Economia do Japão

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Economia do Japão
Prédio da Bolsa de Valores de Tóquio
Moeda iene
Ano fiscal 1 de abril - 31 de março
Blocos comerciais OMC, OCDE, APEC e outros
Estatísticas
Bolsa de valores Bolsa de Valores de Tóquio
PIB US$5,855 trilhões (2011) (nominal; )
US$4,398 trilhões (2011) (PPC; )
Variação do PIB -0,9% (2011)
PIB per capita US$42,8 mil (2010) (Nominal; 16º)
US$33,8 mil (2010) (PPC; 24º)
PIB por setor agricultura 1,5%, indústria 22,8%, comércio e serviços 75,7% (2010)
Inflação (IPC) 0,3% (abril de 2011)[1]
População
abaixo da linha de pobreza
< 0,2% (~ 12,5 mil pessoas)
Coeficiente de Gini 38,1 (2002)
Força de trabalho total 65,64 milhões (2010)
Força de trabalho
por ocupação
agricultura 4%, indústria 28%, comércio e serviços 68% (2008)
Desemprego 4,7% (abril de 2011)[1]
Principais indústrias veículos motorizados, eletrônicos, máquinas-ferramenta, aço e metais não-ferrosos, navios, produtos químicos, têxteis, alimentos processados
Exterior
Exportações 735,8 bilhões (2010)
Produtos exportados equipamentos de transporte, veículos motorizados, semicondutores, materiais elétricos, produtos químicos
Principais parceiros de exportação República Popular da China 18,88%, Estados Unidos 16,42%, Coreia do Sul 8,13%, Taiwan 6,27%, Hong Kong 5,49% (2009)
Importações 636,8 bilhões (2010)
Produtos importados máquinas e equipamentos, combustíveis, alimentos, produtos químicos, têxteis, matérias-primas
Principais parceiros de importação República Popular da China 22,2%, Estados Unidos 10,96%, Austrália 6,29%, Arábia Saudita 5,29%, Emirados Árabes Unidos 4,12%, Coreia do Sul 3,98%, Indonésia 3,95%
Dívida externa bruta 2 246 bilhões (2010)
Finanças públicas
Receitas 1 614 bilhões (2009)
Despesas US$ 1 997 bilhões (2009)
Ajuda económica 9,7 bilhões, doada (2007)
Fonte principal: CIA World Fact Book
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia do Japão é a 4ª maior do mundo[2] se consideramos seu Produto Interno Bruto (PIB) Nominal, estimado em US$5,8 trilhões (2011)[3] [4] , atrás apenas dos Estados Unidos e da China e India — bem como a quarta se considerarmos seu PIB medido em Poder de Compra, de quase US$4,4 trilhões, atrás somente dos Estados Unidos, da China e da Índia[5] [6] .

O país é o nono no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.[7]

Formação da economia[editar | editar código-fonte]

Cerca de 80% do território japonês apresenta relevo montanhoso. As montanhas das ilhas Honshu, Shikoku e Kiushu exibem uma vasta vegetação tropical. A ilha de Hokkaido é coberta por taiga. Essas condições permitiram uma intensa utilização da madeira, inclusive para a construção de embarcações.

Até metade do século XIX, a rizicultura foi a principal atividade econômica do Japão. Isso mostra o espírito trabalhador do povo japonês, que ao longo da história precisou conquistar um meio natural inóspito particularmente para as atividades agrícolas. Apenas 16% do território japonês é formado por planícies, onde a atividade agrícola é mais fácil.

A rizicultura transformou a planície de Kanto na zona mais densamente povoada do país. Isso garantiu um mercado consumidor para a indústria que se estabeleceu na era Meiji.

A ocorrência de quatro estações do ano nitidamente marcadas é responsável pelo fornecimento do calor e da umidade que a cultura do arroz exige. Além disso, o emprego de irrigação constante favorece o seu desenvolvimento.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Em 2005, metade da energia no Japão foi produzida do petróleo, um quinto do carvão e 14% do gás natural.[8] As usinas nucleares do Japão foram responsáveis por um quarto da eletricidade produzida e o país deve dobrá-la nas próximas décadas.

O gasto do Japão com estradas tem sido grande.[9] Os 1,2 milhões de quilômetros de ruas pavimentadas são o principal meio de transporte.[10] O Japão possui tráfico de mão esquerda. Uma única rede alta velocidade, dividida e com acesso limitado por pedágios conectam as maiores cidades e são operadas por concessionárias. Carros novos e usados não são caros. Os impostos sobre propriedade de veículos automotores e o preço do combustível são usados para promover a eficiência energética.

Dezenas de companhias ferroviárias japonesas competem pelos mercados de transporte local e regional de passageiros; por exemplo, sete empresas da JR, Kintetsu Corporation, Seibu Railway e Keio Corporation. Frequentemente, as estratégias dessas empresas levam em consideração o setor imobiliário e as lojas de departamentos. Alguns trens Shinkansen com velocidades de até 300 quilômetros por hora[11] ligam as grandes cidades. Todo o sistema ferroviário é conhecido por sua pontualidade.[12]

Existem 176 aeroportos[13] e voar é uma maneira popular de viajar entre as cidades. O maior aeroporto doméstico, Aeroporto Internacional de Tóquio, é um dos aeroportos com mais vôos do mundo.[14] Os maiores terminais internacionais são o Aeroporto Internacional de Narita (região de Tóquio), Aeroporto Internacional de Kansai (região de Osaka/Kobe/Kyoto) e Aeroporto Internacional de Chubu (região de Nagoya). Entre os maiores portos está o Porto de Nagoya.

Dada a sua grande dependência da energia importada, o Japão almeja uma maior diversificação de suas fontes energéticas. Desde os choques do petróleo da década de 1970, o Japão reduziu sua dependência do petróleo como fonte de energia de mais de 75%, em 1973, para cerca de 46% nos dias de hoje.[15] Outras fontes energéticas importantes são o carvão, gás natural liquefeito, energia nuclear e hidroelétricas. A demanda por petróleo também é atenuada pelas altas taxas de impostos em veículos automotores com mais de 2000 cc, bem como na própria gasolina, atualmente cerca de 54 ienes por litro no varejo. O querosene também é usado extensivamente nos aquecedores portáteis domésticos, especialmente na região norte do país. Muitas companhias de taxi rodam seus carros com gás natural. Um recente sucesso devido à grande economia de combustível foi a introdução da produção em massa dos veículos híbridos. O ex-Primeiro Ministro Shinzo Abe, buscando a recuperação da economia japonesa, assinou um tratado com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos sobre os crescentes preços do petróleo.[16]

Tendência macroeconômica[editar | editar código-fonte]

Taxa real de crescimento do PIB de 1956 a 2008
Variação quadrimestral no PIB real (azul) e taxa de desemprego (vermelho) do Japão entre 2000 e 2010 (em inglês). Ver Lei de Okun.

Esta é uma tabela da tendência do Produto Interno Bruto do Japão a preços de mercado estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) com números em milhões de ienes.[17] [18]

Ano Produto Interno Bruto Taxa de Câmbio do Dólar Índice de inflação
(2000=100)
PIB per capita nominal
(em % dos EUA)
PIB per capita com Paridade do poder de compra
(em % dos EUA)
1955 8.369.500 ¥360,00 10,31 -
1960 16.009.700 ¥360,00 16,22 -
1965 32.866.000 ¥360,00 24,95 -
1970 73.344.900 ¥360,00 38,56 -
1975 148.327.100 ¥297,26 59,00 -
1980 240.707.315 ¥225,82 75 74,04 68,30
1985 323.541.300 ¥236,79 86 63,44 72,78
1990 440.124.900 ¥144,15 92 105,82 81,27
1995 493.271.700 ¥122,78 98 151,55 80,73
2000 501.068.100 ¥107,73 100 105,85 71,87
2005 502.905.400 ¥110,01 97 85,04 71,03
2010 477.327.134 ¥88,54 98 89,8 71,49

Para comparações da paridade do poder de compra, o Dolár americano é trocado a ¥110,784 em 2010.

Industrialização[editar | editar código-fonte]

As indústrias se concentram no litoral e a ilha de Honshu possui o maior parque industrial: Tóquio, Nagoya, Osaka formam uma imensa Megalópole.

O Japão é extremamente dependente de matérias-primas estrangeiras(mais de 90%).

Pequenas reservas de cobre, zinco, chumbo, e carvão mineral, pequenas quedas d'água, sua energia vem das usinas nucleares.

Agricultura[editar | editar código-fonte]

O arroz é um produto importante para o Japão, como mostrado nesse arrozal em Kurihara, Miyagi.

Apenas 12% do território japonês é apropriado para o cultivo. Devido a essa falta de terra arável, um sistema de terraço é utilizado para se plantar em pequenas áreas. Consequentemente, o país tem um dos maiores índices de produção por área quadrada do mundo, conseguindo uma auto-suficência de produtos agrícolas por volta de 50% em apenas 56 mil km² (14 milhões de acres) cultivados.

O pequeno setor agrícola japonês, todavia, é altamente subsidiado e protegido, com uma regulação que favorece o cultivo em pequena escala ao invés da agricultura de larga escala, muito utilizada em outros países como o Brasil.

O arroz importado, o produto mais protegido, é sujeito a tarifas de 490% e foi restringido a uma quota de apenas 7,2% do consumo médio de arroz de 1960 a 1988. As importações abaixo da quota não sofrem restrições, em termos legais, mas estão sujeitas a uma tarifa de 341 yenes por kilograma. Essa tarifa hoje é estimada em 490%, mas tende a aumentar para 778% com os novos métodos de cálculo que serão introduzidos como parte da Rodada de Doha.[19]

Apesar de o Japão geralmente ser auto-suficiente em arroz (exceto para o usado na produção de biscoito de arroz e alimentos processados) e trigo, o país precisa importar cerca de 50%[20] de sua demanda de grãos e outras culturas forrageiras além de importar a maior parte de sua carne consumida. O Japão importa grande quantidades de trigo e soja, principalmente dos Estados Unidos. O Japão é o maior mercado consumidor dos produtos agrícolas da União Europeia. Maçãs são muito produzidas nas regiões de Tohoku e Hokkaido; Peras e laranjas são produzidas principalmente em Shikoku e Kyushu. Peras e laranjas foram introduzidos no país por comerciantes holandeses em Nagasaki no final do século XVIII.

Pesca[editar | editar código-fonte]

Pesca mundial e o Japão

O Japão possui o segundo maior volume de toneladas de peixes pescados do mundo, atrás somente da China - 11,9 milhões de toneladas em 1989, ligeiramente acima dos 11,1 milhões de toneladas em 1980. Após a crise de energia de 1973, a pesca no mar profundo diminuiu, com o volume anual pescado na década de 1980 alcançando cerca de 2 milhões de toneladas. A pesca em mar aberto contribuiu com cerca de 50% do total de peixes capturados no final dos anos 1980, apesar de terem experimentados várias altas e baixas durante esse período.

A pesca costeira com pequenos barcos, redes de pesca ou técnicas de reprodução contribuiu com cerca de um terço do total da produção do setor, enquanto a pesca em alto mar com barcos de média proporção contribuiu com mais da metade da produção total. O restante foi pescado por grandes barcos. Entre as várias espécies de frutos do mar pescados estão a sardinha, o atum, o caranguejo, o camarão, o salmão, o escamudo, a lula, os mariscos, a cavala e o pargo. A pesca de água doce responde por cerca de 30% da indústria pesqueira japonesa. Existem muitas espécies de peixes pescados nos rios do Japão e alguns crustáceos de água doce.

O Japão possui uma das maiores frotas pesqueiras do mundo, contribuindo com cerca de 15% da pesca mundial,[21] levando algumas entidades a acusarem o país de estar colocando em risco de extinção alguns peixes como o atum.[22] O Japão também foi criticado por apoiar, quase comercialmente, a pesca baleeira.[23]

Força de Trabalho[editar | editar código-fonte]

Taxa de desemprego do Japão

A taxa de desemprego declarado em junho de 2009 foi de 5,2% (5,4% para homens, alta de 0,1% em relação a maio de 2009, e 4,9% para mulheres, alta de 0,3% em relação ao mês anterior).[24] [25] Considera-se que esses dados estejam subestimados, tendo em vista que mesmo trabalhadores com sub-empregos são classificados como empregados.

Em julho de 2006, a taxa de desemprego no Japão era de 4,1%, de acordo com a OECD. No final de fevereiro de 2009, ela estava em 4,4%.[26] A razão entre os cargos oferecidos e o número de candidatos às vagas caiu para apenas 0,59, de quase 1 no começo de 2008, enquanto as horas de trabalho média também caiu. Os salários médios também caíram em 2,9% nos últimos 12 meses antes de fevereiro. Em 2007, a força de trabalho japonesa consistia de cerca de 66 milhõs de trabalhadores - 40% dos quais eram mulheres - e estava em rápido declínio. Há projeções de que em 2050 esse número caia para 48,6 milhões.[27]

Uma das maiores preocupações de longo prazo em relação à força de trabalho japonesa é a baixa taxa de natalidade. Na primeira metade de 2005, o número de mortes no Japão excedeu o número de nascimentos, indicando que o declínio da população, inicialmente previsto para começar em 2007, já tinha começado. Uma das contra-medidas para evitar o declínio da taxa de nascimentos seria remover as barreiras à imigração, mas o governo japonês é relutante quanto a isso.

Em 1989, a confederação sindical predominantemente pública, SOHYO (Conselho Geral dos Sindicatos Comerciais do Japão), fundiu-se com o RENGO (Confederação Sindical do Setor Privado Japonês) para formar a Confederação Sindical Comercial Japonesa. Os membros desse sindicato giram em torno de 12 milhões.

Organização da economia[editar | editar código-fonte]

O sistema japonês de gestão da economia apresenta características muito peculiares. Ainda que a participação direta do Estado nas atividades econômicas seja limitada, o controle oficial e sua influência sobre as empresas são maiores e mais intensos que na maioria dos países com economia de mercado. Esse controle não se exerce por meio de legislação ou ação administrativa, mas pela orientação constante ao setor privado e pela intervenção indireta nas atividades bancárias. Existem, também, várias agências e departamentos estatais relacionados com diversos aspetos da economia, como exportações, importações, investimentos e preços, assim como desenvolvimento econômico. O objetivo dos organismos administrativos é interpretar todos os indicadores econômicos e responder imediatamente e com eficácia às mudanças conjunturais. A mais importante dessas instituições é a Agência de Planejamento Econômico, submetida ao controle direto do primeiro-ministro, que tem a importante missão de dirigir dia a dia o curso da economia nacional e o planejamento em longo prazo.

De maneira geral, esse sistema funciona satisfatoriamente e sem crises nas relações entre governo e empresas, devido à excecional autodisciplina dos empregados japoneses em relação às autoridades e ao profundo conhecimento do governo sobre as funções, necessidades e problemas dos negócios. O ministro da economia e o Banco do Japão exercem considerável influência nas decisões sobre investimentos de capital, devido à estreita interdependência entre as empresas, os bancos comerciais e o banco central. A Japan Railways é a única empresa estatal.

O Japão faz parte do tratado internacional chamado APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Nemawashi (根回し?), na cultura japonesa, é um processo informal de estabelecer as bases de alguma proposta de mudança ou projeto, falando com as pessoas envolvidas, conseguindo apoio e feedback e assim por diante. É considerado um elemento importante em qualquer grande mudança, antes de quaisquer medidas formais, sendo que o nemawashi bem sucedido é aquele que possibilita mudanças com o consenso de todos os lados envolvidos.[28]

As empresas japonesas são conhecidas por métodos de gerenciamento como o Sistema Toyota de Produção. O Kaizen (改善, "melhoramento"?) é uma filosofia japonesa que foca no melhoramento contínuo em todos os aspectos da vida. Quando aplicada ao local de trabalho, as atividades do Kaizen continuamente buscam melhorar todas as funções de um negócio, do setor de produção ao gerenciamento e do CEO aos trabalhadores da linha de produção.[29] Ao aperfeiçoar atividades e processos padronizados, o Kaizen visa eliminar desperdícios (ver Lean manufacturing). O Kaizen foi implementado pela primeira vez em alguns negócios japoneses durante a recuperação do país depois da Segunda Guerra Mundial, incluindo a Toyota, e desde então se espalhou para empresas em todo o mundo.[30] Ironicamente, os trabalhadores japoneses estão entre os que mais trabalham horas por dia, embora o kaizen deveria melhorar todos os aspectos da vida.

Algumas companhias possuem poderosos sindicatos patronais e shunto.

O Sistema Nenko, ou Nenko Joretsu, como é chamado no Japão, é o sistema japonês de promoção do empregado de acordo com a sua proximidade da aposentadoria.[31] A vantagem desse sistema é que ele possibilita os empregados mais antigos a alcançar níveis de salários mais altos antes da aposentadoria, além de trazer mais experiência para o ambiente executivo. A desvantagem desse sistema é que ele não permite que novos talentos apareçam e se combinem com a experiência e que aqueles com capacidades especializadas consigam ser promovidos em uma estrutura executiva já totalmente ocupada. Ele também não garante nem tenta colocar a pessoa certa no trabalho certo.

As relações entre burocratas do governo e empresas muitas vezes são acolhedoras. Amakudari (天下り, amakudari?, "descendente dos céus") é a prática institucionalizada na qual burocratas japoneses experientes aposentam-se em cargos de alto nível tanto no setor público como no setor privado.[32] Esta prática é cada vez mais vista como corrupta e um empecilho para desatar os laços entre o setor privado e o estado que impedem as reformas econômicas e políticas.

Emprego vitalício (shushin koyo) e promoção baseada na antiguidade são comuns no ambiente de trabalho japonês.[33] [34] Recentemente, o Japão começou a gradativamente se distanciar de algumas dessas normas.[35] [36]

Salaryman (サラリーマン, Sararīman?, trabalhador assalariado) refere-se aos empregados de grandes empresas de colarinho branco, englobando desde os recém-contratatos até os gerentes, não incluindo os diretores e presidentes;[37] eles trabalham principalmente para corporações. Seu uso frequente pelas corporações japonesas e sua prevalecência nos mangás e animes gradativamente levou a sua aceitação pelos países de língua inglesa como um termo para os executivos japoneses de colarinho branco. A palavra pode ser encontrada em muitos livros e artigos referentes à cultura japonesa. Logo após a Segunda Guerra Mundial, tornar-se um salaryman era visto como um atalho para uma vida de classe média e estável. Atualmente, o termo carrega uma associação com longas horas de trabalho, baixo prestígio na hierarquia da empresa, ausência de outras fontes alternativas além do salário, escravidão do salário e karoshi. O termo salaryman refere-se quase que exclusivamente a homens.

Office ladies em Fukuoka

Uma office lady, frequentemente abreviada para OL (オーエル, Ōeru?), é uma executiva que geralmente realiza tarefas de colarinho rosa como servir chá e serviços de secretariado ou serviços gerais. Como muitos solteiros japoneses, as OLs frequentemente vivem com seus pais mesmo depois de adultos. Office Ladies são normalmente funcionárias permanentes em tempo integral, apesar dos seus empregos não darem muitas oportunidades de promoção, existindo sempre a expectativa implícita de que elas deixarão seus cargos assim que se casarem.

Freeter (フリーター, furītā?) é uma expressão japonessa para pessoas entre as idades de 15 e 34 anos que não possuem emprego de tempo integral ou estão desempregados, excluindo donas de casa e estudantes.[38] Eles também podem ser descritos como trabalhadores de sub-emprego ou freelancers. Essas pessoas não começam a carreira depois do ensino médio ou da universidade mas normalmente vivem como parasite singles com seus pais e ganham algum dinheiro com trabalhos mal pagos e pouco qualificados. O baixo nível de renda torna difícil pra os freeters começarem uma família e a falta de qualificação dificulta o começo de uma carreira em um momento mais tardio da vida.

Karoshi (過労死, karōshi?), que pode ser traduzido literalmente como morte por excesso de trabalho, é a morte súbita durante o trabalho. As maiores causas do karoshi são os ataques do coração e derrames devido ao estresse.

Sokaiya (総会屋, sōkaiya?), (às vezes traduzido como seguranças da empresa, homens da reunião, ou chantagistas de empresas) são uma forma específica de mafiosos que somente existe no Japão, frequentemente associada à yakuza, que extorque dinheiro ou chantageia empresas ao ameaçarem publicar humilhações contra empresas e suas diretorias, normalmente na reunião anual (総会, sōkai?).

Sarakin (サラ金?) é um termo japonês para agiota. É uma contração das palavras japonesas para salaryman e dinheiro. Cerca de 14 milhões de pessoas, ou 10% da população japonesa, pegaram empréstimos de um sarakin. No total, há aproximadamente 10 mil firmas (menos que as 30 mil de uma década atrás); entretanto, as sete maiores firmas controlam 70% do mercado. O valor de todos os empréstimos totaliza 100 bilhões de dólares. As maiores sarakins frequentemente negociam e se aliam com os grandes bancos do país.[39]

Loja de departamentos em Shinjuku, Tóquio

A primeira loja de departamentos no Japão no estilo ocidental foi a Mitsukoshi, fundada em 1904, que se originou de uma loja de kimono chamada Echigoya, de 1673. Porém, se forem consideradas as origens, Matsuzakaya tem uma história mais longa ainda, funcionando desde 1611. A loja de kimono transformou-se em uma loja de departamentos em 1910. Em 1924, a loja da Matsuzakaya em Ginza permitiu a entrada dos clientes com sapatos dentro da loja, algo inovador para a época.[40] Essas lojas de departamentos que se originaram de lojas de kimono dominaram o mercado no início da história. Eles vendiam, ou melhor, exibiam, produtos luxuosos, o que contribuía para sua atmosfera sofisticada. Outa origem das lojas de departamentos japonesas foram as companhias ferroviárias. Havia muitas operadoras de ferrovias privadas no país e, a partir de 1920, elas começaram a construir lojas de departamentos diretamente ligadas às suas estações. Seibu e Hankyu são exemplos típicos.

A partir da década de 1980 até os dias de hoje, as lojas de departamentos japonesas encararam uma concorrência forte dos supermercados e das lojas de conveniência, gradativamente perdendo seu espaço. Ainda assim, os depāto são um símbolo de alguns aspectos do conservadorismo cultural no país. Certificados de presentes de lojas de departamentos prestigiosas são frequentemente dados como presentes formais no Japão. Elas geralmente oferecem uma grande variedade de serviços, que pode incluir troca de moedas estrangeiras, reservas de viagem, venda de ingressos para shows dentre outros eventos.

Keiretsu[editar | editar código-fonte]

Um keiretsu (系列, literalmente sistema ou série?) é um conjunto de empresas com relações comerciais e negócios interligados. É um tipo de grupo corporativo.[41] Os primeiros keiretsu foram os que apareceram no Japão durante o Milagre econômico japonês, depois da Segunda Guerra Mundial. Antes da rendição do Japão, as indústrias japonesas eram controladas por monopólios verticais dirigidos por famílias, chamados de zaibatsu. Os Aliados acabaram com os zaibatsu no final da década de 1940, mas as empresas formadas da cisão deles acabaram sendo reintegradas. As corporações, que estavam dispersas, foram religadas através de compras de ações a fim de formar alianças integradas horizontalmente por muitas indústrias. Onde era possível, as empresas do keiretsu supriam as necessidades umas das outras, tornando a aliança também vertical. Nesse período, a política oficial do governo promoveu a criação de fortes corporações comerciais que podiam suportar grandes pressões do mercado global altamente competitivo.[42]

Os maiores keiretsu eram baseados cada um em um banco, que emprestava dinheiro para as companhias participantes do keiretsu e possuía posições acionárias nas empresas.[43] Cada banco central tinha grande poder sobre as empresas do keiretsu e atuava como uma entidade de monitoramento e como uma entidade de socorro emergencial. Um efeito dessa estrutura foi a minimização da presença dos takeovers hostis no Japão, visto que nenhuma entidade poderia desafiar o poder dos bancos.

Há dois tipos de keiretsu: vertical e horizontal. O keiretsu vertical ilustra a organização e os relacionamentos dentro de uma empresa (por exemplo, todos os fatores de produção de um certo produto serem conectados), enquanto um keiretsu horizontal mostra relacionamentos entre entidades e indústrias, normalmente centralizadas ao redor de um banco e uma empresa de capital aberto. Ambos são complexamente entrelaçados e se auto-sustentam uns aos outros.

A recessão japonesa na década de 1990 teve profundos efeitos nos keiretsu. Muitos grandes bancos foram muito afetados por portfolios baseados em empréstimos de baixa qualidade e foram forçados a se fundirem ou sairem do mercado. Isso teve o efeito de atenuar as fronteiras entre os keiretsu: o Sumitomo Bank e o Mitsui Bank, por exemplo, tornaram-se Sumitomo Mitsui Banking Corporation em 2001,[44] enquanto o Sanwa Bank (o banco do grupo Hankyu-Toho) tornou-se parte do Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ. Além disso, muitas empresas de fora do sistema keiretsu, como a Sony, começaram a superar seus pares de dentro do sistema.

No geral, esses acontecimentos deram uma forte sensação no mercado de que o antigo sistema keiretsu não era mais um modelo de negócios eficiente, levando a um enfraquecimento das alianças entre os keiretsu. Apesar de os keiretsu ainda existirem, eles não são mais tão centralizados ou integrados como eram antes da década de 1990. Isso, por sua vez, levou a um aumento de de aquisições corporativas no Japão, visto que as companhias não era mais capazes de se defenderem facilmente pelos seus bancos, bem como aumentaram os litígios empresariais por mais acionistas independentes.

Referências

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  44. History : Sumitomo Mitsui Banking Corporation. Acesso em 19 de agosto de 2011 (em inglês)

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