Doença dos legionários

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Doença dos legionários
Legionella pneumophila, responsável por 90% dos casos de legionelose.
Classificação e recursos externos
CID-10 A48.1, A48.2
CID-9 482.84
DiseasesDB 7366
MedlinePlus 000616
eMedicine med/1273
MeSH D007876
Star of life caution.svg Aviso médico

Legionelose ou doença dos legionários é uma doença causada por bactérias do gênero Legionella, geralmente originando uma pneumonia atípica provocada pela espécie Legionella pneumophila ou uma infecção mais benigna e leve, designada Febre de Pontiac.[1]

A Legionella pneumophyla é um bacilo pleomórfico gram-negativo aeróbico, imóvel, catalase positiva, com cerca de meio micrômetro. Necessita meios de cultura especiais para se multiplicar. Toleram temperaturas até 63°C e desinfectantes como a lixívia. Há outras espécies de Legionella que também causam legionelose, mas são raras. [2] São parasitas intracelulares facultativos, sobrevivendo à fagocitose por macrófagos, através do bloqueio da fusão fagossoma-lisossoma e também inibindo a geração de radicais livres. Os macrófagos activados com citocinas de linfócitos T4 frequentemente conseguem destruir as bactérias.

História[editar | editar código-fonte]

Foi descoberta apenas em 1976, quando vários casos de pneumonia atípica de causa desconhecida foram detetados em idosos que tinham atendido a uma conferência de legionários (veteranos de guerra), em Filadélfia, EUA. Apesar do descobrimento tardio, a Legionelose não é rara. Tem havido bastantes miniepidemias na Europa e América do Norte.

Casos[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2014 ocorreu um surto de legionella em Portugal[3] .

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Por inalação de vapor de água ou poeira contendo Legionella leva as bactérias diretamente para os alvéolos pulmonares. Fontes de vapor incluem chuveiros, saunas, névoa, humidificadores e ar condicionado. Não é transmitido de pessoa para pessoa. Endemias geralmente estão associadas a uma fonte de água comunitária infectada.[4]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Tecido pulmonar com colônias de legionella

A incubação é de dois a dez dias, após o que surge pneumonia multifocal necrotizante com formação de microabcessos e os sintomas aparecem como por exemplo:

  • Febre,
  • Tremores,
  • Tosse seca,
  • Dor muscular,

Depois de alguns dias novos sintomas incluem:

  • Dor no peito,
  • Náusea e vómito,
  • Dor muscular,
  • Respiração acelerada.

Complicações possíveis incluem[5] e tem mortalidade de cerca de 10% em pacientes com boa imunidade e de 80% em pacientes com imunidade baixa:

Febre de Pontiac[editar | editar código-fonte]

A Febre de Pontiac é uma infecção rara por Legionella, tipo gripe não pneumônica, caracterizada por sintomas como febre, tremores, mal-estar e dores de cabeça e musculares mas sem complicações. A inalação de água contaminada com muitos tipos diferentes de bactérias, incluindo espécies de Legionella, produz a doença. Seu período de incubação varia de 12 a 36 horas , ou seja, é muito curto para permitir a infecção e multiplicação bacteriana.É provável que toxinas bacterianas ou fúngicas presentes na água produzam esta doença. Outra hipótese é uma resposta imune a um ou mais dos múltiplos organismos encontrados na água.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Um terço das pneumonias graves são legioneloses, havendo cerca de 1 caso em cada 20.000 pessoas por ano nos países desenvolvidos. Os doentes geralmente são fumantes, diabéticos, alcoolistas, pessoas com sistema imune debilitado ou com problemas cardíacos e especialmente idosos.[6] É encontrada em todo o mundo, mas apenas 10 a 20% são diagnosticados como legionelose. A maioria é tratada apenas como pneumonia atípica. Estima-se que causa entre 8.000 e 18.000 casos nos EUA por ano.[7]

O bacilo precisa de locais úmidos, e frequentemente os focos de infecção são localizados a uma colônia num aparelho de ar condicionado, torre de água, tanque de água fria ou quente. A colonização dos aparelhos pode ser evitada pela sua limpeza regular. A mortalidade é ainda superior a 20%, mesmo com tratamento. Os tratamentos antibióticos atuais de primeira escolha são as quinolonas respiratórias (levofloxacina, moxifloxacina, gemifloxacino) ou macrolídeos mais recentes (azitromicina, claritromicina, roxitromicina). As tetraciclinas são prescritas para crianças acima de 12 anos de idade e quinolonas para os maiores de 18 anos. Rifampicina pode ser usado em combinação com uma quinolona ou macrolídeo, mas o Infectious Diseases Society of America não recomenda seu uso, pois parece não ser eficiente. Tetraciclinas e eritromicina são recomendados porque eles têm uma excelente penetração intracelular em células infectadas por Legionella.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]