Federal, e Brazlândia, fundada na década de 1930.

Economia[editar | editar código-fonte]

Exportações do Distrito Federal - (2012)[34]

A economia do Distrito Federal está baseada na pecuária (criação de bovinos, suínos, equinos, asininos, muares, bubalinos, coelhos, ovinos, aves e apicultura); agricultura permanente (plantação de abacate, banana, café, goiaba, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, tangerina, urucum e uva) e temporária (cultivo de abacaxi, algodão, alho, amendoim, arroz, batata-doce, batata-inglesa, cana-de-açúcar, cebola, feijão, mandioca, melancia, milho, soja, sorgo granífero, tomate e trigo); indústria alimentícia, pesqueira, extrativistas, de transformação, produção e distribuição elétrica e de gás, indústria de transporte e imobiliária; comércio e serviço.[23] A pauta de exportação em 2012 foi baseada principalmente em Carne de Aves (64,04%) e Soja (8,24%).[34]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Uma rodovia de acesso ao Distrito Federal

O Distrito Federal é atendido principalmente por transporte coletivo de ônibus. O principal ponto de saída e chegada de ônibus interurbanos dentro do Distrito Federal e entorno é a Rodoviária do Plano Piloto, que liga Brasília a todas as outras regiões administrativas e ao entorno.

Um novo terminal rodoviário interestadual foi inaugurado em julho de 2010, às margens da BR-450 (também conhecida como Estrada Parque Indústria e Abastecimento - EPIA) em Brasília. O novo terminal realiza viagens para todas as unidades federativas do Brasil.

As regiões administrativas de Gama e Taguatinga possuem terminais rodoviários interurbanos para dentro do Distrito Federal, entorno, e para todas as unidades federativas do Brasil.

A maioria das regiões administrativas, entretanto, possuem apenas terminais interurbanos para dentro do Distrito Federal e entorno.

Inaugurado em 2001, o Metrô de Brasília atende dois bairros de Brasília (Setor Central e Asa Sul) e algumas regiões administrativas do lado oeste do Distrito Federal (Guará, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia e Samambaia). Sua demanda vem crescendo a cada ano.[35]

O Distrito Federal é servido pelas seguintes rodovias federais:

Educação[editar | editar código-fonte]

Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[36]
Média
37,96 (7º)
36,90
52,74 (7º)
52,08
2007[37]
Média
54,06 (5º)
51,52
56,90 (4º)
55,99
2008[38]
Média
43,61 (7º)
41,69
60,12 (6º)
59,35

O ensino médio no Distrito Federal obtém um resultado no ENEM acima da média nacional desde 2006.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Em função da construção de Brasília e em busca de melhores condições de vida, muitas pessoas vieram de todas as regiões do país. Por conta disso, o Distrito Federal possui diferentes costumes, sotaques e culturas. O Distrito Federal não possui uma cultura de características próprias, porém dessa mistura, e com o passar do tempo surgiu sua identidade cultural. Muitas pessoas acreditam que particularmente Brasília possui atributos místicos. Os religiosos, por exemplo, acreditam que a capital federal é resultado de uma profecia, mostrada a Dom Bosco em 30 de agosto de 1883, através de um sonho, no qual ele relata que entre os paralelos 15° e 20° havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou que quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel.

A segurança pública do Distrito Federal é a que possui maior efetivo e é mais moderna do país. No Distrito Federal, o metro quadrado de área residencial é um dos mais caros do país. E particularmente, em Brasília, por ser uma cidade planejada, possui um vasto patrimônio arquitetônico que compreende desde a própria estrutura da cidade até seus prédios públicos e monumentos. Brasília possui outros destaques, como a torre de TV com vista panorâmica, a Catedral, o Catetinho, as feiras de artesanato, o Jardim Botânico e o Autódromo Internacional Nelson Piquet.[39]

Particularidades[editar | editar código-fonte]

O Distrito Federal é uma unidade atípica da Federação, com as seguintes particularidades:

  • O Distrito Federal não é nem estado nem município, nem se divide como tal, mas possui administração autônoma.
  • As aglomerações urbanas do Distrito Federal são denominadas de regiões administrativas, e sua administração é exercida através de administradores regionais, que são nomeados pelo governador do Distrito Federal.
  • É o menor território autônomo do Brasil – com apenas 5 779 km², que equivale a 26 por cento da área de Sergipe, o menor estado brasileiro.
  • O Distrito Federal não tem capital, tendo Brasília como local da sede do governo.
  • As áreas de educação, saúde e segurança pública (polícias civil e militar e o corpo de bombeiros militar) são mantidas pela União, por meio de fundo específico, conforme o artigo 20, inciso XIV, da constituição,[31] denominado de Fundo Constitucional do Distrito Federal, o qual é regulado por legislação específica[40] infraconstitucional.
  • Apesar de o Distrito Federal ser dividido em regiões administrativas, todo e qualquer cidadão que seja nascido dentro dos limites distritais é chamado "brasiliense" ou "candango", este último mais frequente de caráter coloquial.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Distrito Federal (Brasil)

Referências

  1. a b Verbete "Candango" (em português) Dicionário Informal (12 de setembro de 2008). Visitado em 4 de fevereiro de 2012.
  2. (PDF) Lei Orgânica do Distrito Federal, BR: Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal, http://www.fazenda.df.gov.br/aplicacoes/legislacao/legislacao/TelaSaidaDocumento.cfm?txtNumero=0&txtAno=0&txtTipo=290&txtParte=. 
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Área Territorial Oficial - Consulta por Unidade da Federação. Visitado em 9 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 9 de abril de 2014.
  4. ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NO BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1º DE JULHO DE 2014 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (28 de agosto de 2014). Visitado em 28 de agosto de 2014.
  5. Síntese dos Inidicadores Sociais 2009 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Visitado em 22 de outubro de 2009.
  6. Ranking do IDH dos estados do Brasil em 2010 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (15 de setembro de 2008). Visitado em 2 de agosto de 20132008.
  7. IBGE: Geografia do Distrito Federal
  8. Pequena Divisa entre o Distrito Federal e Minas Gerais
  9. a b c Guia do Turista (2010). Distrito Federal - Apresentação (em português) Guia do Turista. Visitado em 4 de fevereiro de 2012.
  10. HJO Brasil: http://www.hjobrasil.com/ordem.asp?secao=1&categoria=132&subcategoria=611&id=3703
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Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • CAETANO, Nilson F. Apostila Alub/Pré-vestibular. Editora Exato. Caderno IV, p. 2 (Geografia). Brasília-DF, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]