Domingos Martins (Espírito Santo)

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Município de Domingos Martins
Rua João Baptista Wernersbach

Rua João Baptista Wernersbach
Bandeira de Domingos Martins
Brasão de Domingos Martins
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 20 de outubro de 1893
Gentílico martinense
Prefeito(a) Luiz Carlos Prezoti Rocha (PP)
(2013–2016)
Localização
Localização de Domingos Martins
Localização de Domingos Martins no Espírito Santo
Domingos Martins está localizado em: Brasil
Domingos Martins
Localização de Domingos Martins no Brasil
20° 21' 46" S 40° 39' 32" O20° 21' 46" S 40° 39' 32" O
Unidade federativa  Espírito Santo
Mesorregião Central Espírito-santense IBGE/2008[1]
Microrregião Afonso Cláudio IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Cariacica, Viana, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Castelo, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio
Distância até a capital 45 km
Características geográficas
Área 1 225,327 km² [2]
População 34 239 hab. IBGE/2014[3]
Densidade 27,94 hab./km²
Altitude 542 m
Clima Tropical Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,669 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 290 097,432 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 980,23 IBGE/2008[5]
Página oficial
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Domingos Martins (Espírito Santo)
Grupo folclórico Bergfreunde de Campinho no XVI Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins
Monumento em homenagem ao imigrante

Domingos Martins é um município do estado de Espírito Santo, no Brasil. A sede do município é também conhecida como Campinho e está situada a aproximadamente 42 km de Vitória, cujo acesso principal se dá pela rodovia BR 262. Está situado na região montanhosa do Espírito Santo. É promovida como "Cidade do Verde", por contar com bastante mata atlântica.

O município possui muitos rios e picos. A sede tem altitude de 542 metros, mas, no município, há picos acima de 1 800 metros. Possui clima ameno, frio para os padrões brasileiros. O município foi fortemente colonizado por alemães, pomeranos e italianos. É predominantemente dependente da agricultura e turismo. O município é dividido em 6 distritos: Sede, Melgaço, Paraju, Aracê, Santa Isabel e Biriricas, este último demarcado recentemente. Como atrativo turístico, destaca-se a Pedra Azul, que é um grande afloramento de gnaisse com 1 822 metros e que apresenta uma coloração azulada, dependendo da incidência de luz solar. A região é muito visitada por pessoas da capital do estado, Vitória, e seus arredores, por ser localizada muito próxima à capital.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Composição Étnica

Cor/Raça Percentagem
Brancos 72,54%
Negros 2,33%
Pardos 24,29%
Amarelos 0.81%

Fonte: Censo 2010

História[editar | editar código-fonte]

Até princípios do século XIX, a região era habitada por índios botocudos. Em 1816, foi construída uma estrada de tropeiros ligando Vila Rica (a atual Ouro Preto) a Vitória, passando pelo atual território do município. Foram construídos quartéis ao longo da estrada batizados com nomes de cidades portuguesas, o que deu origem às atuais localidades de Melgaço e Barcelos[6] .

A partir de meados do século XIX, a região foi colonizada por alemães, pomeranos e italianos, que deixaram a Europa para começar uma vida nova no Brasil.

Os primeiros a chegar foram os alemães, em 1847, quando fundaram, em Santa Isabel, neste município, a primeira colônia alemã no Espírito Santo. O grupo era formado por 39 famílias, sendo 23 católicas e 16 luteranas, vindas da região montanhosa do Hunsrück (Costa do Cachorro), na Prússia Renana, das cidades de Koblenz, Lötzbeuren e Traben-Trarbach, em número de 163 pessoas.

Em 1859, somaram-se aos primeiros colonos outros alemães, provenientes da região do Hesse do Reno. Entre 1857 e 1873, ocorreu o fluxo de pomeranos para a região de Santa Leopoldina e Melgaço.

Os pomeranos vieram da região que ficava situada entre o norte da Alemanha Ocidental e a Polônia. Ela fazia parte da Alemanha desde 1200. Durante o feudalismo, estava vinculada ao Império Prussiano, mas, a partir de 1945, dois terços da Pomerânia foram anexados à Polônia e a outra parte ficou na Alemanha.

Embora haja registros sobre a chegada de pomeranos ao Espírito Santo entre 1829 e 1833, para participarem da construção e limpeza da estrada projetada Vitória (ES) – Ouro Preto (MG), eles não fundaram colônias nem se estabeleceram de imediato no Estado. Muitos nem permaneceram na região.

O fluxo de pomeranos para as regiões de Santa Leopoldina e Melgaço se deu mais tarde, entre 1857 e 1873, num total aproximado de 2 143 pessoas. Os pomeranos que hoje se encontram em Domingos Martins se concentram mais em Melgaço (na Sede e na localidade de Califórnia) e em Paraju (na Sede e nas localidades de Tijuco Preto e Rio Ponte). Eles vieram da província pomerana das regiões de Koslin, Kolberg, Greifswald e outras. Chegaram à colônia de Santa Isabel subindo o rio Santa Maria da Vitória até a cachoeira de Santa Leopoldina.

A partir de 1859, vieram, também, os primeiros italianos para a colônia de Santa Isabel. Nessa época havia em Santa Isabel, 27 italianos, mas o maior fluxo de italianos para a região começou em 1875. A ocupação italiana concentrou-se no distrito de Aracê. No início do século XX (por volta de 1900) apareceram na região os primeiros imigrantes italianos. A sua chegada ocorreu por caminhos até então desconhecidos pelos alemães e que foram desbravados a partir de outras direções. Uma primeira leva chegou pelo lado de São Floriano, subindo de Alfredo Chaves pela região de São Bento de Urânia. Eles chegaram até o alto de Pedreiras e começaram a atrair outras famílias que foram adquirindo a posse dos alemães que voltavam para a região de São Rafael. Uma outra leva chegou por trás da Pedra Azul, passando por Castelinho em direção a São Paulinho.

A colônia progrediu gradativamente e logo emancipou-se de Viana. Foi elevada à condição de freguesia em 1869 e distrito policial em 1878. No dia 20 de outubro de 1893, o município de Santa Isabel desmembrou-se de Viana por meio do Decreto Estadual 29.

Pela Lei Estadual 1 307, de 30 de dezembro de 1921, o município de Santa Isabel passou a denominar-se Domingos Martins, em homenagem ao herói capixaba Domingos José Martins, que nasceu em 9 de maio de 1781 no município de Itapemirim e que participou como líder da Revolução Pernambucana, tendo sido fuzilado em 12 de junho de 1817 na Bahia.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Todo o município de Domingos Martins possui um relevo acidentado e montanhoso, que faz parte da chamada "zona serrana do central", ou "Cinturão Verde" (região do estado formada por terras altas, montanhosas e "frias", localizadas ao sul do rio Doce). Isso justifica, em grande parte, porque o município se destaca no desenvolvimento do turismo de montanha, na agricultura (cultivo de produtos de clima temperado) e na cultura (grande influência da imigração alemã).

Pedra Azul, principal ponto turístico da cidade

O relevo montanhoso do município é localizado na Serra do Castelo, com várias denominações locais, como: Serra do Tijuco Preto, do Galo, dos Pregos, do Gelo... Nesse quadro, os principais acidentes são os vales, formados pelo rio Jucu Braço Norte e seus afluentes.

A sede de Domingos Martins (Campinho) está a 542 metros de altitude.

O relevo da cidade em função da altitude, tem a seguinte distribuição aproximada: 10% estão abaixo de 500 metros, 35% de 500 a 800 metros, 30% de 800 a 1 000 metros e 25% acima de 1 000 metros. Ou seja: 90% das terras estão em altitudes superiores a 500 metros, razão pela qual têm um clima mais ameno tropical de altitude.

O Pico Pedra Azul (1 822 metros), localizado em Pedra Azul do Aracê, embora seja o 3º mais alto, é o mais famoso do município, devido à beleza do seu aspecto. Recebe tal nome pela coloração (azulada, esverdeada e às vezes até amarelada) que toma, conforme o horário em que recebe a luz do sol. Esse pico é também conhecido como "Pedra do Lagarto", por apresentar uma saliência, como se estivesse apenas encostada e com o formato de um lagarto ou lagartixa à subir a pedra, em sua parte frontal. O ponto mais alto do município é o da Pedra das Flores (1 909 metros), a apenas 800 metros de distância da Pedra Azul. Na divisa com Vargem Alta fica a Pedra do Tamanco ou do Redentor (1 847 metros). A região de Pedra Azul do Aracê é a mais elevada da cidade, sendo por isso uma das mais frias e mais rica, graças aos vários hotéis que existe lá por causa do turismo.

As altitudes, aproximadas, das principais localidades martinenses são: Pedra Azul do Aracê (1 050 metros), Melgaço (850 metros), Paraju (750 metros), Perobas (600 metros), Ponto Alto (600 metros), Campinho (sede do município) (542 metros) e Santa Isabel (485 metros).

O grande tamanho territorial do município faz com que haja variação de relevo e clima dependendo da região, pois o município vai desde as proximidades com o mar, até perto da divisa com Minas Gerais, o oeste, a região de Pedra Azul do Aracê e Melgaço, é a região mais fria e elevada, com o chamado relevo de pontão, com destaque para a famosa Pedra Azul, afloramento de gnaise com 1.853 m, que possui uma tonalidade azulada de acordo com a luz solar, mas com muitos afloramentos do tipo que são tão ingremes que não possuem vegetação. A Mata Atlântica encontra-se bastante reduzida, na região.

A cidade possui um território muito grande, notando-se um clima mais quente e com menos amplitude térmica no leste da cidade, onde há o fenômeno da maritimidade, graças a proximidade com o mar. No oeste do município, que também é de maior altitude, e nota-se maior variação térmica, graças ao fenômeno da continentalidade, o que gera grande variação climática, às vezes de até 20 graus de diferença da máxima para a mínima diária.

Clima[editar | editar código-fonte]

Gráfico climático para Domingos Martins
J F M A M J J A S O N D
 
 
166
 
29
19
 
 
93
 
29
19
 
 
115
 
28
18
 
 
90
 
26
16
 
 
64
 
25
15
 
 
41
 
24
14
 
 
54
 
25
14
 
 
48
 
25
15
 
 
68
 
26
17
 
 
120
 
26
18
 
 
182
 
27
18
 
 
197
 
27
17
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Climate-data.org

O clima da cidade é o tropical com estação seca, da variação Aw/Am, com ocorrência de precipitações principalmente nos meses de outubro a janeiro, porém a estação seca possui precipitação razoável. A temperatura média anual é de 21,5 °C na sede do município. Em decorrência de seu clima ameno, porém mais quente que outras cidades vizinhas da região serrana, em 2008 a cidade foi eleita a mais romântica do Brasil.(Eleito por internautas do site Viaje Aqui)

Vegetação[editar | editar código-fonte]

O que restou da Mata Atlântica e as capoeiras (mato alto que cresce após o abandono de uma área desmatada) cobrem, hoje, cerca de 20% do território da cidade. O restante é formado. principalmente. por plantações de café, culturas temporárias (milho, feijão, morango etc.) e pelo plantio de pinheiros e eucaliptos.

As áreas de vegetação cobrem principalmente os pontos mais altos. Na cidade, fica localizado o Parque Estadual da Pedra Azul, que cobre 1 240 hectares e que é a principal área de preservação ambiental da cidade (criado em 1960). A reserva particular de Roberto Anselmo Kautsky, orquidófilo e bromeliófilo de renome internacional, destaca-se por abrigar uma coleção que reúne mais de 1 300 espécies de orquídeas e bromélias. Fica junto à sede do Município (Campinho).

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Domingos Martins é banhada por um muitos de cursos d'água. Seus principais rios são o rio Jucu Braço Norte e o rio Jucu Braço Sul, que são os formadores do rio Jucu.

O Rio Jucu Braço Norte

Domingos Martins tem a maior parte (mais de 80%) de sua área banhada por uma única bacia hidrográfica, a do rio Jucu Braço Norte. Ele percorre cerca de 115 km em terras da cidade como um rio de montanha, ou seja, com muitas cachoeiras e rochas, isso prejudica seu uso para a navegação, mas beneficia para a produção de energia elétrica e até o turismo (prática de rafting). Ele Nasce na Serra do Castelo, na região de São Paulo ("São Paulinho") de Aracê, nos entornos da Pedra Azul, na divisa com o município de Vargem Alta.

O Rio Jucu Braço Sul

Antes da emancipação do município de Marechal Floriano, praticamente toda a bacia do rio Jucu Braço Sul (que também nasce na região de Pedra Azul) banhava o município de Domingos Martins inteiro,depois, a ele passaram a pertencer apenas alguns quilômetros, após sua nascente e alguns antes do seu encontro com o rio Jucu Braço Norte (do encontro dos dois surge o rio Jucu que, até sua foz, no Oceano Atlântico, no município de Vila Velha, tem cerca de 32 km de extensão).

No final do rio Jucu Braço Sul, fica a única usina hidrelétrica do município, a 2ª a ser construída no Estado, inaugurada em 25 de setembro de 1909.

Economia[editar | editar código-fonte]

A agricultura é a base da economia, destacando-se o fato do grande cultivo de frutas que somente se adaptam a climas temperados, o destaque é o morango, mas também há o cultivo da uva e da maçã, além da forte presença do café (da variação arábica, adaptada a climas mais frios) e das hortaliças.

Economicamente, o turismo é muito importante, assim como a agricultura. A capital também abriga a sede da fábrica "Refrigerantes Coroa", e algumas produções caseiras de biscoitos típicos (da tradição alemã), além do turismo, a cidade atrai muitos turistas, graças ao clima frio, às cachoeiras, ao rafting, trilhas e rapel, além da tranquilidade e da natureza. A cidade também é uma grande produtora de água mineral.

Residiu aqui Roberto Kautsky, conhecido como grande colecionador de orquídeas. Ele descreveu várias novas espécies encontradas na região.

Política[editar | editar código-fonte]

A Câmara Municipal de Domingos Martins é o órgão legislativo do município e é composta por treze vereadores.

Ver tambem[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  3. Estimativa populacional 2014 IBGE Estimativa populacional 2014 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2014). Visitado em 29 de agosto de 2014.
  4. Perfil do Município de Domingos Martins - ES Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2013). Visitado em 27 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  6. www.domingosmartins.com.br. Disponível em http://www.domingosmartins.com.br/historia_6.htm. Acesso em 28 de março de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]