Editora Revisão

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A Editora Revisão é uma editora gaúcha especializada em literatura antissemita, mais especificamente antissionista, e revisionista fundada em 1985 por Siegfried Ellwanger Castan. Faz-se necessário, entretanto, esclarecer as diferenças entre os termos judeu, semita e sionista, utilizados muitas vezes equivocadamente para se referir ao povo judeu, como se todos os indivíduos constituintes desta etnia compartilhassem dos mesmos ideais; tal uso indiscriminado de tais termos tem gerado muita confusão ao longo da história.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Entre os títulos da editora destacam-se:

Julgamento e condenação[editar | editar código-fonte]

Em 1986, o grupo Movimento Popular Anti-Racismo, formado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, pelo Movimento Negro Brasileiro e pelo Movimento Judeu de Porto Alegre, denunciou à Coordenadoria das Promotorias Criminais que o conteúdo das obras da Editora Revisão, de Siegfried Ellwanger Castan, seria racista. Fez-se uma nova denúncia em 1990, desta vez junto à chefia da Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, que instaurou inquérito policial, que foi remetido ao Ministério Público. A denúncia foi recebida em 1991, e foi determinada a busca e apreensão dos exemplares de diversos livros publicados por Castan, entre eles, Holocausto Judeu ou Alemão? Nos Bastidores da Mentira do Século, do próprio Castan, Hitler Culpado ou Inocente?, de Sérgio Oliveira e Os Protocolos dos Sábios de Sião, prefaciado por Gustavo Barroso. Castan foi, então, em 1995, julgado e absolvido em primeira instância; contudo, em 1996 foi condenado por unanimidade pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Apesar da condenação, ainda em 1996, Castan foi flagrado vendendo seus livros na Feira do Livro de Porto Alegre, o que levou a uma nova denúncia, que foi recebida em 1998, e pela qual foi condenado a dois anos de cadeia. Castan então recorreu, argumentando que os judeus são uma etnia, e não uma raça, e que, portanto, anti-semitismo não seria racismo. Seu recurso, porém, foi negado, e a condenação foi reiterada pelo STF em 2001.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CRUZ, Natália dos Reis. Negando a história: a Editora Revisão e o neonazismo. 1997, Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal Fluminense. [1]
  • JESUS, Carlos Gustavo Nóbrega de. Anti-semitismo e nacionalismo, negacionismo e memória: Revisão Editora e as estratégias da intolerância (1987-2003). São Paulo, Editora UNESP, 2007.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]