Eldorado dos Carajás

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Município de Eldorado dos Carajás
"100"
"Eldorado"
Praça no canteiro central da rodovia PA-275 em Eldorado.

Praça no canteiro central da rodovia PA-275 em Eldorado.
Bandeira de Eldorado dos Carajás
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 13 de dezembro
Fundação 2 de maio de 1980 (34 anos)
Emancipação 13 de dezembro de 1991 (22 anos)
Gentílico eldoradense
Prefeito(a) Divino Alves Campos (PPS)
(2013–2016)
Localização
Localização de Eldorado dos Carajás
Localização de Eldorado dos Carajás no Pará
Eldorado dos Carajás está localizado em: Brasil
Eldorado dos Carajás
Localização de Eldorado dos Carajás no Brasil
06° 06' 14" S 49° 21' 18" O06° 06' 14" S 49° 21' 18" O
Unidade federativa  Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008 [1]
Microrregião Parauapebas IBGE/2008 [1]
Distância até a capital 600 km
Características geográficas
Área 2 956,708 km² [2]
População 32 115 hab. IBGE/2012[3]
Densidade 10,86 hab./km²
Altitude 140 m
Clima Tropical semiúmido (Aw/As)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,56 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 199 893,500 mil IDESP/2010[5]
PIB per capita R$ 6 296,83 IDESP/2010[5]
Página oficial

Eldorado dos Carajás é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se a uma latitude 06º06'15" sul e a uma longitude 49º21'19" oeste, estando a uma altitude de 140 metros. Sua população estimada em 2012 era de 32.115 habitantes.

O município é lembrado pelo massacre que ocorreu em 1996, quando 19 sem-terra foram assassinados por tropas da Polícia Militar do Estado do Pará.

Etmologia[editar | editar código-fonte]

O nome Eldorado foi escolhido por representar o boom mineral que a região onde está o município vivenciava nos primeiros anos de sua formação. Se relaciona com a antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Américas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis. O imaginário popular dos primeiros habitantes de Eldorado dos Carajás refletia a busca pela "cidade perdida" pelas "montanhas de ouro". O termo Eldorado (El Dorado em castelhano) significa "O homem dourado".

O complemento ao primeiro nome, "Carajás", existe em função da proximidade do município com o grande complexo geológico regional: a Serra dos Carajás. A influência dos projetos mineralógicos desenvolvidos no maciço da Serra dos Carajás acabou se encerrando no próprio nome do município. O termo Carajás (Karajá em ), "Kara" brilhante e "Já" céu, significa basicamente "estrela".

História[editar | editar código-fonte]

Eldorado dos Carajás, assim como praticamente todos os município da região Sul do Pará, teve sua origem ligada aos grandes projetos minerais. Desde o início da década de 1970 a região de Eldorado vivencia o Projeto Grande Carajás que preveu desde a instalação de uma infraestrutura para extração do minério da Província Mineral do Carajás, a alojamento do pessoal, condições logísticas, indústrias de beneficiamento mineral, matriz energética, infraestrutura urbana e comercial, e cadeia produtiva local para abastecimento do projeto. Eldorado portanto, se inseria nesta última categoria do projeto, pois além de cumprir com um dos grandes objetivos do governo militar que era "promover a ocupação de vazios demográficos", também permitia a instalação de uma colonização de caráter agrícola que viria resolver dois problemas cruciais: migração da mão-de-obra e a produção local.[6] Portanto a colonização da Gleba Abaeté oferecia todas as condições para que pudesse ser realizada com êxito.[7]

Colonização[editar | editar código-fonte]

Praça no canteiro central da rodovia PA-275 em Eldorado.

Eldorado dos Carajás originou-se de um empreendimento particular, a Fazenda/Gleba Abaeté, de propriedade de Geraldo Mendonça. O empreendimento foi implantado dentro das terras do município de Marabá. Os primeiros colonos da Gleba Abaeté foram Manoel Alves da Costa que se instalou no local em 2 de maio de 1980, logo depois chegando José Leandro e Cícero Tiago da Silva, todos com suas respectivas famílias. Outros colonos chegaram ao local atraídos pela implantação do Projeto Grande Carajás e, posteriormente, pelo advento do garimpo de Serra Pelada. O somatório desses fatores e o consequente desenvolvimento que eles trouxeram para o empreendimento, contribuíram para que ele se transformasse numa das localidades mais importantes do município de Marabá, passando a ser conhecida já com o nome de Eldorado dos Carajás.[7]

Conforme novos colonos chegavam, a importância da localidade de Eldorado dos Carajás crescia. Em 1987 Eldorado foi elevado a categoria de distrito do município de Marabá, que permitiu a instalação de uma subprefeitura em 1989 já como município de Curionópolis.[8] [6] Neste período também ocorreu o primeiro grande boom populacional local, graças principalmente ao florescer das atividades de extração madeireira e criação de bovinos para corte e leite.[7]

Emancipação[editar | editar código-fonte]

Quando Marabá teve sua área territorial desmembrada para constituir o município de Curionópolis, segundo a Lei nº 5.444, de 10 de maio de 1988, havia uma expectativa e interesse muito grande da população local que a sede do novo município fosse instalada em Eldorado dos Carajás. Por razões técnicas diversas Eldorado perdeu o pleito para Curionópolis, pois a urbe adversária se encontrava melhor assistida de infraestrutura e estava geograficamente mais ao centro do município e próxima das áreas mineradoras.[7]

A primeira mobilização popular para emancipação de Eldorado culminou com a elaboração de um abaixo-assinado pela impugnação do desmembramento de Curionópolis, uma vez que também haviam demandas contra a desvinculação da localidade de Eldorado daquele município, caso o primeiro viesse a ganhar autonomia municipal.[7]

Os trâmites legais para a emancipação de Eldorado dos Carajás iniciaram-se no dia 18 de março de 1987, pelo ofício 05/87, do deputado Giovanni Queiroz ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Mariuadir Santos, encaminhando o abaixo-assinado dos eleitores residentes e domiciliados no então povoado de Eldorado, requerendo a instalação do processo de emancipação político-administrativa.

Cumpridas as formalidades legais, o TRE-PA fixou a data do plebiscito, que foi realizado no dia 28 de abril de 1991, oportunidade em que a população se manifestou favorável ao desmembramento da localidade de Eldorado do município de Curionópolis. Do total de 1.415 eleitores que compareceram ao pleito eleitoral, 1.323 votaram sim e 30 votaram não, além de 58 votos em branco e 4 nulos. Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jader Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de Eldorado dos Carajás, com área desmembrada do município de Curionópolis.

O Massacre[editar | editar código-fonte]

Em 17 de abril de 1996, em meio ás tensões agrárias desencadeadas pelo coordenação desordenada do processo de reforma agrária pelo Estado brasileiro e pela concentração de terras e riqueza nas mãos de poucos (formação de grandes latifúndios) no sudeste do Pará, aconteceu o fato mais inglório da história de Eldorado. Após o bloqueio da rodovia PA-150 (hoje trecho da BR-155), em protesto contra o processo de reintegração de posse de uma propriedade localizada próximo ao trecho rodoviário conhecido como "curva-do-S", 19 Trabalhadores Rurais Sem-Terra foram mortos em confronto com a polícia, após ordem de uso de força dada pelo governador do estado do Pará, Almir Gabriel. Desde o acontecido, o nome do município é sempre lembrado pela luta pela posse de terra e reforma agrária no mundo.[9]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Eldorado dos Carajás, localizado na mesorregião do Sudeste Paraense e na Microrregião de Parauapebas, teve sua área desmembrada do município de Curionópolis, pela lei estadual nº5.687, de 13 de dezembro de 1991.[10] Possui uma área territorial de 2.956,708 km² e uma população estimada em 32.115 segundo o IBGE/2012, o que lhe confere uma densidade demográfica de 10,86 hab/km².[3]

Limita-se ao norte com o município de Marabá, ao sul com o município de Xinguara, a leste com os municípios de São Geraldo do Araguaia e Piçarra, e a oeste com o município de Curionópolis. Possui as seguintes coordenadas: 06º 06’ 12’’ de latitude sul, e 49º 22’ 18’’ de latitude oeste de greenwich.[11]

O clima do município está inserido na categoria AS. Possui uma temperatura anual média de 26,3ºc, apresentando média máxima em torno de 32,0ºc e mínima de 22,7ºc. A umidade relativa é elevada, sendo a média real de 78%. O período chuvoso ocorre nitidamente de novembro a maio, e o mais seco de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2.000 mm³.[11]

Os solos predominantes no município são o podzóico vermelho-amarelo, litóficos, cambissolosos e latossolo vermelho-amarelo. Ocorrem ainda solos litóficos e afloramentos rochosos em associação. O relevo mostra-se relativamente movimentado, com a presença de chapadas em áreas sedimentares, pediplanos em áreas cristalinas, baixos terraços e várzeas.[11]

A vegetação é formada por floresta densa em relevo aplanado e em relevo acidentado, floresta aberta mista e floresta aberta latifoliada. Nas áreas desmatadas foram plantadas pastagens destinadas a atividade pecuária, e ao longo das margens dos rios e ribeirões encontram-se pequenas faixas de floresta de galeria.[11]

Destacam-se na hidrografia do município os médios cursos dos rios Vermelho e Sororó, considerados afluentes dos Itacauinas pela margem direita.[11]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. a b Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1º de julho de 2012. Estimativa Populacional para 2012. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2012). Página visitada em 16 de janeiro de 2013.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 22 de setembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios do estado do Pará - 2010. Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Página visitada em 13 de março de 2012.
  6. a b Comissão Pastoral da Terra. Relatório do fórum comunitário de Eldorado do Carajás. Goiânia: [s.n.], 1992.
  7. a b c d e Governo do estado do Pará. Eldorado do Carajás. 30 ed. Belém: SEPLAN, 1993. 28 p.
  8. Natron Consultoria e Projetos. Relatório final de infraestrutura urbana – Eldorado. 22 ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 1988.
  9. O Massacre de Eldorado dos Carajás em 50 fotos - UOL Notícias
  10. Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Curionópolis. 3 ed. Belém: IDESP, 1990.
  11. a b c d e Coordenadoria de recursos naturais do IDESP. Informações fisiográficas do município de Eldorado do Carajás. Belém: IDESP, 1992.
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