Educação financeira

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A educação financeira tem por propósito auxiliar os consumidores na administração dos seus rendimentos, as suas decisões de poupança e investimento, consumir de forma consciente e ajudar a prevenir situações de fraude. Esta educação ganha importância com o aumento progressivo da complexidade dos mercados financeiros e produtos financeiros, e de mudanças demográficas, econômicas e políticas [1] .

Desde o surgimento do sistema capitalista as pessoas tiveram a necessidade de se adaptar ao novo conceito de dinheiro e suas variáveis mais complexas comparativamente aos sistemas anteriores. As novas relações de troca, domínio e poder fundamentaram as bases econômico-sociais vigentes ainda nos dias de hoje[2] .

A educação financeira surge como resposta para orientar a tomada de decisões, informando sobre os serviços financeiros ofertados, sobre necessidades e desejos de consumo, de necessidades de poupança, financiamento e juros, investimentos e rendimentos. Pode ser entendida como o conjunto de informações que auxilia as pessoas a lidarem com a sua renda, com a gestão do dinheiro, com gastos e empréstimos monetários, poupança e investimentos de curto e longo prazo [2] .

A difusão da educação financeira às pessoas impactaria na forma como estas poderiam aproveitar as oportunidades de produtos e serviços ofertados de uma forma consciente.

Educação financeira pessoal[editar | editar código-fonte]

A área de finanças pessoais trata da forma como um indivíduo ou uma família administra sua renda. Diariamente decisões financeiras são tomadas e estas terão impacto na vida pessoal dos indivíduos. O estudo das finanças pessoais envolve conceitos e técnicas fundamentais para a existência de uma gestão eficiente da renda de uma família. A poupança pode produzir uma segurança necessária para a vida do indivíduo, assim como os investimentos de uma pessoa podem ser mais precisos e planejados de acordo com as suas necessidades de curto e longo prazo, resultando em ganhos maiores para a vida financeira das pessoas. Poupar exige o adiamento do consumo presente, visando o consumo de algo maior no futuro. Dois objetivos motivam as pessoas a poupar, sendo um deles a possibilidade de consumir mais em certo tempo e o outro as adversidades causadas pelo envelhecimento e a queda de produtividade para a geração de receitas suficientes para arcar com a despesas.[3] .

Educação financeira no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, as mudanças trazidas principalmente pela estabilização da economia e a queda da inflação alterou a forma como a população lida com seus recursos financeiros. A educação financeira pessoal é fundamental na sociedade brasileira, visto que influencia diretamente as decisões econômicas dos indivíduos e das famílias.[4]

Já pode ser observado o surgimento de iniciativas para a criação de um cenário que possibilite uma maior difusão de informações financeiras para a população. A alfabetização financeira é um processo de educação e de responsabilidade do país, das escolas, do governo e das instituições privadas, envolvendo vários atores sociais. A Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) disponibiliza à sociedade, com o seu Programa Educacional, conceitos sobre o tema educação financeira através de cursos e palestras. Este programa difunde informações a respeito de hábitos de poupança, tipos de investimentos e planejamento de finanças pessoais, além de orientar sobre a importância destes conceitos para o desenvolvimento da economia do país [5] .

O Banco Central do Brasil(BACEN) desenvolveu o Programa de Educação Financeira para orientar melhor as pessoas sobre a importância do planejamento financeiro e também para auxiliar os indivíduos a entender melhor o funcionamento da economia, assim como de seus agentes e instrumentos. O Programa atua em vários níveis para a divulgação de informações financeiras para a sociedade, contendo programas para o ensino Fundamental e Médio, momento importante para a formação adulta [6] .

Educação financeira em Portugal[editar | editar código-fonte]

A Educação Financeira tem crescido de forma significativa em Portugal, depois dos elevados problemas financeiros que o país atravessou, onde podemos destacar o elevado nível de endividamento das famílias e o aumento do crédito mal-parado, que já atingiu 17,8% da população activa do país </ref> Instituto Nacional de Estatística, 2013</ref>.

Está actualmente em estudo um Programa Nacional de Literacia Financeira, estudo liderado pelo Banco de Portugal e pelas principais associações ligadas ao sector financeiro, como a Associação Portuguesa de Bancos e a Associação Portuguesa de Companhias de Seguros, com o apoio de outras entidades relevantes.

Diversas empresas têm avançado com programas de literacia financeira para os seus colaboradores, conscientes dos impactos dos problemas financeiros na produtividade e bem-estar dos seus colaboradores. Destacam-se empresas como a IKEA, a Jerónimo Martins, Novartis, Media Capital, Lease Plan entre muitas outras. Nestas empresas, os programas de literacia são desenvolvidos por entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, das quais se destacam a EFP - Escola de Finanças Pessoais e a DECO, a principal associação de defesa de direitos do consumidor.

Vários autores se destacam no contexto da literacia financeira em Portugal e no Brasil, como João Morais Barbosa, Gustavo Cerbasi ou Pedro Queiroga Carrilho.

Ensino de finanças pessoais[editar | editar código-fonte]

Os participantes no processo de educação financeira são as escolas, as empresas, o governo, as instituições financeiras, e outros, como as organizações não-governamentais. Alguns autores afirmam que se a criança desenvolve os moldes comportamentais e cognitivos antes e durante a escola elementar, a educação financeira deve ocorrer durante os primeiros estágios de desenvolvimento comportamental e cognitivo.[7] Para outros a educação é a grande ferramenta para a redução de desigualdades sociais, evidenciando a importância da educação para o crescimento financeiro de uma pessoa, uma sociedade e um país. É notória esta relação quando se analisa grandes nações que despertaram para o crescimento econômico a partir da educação, o que possibilitou o aumento da renda da sua população.[8]

Referências

  1. OCDE, 2004
  2. a b MATTA, R. O. B. Oferta e demanda de informação financeira pessoal: o programa de educação financeira do banco central do Brasil e os universitários do Distrito Federal. 2007. 214 p. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2007.
  3. HALFELD, M. Investimentos: Como administrar melhor o seu dinheiro. São Paulo: Fundamental Educacional, 2004
  4. SAITTO, A. T. SAVOIA, J. R. F. PETRONI, L. M. A Educação financeira no Brasil sob a ótica da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Rio de Janeiro: RAP, 2007.)
  5. BOVESPA
  6. BACEN
  7. Lucey e Giannangelo, 2006, p 270 apud MATTA, 2007, p. 63
  8. Halfeld (2004. p.19)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]