Edward Schillebeeckx

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Edward Cornelis Florentius Alfonsus Schillebeeckx (Antuérpia, 12 de novembro de 1914Nimega, 23 de Dezembro de 2009) foi um teólogo católico belga. Foi membro da Ordem Dominicana. Seus livros sobre teologia já foram traduzidos em diversas línguas e suas contribuições ao Segundo Concílio do Vaticano o tornaram conhecido mundialmente. É considerado um dos teólogos mais importantes do século XX.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em uma família de 14 irmãos, Schillebeeckx ingressou na Ordem dominicana aos 19 anos. Foi ordenado sacerdote em agosto de 1941. Estudou filosofia em Gante (1935-1938) e Teologia na Universidade Católica da Lovaina (1939-1943). Ampliou seus estudos em Paris entre 1945 e 1946, na Saulchoir, na Universidade de Sorbonne e na École des hautes études en sciences sociales.

Em 1947, iniciou a carreira docente na Universidade Católica da Lovaina, onde lecionou teologia dogmática participando da renovação teológica pós-guerra e contribuindo principalmente em relação à "teologia da cultura". Renovou o pensamento tomista, buscando uma síntese entre a fenomenologia e o tomismo. Permaneceu nesta universidade até 1957. Sua tese de teologia, intitulada De sacrementele heilseconomie (A economia sacramental da salvação) , publicada parcialmente, teve importante repercussão na teologia holandesa e para a renovação da teologia dos sacramentos. Em 1958, assumiu a cátedra de Teologia Dogmática e Histórica da Universidade de Nimega, na Holanda. Seu desenvolvimento acadêmico levou-o a lecionar prioritariamente para alunos de pós-graduação e a atividades de pesquisa teológica. Participou ativamente da vida pastoral da igreja holandesa.

Ganhou projeção internacional e foi convidado para conferências na Europa e Estados Unidos.

Em 1960, ajudou a fundar o Jornal de Teologia, do qual foi editor chefe.

Durante o Concílio Vaticano II, foi conselheiro teológico do Cardeal holandês Alfrink e participou ativamente através de várias conferências aos Bispos, com ampla participação dos mesmos episcopado holandês, trabalhando com os principais renovadores da Teologia Católica.

Em 1965, junto com teólogos ditos progressistas como Yves Congar, Karl Rahner, Johann Baptist Metz, Hans Küng criou a Revista Internacional de Teologia Concilium, editada em oito idiomas, inclusive o português, editada até os dias atuais.

Esta fase de seu pensamento desdobra-se no interesse secularização e a relação Igreja-Mundo. É conhecido pela afirmação: "Fora do mundo não há salvação", em contraste com o aforismo: "Fora da Igreja não há salvação".

Visitou duas vezes os Estados Unidos, entre 1966 e 1967. Ali conheceu teólogos como A. Dulles, H. Cox, Mc Kenzie, C. Smith e diversas Universidades e estudantes. Naquele país confrontou-se com o secularismo radical. Estas experiências o marcaram, gerando uma nova fase de seu pensamento, qie passa a desenvolver-se em torno do interesse hermenêutico-crítico.

Em 1982, afastou-se da cátedra, permanecendo ativo em suas pesquisas e atuante na igreja holandesa.

A partir de 1972 até 1984, sua obra foi marcada pelo interesse cristológico.

Suas obras mais conhecidas são Jesus, a história de um vivente (1974) e Cristo e os Cristãos (1977).

É considerado um dos maiores teólogos do século XX pela amplidão e abrangência de sua obra, pela sua influência e sobretudo por inovar no modo de fazer teologia dogmática, ao incorporar os resultados dos avanços na pesquisa bíblica dos últimos séculos.

Processos na Congregação para a Doutrina da Fé[editar | editar código-fonte]

Em 1968, sua obra foi alvo de um processo da Congregação para a Doutrina da Fé, por sua visão positiva da secularização. Em 1979, seu livro Jesus. A história de um vivente (São Paulo: Paulus, 2008) foi investigado. Em 1981, sofreu novo processo pela obra O mistério eclesial. Nenhum dos três processos resultou em condenação.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]