Eclusas de Tucuruí

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Eclusa 1 em construção

A construção das Eclusas de Tucuruí surgiu da necessidade de vencer o desnível de cerca de 75 m, imposto pela construção da barragem da Usina hidrelétrica de Tucuruí e para permitir a navegação desde Belém até Marabá.

Quando prontas, serão as maiores eclusas do mundo (em desnível). Naquele trecho do rio Tocantins a navegação, para grandes barcos, era impossibilitada pela existência de inúmeras corredeiras.

Visão geral do empreendimento[editar | editar código-fonte]

O projeto do Sistema de Transposição de Desnível de Tucuruí consistiu na construção de duas eclusas, com dimensões internas de suas câmaras de 210 x 33 m, cada uma vencendo cerca de 35 m de desnível, com um canal de cerca de 5,5 km entre as duas. Sua construção visou o aproveitamento dos rios Tocantins e Araguaia, ligando o porto de Belém à região do alto Araguaia numa extensão de mais de 2.000 km.

A Eclusa 1 ou Eclusa de Montante é a eclusa que faz a interface entre o Canal Intermediário e o lago da barragem de Tucuruí, ligada à mesma barragem onde se encontra a Usina Hidrelétrica de Tucuruí.

O Canal intermediário é formado por diques de terra e tem largura mínima de 140m e 5.500m de extensão.

A Eclusa 2 ou Eclusa de Jusante é a eclusa que faz a interface entre o Canal Intermediário e o leito do rio Tocantins.

Os estudos hidráulicos em modelos reduzidos foram realizados no Rio de Janeiro no HIDROESB, Laboratório de Hidráulica Saturnino de Brito e no INPH - Instituto Nacional de Pesquisas Hidráulicas, sob a Supervisão e Responsabilidade Técnica dos Engenheiros André Balança, Marco Siciliano, Roneí Carvalho e Jorge Rios. Alguns trabalhos técnicos importantes sobre esses estudos e sobre esse projeto foram publicados, por eles e por outros autores no ICOLD - Comitê Internacional de Grandes Barragens e ainda no CBDB - Comitê Brasileiro de Barragens.

Histórico político[editar | editar código-fonte]

Até o final da primeira metade da década de 1980, um programa de desenvolvimento estratégico elaborado pelo governo federal e na época coordenado pelo Conselho de Ministros do Programa Grande Carajás – pioneiramente dirigido pelo paraense Oziel Carneiro –, servia de base para o planejamento econômico de todos os Estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Também os empresários das duas regiões condicionavam seus investimentos à execução do Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Araguaia-Tocantins (Prodiat), um estudo que contemplava desde o aproveitamento das riquezas minerais de Carajás até o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

O Prodiat previa, em sua concepção, a construção da hidrelétrica de Tucuruí e de uma série de usinas com sistemas de transposição ao longo dos rios Tocantins e Araguaia, fazendo de ambos um eixo hidroviário com extensão de aproximadamente dois mil quilômetros. De tudo o que foi pensado, apenas a hidrelétrica de Tucuruí saiu do papel de acordo com o cronograma. O sistema de transposição da barragem, condição primeira para viabilizar a hidrovia, foi inaugurado no dia 30 de novembro de 2010, pelo então Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, com trinta anos de atraso.

O que causou esse descompasso foi a decisão, tomada na época pela Presidência da República, de alterar a matriz prevista de transporte para a integração das Regiões Norte e Centro-Oeste. Pelo Prodiat, um programa gerido por uma qualificada equipe interministerial, a integração entre as duas regiões se daria através do transporte hidroviário. A navegação na bacia do Tocantins e de seu principal afluente deveria complementar, talvez com vantagem, o mesmo papel que já desempenhava na época a rodovia Belém-Brasília, otimizando o transporte de cargas e servindo de estuário às novas frentes de ocupação que avançavam em direção ao sul e sudeste do Pará.

O plano foi abortado, porém, pela decisão do então presidente José Sarney, que decidiu priorizar o transporte ferroviário. Para isso, tirou da prancheta do Ministério dos Transportes – então sob o comando do também maranhense José Reinaldo Tavares –, o projeto da Ferrovia Norte Sul. A opção pelo modal ferroviário tornou perfeitamente dispensável, na época, não somente a construção das eclusas. Ela congelou por décadas – senão em definitivo – o plano da hidrovia. (Fonte: Diário do Pará On-line, 2010)

Histórico da construção[editar | editar código-fonte]

As obras do sistema de transposição de desníveis da UHE Tucuruí tiveram início em 1981 quando foi firmado um contrato para a execução das obras civis entre as Centrais Elétricas do Norte do Brasil – ELETRONORTE e a empresa de Construções e Comércio Camargo Correa S/A, tendo como interveniente a Empresa de Portos do Brasil S/A – PORTOBRAS.

A execução foi iniciada pela Eclusa 1, obras essas consideradas obrigatórias para permitir o enchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Até 1984 as obras tiveram andamento normal e a partir deste ano o ritmo foi diminuindo até a total paralisação em 1989.

Em 1987, a condição de contratante, foi transferida da ELETRONORTE para a PORTOBRAS, que num futuro próximo seria desativada pelo governo Fernando Collor. Fazendo com que a obra ficasse por muito anos parada.

Em 1998, a União / Ministério dos Transportes assumiu a condição de contratante, tendo sido estabelecidas novas condições para a retomada das obras.

Em setembro de 1998, o Ministério dos Transportes assinou o Termo aditivo ao Contrato DT-TUC-100/81, para a conclusão das obras civis das Eclusas de Tucuruí, com a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.

Em novembro de 1999 foi assinado o contrato para a fabricação e montagem dos equipamentos mecânicos e eletromecânicos das Eclusas de Tucuruí.

Ainda em 1999, foi assinado um contrato entre a União e as Centrais Elétricas do Norte do Brasil - Eletronorte, para compartilhamento da infraestrutura da UHE Tucuruí e assessoramento, gerenciamento, fiscalização e controle de qualidade das obras das eclusas.

De 2002 a 2004 (32 meses) as obras civis estiveram paralisadas, inicialmente em consequência da suspensão dos recursos financeiros por ordem do TCU, posteriormente o Ministério dos Transportes através da portaria n. 05 de 10/01/2003, determinou a suspensão de todos os contratos administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Somente em julho de 2004 as obras foram retomadas.

No ano de 2002 os contratos para a execução de obras civis e projeto, fabricação, fornecimento e montagem dos equipamentos eletromecânicos foram sub-rogados, transferindo os direitos e obrigações contratuais da União / Ministério dos Transportes para o DNIT.

Com a emissão da Ordem de Serviço n° 01/2004 em 19/06/04, as obras foram reiniciadas em ritmo intenso, sendo gradativamente desacelerada, em consequência da não liberação dos recursos previstos no orçamento geral da União de 2005 e totalmente paralisadas em outubro do mesmo ano.

As eclusas de Tucuruí foram inauguradas no dia 30 de novembro de 2010 pelo então presidente da república Luís Inácio Lula da Silva. Ele, junto com sua comitiva, formada pela presidente eleita Dilma Roussef, ministros, parlamentares, o presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz, e a diretoria da Eletrobras Eletronorte, atravessaram os 69 metros de desnível entre o Rio Tocantins e o Lago de Tucuruí. A travessia durou cerca de uma hora. A cerimônia foi aberta pelo prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira. “Hoje se vira a página do maior passivo socioambiental da Usina, as obras das eclusas que demoraram 29 anos até ficarem prontas. Agradecemos ao Governo Federal por trazer de volta a navegabilidade do Rio Tocantins" , afirmou o prefeito.

(fonte: Eletrobrás / Eletronorte)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]