El Aquelarre

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El Aquelarre
(O grande Bode)
Autor Francisco de Goya
Data 1819-1823
Técnica Óleo sobre reboco trasladado para tela
Dimensões 140 cm × 438 cm
Localização Museu do Prado, Madrid

O quadro El Aquelarre, ou El Gran Cabrón ("O grande Bode")[1] é uma do conjunto das pinturas a óleo chamadas Pinturas Negras com as quais Francisco de Goya decorou os muros da sua casa, chamada a Quinta del Sordo. A série foi pintada entre 1819 e 1823.

Esta obra, junto com o restante das "Pinturas Negras" foi trasladada de reboco para tela em 1874-1875 por Salvador Martínez Cubells, por encomenda de Émile d'Erlanger,[2] um banqueiro francês, de origem alemã, que tinha intenção de vendê-las na Exposição Universal de Paris de 1878. Contudo, as obras não atraíram compradores, e ele próprio as doou, em 1881, ao Museu do Prado, onde atualmente se expõem.

Análise do quadro[editar | editar código-fonte]

Fotografia do Aquelarre (1874) de J. Laurent (1816-1886) que testemunha o seu estado na situação original na Quinta del Sordo, na qual se apreça à direita o fragmento que não se conserva atualmente.
Detalhe em 1874. O sinal que indica "Museo del Prado" foi adicionada ao negativo sobre o ano de 1890, pelos sucessores de Laurent.

Esta pintura decorava o lado Sul do piso térreo da casa de Goya (a Quinta del Sordo). Após o seu traslado, a tela perdeu parte do seu comprimento pelo lado direito, a partir da mulher sentada na cadeira, pelo qual o eixo de simetria ficou deslocado respeito do original (o eixo de simetria que seria a mulher da saia preta e lenço branco, a cujos lados se mostram equidistantes as duas manchas pretas do bode ou Satanás e a mulher da cadeira). Assim, o grupo de bruxas fica descompensado num volume uniforme sem o espaço que ficava vazio à direita.

Era o Aquelarre o motivo central da sala, enchendo a tela inteira do lado Sul entre duas pequenas janelas. Defronte figurava um óleo de similar formato: "A romaria de Santo Isidro".

Os personagens principais (a mulher sentada na cadeira e o Cabrão) têm o rosto oculto. De acordo com a interpretação de Nigel Glendinning, o Cabrão (="bode"), que representa o demônio e tem a boca aberta, estaria dirigindo a palavra à jovem, que pelo jeito está sendo postulada para bruxa. O restante das figuras, além disso, olham para o Cabrão, pelo qual parecem escutar as suas palavras, exceto a que aparece de costas em primeiro término, com mantela de noviça, que olha para a jovem.

Todas as figuras têm aspeto grotesco e seus rostos são fortemente caricaturados, até ao ponto de animalizar os seus traços. Por outro lado, a paleta é, como em todas as pinturas negras, muito obscura, com abundante uso da cor negra. Algumas manchas de branco muito veladas transluzem sombras também obscuras, e o restante da gama vai dos amarelos e ocres até as terras vermelhas com alguma pincelada a manchas azuis.

A aplicação da pintura é muito solta, grossa e rápida, buscando uma contemplação afastada. Contudo, aparecem linhas mais finas que contorneiam as silhuetas. Todos estes traços dotam o conjunto de uma atmosfera de pesadelo, de ritual ou cerimônia satânica, como corresponde ao tema.

Este tema já fora tratado por Goya em 1797-1798, num quadro de pequenas dimensões que fazia parte de uma série destinada a decorar o palácio da finca de recreio do Duque de Osuna e cujo título era também El Aquelarre.

Referências

  1. Foram variadas as propostas de título para esta pintura. A mais antiga, "O grande Cabrão", é a do inventário que Antonio Brugada realizou após a morte de Goya. Outras variadas propostas para o título foram postuladas pela crítica, sendo preferida em nossos dias a de El Aquelarre, do Conde de la Viñaza:
    Após a morte de Goya, Antonio Brugada realizara um inventário destas obras e propusera uma série de nomes para cada uma delas, nomes que, em alguns casos, foram completados ou cambiados posteriormente pela crítica especializada. Brugada intitulou esta pintura El gran Cabrón ("O grande Bode"), mas também é conhecida como Reunião de bruxas (Imbert), Cena sabática (Sánchez Cantón) ou El Aquelarre (Viñaza).
  2. Cfr. Valeriano Bozal (2005), vol. 2, p. 247:
    Cquote1.svg Salvador Martínez Cubells (1842 - 1914), restaurador do Museu do Prado e acadêmico de número da Real Academia de Bellas Artes de São Fernando, trasladou as pinturas a tela por encomenda do que naquele momento (1873) era o proprietário da quinta, o barão Fréderic Emile d'Erlanger (1832 - 1911). Martínez Cubells realizou este trabalho ajudado pelos seus irmãos Enrique e Francisco (...) Cquote2.svg

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BOZAL, Valeriano, Francisco Goya, vida e obra, (2 vols.) Madrid, Tf. Editores, 2005. ISBN 84-96209-39-3.
  • GLENDINNING, Nigel, Francisco de Goya, Madrid, Cuadernos de Historia 16 (col. «El arte y sus creadores», nº 30), 1993, pág. 145.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]