Edward Soja

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Edward William Soja (Nova York, 1941), é um geógrafo norte-americano. Leciona na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Atua nas áreas de planejamento urbano e regional. Soja é autor de diversos livros sobre o desenvolvimento africano e, mais recentemente, sobre a reestruturação econômica e espacial da região de Los Angeles.

Em uma de suas famosas obras, Geografias Pós-Modernas, faz uma poderosa crítica ao historicismo e a seus efeitos, que restringem a imaginação geográfica, o autor passa pela obra de Foucault, Berger, Giddens, Berman, Jamenson e, sobretudo, Henri Lefebvre, para defender um materialismo histórico e geográfico, um repensar radical da dialética do espaço, do tempo e do ser social.

Edward Soja é um geógrafo americano que leciona Planejamento Urbano na Universidade de Los Angele s. Desenvolve um estudo crítico sobre cidades e regiões. Há 20 anos pesquisa a reestruturação urbana em Los Angeles. Geografias Pós - Modernas, publicado em 1990, faz uma poderosa crítica ao historicismo e a seus efeitos, que restringem a imaginação geográfi ca. O autor passa pela obra de Foucault, Berger, Mandel, Giddens e, sobretudo, Henri Lefbvre, para defender um materialismo histórico e geográfico, um repensar da dialética do espaço, do tempo e do ser social. O tema central é a reafirmação de uma per spectiva espacial crítica na teoria e na análise sociais contemporâneas. Não questiona a importância da história e, sim, o predomínio do historicismo na teoria crítica social que não abriu espaço para uma geografia humana interpretativa. A proposta é cria r modos mais criticamente reveladores de examinar a combinação de tempo e espaço, história e geografia, período e região, sucessão e simultaneidade. Dar um sentido teórico e prático a reestruturação da espacialidade capitalista. A crítica socialista c onsolidou - se em torno do materialismo histórico de Marx formando novas ciências sociais que compreendem o desenvolvimento do capitalismo como um processo histórico e desespacializante. O espaço é tratado como fixo, morto e não - dialético, e o tempo como a riqueza, a vida, a dialética e o contexto revelador da teorização social crítica. A imaginação histórica nunca é desprovida de espaço, mas são sempre o tempo e a história as variáveis importantes nessas geografias. Michel Foucault contribuiu para o de senvolvimento da geografia humana crítica com a noção de heterotopias que são espaços heterogêneos de localizações, relações e representações, pode ser um lugar real e único que justapõe vários espaços. Um jardim é um heterotopia porque é um espaço físico pretendendo ser um microcosmo de ambientes diferentes com plantas de todo o mundo. Para Foucault “ o espaço é fundamental em qualquer forma de vida comunitária; o espaço é fundamental em qualquer exercício de poder”. Ele propõe o elo entre o espaço, o sabe r e o poder. Os textos de John Berger insistem na interseção entre o tempo e o espaço. Ele coloca argumentos que definem a virada pós - moderna contra as determinações históricas e anunciam a necessidade de uma narrativa espacializada em torno do caráte r de simultaneidade versus sequência, espacialidade versus historicidade, e geografia versus biografia. Soja vê a modernização como um processo contínuo de reestruturação societária, periodicamente acelerado para produzir uma recomposição significativ a do espaço - tempo - ser em suas formas concretas, uma mudança da natureza e da experiência da modernidade que decorre da dinâmica histórica e geográfica dos modos de produção. Essa dinâmica foi predominantemente capitalista, tal como o foram a própria nature za e experiência da modernidade. A modernização, como todos os processos sociais, desenvolve - se desigualmente no tempo e no espaço e, desse modo, inscreve geografias históricas bem distintas nas diferentes formações sociais regionais. No livro Tudo qu e é sólido desmancha no ar: a experiência da modernidade Marshall Berman explora as múltiplas reconfigurações da vida social que caracterizaram a geografia histórica do capitalismo no últimos quatrocentos anos. Ele descreve os traços característicos que mo ldam essas experiências de modernidade: • a industrialização da produção, que transforma o conhecimento científico em tecnologia, cria novos ambientes e destrói os antigos, acelera todo o ritmo de vida e gera novas formas de poder empresarial e luta de class es • as imensas revoluções demográficas, que afastam milhões de pessoas de seus habitats ancestrais, lançando - as por meio mundo em direções a vidas novas • o crescimento urbano rápido e, muitas vezes, cataclísmico • os sistemas de desenvolvimento de massa, de desenvolvimento dinâmico, que envolvem e unem os mais diversos povos e sociedades • os Estados nacionais cada vez mais poderosos, burocraticamente estruturados e operados, em luta constante pela expansão de seus poderes • os movimentos sociais de massa do povo e dos povos, contestando seus dirigentes políticos e econômicos e lutando para obter controle sobre sua vida • por fim, conduzindo e impulsionando todas essas pessoas e instituições, o mercado mundial capitalista em permanente expansão e drasticamente oscil ante A reestruturação e a modernização pontuam não apenas a história e a geografia concretas do desenvolvimento capitalista, como marcam também o curso mútavel da teoria social crítica. O modernismo é a resposta cultural, ideológica, reflexiva e form adora de teoria da modernidade. “ O fin de sècle trouxe consigo, portanto, uma cultura recomposta do tempo e do espaço e um teoria social crítica bifurcada, imbuída, em suas duas variações principais, de uma imaginação histórica revigorada. O que nossas hi stórias acumuladas da consciência teórica não nos dizem, entretanto, é que os modernismos que celebraram essa imaginação histórica induziram, simultaneamente, a uma crescente submersão e dissipação da imaginação geográfica, a um virtual aniquilamento do es paço pelo tempo no pensamento e discurso sociais críticos. O triunfo silencioso do historicismo, por sua vez, moldou profundamente a história intelectual do ocidente nos últimos cem anos”. A instrumentalidade do espaço foi cada vez mais perdida de vista no discurso político e prático. Na modernidade foi se moldando um novo arranjo espacial. Em todas as escalas de vida, da global à local, a organização espacial da sociedade foi sendo reestruturada para enfrentar às exigências do capitalismo. Soja d efiniu Henri Lefebvre como o original e mais avançado materialista histórico e geográfico, o precursor da geografia humana crítica pós - moderna. Lefebvre aceita a tese de Marx sobre a primazia da vida material na produção do pensamento e da ação consciente s mas assume postura contrária ao reducionismo dogmático na interpretação de suas teorias. Ele intenciona recontextualizar o marxismo na teoria e na prática. Concentrou a atenção nos traços característicos do capitalismo modernizado, uma “sociedade burocr ática de consumo controlado” e um Estado capitalista com um planejamento espacial instrumentalizado, que penetrou cada vez mais nas práticas da vida cotidiana. Conceitua a urbanização como uma metáfora resumida da espacialização da modernidade e do planeja mento estratégico da vida cotidiana, que haviam permitido ao capitalismo sobreviver, reproduzir com êxito suas relações essenciais de produção. “O espaço não é um reflexo da sociedade, ele é a sociedade. (...) Portanto, as formas espaciais, pelo menos em nos so planeta, hão de ser produzidas, como o são todos os outros objetos, pela ação humana. Hão de expressar e executar os interesses da classe dominante, de acordo com um dado de produção e com um modo específico de desenvolvimento. Hão de expressar e implem entar as relações de poder do Estado numa sociedade historicamente definida. Serão realizadas e moldadas pelo processo de dominação sexual e pela vida familiar imposta pelo Estado. Ao mesmo tempo, as formas espaciais serão marcadas pela resistência das cla sses exploradas, dos sujeitos oprimidos e das mulheres dominadas. E a ação desse processo histórico tão contraditório sobre o espaço será exercida numa forma espacial já herdada, produto da história anterior e sustentáculo de novos interesse, projetos, pro testos e sonhos. Finalmente, de quando em quando, surgirão movimentos sociais para questionar o sentido da estrutura espacial e, por conseguinte, tentar novas funções e novas formas”. Lefebvre lida com a organização do espaço como produto material, como r elação das estruturas sociais e espaciais do urbanismo e com o conteúdo ideológico do espaço socialmente criado. Soja afirma que a estrutura do espaço organizado não é uma estrutura separada, com suas leis autônomas de construção e transformação, ne m tampouco é simplesmente uma expressão da estrutura de classes que emerge das relações sociais de produção. Ela representa um componente dialeticamente definido das relações de produção gerais, relações essas que são simultaneamente, sociais e espaciais. De uma perspectiva materialista ,o que passa a ser importante é a relação entre o espaço criado e organizado e as demais estruturas, dentro de determinado modo de produção. Para se entender a dialética sócio - espacial é preciso reconhecer a organização espacial humana como um produto social. O espaço, na forma física e abstrata, foi conceitualmente incorporado na análise materialista da história e da sociedade. “O espaço em si pode ser primordialmente dado, mas a organização e o sentido do espaço são pr oduto da translação, da transformação e da experiências sociais. (...) O espaço socialmente produzido é uma estrutura criada, comparável a outras construções sociais resultantes da transformação de determinadas condições inerentes ao estar vivo, exatamente d a mesma maneira que a história humana representa uma transformação social do tempo”.

fonte: http://www.central-puc-rio.com.br/wp-content/uploads/2013/05/CID_geografias.pdf