Egito e as armas de destruição em massa

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Egito tinha um histórico de armas de destruição em massa e foi um dos poucos países que usaram armas químicas após a Primeira Guerra Mundial, durante a Guerra Civil do Iêmen do Norte. Embora tenha assinado o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, continua a ser um dos quatro únicos países a não assinar a Convenção sobre as Armas Químicas e ainda não ratificou a Convenção sobre as Armas Biológicas.

Programa de Armas Químicas[editar | editar código-fonte]

Programa de armas químicas do Egito é uma das mais desenvolvida da sua busca de desenvolver um programa de armas de destruição em massa, embora acredita-se que este atingiu o seu auge na década de 60. Também é um dos poucos países a ter usado armas químicas desde a Primeira Guerra Mundial, durante a Guerra Civil do Iêmen. Foi durante a Guerra Civil do Iêmen quando o fosgênio e o gás mostarda foram usados contra as forças monarquistas e civis no Norte do Iêmen.[1]

Egito tem mantido uma política de não assinar a Convenção sobre as Armas Químicas, até que as questões relacionadas com o programa de armas nucleares de Israel forrem respondidas.[2]

Uso de Armas Químicas Durante a Guerra Civil do Iêmen[editar | editar código-fonte]

Hospital da Cruz Vermelha Internacional em Uqd.

O primeiro uso de gás ocorreu em 8 de junho de 1963 contra Kawma, uma aldeia com cerca de 100 habitantes no norte do Iêmen, matando cerca de 7 pessoas e danos aos olhos e pulmões de outros 25.[3] Este incidente é considerado ter sido experimental, e as bombas foram descritas como "caseiras, amadoras e relativamente ineficaz". As autoridades egípcias sugeriram que os incidentes relatados foram provavelmente causados ​​por napalm, não por gás. A ministra das Relações Exteriores de Israel, Golda Meir, sugeriu em uma entrevista que Nasser não hesitaria em usar gás contra Israel também.[4] Não houve relatos de gás durante 1964, e apenas alguns foram relatados em 1965. Os relatos cresceram mais frequentemente no final de 1966. Em 11 de dezembro de 1966, 15 bombas de gás mataram duas pessoas e feriram outras 35. Em 5 de janeiro de 1967, o maior ataque a gás veio contra a aldeia de Kitaf, causando 270 feridos, incluindo 140 mortos.[5] O alvo pode ter sido o príncipe Hassan bin Yahya, que havia instalado seu quartel-general nas proximidades.[6] O governo egípcio negou o uso de gás venenoso, e alegou que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos estavam usando os relatórios como guerra psicológica contra o Egito. Em 12 de fevereiro de 1967, disse que gostaria de receber uma investigação da ONU. Em 1 de março, U Thant disse que ele era "impotente" para lidar com o assunto.[7]

Em 10 de maio, as aldeias vizinhas de Gahar e Gadafa em Wadi Hirran, onde o príncipe Mohamed bin Mohsin estava no comando, foram bombardeadas por gás, matando pelo menos 75.[8] A Cruz Vermelha foi alertada e em 2 de junho, e emitiu uma declaração em Genebra expressando preocupação.[9] O Instituto de Medicina Forense da Universidade de Berna fez uma declaração, com base em um relatório da Cruz Vermelha, que o gás era provável que tenha sido derivados de halogênio - fosgênio, gás mostarda, lewisite, cloreto ou brometo de cianogênio.[10] Os ataques com gás pararam por três semanas após a Guerra dos Seis Dias de junho, mas foi retomado em julho, contra todas as partes dos monarquistas do Iêmen.[11] Estimativa de baixas variam, e uma suposição, considerada conservadora é que o gás mostarda e as bombas aéreas cheias de fosgênio causaram cerca de 1.500 mortos e 1.500 feridos.[5]

Programa de Armas Nucleares[editar | editar código-fonte]

Egito não é conhecido por ter prosseguido um programa de armas nucleares dedicado desde a sua independência. Começa seu programa nuclear em 1954, que se expandiu para incluir o reator nuclear russo A 2MW que foi aberto pelo presidente Gamal Abdel Nasser em Inchass em 1961. O desenvolvimento de seu programa nuclear foi interrompido em 1967, após sua derrota na Guerra dos Seis Dias.[2]

Egito assinou o TNP em 1968 que, posteriormente, ratificou em 1981. Tem trabalhado desde 1974 para tornar o Oriente Médio uma Zona Livre de Armas Nucleares.

Programa de Armas Biológicas[editar | editar código-fonte]

Egito assinou a Convenção sobre as Armas Biológicas e Tóxicas em 10 de abril de 1972, mas ainda não o ratificou.

Antes de assinar a Convenção o Presidente Anwar Al Sadat, do Egito fez o seguinte comentário a uma pergunta sobre Israel e que eles deveriam usar armas biológicas.

"A única resposta a guerra biológica é que nós também devemos usar a guerra biológica. Acredito que a densidade da população de Israel confinada numa pequena área proporcionaria a oportunidade para responder com a mesma arma, se deve começar a utilizá-lo. Resumidamente, temos os instrumentos de guerra biológica nos frigoríficos e não vamos usá-los, a menos que comecem a usá-los."[12]

Referências

  1. http://www.nti.org/country-profiles/egypt/
  2. a b http://www.fas.org/nuke/guide/egypt/cw/
  3. Schmidt (1968), p. 257
  4. Schmidt (1968), p. 259
  5. a b Egypt Profile: Chemical Overview NTI. (agosto de 2013). Página visitada em 22 de novembro de 2013.
  6. Schmidt (1968), p. 260
  7. Schmidt (1968), p. 263
  8. Schmidt (1968), p. 264
  9. Schmidt (1968), p. 265
  10. Schmidt (1968), p. 267
  11. Schmidt (1968), p. 268
  12. Julian Perry Robinson, The Problem of Chemical and Biological Warfare: Volume II: CB Weapons Today (Stockholm, SIPRI, 1973), p. 241.