Dragoeiro

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Dragoeiro
O antiquíssimo e famoso dragoeiro deIcod de los Vinos, Tenerife.

O antiquíssimo e famoso dragoeiro de
Icod de los Vinos, Tenerife.
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Ruscaceae (Dracaenaceae)
Género: Dracaena
Espécie: D. draco
Nome binomial
Dracaena draco
(L.) L.
Frutos do D. draco.
Dragoeiro em Vila Nova Sintra, ilha Brava, Cabo Verde.

A Dracaena draco L., conhecida pelo nome comum de dragoeiro, é uma planta da classe Liliopsida, ordem Asparagales, família das Ruscaceae (Dracaenaceae) originária da região biogeográfica atlântica da Macaronésia, onde é nativa dos arquipélagos das Canárias, Madeira e Açores, ocorrendo localmente da costa africana vizinha e em Cabo Verde.[1] Pode atingir centenas de anos de idade, produzindo árvores de grandes dimensões. Apesar de comum e muito apreciado como planta ornamental em jardins daqueles arquipélagos, o dragoeiro encontra-se vulnerável no estado selvagem devido à destruição do seu habitat. A sua abundância varia entre relativamente comum nas Canárias a raro na ilha da Madeira e na maioria das ilhas açorianas.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Árvore que pode ultrapassar os 15 m de altura, de tronco robusto de material fibroso facilmente putrescível, de contorno irregular com até 5 m de diâmetro, com ramificação umbeliforme. Ritidoma de cor acinzentada, marcado por cicatrizes foliares e em geral fortemente fendilhado e com extensas porções secas e soltas.[2] Ramificação dicotómica após o surgimento da inflorescência terminal, produzindo uma copa ampla em forma de umbela de contorno circular.

Folhas coreáceas simples, verde acinzentadas, acastanhadas na base, ensiformes de ápice agudo, dispostas em roseta terminal. O limbo das folhas mede 40-90 (110) x 2-4 (5) cm.

Inflorescência longa, com 60–120 cm de comprimento, glabra, bipinada, de flores numerosas em panícula terminal larga.

Flores odoríferas, hermafroditas e actinomórficas, com perianto com 7–10 mm, verde-esbranquiçado, composto por 6 peças unidas na base em tubo curto e campanulado. 6 estames, não excedendo em comprimento o perianto. Ovário súpero.

O fruto é uma baga globosa, com 14–17 mm de diâmetro, geralmente monospérmico, inicialmente amarelo-esverdeado, tornando-se laranja brilhante quando maduro. Sementes com 7–10 mm, globosas, quase perfeitamente esféricas, muito duras, de um branco leitoso a nacarado.

A seiva forma uma resina translucente, de cor vermelho sangue quando oxidada, solúvel em etanol e em éteres, fusível a 76 °C. É constituída maioritariamente por éteres, mas contém uma grande diversidade de substâncias, entre as quais a dracenina.

Distribuição e etnobotânica[editar | editar código-fonte]

O dragoeiro deve o seu nome à cor da sua seiva, que depois de oxidada por exposição ao ar forma uma substância pastosa de cor vermelho vivo que foi comercializada na Europa com o nome do sangue-de-dragão ou drago. O sangue-de-dragão atingia elevados preços, sendo a sua origem conservada no mistério por muito tempo. Era utilizado em fármacos (sob o nome de sanguis draconis) e em tinturaria, constituindo nos tempos iniciais de povoamento europeu da Macaronésia, em especial das Canárias, um importante produto de exportação.

Nas Canárias o dragoeiro era considerado uma árvore sagrada pelos povos guanche, servindo alguns exemplares de ponto de referência e assinalando locais de reunião e de significado religioso. É célebre o dragoeiro de Icod de los Vinos, árvore sagrada das populações guanche de Tenerife.

Nos Açores os dragoeiros habitam a baixa altitude, existindo alguns exemplares famosos, tendo os existentes na zona da Praia de Água de Alto sido classificados por decreto do parlamento açoriano como árvores protegidas. No Museu do Pico (pólo do Museu do Vinho, Madalena) existe um bosque de dragoeiros centenários. No entanto, algumas dúvidas permanecem sobre se estes exemplares serão descendentes de exemplares nativos ou se esta espécie foi introduzida pelo ser humano.[3]

No arquipélago da Madeira esta espécie, apesar de muito cultivada como ornamental em jardins, encontra-se extinta na natureza na ilha do Porto Santo e na ilha da Madeira sobrevive apenas um exemplar considerado selvagens numa escarpa sobranceira à vila da Ribeira Brava. Um segundo exemplar perto deste primeiro foi derrubado pelos fortes temporais que assolaram a ilha em Fevereiro de 2010, tendo os seus troncos sido recolhidos pelo Jardim Botânico da Madeira para uma tentativa de propagação vegetativa. Um terceiro exemplar selvagem existente numa escarpa da Ponta do Garajau a Este do Funchal caiu ao mar no Outono de 1982 durante uma tempestade.[3] Existe ainda alguma polémica sobre se o núcleo de dragoeiros das Neves, local na periferia da cidade do Funchal onde se situa a sede do Parque Natural da Madeira, será ou não selvagem, apesar da maioria das opiniões serem de que se trata um conjunto aí plantado por mão humana. A utilização desta planta no fabrico de sangue-de-dragão e especialmente a destruição e ocupação do seu habitat por motivos agrícolas e urbanos, são os principais responsáveis por esta situação.

Existe um terceiro Dragoeiro na Quinta do Jardim em Oeiras.[4] Na Tapada das Necessidades, em Lisboa, existem 5 exemplares.[5]

Em Cabo Verde, o dragoeiro existe quase exclusivamente na ilha de São Nicolau, sendo uma árvore característica da ilha, e na Ilha Brava. Existem também alguns exemplares na costa sul de Marrocos, em locais pouco acessíveis e de maior humidade.

Notas

  1. João Paulo Constância, "Dracaene draco (Agavaceae)", in Dragoeiros do Museu do Vinho (Pico - Açores), Direcção Regional da Cultura, Angra do Heroísmo, 2005 (ISBN 972-647-193-1).
  2. Ibidem, pp. 10-11.
  3. a b J.R., Short, M.J., 1994. Flora of Madeira. HMSO. London
  4. Dragoeiro de Oeiras.
  5. Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades. As Árvores da Tapada - O Dragoeiro. Página visitada em 7 de Junho de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Galeria[editar | editar código-fonte]