Dominguinhos

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Dominguinhos
Informação geral
Nome completo José Domingos de Morais
Nascimento 12 de fevereiro de 1941
Local de nascimento Garanhuns, PE
 Brasil
Data de morte 23 de julho de 2013 (72 anos)
Local de morte São Paulo, SP
 Brasil
Gênero(s) baião, bossa nova, choro, forró, xote, jazz
Instrumento(s) Acordeão
Afiliação(ões) Luiz Gonzaga, Elba Ramalho

José Domingos de Morais (Garanhuns, 12 de fevereiro de 1941  — São Paulo, 23 de julho de 2013), conhecido como Dominguinhos, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. Exímio sanfoneiro, teve como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira. Teve em sua formação musical influências de baião, bossa nova, choro, forró, xote e jazz.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

José Domingos de Morais nasceu na cidade de Garanhuns, agreste pernambucano, em 12 de fevereiro de 1941, oriundo de uma família humilde e numerosa, eram ao todo dezesseis irmãos. O pai, "mestre Chicão", era um conhecido sanfoneiro e afinador de sanfonas e sua mãe era conhecida como "dona Mariinha", ambos alagoanos.[1]

Desde menino José Domingos já se interessava por música, por influência do pai, que lhe deu de presente uma sanfona de oito baixos. Aos seis anos de idade aprendeu a tocar o instrumento e começou a se apresentar em feiras livres e portas de hotéis em troca de algum dinheiro, junto com dois de seus irmãos, Moraes e Valdomiro, formando o trio Os Três Pinguins. No início da formação, tocava triângulo e pandeiro, passando depois a tocar sanfona. Praticava o instrumento por horas a fio e tornou-se um exímio "sanfoneiro", passando a ser conhecido em Garanhuns como "Neném do acordeon".[nota 1]

Encontro com Luiz Gonzaga[editar | editar código-fonte]

Conheceu Luiz Gonzaga quando tocava no hotel em que este estava hospedado, em Garanhuns. O nome do hotel era Tavares Correia e o trio, que sempre tocava na porta, foi convidado naquele dia a tocar dentro do hotel para Gonzaga e seus acompanhantes.[nota 2]

Luiz Gonzaga se impressionou com a desenvoltura do menino e o convidou a ir ao Rio de Janeiro, onde morava. Essa viagem aconteceria anos mais tarde, pois algum tempo depois deste encontro, em 1948, Neném do acordeon foi para Recife estudar.

Ida ao Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Alguns anos depois, em 1954, seu pai decide ir para o Rio de Janeiro procurar Gonzaga, devido às dificuldades que passavam em Garanhuns. Junto com o pai, foi também o menino Neném do acordeon, então com treze anos de idade, numa viagem de pau de arara que durou onze dias. Foram morar em Nilópolis, onde já estava o seu irmão Moraes.[1]

Em pouco tempo foram procurar Luiz Gonzaga, que morava no bairro do Méier, zona norte do Rio de Janeiro. Este deu-lhe de presente uma sanfona de 80 baixos logo neste primeiro encontro. A partir de então, o menino passou a frequentar a casa de Gonzaga, o acompanhando em shows, ensaios e gravações.

Nos anos seguintes, o menino que ainda era conhecido como Neném do acordeon, passou a participar de programas de rádio e se apresentar em casas noturnas, aprendendo outros estilos de música, como o chorinho, samba e outros estilos da época.

Somente em 1957, receberia o nome artístico de Dominguinhos dado pelo próprio Gonzaga. Neste mesmo ano faz sua primeira gravação profissional, tocando sanfona na música Moça de feira, com seu famoso padrinho artístico.

De 1957 a 1958, integra a primeira formação do grupo de forró Trio Nordestino, ao lado de Miudinho e Zito Borborema, que haviam deixado o grupo que acompanhava Gonzaga. Neste mesmo ano de 1958 casa-se com Janete, sua primeira mulher. Deste casamento nascem os filhos Mauro e Madeleine.

Depois de deixar o Trio Nordestino em 1958, continuou a se apresentar em programas de rádio e casas noturnas, até gravar seu primeiro disco, o LP Fim de festa em 1964.

Viagens com Gonzaga e consagração[editar | editar código-fonte]

Depois de mais dois discos gravados, volta a integrar o grupo de Gonzaga em 1967, viajando pelo nordeste e dividindo as funções de sanfoneiro e motorista. Em uma dessas viagens, naquele mesmo ano, conhece uma cantora de forró, a pernambucana Anastácia, com quem compôs mais de 200 canções, inclusive um de seus maiores sucessos, Eu só quero um xodó, em uma parceria que durou onze anos.

Anastácia revelou em 2013 que se arrependeu de ter destruído 150 fitas cassete com melodias inéditas de Dominguinhos, depois de ter sido abandonada por ele.[2]

A sua integração ao grupo de Luis Gonzaga fez com que ganhasse reputação como músico e arranjador, aproximando-se de artistas consagrados dos movimentos bossa nova e MPB, nos anos 70 e 80. Fez trabalhos junto a músicos de renome, como Nara Leão, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Chico Buarque e Toquinho.

Acabou por se consolidar em uma carreira musical própria, englobando gêneros musicais diversos como bossa nova, jazz e pop.[3]

No final dos anos 70, Dominguinhos conhece a também cantora Guadalupe Mendonça, com quem se casa em 1980. Deste casamento, nasceria uma filha, a cantora Liv Moraes.[4]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em decorrência de um tratamento contra um câncer de pulmão, que já durava seis anos, Dominguinhos teve problemas relacionados a arritmia cardíaca e infecção respiratória e foi internado no Recife em dezembro de 2012. Um mês depois foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. No decorrer dos meses seguintes seu quadro se agravou, tendo sofrido várias paradas cardíacas. Em março seu filho Mauro declarou à imprensa que o cantor não deveria mais retornar do coma em que se encontrava, informação não confirmada pelos médicos, que, segundo os boletins divulgados, afirmavam que Dominguinhos estava minimamente consciente e apresentava leve quadro de melhora.[5] [6] [7]

Em 13 de julho, o cantor deixou a UTI, mas ainda permaneceu internado, com quadro considerado estável.[8]

Com um novo agravamento no seu quadro, voltou para a UTI, onde morreu às 18h do dia 23 de julho de 2013, após sofrer complicações infecciosas e cardíacas.[9]

Devido a uma disputa judicial entre seus familiares, quanto ao local do sepultamento, o corpo de Dominguinhos teve dois sepultamentos. O primeiro foi no Cemitério Morada da Paz em Paulista, Região Metropolitana do Recife, no dia 25 de julho de 2013.[10]

Dois meses depois, em 26 de setembro, seu corpo foi transferido para Garanhuns, onde houve um novo sepultamento no mesmo dia, no Cemitério São Miguel. O desejo de Dominguinhos era ser sepultado na sua terra natal.[11] [12]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Em 2002, Dominguinhos foi vencedor do Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho.

Após cinco anos sem lançar um trabalho solo, Dominguinhos voltou em 2006 a gravar pela Eldorado na qual Conterrâneos 2006, agraciado no Prêmio TIM (2007) na categoria Melhor Cantor Regional.

Em 2007, Dominguinhos, concorreu ao 8º Grammy Latino com mesmo álbum na categoria melhor disco regional.

Em 2008, Dominguinhos foi o grande homenageado do Prêmio Tim de Música Brasileira.

Em 2010, foi o vencedor do Prêmio Shell de Música 2010.[13]

Em 2012, Dominguinhos foi novamente agraciado com um Grammy Latino: Melhor Álbum de Raiz Brasileiro, com o CD e DVD Iluminado.[14]

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 1964 – Fim de Festa
  • 1965 – Cheinho de Molho
  • 1966 – 13 de Dezembro
  • 1973 – Lamento de Caboclo
  • 1973 – Tudo Azul
  • 1973 – Festa no Sertão
  • 1974 – Dominguinhos e Seu Acordeon
  • 1975 – Forró de Dominguinhos
  • 1976 – Domingo, Menino Dominguinhos
  • 1977 – Oi, Lá Vou Eu
  • 1978 – Oxente Dominguinhos
  • 1979 – Após Tá Certo
  • 1980 – Quem me Levará Sou Eu
  • 1981 – Querubim
  • 1982 – A Maravilhosa Música Brasileira
  • 1982 – Simplicidade
  • 1982 – Dominguinhos e Sua Sanfona
  • 1983 – Festejo e Alegria
  • 1985 – Isso Aqui Tá Bom Demais
  • 1986 – Gostoso Demais
  • 1987 – Seu Domingos
  • 1988 – É Isso Aí! Simples Como a Vida
  • 1989 – Veredas Nordestinas
  • 1990 – Aqui Tá Ficando Bom
  • 1991 – Dominguinhos é Brasil
  • 1992 – Garanhuns
  • 1993 – O Trinado do Trovão
  • 1994 – Choro Chorado
  • 1994 – Nas Quebradas do Sertão
  • 1995 – Dominguinhos é Tradição
  • 1996 – Pé de Poeira
  • 1997 – Dominguinhos & Convidados Cantam Luiz Gonzaga
  • 1998 – Nas Costas do Brasil
  • 1999 – Você Vai Ver o Que É Bom
  • 2001 – Dominguinhos Ao Vivo
  • 2001 – Lembrando de Você
  • 2002 – Chegando de Mansinho
  • 2004 – Cada um Belisca um Pouco (com Sivuca e Oswaldinho do Acordeon) - Selo Biscoito Fino
  • 2005 – Elba Ramalho & Dominguinhos: Baião de Dois
  • 2006 – Conterrâneos
  • 2007 – Canteiro (participação especial no CD de Margareth Darezzo)
  • 2007 – Yamandu + Dominguinhos
  • 2009 - Ao vivo em Nova Jerusalém (DVD)
  • 2010 - Lado B - Dominguinhos e Yamandú Costa
  • 2010 – Iluminado

Referências

  1. a b Documentário "Dominguinhos canta e conta Gonzaga" Portal G! Pernambuco_Música.
  2. O Estado de S. Paulo (28 de julho de 2013). O tesouro de Dominguinhos.
  3. Dominguinhos_Dados artisticos Dicionário Cravo Albin da MPB.
  4. Guadalupe conta sua história com Dominguinhos Jornal do Commercio (1/4/2013).
  5. Breno Pires (15 de Março de 2013). Dominguinhos está em coma irreversível, diz seu filho O Estado de S. Paulo. Página visitada em 15 de Março de 2013.
  6. Ícone da música brasileira, Dominguinhos está em coma irreversível Yahoo! (15 de Março de 2013). Página visitada em 15 de Março de 2013.
  7. Julia Maria (03 de Maio de 2013). Dominguinhos luta pela vida em meio a drama familiar O Estado de S. Paulo. Página visitada em 16 de Maio de 2013.
  8. Dominguinhos deixa UTI e quadro é estável Tribuna do Norte (14/7/2013).
  9. G1.com (23 de julho de 2013). Dominguinhos morre aos 72 anos em hospital de São Paulo.
  10. Diario de Pernambuco.com (01 de agosto de 2013). Corpo de Dominguinhos é enterrado ao som de Eu só quero um xodó.
  11. G1.com (26 de setembro de 2013). Corpo de Dominguinhos é levado de Paulista para Garanhuns em comboio.
  12. Jornal do Commercio_Cultura (26 de setembro de 2013). Dominguinhos é enterrado sob forte comoção em Garanhuns.
  13. Folha Online. (4 de agosto de 2010). Dominguinhos vence Prêmio Shell de Música 2010, acesso em 5 de agosto de 2010
  14. rollingstone.uol.com.br/ Brasileiros não vencem nas categorias principais do Grammy Latino

Notas

  1. O nome artístico "Dominguinhos" só lhe seria dado por Luiz Gonzaga em 1957, já no Rio de Janeiro. Dominguinhos_1941 - 2013
  2. O ano deste encontro com Luiz Gonzaga é incerto. Teria sido entre 1948 e 1950. O próprio Dominguinhos, no documentário Especial Dominguinhos, menciona que "foi para Recife estudar em 1948, quando já havia encontrado Gonzaga no hotel".
    Já em outro documentário (Dominguinhos canta e conta Gonzaga), Dominguinhos diz que na época tinha "de 8 a 9 anos de idade".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]