Eduardo VII do Reino Unido

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Eduardo VII
Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e dos Domínios Britânicos de Além-mar
Imperador da Índia
Rei do Reino Unido e Imperador da Índia
Reinado 22 de janeiro de 1901
a 6 de maio de 1910
Coroação 9 de agosto de 1902
Predecessora Vitória
Sucessor Jorge V
Delhi Durbar 1 de janeiro de 1903
Esposa Alexandra da Dinamarca
Descendência
Alberto Vitor, Duque de Clarence e Avondale
Jorge V
Luisa, Princesa Real
Vitória Alexandra
Maud, Rainha da Noruega
Alexandre João de Gales
Nome completo
Alberto Eduardo
Casa Saxe-Coburgo-Gota
Pai Alberto de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Vitória do Reino Unido
Nascimento 9 de novembro de 1841
Palácio de Buckingham, Londres, Reino Unido
Morte 6 de maio de 1910 (68 anos)
Palácio de Buckingham, Londres, Reino Unido
Enterro 20 de maio de 1910
Capela de São Jorge, Windsor, Berkshire, Reino Unido
Assinatura

Eduardo VII (Londres, 9 de novembro de 1841 – Londres, 6 de maio de 1910) foi Rei do Reino Unido e dos domínios britânicos e Imperador da Índia de 22 de janeiro de 1901 até sua morte. Foi o primeiro monarca britânico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, renomeada posteriormente por seu filho e sucessor, Jorge V, como Casa de Windsor.

Filho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, ele foi o herdeiro aparente que por mais tempo sustentou o título de Príncipe de Gales em toda a história. Durante o longo reinado de sua mãe, ele foi afastado dos assuntos de Estado e personificou a elite ociosa, tão em voga na época. Eduardo viajou pelo reino realizando vários deveres cerimoniais e representou o Reino Unido no exterior. Suas viajens pela América do Norte em 1860 e pela Índia em 1875 foram grandes sucessos, porém sua reputação de príncipe libertino corroeu a relação com sua mãe.

A era eduardiana, como ficou conhecido o período de seu reinado, coincidiu com o início de um novo século e foi marcada por mudanças significativas na sociedade e na tecnologia, incluindo a invenção do avião e o surgimento do socialismo. Eduardo desempenhou um importante papel na modernização da British Home Fleet, a reforma dos Serviços Médicos da Armada e a reorganização do Exército Britânico após a Segunda Guerra dos Bôeres. Eduardo promoveu boas relações entre a Grã-Bretanha e os outros países europeus, especialmente com a França, onde ficou popularmente conhecido como "Pacificador", mas seus esforços não foram capazes de evitar a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Eduardo morreu em 1910 no meio de uma crise constitucional que foi resolvida no ano seguinte com o Decreto Parlamentar de 1911.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Albero Eduardo, Príncipe de Gales em 1846 por Franz Xaver Winterhalter, na Royal Collection

Eduardo nasceu às 10h48m da manhã do dia 9 de novembro de 1841, no Palácio de Buckingham,[1] segundo filho (primeiro varão) da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi batizado na Capela de São Jorge, em 25 de janeiro de 1842, recebendo na pia batismal os nomes Alberto Eduardo em homenagem ao pai e ao avô materno, Eduardo Augusto, Duque de Kent e Strathearn.[2] [nota 1] Seu apelido familiar era Bertie.[3]

Como filho mais velho da soberana britânica, Eduardo recebeu, ao nascer, os títulos de duque da Cornualha e de Rothesay e, como filho do príncipe Alberto, os títulos de príncipe de Saxe-Coburgo-Gota e duque de Saxe. Foi nomeado príncipe de Gales e conde de Chester em 8 de dezembro de 1841, conde de Dublin em 17 de janeiro de 1850, um cavaleiro da Ordem da Jarreteira em 9 de novembro de 1858 e cavaleiro da Ordem do Cardo em 24 de maio de 1867.[4] Em 1863, ele renunciou aos seus direitos de sucessão ao Ducado de Saxe-Coburgo-Gota em favor de seu irmão mais novo, o príncipe Alfredo.[5] [6]

Educação[editar | editar código-fonte]

A rainha Vitória e o príncipe Alberto determinaram que seu filho tivesse uma educação voltada a prepará-lo para ser um monarca constitucional. Aos sete anos, Eduardo iniciou um rigoroso programa educacional desenvolvido pelo príncipe Alberto e supervisionado por vários tutores. Porém, ao contrário de sua irmã mais velha e apesar de tentar satisfazer as expectativas de seus pais, o príncipe não se sobressaiu nos estudos. Ainda que não fosse um aluno diligente, seus verdadeiros talentos, como o charme, a sociabilidade e a diplomacia, não dependiam de estudo. Benjamin Disraeli descreveu-o como informado, inteligente e gentil.[7]

Após uma viagem de estudos a Roma, realizada nos primeiros meses de 1859, Eduardo algum tempo estudando na Universidade de Edimburgo, sendo tutorado por professores como o cientista escocês Lyon Playfair. Em outubro daquele ano, matriculou-se na Christ Church, da Universidade de Oxford.[8] Finalmente liberado das restrições educacionais impostas pelos pais, Eduardo pela primeira vez tomou gosto pelos estudos e passou satisfatoriamente nos exames.[9] Em 1861, o príncipe transferiu-se para o Trinity College, da Universidade de Cambridge,[10] onde estudou história com Charles Kingsley.[11]

Vida adulta[editar | editar código-fonte]

Eduardo nas Cataratas do Niágara, em 1860

Em 1860, foi o primeiro herdeiro do trono britânico a realizar uma viagem pela América do Norte. Seu bom humor e sua cordialidade fizeram da visita um grande sucesso.[12] No Canadá, ele inaugurou uma ponte sobre o rio São Lourenço nomeada em homenagem à rainha Vitória e, em Ottawa, lançou a pedra fundamental do Parliament Hill. Nos Estados Unidos, foi hóspede de James Buchanan na Casa Branca. O presidente norte-americano acompanhou o príncipe ao Mount Vernon, onde visitou o túmulo de George Washington. Eduardo era aclamado por onde passava e teve oportunidade de conhecer figuras ilustres, como o poeta Henry Wadsworth Longfellow, o filósofo Ralph Waldo Emerson e o médico Oliver Wendell Holmes. Em Nova York, a Igreja da Trindade orou pela saúde da família real pela primeira vez desde 1776.[13] A viagem de quatro meses pelo Canadá e Estados Unidos aumentou consideravelmente a confiança e a auto-estima do príncipe e teve muitos benefícios diplomáticos para a Grã-Bretanha.[14]

Após seu retorno à Inglaterra, Eduardo pretendia seguir a carreira militar no exército britânico mas, por ser herdeiro do trono, seu pedido foi negado. Todas as suas patentes militares eram honorárias. Em setembro de 1861, ele foi enviado à Alemanha, supostamente para assistir a manobras militares, mas, na verdade, seus pais planejaram a viagem a fim de colocá-lo em contato com a princesa Alexandra da Dinamarca, filha mais velha do futuro Cristiano IX da Dinamarca e de Luísa de Hesse-Cassel. Eles se conheceram em Speyer, em 24 de setembro, sob os auspícios de Vicky, esposa do príncipe herdeiro da Prússia, Frederico III e irmã mais velha de Eduardo.[15] Seguindo instruções de sua mãe, Vicky havia conhecido Alexandra em Strelitz alguns meses antes e teve uma boa impressão da princesa. Eduardo e Alexandra tiveram uma simpatia mútua desde o primeiro encontro, o que possibilitou o encaminhamento das negociações de casamento.[16]

A partir desta época, Eduardo ganhou a reputação de playboy. Determinado a obter alguma experiência no exército, ele participou de manobras militares na Irlanda, onde conheceu a atriz Nellie Clifden (que havia sido escondida em sua barraca por seus companheiros). O príncipe Alberto, apesar de doente, ficou horrorizado com a notícia e foi até Cambridge para repreendê-lo. Duas semanas após o encontro, em dezembro de 1861, o príncipe-consorte morreu. Inconsolável, a rainha Vitória vestiu luto pelo resto da vida e não cessou de culpar Eduardo pela morte do pai. Inicialmente, ela via o filho com desgosto, como um frívolo, indiscreto e irresponsável. Em carta à filha mais velha, a rainha escreveu: "não posso, nem poderia, olhar para ele sem estremecer".[17]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Eduardo e Alexandra da Dinamarca em seu casamento, em 1863.

Com a viuvez, a rainha Vitória retirou-se efetivamente da vida pública. Logo após a morte do príncipe Alberto, ela enviou Eduardo em uma longa viagem pelo Oriente Médio, onde ele visitou o Egito, Jerusalém, Damasco, Beirute e Constantinopla.[18] Assim que retornou à Grã-Bretanha, iniciaram-se os preparativos para o seu noivado, que foi contratado em Laeken, na Bélgica, em 9 de setembro de 1862. Eduardo e Alexandra casaram-se na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, em 10 de março de 1863.[19]

Os recém-casados passaram a residir na Marlborough House, em Londres, e receberam como residência de campo a Sandringham House, em Norfolk. A união foi reprovada em vários círculos devido ao fato da maioria dos familiares da rainha Vitória serem alemães, com quem a Dinamarca estava em litígio pelos ducados de Schleswig e Holstein.[20] Quando o pai de Alexandra herdou o trono da Dinamarca, em novembro de 1863, a Confederação Germânica aproveitou a oportunidade para invadir e anexar os territórios, dando origem à Guerra dos Ducados. Apesar do impacto dos eventos sobre a família real, a Grã-Bretanha decidiu não intervir no conflito.[21] Com seu temperamento dominador, a rainha tentava controlar a vida do casal, interferindo em seu estilo de vida e até mesmo nos nomes de seus filhos.[20] Aparentemente, todos os seis filhos do casal nasceram prematuros e o biógrafo Richard Hough sugere que a princesa enganava deliberadamente a rainha sobre as datas prováveis de seus partos porque não a queria presente nos nascimentos.[22]

Eduardo teve amantes durante toda sua vida - estima-se que ele tenha mantido relações extra conjugais com pelo menos 55 mulheres[23] , entre as quais a atriz Lillie Langtry, lady Jennie Churchill (mãe de Winston Churchill),[24] Daisy Greville, condessa de Warwick, a atriz Sarah Bernhardt, a nobre Susan Pelham-Clinton, a cantora Hortense Schneider, a prostituta Giulia Barucci, a rica benemérita Agnes Keyser e Alice Keppel.[23] A intensidade ou a duração dessas relações nunca ficaram claras, pois Eduardo esforçava-se por ser discreto, embora fosse constantemente alvo de fofocas e especulações.[25] [nota 2] Havia rumores de que a filha de Alice, Sonia Keppel (nascida em maio de 1900), seria filha ilegítima de Eduardo, mas ela sempre afirmou sua "quase certeza" de ser filha de George Keppel, com quem se parecia fisicamente.[26] Eduardo jamais reconheceu quaisquer filhos ilegítimos.[27] Quanto a Alexandra, acredita-se que não apenas tinha conhecimento das traições de seu marido como as aceitava.[28]

Em 1869, sir Charles Mordaunt, membro do parlamento, ameaçou denunciar Eduardo como co-responsável por seu divórcio. Embora não tenha sido denunciado, o príncipe foi arrolado como testemunha no processo em 1870. Foi mencionado o fato de Eduardo ter visitado a casa de Mordaunt quando ele estava fora, na Câmara dos Comuns, mas Eduardo negou ter cometido adultério e nada foi provado contra ele.[9] [29]

Herdeiro aparente[editar | editar código-fonte]

Durante a viuvez da rainha Vitória, Eduardo era frequentemente visto em cerimônias de inauguração de obras públicas, como a Tower Bridge, em 1894.[30] No entanto, a rainha não permitiu ao filho um papel ativo na gestão do país até 1898.[31] [32] Antes disso, somente um breve resumo de documentos importantes (sem possibilidade de acesso aos originais) eram encaminhados a ele.[9] [nota 3] Eduardo irritou sua mãe ao apoiar a Dinamarca na questão dos ducados de Schleswig e Holstein, em 1864, enquanto ela claramente apoiava a Alemanha. Naquele mesmo ano, ao tentar conhecer Garibaldi, o príncipe-herdeiro criou um novo incidente familiar.[33]

Eduardo em 1894.

Em 1870, o sentimento republicano na Grã-Bretanha recebeu um impulso com a deposição do imperador Napoleão III de França (derrotado na guerra franco-prussiana e a instauração da Terceira República Francesa.[34] No entanto, no inverno de 1871, um "contato com a morte" melhorou tanto a popularidade de Eduardo quanto seu relacionamento com a mãe. Durante uma estadia em Londesborough Lodge, próximo a Scarborough, em North Yorkshire, o príncipe contraiu febre tifoide, doença que, acreditava-se, teria vitimado seu pai.[nota 4] Toda a nação preocupou-se com o estado de saúde de Eduardo, especialmente depois que um de seus convidados em Londesborough Lodge, lorde Chesterfield, morreu com a mesma doença. Sua recuperação foi recebida com alívio quase universal e foi motivo de grandes celebrações públicas, incluindo uma composição especial de Arthur Sullivan, o Festival Te Deum.[9] Eduardo tinha entre seus amigos políticos de todos os partidos, incluindo republicanos, o que fez com que qualquer tipo de sentimento contrário a ele fosse dissipado.[35] [36] A partir de 1886, o secretário do exterior lorde Rosebery passou a encaminhar-lhe despachos do Foreign Office e, a partir de 1892, alguns documentos do Gabinete também foram liberados para ele.[9]

Em 1875, Eduardo partiu para uma longa visita de oito meses pela Índia. Lá, seus assessores comentavam seu hábito de tratar a todos de forma igualitária, independentemente da posição social ou da cor. Em cartas enviadas à família, ele queixou-se do tratamento dado aos nativos pelas autoridades britânicas: "Porque um homem tem o rosto negro e uma religião diferente da nossa, não há razão para ele ser tratado como um animal".[37] Ao final da viagem, sua mãe recebeu do parlamento o título de Imperatriz da Índia, em parte como resultado do sucesso do herdeiro em sua visita.[38]

O príncipe de Gales foi um patrono das artes e das ciências e ajudou a fundar o Royal College of Music.[38] Ao mesmo tempo, ele também apreciava os jogos de azar e os esportes campestres, além de ser um caçador entusiasta. Eduardo ordenou que todos os relógios de Sandringham fossem adiantados em meia hora para ter mais tempo para a caça. Esta tradição, chamada de Horário de Sandringham, perdurou até 1936, quando foi abolida pelo rei Eduardo VIII.[39] Após instalar um campo de golfe em Windsor, o futuro rei também passou a interessar-se por corridas de cavalos e pelas provas de salto. Em 1896, seu cavalo Persimmon venceu o Derby Stakes e o St. Leger Stakes. Em 1900, o Diamond Jubilee (irmão de Persimmon), venceu cinco corridas: Derby, St. Leger, 2,000 Guineas Stakes, Newmarket Stakes e Eclipse Stakes;[40] ; e outro de seus cavalos, Ambush II, venceu o Grand National.[41]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Retrato de coroação de Eduardo VII, 1902, por Luke Fildes, na Royal Collection.

Ascensão[editar | editar código-fonte]

Vitória morreu em 22 de janeiro de 1901 e Eduardo se tornou rei do Reino Unido, Imperador da Índia e, como inovação, dos Domínios Britânicos de Além-mar.[42] Ele escolheu reinar como Eduardo VII em vez de Alberto Eduardo – o nome que sua mãe queria que usasse, declarando que não desejava "subestimar o nome de Alberto" e diminuir a posição de seu pai com quem o "nome deve permanecer sozinho".[43] O numeral VII era ocasionalmente omitido na Escócia, até pela igreja nacional, em defesa dos protestos que os Eduardos anteriores eram reis ingleses que haviam "sido excluídos da Escócia pela batalha".[9] J. B. Priestley lembra que "Eu era apenas uma criança quando em 1901 ele sucedeu Vitória, porém posso testemunhar sua extraordinária popularidade. Ele foi na verdade o rei mais popular que a Inglaterra viu desde o início dos anos 1660".[44]

Ele doou a casa de seus pais, Osborne na Ilha de Wight, para ao estado e continuou a viver em Sandringham.[45] Eduardo podia dar-se ao luxo de ser magnânimo; seu secretário particular, sir Francis Knollys, afirmou que ele era o primeiro herdeiro a suceder ao trono com crédito.[46] Suas finanças tinham sido habilmente gerenciadas por sir Dighton Probyn, Controlador da Casa, e ainda tinha os conselhos dos amigos financistas judeus de Eduardo, como Ernest Cassel, Moritz Hirsch e a família Rothschild.[47] Eduardo foi criticado por abertamente se socializar com judeus em uma época de grande antissemitismo.[48] [49]

Eduardo foi coroado na Abadia de Westminster em 9 de agosto de 1902 por Frederick Temple, Arcebispo da Cantuária, que com oitenta anos morreu apenas quatro meses depois. A coroação havia sido marcada para 26 de junho, porém dois dias antes o rei foi diagnosticado com apendicite.[50] O problema não era geralmente operável e possuia um alto índice de mortalidade, porém desenvolvimentos na anestesia e nos antissépticos nos cinquenta anos anteriores possibilitaram cirurgias.[51] Sir Frederick Treves, com o apoio de Joseph Lister, 1.º Barão Lister, realizou uma operação radical para a época ao drenar o abscesso infectado através de uma pequena incisão. No dia seguinte, Eduardo já estava sentado na cama fumando seu charuto.[52] Duas semanas depois, foi anunciado que o rei não estava mais em perigo. Treves foi honrado com um baronato (que Eduardo já havia preparado antes de operação)[53] e a cirurgia para apendicite ficou famosa.[51]

Eduardo reformou os palácios reais, reintroduzindo cerimônias tradicionais, como a Abertura do Parlamento, que sua mãe havia renunciado, fundando também novas ordens honoríficas, como a Ordem de Mérito para reconhecer contribuições nos campos das artes e ciências.[54] O imperador Mozzafar-al-Din da Pérsia visitou a Inglaterra em 1902 esperando receber a Ordem da Jarreteira. Eduardo recusou-se a entregar tal honra porque a ordem era supostamente para ser um presente pessoal do monarca e Henry Petty-Fitzmaurice, 5.º Marquês de Lansdowne, seu Secretário Estrangeiro, havia prometido a entrega da ordem sem seu consentimento. Eduardo também era contra introduzir um muçulmano em uma ordem cristã da cavalaria. Sua recusa ameaçou danificar as tentativas britânicas de ganhar influência na Pérsia,[55] porém o rei ressentia as tentativas de seus ministros de diminuirem seus tradicionais poderes.[56] Eventualmente, ele cedeu e o Reino Unido enviou no ano seguinte uma embaixada especial até o imperador com a Ordem da Jarreteria completa.[57]

"Tio da Europa"[editar | editar código-fonte]

Guilherme II e Eduardo VII em 1904.

Como rei, os principais interesses de Eduardo eram assuntos estrangeiros e questões militares e navais. Fluente em francês e alemão, ele fez várias visitas internacionais e passava férias anuais em Biarritz e Mariánské Lázně.[39] Uma de suas mais importantes viagens foi uma visita oficial a França em 1903 como convidado do presidente Émile Loubet. Depois de uma visita ao Papa Leão XIII em Roma, esta viagem ajudou a criar uma atmosfera de uma Entente Cordiale anglo-francesa e um acordo delineando as colônias britânicas e francesas no Norte da África, além de descartar completamente qualquer guerra futura entre os dois países. A Entente foi negociada entre Théophile Delcassé, ministro estrangeiro francês, e lorde Lansdowne. Ela foi assinada em Londres no dia 8 de abril de 1904 por Lansdowne e o embaixador francês Paul Cambon, marcando o fim de séculos de rivalidade e o esplêndido isolamento do Reino Unido de assuntos continentais, tentando também contrabalancear o crescente domínio do Império Alemão e sua aliada, a Áustria-Hungria.[58]

Eduardo era parente de quase todos os outros monarcas europeus e acabou ficando conhecido como o "tio da Europa".[31] O imperador Guilherme II da Alemanha era seu sobrinho; o czar Nicolau II da Rússia era seu sobrinho por casamento; Vitória Eugénia de Battenberg, Margarida de Connaught, Maria de Saxe-Coburgo-Gota, Sofia da Prússia e Alice de Hesse eram suas sobrinhas; Haakon VII da Noruega era tanto seu sobrinho por casamento quanto seu genro; Jorge I da Grécia e Frederico VIII da Dinamarca eram seus cunhados; Alberto I da Bélgica, Fernando I da Bulgária e Carlos I e Manuel II de Portugal eram seus primos em segundo grau. Eduardo adorava seus netos e os mimava, para a consternação de suas governantas.[59] Entretanto, havia uma relação que ele não gostava: Guilherme II. A difícil relação de Eduardo com seu sobrinho exacerbou as tensões entre a Alemanha e o Reino Unido.[60]

Durante a visita anual de Eduardo a Biarritz em abril de 1908, ele aceitou a renúncia do primeiro-ministro sir Henry Campbell-Bannerman. Quebrando o precedente, o rei pediu para que H. H. Asquith, sucessor de Bannerman, viajasse a Biarritz para beija sua mão. Asquith concordou, porém a imprensa criticou a ação de Eduardo ao nomear um primeiro-ministro em solo estrangeiro ao invés de voltar para casa.[61] Em junho, Eduardo se tornou o primeiro monarca britânico a visitar o Império Russo, apesar de ter se recusado a visitar em 1906 quando as relações anglo-russas estavam tensas na sequência da Guerra Russo-Japonesa, o Incidente do Mar do Norte e a dissolução da Duma.[62] Eduardo havia visitado no mês anterior os países escandinavos, tornando-se o primeiro monarca britânico a também visitar a Suécia.[63]

Opiniões políticas[editar | editar código-fonte]

Eduardo (direita), com seu filho Jorge, Príncipe de Gales (esquerda, futuro rei Jorge V) e seus netos, príncipes Eduardo de Gales (futuro Eduardo VIII) e Alberto de Gales (futuro Jorge VI). Fotografia tirada por Alexandra em 1908.

Eduardo envolvia-se bastante em discussões sobre reformas militares, cuja necessidade ficou aparente após as várias falhas na Segunda Guerra dos Bôeres. Ele apoiava uma mudança no comando do exército, a criação de uma Força Territorial e a decisão de enviar uma Força Expedicionária a França em caso de guerra contra a Alemanha.[64] Reformas na Marinha Real também foram sugeridas, parcialmente devido as sempre crescentes estimativas orçamentárias e porque a Kaiserliche Marine estava emergiando como uma nova ameaça estratégica.[65] No final, uma disputa apareceu entre o almirante lorde Charles Beresford, que era a favor de um aumento de gastos e uma implantação mais ampla, e o Primeiro Lorde do Mar almirante sir John Arbuthnot Fisher, que era a favor de economias eficientes, desmantelamento de navios obsoletos e o realinhamento estratégico da marinha para se apoiar em torpedeiros para defesa da Grã-Bretanha com o apoio dos novos couraçados.[66]

O rei apoiou Fisher, parcialmente por não gostar de Beresford, e Beresford eventualmente foi dispensado. O almirante continuou sua campanha fora da marinha e Fisher acabou anunciando sua renuncia no final de 1909, apesar da maior parte de suas políticas terem sido mantidas.[67] Eduardo muito se envolveu na nomeação do sucessor de Fisher já que a briga entre os dois almirantes havia dividido as forças, com a única pessoa realmente qualificada que sabia-se que havia permanecido fora dos dois lados era sir Arthur Wilson, que havia se aposentado em 1907.[68] Wilson estava relutante em voltar ao serviço, porém Eduardo o persuadiu e ele tornou-se o Primeiro Lorde do Mar em 25 de janeiro de 1910.[69]

Como Príncipe de Gales, Eduardo teve relações boas e mutuamente respeitosas com William Ewart Gladstone, quem Vitória detestava.[70] Porém Herbert Gladstone, filho de Gladstone e Secretário de Estado para os Assuntos Internos, irritou o rei ao planejar permitir que padres católicos em vestimentas pudessem carregar a óstia pelas ruas de Londres e também por nomear duas mulheres, Frances Balfour e May Tennant, para participarem da Comissão Real de reforma da lei de divórcio – Eduardo creditava que o divórcio não podia ser discutido com "delicadeza e até decência" na frente de mulheres. O biógrafo Philip Magnus sugere que Gladstone pode ter se tornado o alvo da irritação geral do rei com o governo liberal. Ele foi retirado do cargo na reorganização no ano seguinte e Eduardo concordou, com certa relutância, em nomeá-lo como Governador-Geral da África do Sul.[71]

Eduardo raramente se interessava em política, apesar de suas visões para certos assuntos serem notavelmente liberais para a época. Durante seu reinado ele afirmou que a palavra negro era "vergonhosa" apesar de ser comumente usada.[72] Ele havia sido persuadido enquanto ainda era Príncipe de Gales a quebrar o precedente constitucional e abertamente votar pelo Projeto de Lei da Representação do Povo de 1884 na Câmara dos Lordes, projeto apresentado por Gladstone. Em outras questões era menos progressivo: por exemplo, ele não era a favor do sufrágio feminino,[9] [55] apesar de ter sugerido que a reformista social Octavia Hill servisse na Comissão para Habitação da Classe Trabalhadora.[73] Eduardo também era contra o governo próprio da Irlanda, preferindo alguma forma de monarquia dupla. Ele teve uma vida de luxúria que foi muitas vezes distante da maioria de seus súditos. Entretanto, seu charme pessoal com pessoas de todos os níveis da sociedade e sua forte condenação do preconceito de alguma forma impediram que tensões republicanas e raciais crescessem durante sua vida.[9]

Crise constitucional[editar | editar código-fonte]

Eduardo em Balmoral. Fotografia tirada por Alexandra em 1908.

Eduardo se envolveu no último ano de sua vida em uma crise constitucional quando a maioria conservadora da Câmara dos Lordes se recusou a aprovar o "Orçamento do Povo" proposto pelo governo Liberal do primeiro-ministro Asquith. A crise eventualmente levou – após a morte de Eduardo – a retirada do direito dos lordes de vetarem legislações.

O rei ficou insatisfeito com os ataques dos Liberais aos pariatos, que incluíram um discurso polêmico por David Lloyd George em Limehouse.[74] O ministro Winston Churchill publicamente exigiu uma eleição geral, ação que fez com Asquith pedisse desculpas ao conselheiro do rei, Francis Knollys, 1.º Visconde Knollys, e repreendesse Churchill em uma reunião de gabinete. Eduardo estava tão depressivo com o tom da luta de classes – apesar de Asquith lhe falar que o rancor dos partidos foi tão ruim quanto no Projeto de Lei do Governo da Irlanda em 1886 – que apresentou seu filho a Richard Haldane, Secretário de Estado para a Guerra, como "o último Rei da Inglaterra".[75] Depois de seu cavalo Minoru ter vencido o Derby em 26 de julho de 1909, ele voltou para a pista no dia seguinte, rindo quando alguém gritou: "Agora, Rei. Você venceu o Derby. Volte para casa e dissolva esse maldito parlamento!".[76]

O rei pediu em vão para que os líderes conservadores, Arthur Balfour e lorde Lansdowne, aprovassem o projeto, algo que lorde Reginald Brett, 2.º Vinsconde Esher, o aconselhou que não era incomum já que Vitória havia ajudado a arranjar acordos nas duas câmaras sobre o desestabelecimento irlandês de 1869 e o Decreto da Terceira Reforma de 1884.[77] Entretanto, seguindo o conselho de Asquith, Eduardo não ofereceu uma eleição como recompensa (em que, julgando pelas recentes eleições, eles provavelmente ganhariam mais assentos).[78]

O Projeto de Lei de Finança foi aprovado pelos comuns em 5 de novembro de 1909, porém foi rejeitado pelos lordes em 30 de novembro; ao invés disso eles aprovaram uma resolução de lorde Lansdowne afirmando que tinham o direito de serem contra o projeto já que lhe faltava uma ordem eleitoral. Eduardo ficou irritado que suas tentativas para promover a passagem da lei havia tornado-se públicas[79] e proibiu que seu conselheiro lorde Knollys, um ativo pariato liberal, de votar, apesar de Knollys ter sugerido que isso seria um gesto adequado para indicar a vontade real da aprovação do orçamento.[80] Em dezembro, uma proposta para criar pariatos (a fim de dar aos liberais a maioria na câmara) ou dar ao primeiro-ministro o direto de fazer isso foi considerada "ultrajante" por Knollys, achando que o rei deveria abdicar ao invés de aceitá-la.[81]

Eduardo em 1910.

As eleições de janeiro de 1910 foram dominadas por uma conversa sobre remover o poder de veto dos lordes. Lloyd George falou sobre "garantias" durante a campanha enquanto Asquith sobre "salvaguardas" que seriam necessárias antes de formal outro governo liberal, porém Eduardo informou Asquith que ele não estaria disposto a contemplar criar novos pariatos até depois de uma segunda eleição geral.[9] [82] Balfour recusou-se a ser estipulado se estaria ou não disposto a formar um governo conservador, porém aconselhou o rei a não prometer criar pariatos até ver os termos de qualquer proposta de mudança constitucional.[83] Durante a campanha, Walter Long, o principal conservador, pediu a Knollys a permissão para afirmar que Eduardo era contra o governo próprio da Irlanda, porém Knollys não permitiu, já que não era apropriado que o público soubesse das opiniões do monarca.[84]

O resultado da eleição foi um parlamento dividido, com o governo Liberal dependente do apoio do terceiro maior partido, os nacionalistas irlandeses. Eduardo sugeriu um acordo onde apenas cinquenta pariatos dos dois lados poderia votar, que também compensaria a maioria dos conservadores nos lordes, porém lorde Robert Crewe-Milnes, 1.º Marquês de Crewe, líder dos Liberais, aconselhou que isso iria reduzir a independência da câmara já que apenas os pariatos mais leais seriam os escolhidos para votar.[84] A pressão para tirar o veto dos lordes veio dos parlamentares irlandeses que desejavam tirar a habilidade deles de bloquear a apresentação do governo próprio. Eles ameaçaram votar contra o orçamento se não conseguissem o que queriam (Lloyd George tentou reconquistar o apoio alterando os impostos do uísque, porém a ideia foi abandonada já que o gabinete achou que isso iria alterar muito o orçamento). Asquith revelou que não havia "garantias" para a criação de pariatos. O gabinete considerou renunciar e deixar que Balfour tentasse formar um governo conservador.[85]

Seu discurso do trono em 21 de fevereiro fez referência a introdução de medidas restringido o poder de veto dos lordes para um de adiamento, porém Asquith colocou a frase "na opinião de meus conselheiros" para que Eduardo pudesse se distanciar do plano da legislação.[86]

Os comuns aprovaram resoluções em 14 de abril que formariam as bases do Decreto Parlamentar: remover o poder dos lordes para vetar projetos de lei monetários, substituir o veto em outros projetos para um poder de adiamento e reduzir o mandato parlamentar de sete anos para cinco (o rei preferia quatro anos).[83] Porém no debate Asquith deixou entender – para garantir o apoio dos parlamentares nacionalistas – que pediria a Eduardo que terminasse o impasse "naquele Parlamento", contrário a estipulação do rei que houvesse uma segunda eleição. O orçamento foi aprovado pelas duas câmeras em abril.[87]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 6 de maio de 1910, Eduardo foi acamado, com bronquite. Ele fumou seu último cigarro do dia e então começou a sofrer ataques cardíacos e morreu às 23h45min da noite no Palácio de Buckingham. Eduardo foi um bom sucessor, mas apenas reinou por nove anos. Ele garantiu que seu filho e sucessor, Jorge V, estivesse melhor preparado para o trono. Seu corpo está enterrado na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.[88]

Títulos, estilos e brasões[editar | editar código-fonte]

Estilo imperial e real de tratamento de
Eduardo VII do Reino Unido
Estilo imperial Sua Majestade Imperial
Estilo real Sua Majestade
Estilo alternativo Sua Majestade Britânica

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 9 de novembro – 8 de dezembro de 1841: "Sua Alteza Real, o Duque da Cornualha e Rothesay"
  • 8 de dezembro de 1841 – 22 de janeiro de 1901: "Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales"
  • 22 de janeiro de 1901 – 6 de maio de 1910: "Sua Majestade, o Rei"

Como rei era: "Eduardo VII, pela Graça de Deus, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e dos Domínios Britânicos de Além-mar, Rei, Defensor da Fé, Imperador da Índia".[89]

Brasões[editar | editar código-fonte]

Como Príncipe de Gales, Eduardo usava o real brasão de armas do Reino Unido diferenciado por um lambel argente de três pés e um escudo interior com o brasão da Saxônia, representando seu pai. Como rei, ele possuia as armas reais de sua mãe sem diferenciação.[90]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Nascimento Morte Casamento
Alberto Vitor, Duque de Clarence e Avondale 8 de janeiro de 1864 14 de janeiro de 1892 Não se casou.
Jorge V do Reino Unido 3 de junho de 1865 20 de janeiro de 1936 Casou-se com Maria de Teck, com quem teve seis filhos.
Luísa, Princesa Real e Duquesa de Fife 20 de fevereiro de 1867 4 de janeiro de 1931 Casou-se com Alexandre Duff, 1° Duque de Fife, com quem teve três filhos.
Vitória Alexandra do Reino Unido 6 de julho de 1868 3 de dezembro de 1935 Não se casou.
Maud de Gales 26 de novembro de 1869 20 de novembro de 1938 Casou-se com Haakon VII da Noruega, com quem teve um filho.
Alexandre João de Gales 6 de abril de 1871 7 de abril de 1871

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Seus padrinhos foram o rei Frederico Guilherme IV da Prússia, sua tia, a princesa Maria de Württemberg (representada pela duquesa de Kent, avó materna de Eduardo), seu tio-avô, o duque de Cambridge, Carolina Amália de Hesse-Cassel (esposa de seu bisavô, representada pela duquesa de Cambridge), sua tia-avó, a princesa Sofia (representada pela princesa Augusta de Cambridge) e seu tio-avô, o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota. [2]
  2. Uma das bisnetas de Alice Keppel, Camila Parker-Bowles, tornou-se amante e depois esposa de Carlos, Príncipe de Gales, um dos bisnetos de Eduardo.
  3. O primeiro-ministro liberal William Ewart Gladstone lhe enviava documentos secretamente. [9]
  4. Atualmente, diversos autores contestam a causa mortis do consorte da rainha Vitória. Como o príncipe Alberto já estava doente pelo menos dois anos antes de sua morte, especula-se que ele sofria de algum mal crônico, como Doença de Crohn, insuficiência renal ou câncer. Paulley, p. 837-841; Hobhouse, p. 150-151

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bentley-Cranch, Dana. Edward VII: Image of an Era 1841–1910. Londres: Her Majesty's Stationery Office, 1992. ISBN 0-11-290508-0
  • Hattersley, Roy. The Edwardians. Londres: Little, Brown, 2004. ISBN 0-316-72537-4
  • Heffer, Simon. Power and Place: The Political Consequences of King Edward VII. Londres: Weidenfeld & Nicolson, 1998. ISBN 0-297-84220-X
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  • Lee, Sidney. King Edward VII: A Biography. Londres: Macmillan, 1927. vol. 2.
  • Magnus, Philip. King Edward The Seventh. Londres: John Murray, 1964.
  • Middlemas, Keith. In: Fraser, Antonia (ed.). The Life and Times of Edward VII. Londres: Weidenfeld and Nicolson, 1972. ISBN 0-297-83189-5
  • Priestley, J. B.. The Edwardians. Londres: Heinemann, 1970. ISBN 0-434-60332-5
  • Ridley, Jane. Bertie: A Life of Edward VII. Londres: Chatto & Windus, 2012. ISBN 978-0-7011-7614-3
  • Windsor, O Duque de. A King's Story. Londres: Cassell and Co., 1951.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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