Doutrina Sinatra

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Frank Sinatra com Ronald Reagan pouco antes de interpretar My Way na Casa Branca

Doutrina Sinatra foi o jocosa nomenclatura dada por Gennady Ivanovich Guerasimov (em russo, Геннадий Иванович Герасимов; Yelabuga, 3 de março de 1930 - Moscou, 16 de setembro de 20101 2 ), porta-voz do presidente da antiga URSS, Mikhail Gorbatchev, para a nova estratégia de política externa que vinha a ser adotada, em substituição à política adotada pelo seus antecessores, Leonid Brejnev, Iuri Andropov e Konstantin Chernenko.3

Com o tempo, e a desintegração do Bloco Socialista capitaneado por Moscou, a expressão passou a ser usada para designar a política de Gorbatchev que permitiu a Queda do Muro de Berlim, a emancipação dos países do Leste Europeu ou a retirada das tropas comunistas do Afeganistão, a partir de 1988.4

Esta foi uma ruptura com a antecessora Doutrina Brejnev, em que os assuntos internos de Estados-satélites foram rigidamente controlados por Moscou. Esta doutrina tinha sido usada para justificar a invasão da Checoslováquia em 1968, bem como da não-Pacto de Varsóvia, assim como a invasão soviética do Afeganistão, que estava fora do Pacto da Varsóvia, em 1979.

A frase foi cunhada em 25 de Outubro de 1989. Ele apareceu no popular programa de televisão estadunidense Good Morning America para discutir um discurso feito dois dias antes pelo ministro das Relações Exteriores soviético Eduard Shevardnadze. O último havia dito que os soviéticos reconheciam a liberdade de escolha de todos os países, incluindo especificamente outros estados do Pacto de Varsóvia. Gerasimov disse ao entrevistador: "Nós temos agora a doutrina de Frank Sinatra. Ele tem uma música, I Did It My Way. Assim, cada país decide sobre qual o caminho a tomar." Quando perguntado se isso incluiria Moscou aceitando a rejeição dos partidos comunistas do bloco soviético, ele respondeu: "Isso com certeza... estruturas políticas devem ser decididas pelo povo que lá vive."3 5

Até o final dos anos 80, com as falhas estruturais dentro do sistema soviético, os crescentes problemas econômicos, a ascensão do sentimento anti-comunista e os efeitos da guerra afegã tornou cada vez mais impráticavel para a União Soviética para impôr sua vontade sobre seus vizinhos.

A "Doutrina Sinatra" tinha sido vista como permissão do Kremlin a seus aliados para decidir seu futuro. Na verdade, era uma política retrospectiva, visto que alguns aliados soviéticos já tinham adquirido muito maior liberdade de ação.

Um mês antes da declaração de Gerasimov, a Polônia tinha adquirido seu primeiro governo não comunista desde a década de 1940. O governo da Hungria abriu sua fronteira com a Áustria em agosto de 1989, o desmantelamento da Cortina de Ferro na sua fronteira. Como a Hungria foi um dos poucos países em que os alemães orientais poderiam viajar, milhares fizeram-no com o objectivo de fugir através da recém-inaugurada fronteira com o Ocidente. Para grande aborrecimento do governo da Alemanha Oriental, os húngaros recusaram-se a parar o êxodo.

Este desenvolvimento da doutrina desagradou muito à linha-duracomunista, como o líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker, que condenou o fim da união tradicional "socialista" do bloco soviético e apelou a Moscou para controlar os húngaros. Honecker enfrentou uma crise crescente, com manifestações anti-governamentais maciças em Leipzig e em outras cidades do Leste Alemão.

O discurso de Shevardnadze e a descrição memorável de Gerasimov da nova política elevou-se a uma rejeição dos apelos de Honecker. A mensagem foi: "não nos incomodem com os vossos problemas, resolvam-nos vocês mesmos."

A proclamação da "Doutrina Sinatra" teve efeitos dramáticos em todo o bloco soviético. O governo sitiado no leste alemão esperava uma intervenção soviética para defender o comunismo na Alemanha Oriental e em outros lugares. No entanto, com o anúncio da "Doutrina Sinatra" ficou assinalado que a União Soviética não ajudaria os comunistas da Alemanha Oriental. Poucas semanas depois, os governos comunistas da Alemanha Oriental, da Checoslováquia e da Bulgária foram depostos, e dois meses mais tarde os governantes comunistas da Romênia sofreram o mesmo destino, sinalizando o fim da Guerra Fria e o fim da Cortina de Ferro.

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Referências

  1. Rádio Renascença (16 de setembro de 2010). Morreu Guennadi Guerassimov. Página visitada em 16 de Setembro de 2010.
  2. Diário Digital / Lusa (14 de Setembro de 2010). Rússia: Morreu o último embaixador soviético em Portugal. Página visitada em 16 de Setembro de 2010.
  3. a b Miguel Bas (8 de novembro de 2009). Queda do Muro de Berlim pôs à prova reforma política de Gorbachov. Página visitada em 2 de janeiro de 2010.
  4. Gonçalo Trindade; Paulo Bernardo Leal; Rogério Antunes. A decisão da retirada soviética do Afeganistão. Página visitada em 2 de janeiro de 2010.
  5. Manchete de outubro de 1989 sobre a Doutrina Sinatra do Los Angeles Times