Margarida de Saboia, Duquesa de Mântua

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Margarida de Saboia, duquesa de Mântua e Montferrat, num óleo de Frans Pourbus (1569-1622).

Margarida de Saboia (Turim, 28 de Abril de 1589Miranda de Ebro, 26 de Junho de 1656), a duquesa consorte de Mântua e Montferrat (em italiano: Margherita, espanhol: Margarita, português: Margarida, francês: Marguerite), foi uma alta aristocrata, filha de Carlos Emanuel I de Saboia (1562-1630) e da infanta Catarina Micaela de Espanha (1567-1597), o que fazia dela neta materna do rei Filipe II de Espanha e prima direita de Filipe IV de Espanha (III de Portugal). Exerceu as funções de vice-rainha de Portugal, estando encarregada do reino aquando da Restauração da Independência, sendo assim a última governante de Portugal em nome da dinastia filipina. Ficou conhecida na história de Portugal pelo nome de duquesa de Mântua, título que lhe adveio por ter casado com o duque Francisco de Gonzaga, da Casa de Gonzaga, que tinha o senhorio da cidade italiana de Mântua, governando-a como duque soberano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Margarida de Saboia foi a quinta filha de Carlos Emanuel I de Saboia e de sua mulher a infanta Catarina Micaela, sendo por essa via neta materna do poderoso rei de Filipe II de Espanha. Essa relação de parentesco fazia dela um importante membro da família imperial dos Habsburgos (ou da Casa de Áustria, nome pelo qual a família ficou conhecida em Espanha) e cedo foi parte de uma das múltiplas alianças matrimoniais que mantinham a influência familiar, casando em Turim, a 19 de Fevereiro de 1608, com Francisco de Gonzaga (1586-1612), o futuro duque Francisco IV de Mântua e de Montferrat.

Apesar deste casamento ser apresentado como uma forma de aproximar duas das mais importantes famílias reinantes do noroeste da península italiana, desde há muito em conflito pela posse do marquesado de Montferrat, na realidade tinha por detrás razões bem distintas: da parte dos Gonzaga pretendia-se eliminar qualquer pretensão residual sobre o trono de Montferrat; da parte dos Saboia, prevendo as futuras dificuldades dos Gonzaga em assegurar a sucessão no trono ducal, criar um laço familiar que permitisse uma mais fácil influência sobre a sucessão em Mântua e Montferrat.

Do casamento com Margarida de Saboia, que acabaria prematuramente devido à morte de Francesco, nasceram os seguintes filhos:

Em Fevereiro de 1612 o seu marido sucedeu ao pai, o duque Vicente I de Mântua, falecendo pouco depois. Estes acontecimentos fizeram dela duquesa de Mântua, título pelo qual ficaria conhecida em Portugal e Espanha.

Como o casal não tinha filho varão sobrevivo, pela aplicação da lei sálica a sucessão no cargo de duque de Mântua coube logo em 1612 a um seu cunhado, irmão do falecido duque, não sem que Margarida tivesse fingido uma gravidez, dizendo que aquando do falecimento de Francesco esperava um filho. Quando Margarida foi obrigada a reconhecer que a gravidez não existia, houve uma intervenção da Casa de Saboia, que enviou a Mântua o príncipe Vitor Amadeu I de Saboia, o herdeiro ducal, forçando o reconhecimento da pequena Maria, então com apenas 3 anos de idade, como duquesa de Montferrat.

Este reconhecimento foi possível tendo em conta as regras de sucessão aplicáveis a Montferrato, que por ser uma marca historicamente herdada pelo ramo feminino da família, permitia uma excepção à lei sálica.

O ducado de Montferrat tinha sido trazido para a família reinante de Mântua, os Gonzagas, pelo casamento em 1531 da marquesa Margarida Paleóloga de Montferrat com o então duque de Mântua. Reclamados e aceites, embora com renitência, os direitos de sucessão no título, embora sendo criança, Maria foi feita duquesa de Montferrato, cabendo a Margarida de Saboia, duquesa viúva de Mântua, governar como regente em nome da filha.

A sucessão em Montferrat continuou a ser contestada durante todo o período de menoridade de Maria e quando o seu tio paterno, o duque Francisco de Mântua, faleceu sem deixar herdeiro legítimo, a sucessão em ambos os títulos de seu pai foi violentamente contestada, dando origem à Guerra de Sucessão de Mântua (1627-1632). Para reduzir a conflitualidade e criar uma aliança que permitisse vencer no conflito, Margarida de Saboia conseguiu em 1627 casar a filha com Carlos, duque de Rethel (1609-1631), o filho mais velho do herdeiro putativo da casa de Gonzaga (Carlos I, duque de Mântua, 1580-1637). Com esta aliança conseguiu juntar dois dos ramos que reclamavam a herança de Mântua, levando a uma vitória na guerra e ao reconhecimento da sua linha como legítimos herdeiros dos ducados de Mântua e Montferrat.

A prisão da Duquesa de Mântua, após a Restauração da Independência.

Tendo diversos antepassados ligados à casa real portuguesa, já que descendia de duas das filhas do rei D. Manuel (a imperatriz Isabel de Portugal e a duquesa Beatriz de Saboia), na busca de um título compatível com a sua alta estirpe, interessou-se pelo governo de Portugal, então em união pessoal com a monarquia espanhola. Por essa razão, após o pedido de demissão do conde de Basto, foi nomeada vice-rainha de Portugal, tomando posse do lugar a 23 de Dezembro de 1634. Para esta nomeação foram preciosos os esforços de Diogo Soares, do Conselho de Portugal em Madrid, valido do Conde-Duque de Olivares e parente de Miguel de Vasconcelos que, em 1635, foi nomeado Secretário de Estado de Portugal, encarregando-se do governo do Reino.

Na Revolução do 1.º de Dezembro de 1640, o Secretário de Estado Miguel de Vasconcelos foi assassinado e a duquesa tentou, em vão, acalmar os ânimos do povo amotinado no Terreiro do Paço. Isolada e sem apoios locais, permaneceu aprisionada nos seus aposentos, incapaz de reconduzir os revoltosos à obediência do rei de Espanha[1] . Consolidada a proclamação do duque de Bragança como o novo rei, com o nome de João IV de Portugal, Margarida de Saboia foi autorizada a retirar-se para Espanha nos primeiros dias de Dezembro de 1640.

Faleceu em Miranda de Ebro no ano de 1655, deixando como descendentes sobrevivos a sua filha Maria, então já duquesa de Rethel e Montferrat, e os filhos desta: Eleanor de Mântua, que em 1651 seria imperatriz consorte do Sacro Império Romano-Germânico por ter casado com o futuro imperador Fernando III; e o duque Carlos II de Mântua, reinando naquele ducado desde 1637. Ambos os netos tiveram descendentes.

Notas

  1. Terá sido neste transe que, diante dos Conjurados, tentando assomar à janela do Paço para conclamar a leadalde do povo, D. Carlos de Noronha, um dos líderes, terá lhe dirigido a frase "Se Vossa Alteza não quiser sair por aquela porta, terá que sair pela janela...".
Precedido por
Diogo de Castro,
2.º conde de Basto (2.ª vez)
Armorial das Espanhas
17.º Vice-Rei de Portugal

23 de Dezembro de 1634 - 1 de Dezembro de 1640
Sucedido por
Restauração da Independência.
Foi o 17.º e último vice-rei de Portugal.