Duplo vínculo

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Duplo Vínculo (do inglês double bind) é um conceito da psicologia para se referir a relacionamentos contraditórios onde são expressados comportamentos de afeto e agressão simultaneamente, onde ambas pessoas estão fortemente envolvidas emocionalmente e não conseguem se desvincular uma da outra. Foi cunhado por Gregory Bateson em 1956, um dos membros do grupo de Palo Alto, Califórnia.[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Inicialmente foi usada no estudo do comportamento de famílias esquizofrênicas, especialmente na relação entre mães e filhos. Os autores identificaram vários sintomas da esquizofrenia como resultado desse vínculo, como o sentimento de insegurança, reações de agressividade, medo e evitação afetivos e a dificuldade em entender e se identificar com outras pessoas. Atualmente os experimentos indicam que a esquizofrenia tem fatores principalmente genéticos, porém os psicólogos concordam que existem fatores ambientais, emocionais e sociais importantes que podem proteger ou agravar aqueles os transtornos.

Posteriormente também foi usado no estudo de neuroses e violência conjugal.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Um Estudo recente critica a patologização dos relacionamentos contraditórios defendendo que eles são naturais e ferramentas necessárias no sistema humano de formação de significado.[2] Um outro estuda defende o oposto, definindo o Duplo Vínculo como um fenômeno universal patológico responsável por muitos tipos de transtornos como transtorno de personalidade histriônica, fobia e transtorno obsessivo-compulsivo.[3]

Exemplos de Duplo Vínculo[editar | editar código-fonte]

Existem inúmeras possibilidades de duplos vínculos, mas algumas das mais comuns e estudadas são:

  • A mãe que diz que ama seu filho porém o negligencia diariamente.
  • O marido que logo após bater na esposa pede perdão e se propõe a reparar romantismos.
  • O cuidador que ao mesmo tempo que expressa compaixão e atenção a um paciente também expressa tédio, cansaço e o culpa pela situação.

Componentes[editar | editar código-fonte]

Para que haja o duplo vínculo, são necessários cinco fatores[4] :

  • Duas ou mais pessoas envolvidas emocionalmente. Geralmente com uma delas sofrendo mais e somatizando esse sofrimento.
  • Experiências repetidas. O duplo vínculo não é resultado de apenas um evento traumático, mas sim de uma relação recorrente que caracterize o relacionamento e forme expectativas habituais.
  • Comportamento prejudicial primário. Geralmente as punições feitas por quem possuir mais poder nesse relacionamento para controlar quem possui menos poder. Esse comportamento frequentemente é o que define a relação ao invés das recompensas. A punição pode ser a perda do amor, expressões de raiva e agressividade ou mesmo a expressão de extrema decepção.
  • Comportamento prejudicial secundário contradizendo o primário. Geralmente feita não-verbalmente e por muito mais difícil de ser percebida. Nela se nega os efeitos negativos do comportamento prejudicial primário. Exemplos de verbalizações podem ser: "Eu não quero te machucar, é para seu próprio bem", "Não questione meu amor por você", "Não me trate como vilão nessa história"...
  • Impossibilidade de escapar. Pode ser um laço familiar, a pressão social para manter um casamento ou questões financeiras, mas eles também podem ser promessas de amor ou uma regra culturalmente estabelecida. Dificilmente a vítima está disposta a recorrer judicialmente para sair dessa situação e em muitos casos ela nem conhece essa possibilidade.

Referências

  1. A Note on the Double Bind — 1962 Gregory Bateson, Don D. Jackson M.D., Jay Haley, John H. Weakland
  2. VERNON E. CRONEN PH.D, KENNETH M. JOHNSON PH.D, JOHN W. LANNAMANN M.A. (2004) Paradoxes, Double Binds, and Reflexive Loops: An Alternative Theoretical Perspective
  3. The Double Bind as a Universal Pathogenic Situation. CARLOS E. SLUZKI M. D, ELISEO VERÓN Ph.D. Article first published online: 17 AUG 2004. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1971.00397.
  4. A Review of the Double Bind Theory. PAUL WATZLAWICK PH.D. Article first published online: 18 AUG 2004. DOI: 10.1111/j.1545-5300.1963.00132.x