Edson Mororó Moura

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Edson Mororó Moura
Nome completo Edson Mororó Moura
Nascimento 8 de dezembro de 1929
Belo Jardim, Pernambuco
Morte 15 de janeiro de 2009 (79 anos)
Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco
Nacionalidade  Brasil
Ocupação Químico industrial e empreendedor

Edson Mororó Moura (Belo Jardim, Pernambuco, 8 de dezembro de 1929 - Recife-PE, 15 de janeiro de 2009) foi o químico industrial e empreendedor pernambucano que fundou a Baterias Moura.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Assim que se formou em Química Industrial pela Universidade Federal de Pernambuco, junto com a sua esposa Maria da Conceição Viana Moura, Edson Mororó Moura foi trabalhar na fábrica de doces Mariola, onde seu pai era sócio, em Belo Jardim. Com o passar do tempo foi vendo que a fábrica não lhe renderia bons frutos. Foi quando um mecânico que trabalhava com o seu pai veio lhe falar sobre uma ideia. Agripino Farias tinha um livro que explicava mais ou menos como é que se fazia uma placa de bateria. E aí a pergunta surgiu: Por que a gente não faz baterias?

A tal ideia foi abraçada. Mas Edson viu que o negócio não era tão simples e que realmente precisava aprender mais sobre o assunto. Pediu ajuda a um antigo professor, que era diretor da Escola de Química onde estudou, e esse professor lhe conseguiu um estágio numa fábrica importante, em São Paulo. Sem dinheiro, mas sedento por conhecimento, seguiu de caminhão rumo ao Sudeste com duas cartas de recomendação na mão.

Na tal fábrica, ao ser entrevistado pelo diretor técnico, percebeu que poderia ser visto como uma espécie de espião, e por isso, talvez, não fosse bem recebido. Então escreveu uma carta de agradecimento àquela fábrica, mas disse que não iria ficar. Edson havia levado uma outra carta de recomendação e foi à PUC de São Paulo. Lá conheceu um professor que lhe apresentou a um homem que já havia trabalhado durante 10 anos numa fábrica de baterias. O homem o levou para visitar uma fábrica que havia falido e lá Edson pôde recrutar um operário e comprar alguns poucos equipamentos usados, que serviram de base para fazer outros equipamentos capazes de fabricar uma bateria, mesmo que tosca.

Voltou para Belo Jardim e deu início ao negócio. No começo, as baterias eram muito fracas, e as vendas se resumiam ao interior de Pernambuco, da Paraíba e de Alagoas. Eram produzidas, em média, 50 baterias por mês. Além disso, o custo para se fazer as baterias era elevadíssimo e a qualidade delas era ruim. A devolução de baterias era alta. Foi quando a Moura decidiu apresentar um projeto ao Banco do Nordeste e a Sudene, com o intuito de melhorar a fábrica.


A busca pela tecnologia[editar | editar código-fonte]

Com quase 10 anos de existência, a empresa acabou conseguindo um financiamento do Banco do Nordeste e da Sudene para a construção de uma planta industrial mais moderna, com um equipamento de qualidade para fabricar uma boa bateria. Mas isso não era o bastante. Faltava tecnologia. Conseguiu uma bolsa de estudos da Usaid e partiu para os EUA, junto com a sua esposa, também fundadora da Moura, onde visitou algumas fábricas e teve uma noção dos avanços tecnológicos da época. Dos Estados Unidos foi para a Inglaterra, por volta de 1968, onde conheceu a maior montadora de baterias da época, a Chloride, uma das mais avançadas tecnologias do mundo, com quem conseguiu firmar um contrato de recebimento de tecnologia bastante significativo para o desenvolvimento da fábrica.


Crescimento e distribuição[editar | editar código-fonte]

Com o avanço tecnológico, a Moura começou a produzir baterias de qualidade, expandindo as vendas para outras regiões do país. E como a Chloride tinha acordos com algumas montadoras de carros, a Moura passou a ser peça original dessas montadoras no Brasil. A partir daí a empresa começou a atuar em todo o território brasileiro. Foi quando surgiram as unidades distribuidoras, que, a princípio, eram chamadas de depósitos e eram coordenadas pela própria empresa. Com o passar do tempo, numa nova gestão, essas unidades foram transformadas numa rede, a Rede Distribuidora Moura, e ganharam uma certa independência. Os distribuidores, responsáveis pelas unidades, tornaram-se sócios e passaram a dividir a responsabilidade burocrática e fiscal com a Moura.


Gestão pela qualidade total[editar | editar código-fonte]

Tecnologia e distribuição a Moura já tinha, mas estava faltando alguma coisa. Quando os filhos e o genro de Edson (Sergio, Edson, Pedro Ivo e Paulo Sales) entraram na empresa, perceberam que a Moura precisava de uma gestão empresarial forte, que fosse compatível com a capacidade de produção e a dimensão que a Moura significava para o Brasil. Partiram, então, numa missão empresarial para o Japão, que, na década de 80, era considerado o país que mais crescia em termos de gestão. Lá aprenderam novas técnicas de administração e gestão de empresas e trouxeram tudo para o Brasil. Tentaram aplicar o que aprenderam na fábrica. No Brasil, a Moura se vinculou a Fundação Cristiano Otoni, de Belo Horizonte, onde obteve ótimos resultados.

De Belo Jardim para o mundo[editar | editar código-fonte]

A Moura sempre procurou melhorar o funcionamento da empresa e a qualidade dos produtos, comprando novas tecnologias, fazendo parcerias e ampliando a sua rede distribuidora para todo o Brasil e também para outros países como Inglaterra, Argentina, Porto Rico, Paraguai, Uruguai, Chile. E foi assim que aquela modesta fábrica de baterias automotivas, fundada em 1957, no quintal de uma casa em Belo Jardim, tornou-se um dos grandes grupos econômicos e industriais brasileiros. Hoje a Moura possui seis fábricas (quatro em Belo Jardim - PE, uma em Itapetininga - SP e uma na Argentina), escritórios em Jaboatão dos Guararapes - PE e São Paulo - SP, uma unidade de assistência às montadoras em Betim - MG, e mais de 65 unidades de distribuição.