Egito (província romana)

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Egito
REmpire-Aegyptus.png
Localização da província (em destaque) no Império Romano.
Anexada em: 30 a.C.
Imperador romano: César Augusto
Capital: Alexandria
Fronteiras (províncias): Oeste: Cirenaica
Este: Arábia Pétrea
Correspondência actual: Actual Egipto, à excepção da península Sinai.

A Província do Egito foi o nome concebido ao Egito durante o período que foi província romana, a partir da conquista do antigo Egito ptolemaico, no ano de 30 a.C., após a derrota de Marco Antônio e da rainha Ptolomaica Cleópatra VII por Otaviano (posteriormente Imperador Augusto) na Batalha de Áccio,1 até o ano de 616, em que o rei sassânida Khosrow II conquistou o Egito,2 cujo controle seria retomado pelos bizantinos em 628 sob o imperador Heráclio.3

Índice

Concepção histórica [editar]

Em 312 a.C., Ptolomeu I do Egito capturou Jerusalém, e Judá tornou-se uma província do Egito ptolemaico até 198 a.C. Daí, na longa contenda com o Império Selêucida, na Síria, o Egito finalmente perdeu o controlo da Palestina quando o rei sírio Antíoco III derrotou o exército de Ptolomeu V.

Depois disso, o Egipto gradualmente caiu sob a influência do Império Romano. Em 31 a.C., na Batalha de Áccio, Cleópatra desertou a esquadra de Marco António, seu amante romano, que foi derrotado por Otávio, sobrinho-neto de Júlio César. Otávio passou a conquistar o Egipto em 30 a.C., e o Egipto tornou-se uma província romana.1 Na tradição cristã, foi para esta província romana que José e Maria fugiram com o menino Jesus, a fim de escapar do decreto assassino de Herodes, só voltando depois da morte de Herodes.4

Roma apoderou-se do Egipto e por isso este perdeu a independência de que sempre usufruíra, apesar de ser governado por reis estrangeiros, como foi o caso do anterior período. O Egipto era um trunfo muito especial para o imperador, pois era um país cheio de prestígio, fácil de defender e fornecia o trigo necessário a Roma.

Quem passou a governar o Egipto foi o imperador, que adopta o estatuto de descendente dos faraós, como já tinham feito os soberanos lágidas. Devido à impossibilidade de o imperador estar presente no território, fazia-se representar por um prefeito da ordem equestre, da sua confiança, instituído de amplos poderes administrativos, jurídicos e militares.

O sistema de administração local e regional não foi muito modificado, pois a divisão administrativa em nomos do período anterior continuou a vigorar, permanecendo a circunscrição fiscal fundamental, mas agora sob o governo de cavaleiros romanos.

O regime agrário também não se modificou: as terras reais e sagradas tornaram-se terras imperiais e mesmo as terras de proprietários privados eram controladas pelo imperador. Muitas delas foram sujeitas a confiscações. Para além do grande domínio sobre este sector da economia, o imperador ainda tinha o monopólio sobre as minas, as salinas e a produção de papiros. Sob o governo romano, o Egipto foi pesadamente explorado, através da enorme quantidade de regras e impostos. Por exemplo, os indígenas, tal como os escravos e os animais domésticos, eram obrigados a pagar um imposto; os artesãos pagavam uma taxa, os sacerdotes pagavam para poder ter acesso ao sacerdócio. Também recaíam taxas sobre os médicos, os mercadores, os guardas, e não raras vezes eram lançados impostos extraordinários. Naturalmente que esta carga contributiva provocou variadas revoltas entre os que eram directamente afectados.

As diversas etnias presentes no território mantiveram os seus costumes, língua e religião. Os Romanos representavam uma parte muito pequena da população, composta por Macedónios que mantinham uma posição confortável, por Alexandrinos com privilégios que se estendiam à partilha de cargos administrativos com os Romanos, por persas também detentores de prestígio e finalmente por Egípcios que demonstram uma cultura helenizada e beneficiavam de certas regalias, embora não tão bem aceites como os restantes, facto que se poderá comprovar pela restrição máxima de casamentos entre Romanos e Egípcios. Os escravos eram mantidos numa posição muito baixa.

Durante a dominação romana manteve-se a dualidade de cultos: os gregos adoptaram um culto imperial muito semelhante ao que era praticado no período ptolemaico e os Egípcios continuavam ligados aos seus cultos tradicionais.

A cultura helenística ainda era predominante, no entanto verificou-se uma decadência artística. Apesar desta abertura aos gregos e aos indígenas, exceptuando os Alexandrinos, era-lhes vedada a possibilidade de se tornarem cidadãos romanos.

Foi toda esta diversidade que tornou o Egipto um país tão exótico, marcado pela convivência nem sempre pacífica dos vários povos que o habitaram. O período romano foi a última etapa de uma história grandiosa.

Era bizantina [editar]

Depois da divisão do império em 395, o Egito passou ao domínio do imperador bizantino. Em Alexandria, existia o patriarcado da Igreja que era um dos cinco principais (os outros eram: Antioquia, Constantinopla, Jerusalém e Roma) e que exercia grande poder sobre a Igreja Copta. Em 610, os persas sassânidas invadiram o Egito, mas o imperador Heráclio recuperou-o em 630.2 Entretanto, os árabes sarracenos conquistaram o Egito em 641 após um cerco em Alexandria, obrigando o patriarca Ciro a se render. A população recebeu os árabes invasores considerando-os como libertadores da opressão exercida pelo Império Bizantino.[carece de fontes?]

Ver também [editar]

Referências

  1. a b Salles 2008, pp. 34-35
  2. a b Gibbon 1998, pp. 777
  3. Haldon 1997, pp. 49-50
  4. Mateus 2:13-15

Bibliografia [editar]

  • Haldon, John. Byzantium in the Seventh Century: the Transformation of a Culture. [S.l.: s.n.], 1997. ISBN 052131917X
  • Gibbon, Edward. Decline & Fall of the Roman Empire. [S.l.: s.n.], 1998. ISBN 1853264997
  • Salles, Catherine. Larousse das Civilização Antigas: Vol. I Dos faraós à fundação de Roma. São Paulo: Larousse do Brasil, 2008. ISBN 978-85-7635-443-7