Eduardo Portella

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Eduardo Portella Academia Brasileira de Letras
Nascimento 8 de outubro de 1932 (82 anos)
Salvador
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Crítico, professor, escritor, conferencista, pesquisador, pensador, advogado e político

Eduardo Mattos Portella (Salvador, 8 de outubro de 1932) é um crítico, professor, escritor, conferencista, pesquisador, pensador, advogado e político brasileiro. Pertence à Academia Brasileira de Letras.

Integrou o gabinete civil do Presidente Juscelino Kubitschek. Foi ministro da Educação no governo João Figueiredo, de 15 de março de 1979 a 26 de novembro de 1980, lutando pela anistia: "O que me deixou contente foi ter sido convidado a ser ministro da Abertura. Nem sempre os meus prazos coincidiram com os dos militares, sobretudo da comunidade de informações. Mas eu, como ministro, recusei a censura, anistiei todos."[1] Foi demitido pelos militares porque apoiou a greve dos professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Deixou registrada nos anais da história a frase "Não sou ministro; estou ministro", demonstrando a transitoriedade de seu ministério. Teve o apoio da então deputada Maria da Conceição Tavares, em discurso aos parlamentares.

Foi secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro entre 1987 e 1988. Coordenou a pasta de Educação, Cultura e Comunicação da Comissão de Estudos para a Constituição de 1988, ligada à presidência da República.

Ocupou a vice-presidência e a presidência da Conferência Mundial da UNESCO de 1997 a 1999. Hoje é o diretor do Fundo Internacional para a Promoção da Cultura (IFPC, na sigla em inglês).

A Universidade Federal do Rio de Janeiro lhe deu o título de Professor emérito. Permanece como pesquisador nível 1 do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Fundador e diretor das Edições Tempo Brasileiro, introduziu Heidegger no Brasil, além de divulgar o Formalismo Russo de Yuri Tynianov. A Tempo Brasileiro é hoje a principal editora das obras de Jürgen Habermas.

Eduardo Portella defendeu tese de doutorado em 1970, propondo um método crítico de base hermenêutica, teórica e filosófica, com fortes inclinações liberais e antipositivistas. Foi publicada sob o título Fundamento da Investigação Literária (1973, refundida em 1974). Este fundamento é a visualização do entre-texto, fronteira entre linguagem e uso da língua, responsável pela literariedade. À frente dos parâmetros usuais, sua tese acerca do Romantismo para professor titular jamais foi publicada.

Eduardo Portella tem um pensamento notadamente avançado: a) concebe a realidade numa recusa da tripartição linear do tempo (presente, passado e futuro); b) define literatura e arte como dimensões últimas do homem; e c) assinala a Liberdade como destino do Ser.

Títulos honoríficos[editar | editar código-fonte]

A lista abaixo é uma pequena seleção das condecorações de Eduardo Portella:

  • Gran Cruz de la Orden del Mérito Civil, Madri (2001)
  • Medalha Rui Barbosa, Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro (1999)
  • Medalha do Conselho Federal de Educação, Brasília (1987)
  • Doutor Honoris-Causa, Universidade Federal da Bahia (1983)
  • Doutor Honoris-Causa, Universidade Federal do Ceará (1981)
  • Gran-Cruz de la Orden Civil de Alfonso X, el Sabio, Madri (1980)
  • Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, Brasília (1979)
  • Grande Medalha da Inconfidência, Minas Gerais (1979)

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Dimensões I (1958);
  • José de Anchieta, Nossos Clássicos (1959);
  • Dimensões II (1959);
  • Nota prévia a Cruz e Sousa (1961);
  • África, colonos e cúmplices (1961);
  • Política externa e povo livre (1963);
  • Literatura e realidade nacional (1963);
  • Dimensões III (1965);
  • Teoria da comunicação literária (1970);
  • Fundamento da investigação literária (1973);
  • Teoria literária, org. (1975);
  • O paradoxo romântico (1976);
  • Vanguarda e cultura de massa (1978);
  • Retrato falado da educação brasileira (1978);
  • A letra viva da Universidade (1980);
  • O Romance de 30 no Nordeste (1983);
  • Confluências (1983);
  • Democracia transitiva (1983);
  • O intelectual e o poder (1983);
  • Brasil à vista (1985);
  • Ação cultural e diferença nacional (1992);
  • México: Guerra e Paz (2001);
  • A Sabedoria da Fábula (2011).

Crítica[editar | editar código-fonte]

  • NEJAR, Carlos. Eduardo Portella: ação e argumentação. Rio de Janeiro: Antares, 1985.
  • SEPÚLVEDA, Carlos (org.). Eduardo Portella: a Linguagem solidária. Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Membro da Academia Brasileira de Letras, é o sexto ocupante da cadeira 27, eleito em 19 de março de 1981, recebido em 18 de agosto de 1981 pelo acadêmico Afrânio Coutinho. Recebeu as acadêmicas Lygia Fagundes Telles e Zélia Gattai e os acadêmicos Carlos Nejar, Celso Furtado, Cândido Mendes de Almeida, João Ubaldo Ribeiro, Ivan Junqueira , Alfredo Bosi e Merval Pereira.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Eduardo Portella


Precedido por
Euro Brandão
Ministro da Educação do Brasil
1979 — 1980
Sucedido por
Rubem Carlos Ludwig
Precedido por
Otávio de Faria
Lorbeerkranz.png ABL - sexto acadêmico da cadeira 27
1981 — atualidade
Sucedido por


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