Edgar Roquette-Pinto

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Edgar Roquette-Pinto Academia Brasileira de Letras
Manuel Bandeira (3º da esquerda para direita em pé), Alceu Amoroso Lima (5ª posição) e Dom Hélder Câmara (7ª) e sentados (da esquerda para direita), Lourenço Filho, Roquette-Pinto e Gustavo Capanema
Rio de Janeiro, 1936
Nascimento 25 de setembro de 1884
Rio de Janeiro
Morte 18 de outubro de 1954 (70 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta

Edgar Roquette-Pinto [nota 1] (Rio de Janeiro, 25 de setembro de 1884 — Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1954) foi um médico legista, professor, escritor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro.[1]

Membro da Academia Brasileira de Letras, é considerado o pai da radiodifusão no Brasil. Criador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com o intuito de difundir a educação por este meio, por volta de 1923.[carece de fontes?]

Está entre os mais importantes intelectuais eugenistas brasileiros que se empenharam na organização e divulgação do Movimento eugênico brasileiro, juntamente com Monteiro Lobato, Belisário Penna e Octávio Domingues.[2] [3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Estudou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, colando grau em 1905. Logo depois de formado iniciou uma série de estudos sobre os sambaquis das costas do Rio Grande do Sul. Foi professor assistente de Antropologia no Museu Nacional (1906),[1] professor de História Natural na Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai (1920).

Em 1912 Roquette-Pinto fez parte da Missão Rondon e passou várias semanas em contato com os índios nambiquaras que até então não tinham contato com a civilização.[1] Na volta, trouxe vasto material etnográfico e, como resultado dessa viagem, publicou em 1917 o livro Rondônia - Antropologia etnográfica, considerado um clássico da antropologia brasileira.

Foi diretor do Museu Nacional em 1926, organizando ali a maior coleção de filmes científicos no Brasil.

Roquette-Pinto foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina, da Associação Brasileira de Antropologia (da qual foi presidente de honra) e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro.

Lorbeerkranz.pngAcademia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Na Academia Brasileira de Letras, foi o terceiro ocupante da cadeira 17, tendo sido eleito em 20 de outubro de 1927, na sucessão de Osório Duque-Estrada, e foi recebido pelo acadêmico Aloísio de Castro em 3 de março de 1928. Recebeu os acadêmicos Afonso Taunay em 6 de maio de 1930, e Miguel Osório de Almeida em 23 de novembro de 1935.

Edgar Roquette-Pinto também é homenageado pela Academia Brasileira de Médicos Escritores como patrono da cadeira 33, cujo fundador é o médico urologista paulista Helio Begliomini.

Primeira rádio do Brasil[editar | editar código-fonte]

No ano que comemorou o I Centenário da Independência do Brasil, ocorreu no Rio de Janeiro, por ser, na época, a capital federal, uma grande feira internacional, que recebeu visitas de empresários americanos trazendo a tecnologia de radiodifusão para demonstrar na feira, que nesta época era o assunto principal nos Estados Unidos

Para testar o novo meio de comunicação, os americanos instalaram uma antena no pico do morro do Corcovado (onde atualmente é o Cristo Redentor). A primeira transmissão radiofônica no Brasil foi um discurso do presidente Epitácio Pessoa, que foi captado em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e em São Paulo, onde foram instalados aparelhos receptores.[1] A reação de Roquette-Pinto a essa tecnologia foi: "Eis uma máquina importante para educar nosso povo"[4] .

Depois da primeira transmissão no Brasil, em 1922[5] , Roquette Pinto tentou convencer o Governo Federal a comprar os equipamentos apresentados na Feira Internacional.

Para o bem da comunicação do Brasil, Roquette-Pinto não desistiu, e conseguiu convencer a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos. Foi criada a primeira rádio do país[6] , a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1922, e dirigida por Roquette-Pinto - atual Rádio MEC.

Em 1936, doou a rádio ao Governo Brasileiro, especificamente ao Ministério da Educação, transformando-a na Rádio MEC.

Roquette-Pinto também foi radioamador e participou de várias associações da categoria, como a Liga dos Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (LABRE). Em 1937 sua estação detinha o indicativo SB1AG. [7]

Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia[editar | editar código-fonte]

Foi organizado em comemoração ao centenário da Academia Brasileira de Medicina e presidido por Roquette-Pinto e Renato Ferraz Kehl. O evento ficou marcado como um dos principais congressos de Eugenia da América Latina, tendo reunido importantes figuras da comunidade intelectual brasileira e latino-americana. No início dos anos 1930, no auge das discussões sobre controle eugênico da imigração, dos matrimônios e da natalidade, eugenistas brasileiros fundariam a Comissão Central Brasileira de Eugenia, criada com o objetivo de assessorar o governo e as autoridades públicas em assuntos relacionados ao aperfeiçoamento eugênico da população.[8]

Censura[editar | editar código-fonte]

Em 1936, os aparelhos de rádio já podiam ser comprados em lojas do ramo. Nesse mesmo ano, a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro foi doada ao Ministério da Educação e Saúde (MES), que tinha como titular Gustavo Capanema, que comunicou a Roquette-Pinto que a rádio seria incoporada ao Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (mais tarde, em 1939, deste departamento surgiria o DIP), órgão responsável pela censura durante parte da era de Getúlio Vargas.[1]

Em resposta, Roquette-Pinto insistiu que a rádio fosse incorporada ao Ministério da Educação e Saúde, com o fim de preservar a função educativa. Roquette Pinto ganhou a disputa. A rádio Sociedade passou a se chamar Rádio Ministério da Educação, ou como é conhecida rádio MEC, mantendo, até hoje, o ideário educativo. Consta que, ao se despedir do comando da emissora que fundara, sussurrou chorando ao ouvido da filha Beatriz: "Entrego esta rádio com a mesma emoção com que se casa uma filha".

Obras[editar | editar código-fonte]

  • O exercício da medicina entre os indígenas da América (1906)
  • Excursão à região das Lagoas do Rio Grande do Sul (1912)
  • Guia de antropologia (1915)
  • Rondônia (1916)[9]
  • Elementos de mineralogia (1918)
  • Conceito atual da vida (1920)
  • Seixos rolados Estudos brasileiros (1927)
  • Glória sem rumor (1928)
  • Ensaios de antropologia brasiliana (1933)
  • Samambaia, contos (1934)
  • Ensaios brasilianos (1941)

Publicou também grande número de trabalhos científicos, artigos e conferências entre 1908 e 1926, em diferentes revistas e jornais

Homenagens[editar | editar código-fonte]

A Academia Brasileira de Ciências, Econômicas, Políticas e Sociais o consagra como Patrono da Cátedra nº 198.[10]


Notas

  1. O nome do escritor, segundo as normas ortográficas vigentes, deve ser grafado Edgar Roquete-Pinto

Referências

  1. a b c d e Edgard Roquette-Pinto (em português) Academia Brasileira de Letras. Brasil Escola. Página visitada em 31 de outubro de 2012.
  2. A Hora da Eugenia: raça, gênero e nação na América Latina - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): Ciência e tecnologia em saúde para a população brasileira
  3. intelectuais-eugenia-RicardoSantos.pdf Pagina 9 - Os Intelectuais e a Eugenia por Ricardo Augusto dos Santos
  4. Edgar Roquette Pinto, pag. 1290 - Grande Enciclopédia Universal - edição de 1980
  5. A bem da verdade, a primeira emissão radiofônica do Brasil ocorreu no Recife, com a Rádio Clube de Pernambuco, em 6 de abril de 1919, noticiada um dia depois no Jornal do Recife, periódico já extinto. (Ver Mais velha que o rádio ).
  6. Apesar de ter sido considerada a primeira rádio do Brasil, ela foi criada 4 anos depois da Rádio Clube de Pernambuco, que, embora tenha sido noticiada e conhecida sua criação e radiodifusão, não tinha apoio oficial.
  7. Edgard Roquette Pinto, SB1AG http://www.radioamador.com/ilustres/sb1ag.asp
  8. SOUZA, Vanderlei Sebastião de. A política biológica como projeto: a “eugenia negativa” e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1932). Dissertação de Mestrado (História das Ciências), Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2006.
  9. Rondonia (Roquette-Pinto 1919). Página visitada em 8 de janeiro de 2014.
  10. http://www.academia-ane.org.br/academicos.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Osório Duque-Estrada
Lorbeerkranz.png ABL - terceiro acadêmico da cadeira 17
1927 — 1954
Sucedido por
Álvaro Lins


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