Dudinka

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

69° 24′ N 86° 11′ E

Porto de Dudinka
Porto de Dudinka

Dudinka (em russo: Дуди́нка) é uma cidade no Krai (província) de Krasnoyarsk, na Rússia.

Foi o centro administrativo do Okrug (distrito) Autônomo da Taymyria, que foi assimilado pelo Krai de Krasnoyarsk em 1 de janeiro de 2007. É um porto no rio Ienissei, acessível a navios marítimos.

A cidade foi fundada em 1667 como uma colônia de inverno, e recebeu o status de cidade em 1951. Dudinka é a terra natal da famosa poetisa russa Olga Martynova.[carece de fontes?]

Dudinka e Dikson no estuário do rio Ienissei

O porto de Dudinka processa mercadorias e as envia para a mineradora MMC Norilsk Nikel e despacha metais não-ferrosos, carvão and minério. Em 1969 o gasoduto Messoyakha-Dudinka-Norilsk foi inaugurado. A população é de 25.132 pessoas, de acordo com o censo russo de 2002, e a cidade é servida pelo pequeno Aeroporto de Dudinka.

História[editar | editar código-fonte]

Como em muitos outros lugares da Rússia, os pioneiros destas terras foram aqueles que tiveram a "sorte" de não ser fuzilados, mas condenados a trabalhos forçados, em autênticos campos de concentração. Os mais sortudos chegavam aqui durante o curto verão por rio ou a pé. Delinquentes comuns não eram enviados para lá.

A pequena ilha próxima que mantinha a prisão preferida de Stalin se chama Norlag, local de repressões do sanguinário ditador. Primeiro chegaram os oficiais das repúblicas bálticas; depois os poloneses. Foram os presos que com picareta e , no meio do perpétuo congelamento, construíram as primeiras pedreiras, a fábrica e a velha cidade. No meio do frio polar trabalhavam mal vestidos 12 horas diárias, para depois ir 'descansar' nos barracões, tiritando de frio. Somente as raras cervejas russas aplacavam por momentos o gélido destino.

Economia[editar | editar código-fonte]

Graças em grande parte a empresa Norilski Nikel, o todo-poderoso grupo industrial que tudo controla por lá, a região fica apta até para viver.

Evidente que as enormes riquezas naturais do subsolo justificam a presença do homem em condições tão desumanas. Toda comunicação com o "continente", como chamam em Dudinka todo o resto da Rússia, é feita por cabo marítimo, fluvial e aéreo. Para transportar os metais que produz, o gigante industrial construiu toda uma frota de quebra-gelos e navios de transporte capazes de navegar ente as geleiras durante a maior parte do ano.

Durante o breve verão, a frota fluvial se encarrega de transportar tudo o que for necessário para a vida durante o longo inverno pelo rio Yenisei até o porto de Dudinka, que junto com a ferrovia local também pertence ao grande grupo empresarial.

A empresa também se encarrega do descanso de seu pessoal, que desfruta de férias de 90 dias por ano, e o montante de seus programas sociais chega a três bilhões de rublos (cerca de 80 milhões de euros). Além do enorme hotel Zapoliarie (Transpolar), o melhor do balneário russo de Sochi (!) nas margens do Mar Negro e propriedade do consórcio, cobre grande parte da despesa de férias de seus trabalhadores. Deste modo, duas semanas na Bulgária custa para um operário da empresa o simbólico preço de 1.500 rublos (menos de 40 euros), e duas semanas nas praias da Espanha valem junto com o voo cerca de 12 mil rublos (300 euros).

Energia[editar | editar código-fonte]

Salvo pelas provisões de alimentos, e nem todos, Dudinka e Norilsk são praticamente cidades autossuficientes. As centrais elétricas geram energia, o gás e o petróleo são extraído de jazidas locais e processados em plantas que também pertencem à indústria.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

Em 1966, com tensões da Guerra Fria fervendo entre os Estados Unidos ea URSS, um GAMBIT 1 (KH-7) satélite espião, observou intensamente a cidade onde acreditaram localizar uma estação retransmissora troposférica, provavelmente parte de uma rede de comunicações militares muito maior. Ainda foram divulgadas diversas fotografias mostrando grande movimentação de navios militares e de transporte, assim como identificados diversas edificações militares de propósito nunca revelado.

Sua referência no jogo de tabuleiro Risk trouxe sua existência para o resto do mundo, mas de fato qualquer informação a seu respeito passa por desconhecida. Ironias em relação à ela se desenvolveram a partir de sua inserção no mundialmente conhecido jogo de tabuleiro, provavelmente causadas pela localização, morfologia da própria nomenclatura e pronúncia em idiomas de origem latina e anglo-saxã.

Consumo de cerveja[editar | editar código-fonte]

A dominação e força das legiões do Império Romano impôs ao mundo a prática do consumo do álcool na forma de vinho, mas não se impôs aos povos que ficaram fora do Império. A cerveja permaneceu a bebida eleita nas regiões nórdicas. Já no leste europeu, e regiões isoladas com as estepes e o ártico, e terras ácidas, providas de centeio e aveia, o kvass, tipo de cerveja obtida pela fermentação destes cereais, ancorou-se nos hábitos dos camponeses eslavos. A tradição do kvass familiar e campesino mantém-se ainda hoje um pouco por toda a Rússia e países ex-soviéticos.

Cerveja russa (pronunciado em russo como "Pivo") ocupa o segundo lugar na tabela de bebidas alcoólicas após a Vodka, que é bebida alcoólica indiscutível # 1 na Rússia. Mas a maioria dos russos consideram que é uma bebida saudável, menos prejudicial e quase não alcoólicas alternativa.

Curiosa é a forma como os russos classificam a cerveja, que não é pela fermentação, mas sim pela cor. Assim temos cervejas Claras, vermelhas (semi escuras) e escuras. Ainda existe a mais popular e preferida no norte gélido do país que é a super forte, geralmente entre 6 e 10% de álcool. Cada região da Rússia é conhecida por ter a sua própria cervejaria, e os habitantes são conhecidos pelo alto consumo de álcool, que é de 18l (puro) por ano.

O frio extremo da região justifica o consumo de álcool, sendo as cervejas fortes apreciadas como bebida leve a substituir a vodka. Para o paladar ocidental as cervejas super escuras são bebidas em temperatura considerada quente, e é uma ofensa aos moradores pensar em resfriá-las. De fato sabor e corpo das mais simples cervejas são surpreendentes, exatamente o que se espera consumir em local tão inóspito e frio.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Dudinka, e a sua vizinha Norilsk, são dos poucos lugares do mundo onde uma pessoa pode perguntar se é de dia ou de noite e fazer sentido. Três meses por ano, de novembro a fevereiro, o sol não nasce por lá e somente a aurora boreal rompe a escuridão da longa noite. Em troca, de maio a junho o sol não desaparece do horizonte e é sempre dia. O clima é caracterizado pelo frio intenso no inverno e frio ameno no verão. Nas demais estações, chove.

O longo dia acaba não sendo menos difícil para o ser humano que a noite interminável, aos quais se somam os ventos e o frio quase eterno. "E o verão, é quente?". "Sim, mas este ano caiu em um dia de trabalho", respondem com bom humor os habitantes, onde a temperatura média de verão "quente", é de 15ºC. Claro, o senso de humor é obrigatório para sobreviver na Dudinka, como o melhor remédio para evitar a doença que os médicos chamam de síndrome de tensão ártica.

População[editar | editar código-fonte]

A arrasadora maioria da população é jovem, que chega atraída pela possibilidade de fazer uma rápida carreira profissional e gozar de condições econômicas que dificilmente conseguiria em outra parte da Rússia. Uma vez lá, começam a trabalhar para preparar sua volta ao "continente" (a parte europeia do país). Com este fim o consórcio investe na construção de casas na Rússia Central. Para conseguir um apartamento em outra cidade basta trabalhar agradáveis dez anos na Dudinka ou em Norilsk.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Os ônibus de lá são especiais e capazes de continuar em funcionamento no meio de qualquer tempestade. Fez-se muito para que a vida nesta inóspita região seja menos desagradável e alguém ainda habite o local onde o consumo de cerveja forte é alto e plenamente justificado para os moradores, para que a vida se mantenha aquecida.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Para a primeira viagem a Dudinka ou Norilsk, onde já em outubro a temperatura pode chegar a -30ºC deve-se carregar a bagagem de roupa térmica, peças grossas de lã etc. E mesmo assim não adianta porque vai passar mal no destino, pois em cada casa, escritório, em cada local que entre encontrará homens de camisetas de manga curta e mulheres com vestidos de verão. Existe sempre o forte calor artificial de aquecedores que invade toda a cidade, apesar das casas serem erguidas sobre o gelo perpétuo, que se estende sob seus alicerces até cerca de 100 metros de espessura.

A exceção é a rua, onde as temperaturas atingem às vezes os -60ºC com ventos absurdos. Certo é que a rua é adaptada como em nenhum outro lugar da Rússia para proteger o transeunte das inclemências árticas. Os prédios têm forma de quadrado, para proteger os pátios interiores do vento, e sob os arcos que levam para dentro das edificações há varandas que ajudam a suportar as investidas dos furacões árticos.

Na visinha Norilsk há uma cafeteria que se chama El Cocotero, o centro recreativo leva o nome africano, as aulas de salsa e danças hindus nunca saem de moda, e escondidos entre as peles dos gorros e abrigos com frequência se veem rostos bronzeados, pois os solários (salas de raios UVA) são um dos negócios mais prósperos.

O otimismo de alguns é tal que inclusive transformaram o lago local Dolgoye, situado entre a cidade e a zona industrial, em uma autêntica praia, onde se toma banho quase com qualquer tempo. Até pouco tempo o lago recebia despejo químicos da central elétrica, mas nos últimos anos as autoridades melhoraram a ecologia da região. Como resultado, para 2015 se prevê reduzir em quatro (não sei o que...) o nível de contaminação industrial. Aí sim, deve ficar ótimo para um mergulho!

Mais de 200 pessoas integram o clube "Morsas de Taymir", capazes de ficarem nus a -50ºC e mergulhar nas águas, abertas a machadadas na grossa carapaça de gelo que cobre o lago. Um deleite! Um mergulho no lago gelado espanta o mal, segundo seu presidente Gennady Aksionov, que fica muito contrariado se o visitante se negar a experimentar.

"Veio até aqui e não vai mergulhar? Aqui se banha gente desde um ano de idade e até os 70. Por que veio então?", pergunta Gennady.