Duplo vínculo
Duplo Vínculo (do inglês Double bind) é um conceito da psicologia para se referir a relacionamentos contraditórios onde são expressados comportamentos de afeto e agressão simultaneamente, onde ambas pessoas estão fortemente envolvidas emocionalmente e não conseguem se desvincular uma da outra. Foi cunhado por Gregory Bateson em 1956, um dos membros do grupo de Palo Alto/California.1
Índice |
Histórico [editar]
Inicialmente foi usada no estudo do comportamento de famílias esquizofrênicas, especialmente na relação entre mães e filhos. Os autores identificaram vários sintomas da esquizofrenia como resultado desse vínculo, como o sentimento de insegurança, reações de agressividade, medo e evitação afetivos e a dificuldade em entender e se identificar com outras pessoas. Atualmente os experimentos indicam que a esquizofrenia tem fatores principalmente genéticos, porém os psicólogos concordam que existem fatores ambientais, emocionais e sociais importantes que podem proteger ou agravar aqueles os transtornos.
Posteriormente também foi usado no estudo de neuroses e violência conjugal.
Crítica [editar]
Um Estudo recente critica a patologização dos relacionamentos contraditórios defendendo que eles são naturais e ferramentas necessárias no sistema humano de formação de significado.2 Um outro estuda defende o oposto, definindo o Duplo Vínculo como um fenômeno universal patológico responsável por muitos tipos de transtornos como transtorno de personalidade histriônica, fobia e transtorno obsessivo-compulsivo.3
Exemplos de Duplo Vínculo [editar]
Existem inúmeras possibilidades de duplos vínculos, mas algumas das mais comuns e estudadas são:
- A mãe que diz que ama seu filho porém o negligencia diariamente.
- O marido que logo após bater na esposa pede perdão e se propõe a reparar romantismos.
- O cuidador que ao mesmo tempo que expressa compaixão e atenção a um paciente também expressa tédio, cansaço e o culpa pela situação.
Componentes [editar]
Para que haja o duplo vínculo, são necessários cinco fatores4 :
- Duas ou mais pessoas envolvidas emocionalmente. Geralmente com uma delas sofrendo mais e somatizando esse sofrimento.
- Experiências repetidas. O duplo vínculo não é resultado de apenas um evento traumático, mas sim de uma relação recorrente que caracterize o relacionamento e forme expectativas habituais.
- Comportamento prejudicial primário. Geralmente as punições feitas por quem possuir mais poder nesse relacionamento para controlar quem possui menos poder. Esse comportamento frequentemente é o que define a relação ao invés das recompensas. A punição pode ser a perda do amor, expressões de raiva e agressividade ou mesmo a expressão de extrema decepção.
- Comportamento prejudicial secundário contradizendo o primário. Geralmente feita não-verbalmente e por muito mais difícil de ser percebida. Nela se nega os efeitos negativos do comportamento prejudicial primário. Exemplos de verbalizações podem ser: "Eu não quero te machucar, é para seu próprio bem", "Não questione meu amor por você", "Não me trate como vilão nessa história"...
- Impossibilidade de escapar. Pode ser um laço familiar, a pressão social para manter um casamento ou questões financeiras, mas eles também podem ser promessas de amor ou uma regra culturalmente estabelecida. Dificilmente a vítima está disposta a recorrer judicialmente para sair dessa situação e em muitos casos ela nem conhece essa possibilidade.
Referências
- ↑ A Note on the Double Bind — 1962 Gregory Bateson, Don D. Jackson M.D., Jay Haley, John H. Weakland
- ↑ VERNON E. CRONEN PH.D, KENNETH M. JOHNSON PH.D, JOHN W. LANNAMANN M.A. (2004) Paradoxes, Double Binds, and Reflexive Loops: An Alternative Theoretical Perspective
- ↑ The Double Bind as a Universal Pathogenic Situation. CARLOS E. SLUZKI M. D, ELISEO VERÓN Ph.D. Article first published online: 17 AUG 2004. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1971.00397.
- ↑ A Review of the Double Bind Theory. PAUL WATZLAWICK PH.D. Article first published online: 18 AUG 2004. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1963.00132.x