Edy Star

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Edy Star
Informação geral
Nome completo Edivaldo Souza
Também conhecido(a) como Bofélia
Nascimento 10 de Janeiro de 1938 (76 anos)
Origem Salvador, Bahia
País  Brasil
Gênero(s) MPB, bolero, rock and roll, glam rock
Período em atividade 19632007
Página oficial Sweet Edy (blog)

Edy Star, nascido Edivaldo Souza (Juazeiro, 10 de janeiro de 1938) é um cantor, ator, dançarino, produtor teatral e artista plástico brasileiro.[1] Edy foi o primeiro artista brasileiro a revelar sua homossexualidade.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Começou sua carreira artística em Salvador, para onde se mudou ainda bem pequeno. No início dos anos 1960, na capital baiana, já se apresentava cantando nas rádios Sociedade da Bahia e Cultura da Bahia e f foi numa delas que fez amizade com o também baiano Raul Seixas que integrava o grupo Os Panteras.[3] Atualmente, Edy é o único remanescente do grupo intitulado "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista", criado por Raul Seixas, na época produtor da CBS Records.[3]

Aos vinte anos fez um curso na Petrobrás onde chegou a trabalhar, um ano depois foi trabalhar em um circo, nessa época conheceu Caetano Veloso e sua família.[4]

Em 1992 foi para a Madri, na Espanha,[3] onde morou por 18 anos. Lá trabalhou como mestre-de-cerimônias de cabarés.[5]

Foi convidado pela Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo, para apresentar-se na Virada Cultural de São Paulo, em maio de 2009, e por sua performance refazendo todo o disco "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10", foi considerado o Melhor Show do Palco 20 Anos sem Raul.[6]

Encontro com Raul e a Sociedade Kavernista[editar | editar código-fonte]

Paralelamente iniciou sua carreira como cantor nas rádios Sociedade da Bahia e Cultura da Bahia, onde conheceu Raul Seixas. No início, a relação de ambos não era das melhores. Raul era a atração principal da emissora (com seu grupo Os Panteras) e ficou enciumado ao ver o sucesso que Edy fez com sua versão histriônica de um sucesso da época, La Bamba. A presença de palco de Edy conquistou muitos fãs entre os ouvintes e público (os shows eram ao vivo no estúdio da rádio), mas entre eles não estava Raul. No entanto, aos poucos, os dois foram vendo que tinham mais afinidades do que diferenças e a amizade logo se firmou.

Quando Raul foi contratado, em 1970, como produtor musical pela gravadora Columbia (CBS Discos), no Rio de Janeiro, levou Edy com ele. O primeiro trabalho da recém formada parceria foi a gravação de um compacto de Edy (que ainda não havia adotado 'Star' como sobrenome): no lado A, 'Aqui é quente, bicho', composição de Raul especialmente feita para Edy. No lado B, 'Matilda', produzida por Raul.

Em 1971, Raul, Edy, Sérgio Sampaio e Míriam Batucada se juntaram para gravar o disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. O disco, inspirado no Sgt. Pepper's dos The Beatles e no compositor e instrumentistas americano Frank Zappa, foi lançado em setembro e completamente ignorado por público e crítica. Há muitas lendas em torno do disco e uma delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse, e que por esse motivo Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido. “Isso é uma bobagem”, afirmou em entrevista para a revista Outra Coisa (edição de agosto de 2007). “O diretor-presidente entrou de férias e coincidiu. Ele não sabia mas o pessoal todo do estúdio de gravação estava lá, foi um trabalho profissional, não foi feito nas coxas. Infelizmente o disco não teve apoio, divulgação, nada. E também não vendeu, não chamou a atenção nem do público nem da crítica e encalhou nas lojas. Mas isso não foi privilégio nosso. O Araçá Azul, do Caetano, que é uma maravilha, também foi execrado quando foi lançado”, lembra. “E Raul não foi demitido. Tanto que no ano seguinte, em 1972, ele produziu o compacto Diabo no Corpo, de Míriam Batucada. Saiu tempos depois, numa boa, com um bom contrato em outra gravadora (RCA Victor).”

Edy vira Star[editar | editar código-fonte]

Depois da experiência kavernista, Edy passou a cantar em cabarés e boates da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, no período entre 1972 e 1973, adotando o sobrenome 'Star'. O local era ponto habitual de artistas, jornalistas e intelectuais da época, e o show de Edy chamou a atenção da turma d'O Pasquim, que o elevou a condição de pop-star. Passou então a atuar em boates da zona sul carioca (como a badalada Number One) e em teatros de revista, além de temporadas em São Paulo (boate Up's). Foi contratado pela gravadora Som Livre, onde gravou em 1974 o disco Sweet Edy, com composições feitas especialmente para ele por nomes consagrados da música popular brasileira, entre os quais Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Foi contratado também pela Rede Globo de Televisão e participou de programas musicais na extinta Rede Tupi (1973-1976).

Como artista plástico, tem no currículo mais de 30 exposições nos Estados Unidos e Europa, 16 das quais individuais e quatro Bienais. Seu penúltimo catálogo de obras tem prefácio escrito pelo escritor Jorge Amado. Suas obras estão em museus e coleções particulares brasileiras. Como artista plástico, Edy é verbete no Dicionário de Artes Plásticas do Brasil, de Roberto Pontual.

Como cantor de Rock Glam, é verbete da enciclopédia ABZ do Rock Brasileiro, de Marcelo Dolabela (1987).

Frank-n-Furter de Rocky Horror Show[editar | editar código-fonte]

Em 1975, foi convidado pelo produtor Guilherme Araújo (falecido em março de 2007) para fazer o papel de Frank-n-Furter, o cientista transsexual de Rocky Horror Show, na primeira montagem brasileira da peça de Richard O'Brien - realizada no Teatro da Praia, em Ipanema. Jorge Mautner traduziu o texto e foram convidados a participar nomes do rock nacional da época, como Wanderléia, Raul Seixas, Zé Rodrix e outros. Apenas Zé Rodrix vingou no elenco. Edy inicialmente recusou o papel por discordar da tradução sem adaptação para o Brasil das referências a filmes B de terror americanos e também por não gostar da indicação de Rubens Corrêa para a direção da peça. O papel principal ficou com Eduardo Conde. Faziam parte do elenco: Vera Setta, Betina Viana, Wolf Maia, Nildo Parente e Lucélia Santos.

Vinte dias depois da estreia, Conde ficou doente e Guilherme Araújo retomou o contato com Edy para que ele assumisse o papel, com a missão de fazer o público rir - o que não vinha acontecendo. Uma semana depois, Edy assume o personagem de Frank Father e promove muitas improvisações, o que provocou reações contrárias de parte do elenco. Mas o público gostou da mudança e todos aderiram ao clima de chanchada.

Tomou gosto pela produção teatral e na década de 1980 passou a escrever e dirigir peças, como a comédia A Gargalhada do Peru, atuando ao lado de Leda Lúcia e Jorge Lafond em teatros do Rio de Janeiro e norte do país (1986-1988). Uma releitura sua do clássico O Belo Indiferente, de Jean Cocteau o levou em 1992 ao Festival de Teatro en Primavera de Madri, Espanha. Lá foi convidado com seu grupo a participar das comemorações dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992). Decidiu então fixar residência na Espanha, primeiramente na cidade catalã e, depois, em Madri. Em 1995, ganhou os prêmios de Melhor Ator de Teatro Alternativo e de Grupo Revelação, com a peça Un Payaso Perdido en Madrid.

É contratado desde 1992 da 'casa de fiestas' (cabaré) Chelsea, em Madri, como diretor de shows.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 1970 - Compacto (Matilda/Aqui é quente, bicho!)
  • 1971 - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez (com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada)
  • 1973 - Sweet Edy (Disco de Carreia solo)
  • 1975 - Compacto (Baioque)
  • 1975 - Trilha Sonora da Novela "Corrida do Ouro" (Música: A bem da verdade - de Zé Rodrix)
  • 1979 - Zaza Big Circus (Produzido por Zé Rodrix)
  • 2011 - Carrossel de Baco (Participação na Faixa 2)
  • 2012 - 100 anos de Gonzagão (Canta 3 músicas no disco)

Referências

  1. Dicionário Cravo Albin de MPB, Edy Star
  2. SESC, Programação - Bate-papo com Edy Star
  3. a b c Portal do envelhecimento, aria Lígia Mathias Pagenotto, A eterna irreverência de Edy Star, parceiro de Raul Seixas na Sociedade Kavernista, 31/08/2011
  4. Revista Trip, Millos Kaiser – O primeiro gay a gente nunca esquece, ISSN, 1414350X. p. 121–125.
  5. Estadão.com, Edmundo Leite, Edy Star tem seu único disco relançado, 3 de fevereiro de 2012
  6. Estadão.com, Edmundo Leite, Edy Star proporciona momento histórico aos fãs de Raul Seixas, 4 de maio de 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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