Elefante-marinho-do-sul

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Macho

Macho
Fêmea
Fêmea
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Carnivora
Superfamília: Pinnipedia
Família: Phocidae
Género: Mirounga
Espécie: M. leonina
Nome binomial
Mirounga leonina
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Southern Elephant Seal area.png

O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) é a maior das focas. Ele é encontrado no Hemisfério Sul e desde a Antártida até o sul de outros continentes. Reproduz em terra nas praias de ilhas subantárticas.

Estudos feitos a partir de imagens de satélite revelaram sua habilidade extraordinária como viajante oceânico e mergulhador.

Foi caçado intensamente ao longo do século XIX e em menor escala no século XX[1] . Ameaçado de extinção, os efeitos negativos foram parcialmente sanados, mas as flutuações populacionais ainda não foram devidamente explicadas.

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Parente próximo da espécie norte-americana (Mirounga angustirostris), o elefante-marinho-do-sul se difere por ter um corpo menos compacto e por um focinho mais largo.

O dimorfismo sexual é muito marcante: os machos são de 3 a 4 vezes maiores que as fêmeas. Os maiores podem pesar até 4 toneladas e medir mais de 6 metros[2] , mas, geralmente, os machos têm cerca de 2 toneladas e 4 metros, ao passo que as médias das fêmeas são de 500 kg e 2,70m.

As narinas se desenvolvem entre os machos dominantes na forma de trompas, uma particularidade que dá origem ao nome elefante-marinho[1] . Esta trompa (ou probóscide) fica evidente e se expande para formar uma caixa de ressonância quando o animal se irrita ou ruge para afirmar sua autoridade.

Os olhos são grandes, redondos e negros. O tamanho dos olhos gera uma grande concentração de pigmentos adaptados a favorecer a visão ou favorecer a luminosidade, tornado possível indicar os melhores caminhos para a captura de presas em profundidade.

Como todas as focas, os elefantes-marinhos têm os membros posteriores atrofiados e as extremidades são desenvolvidas para formar a nadadeira caudal. Cada um dos "pés" pode ser bem diferenciado e pode se desdobrar para mostrar os cinco dedos de sua palmura, uma membrana dupla, muito ágil, que facilita a propulsão aquática. O animal a utiliza geralmente em posição vertical, da mesma forma que os peixes. As nadadeiras peitorais são, ao contrário, pouco empregadas para o nado.

Os membros posteriores se tornaram impróprios a locomoção em terra e, por isso, os elefantes-marinhos utilizam os membros anteriores, que são nadadeiras bem desenvolvidas, para a locomoção sobre as praias, que lhes permitem se arrastar com mais mobilidade e são indispensáveis para a sua sobrevivência.

Os membros anteriores são capazes de favorecer desde curtas distâncias a movimentos rápidos, de forma a chegar ao mar, atrair as fêmeas ou de espantar os intrusos. O deslocamento em terra pode chegar a 8 km/h.[3]

Os filhotes nascem como uma pelagem própria, o lanugo, inteiramente preta[4] , que não é adaptada à água, mas que tem uma densidade suficiente para protegê-los do frio e do meio ambiente. A transformação da voz acompanha o desmame.

A cor das pelagens é mantida ao longo de suas vidas, sendo raras as alterações para cores como o cinza ou marrom, e acontecem de acordo com a espessura e umidade dos pêlos. Entre os machos mais velhos, adquire um aspecto de pele descolorida e várias cicatrizes geradas pelos combates com rivais.

Os elefantes-marinhos ficam corpulentos, o que os protege do frio e constitui também uma forma de sobrevivência ao ser uma forma de reserva energética ao longo de deslocamentos oceânicos ou períodos em terra.

Elefante-marinho-do-sul jovem. Em detalhe, os "bigodes sensíveis"

As reservas de gordura variam conforme a estação climática e a idade fisiológica do animal. Elas podem caracterizar a insuficiência de recursos alimentares e influem sobre a capacidade de flutuabilidade de um indivíduo (os mais pesados tendem a voltar à superfície e os mais magros tendem a afundar).

A camada de gordura pode passar dez centímetros, um convite aos caçadores de focas em busca desse óleo.

Assim como as demais focas, os elefantes-marinhos têm uma circulação sanguínea adaptada ao frio. A particularidade é que a circulação é feita sobre a derme por uma mistura de pequenas veias em torno de artérias, o que reduz as perdas de calor. Esta estrutura é particularmente presente em lugares menos isolados do corpo, como as partes posteriores.

Como vários outros membros da ordem dos carnívoros, os elefantes-marinhos têm "bigodes" sensíveis, as vibrissas. Eles permitem perceber as vibrações da água ou mesmo indicar áreas mais sombreadas e onde há mais visibilidade.

População[editar | editar código-fonte]

Elefantes-marinhos-do-sul na Antártida

A população mundial compreende de 600 mil[5] a 740 mil[6] animais.

Os estudos que mapeiam populações do elefante-marinho-do-sul mostram populações diferentes em diferentes áreas geográficas e em cada um dos três oceanos.[7]

As subpopulações mais importantes são as do Atlântico Sul que envolvem 400 mil indivíduos, sendo que 350 mil se reproduzem na Geórgia do Sul. Outras colônias estão situadas nas Ilhas Malvinas até a Península Valdés na Patagônia argentina; Ilhas Sandwich do Sul, Ilhas Órcades do Sul, Ilhas Shetland do Sul, Ilha Bouvet e na Ilha de Gonçalo Álvares (do grupo da Ilha de Tristão da Cunha).

A segunda subpopulação, do sul do Oceano Índico, compreende no máximo 200 mil indivíduos, dos quais três quartos estão nas Ilhas Kerguelen e o restante nas ilhas Crozet, Marion (na África do Sul), Ilha do Príncipe Eduardo e Heard. Outros ainda se reproduzem na Ilha de Amsterdã.

A terceira subpopulação, de cerca de 75 mil elefantes-marinhos, é encontrada nas ilhas subantárticas do Oceano Pacífico ao sul da Tasmânia e Nova Zelândia, principalmente na Ilha Macquarie.

Outras colônias podem existir na Tasmânia, Santa Helena (território) e no Arquipélago Juan Fernández[8] , no Chile.

Alguns indivíduos isolados da espécie chegam ao Brasil[2] , África do Sul e Austrália. Outros também são encontrados nas Ilhas Maurício e nas Ilhas Reunião[9] [10] .

Wikispecies
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Elefante marinho

Referências

  1. a b Institut polaire français - Paul Émile Victor. L'éléphant de mer austral, acesso em 27 de maio de 2010
  2. a b Parajara, Fabiana. (19 de junho de 2007). Elefante-marinho de 3ton aparece em Ubatuba. O Globo, acesso em 27 de maio de 2010
  3. Bost, Charles-André; Guinet, Christophe; Guinet, Dominique; Lequette, Benoît; Weimerskirch, Henri. Sous les quarantièmes rugissants: un sanctuaire sauvage. Éditions du Gerfaut, setembro de 2003, 208 p. (ISBN 2914622376), p. 85
  4. Jefferson, Thomas A.; Leatherwood, Stephen; Webber, Marc A. Marine mammals of the world: FAO species identification guide, Food and Agriculture Organization of the United Nations (col.). United Nations Environment Programme, 1993, 320 p. (ISBN 9251032920 e ISBN 9789251032923), p. 287
  5. Seal Conservation Society (SCS). Southern Elephant Seal (Mirounga leonina), acesso em 27 de maio de 2010
  6. Southern elephants seals as oceanographic samplers (SEaOS). History: The life of the Southern Elephant Seal animais. School of Biology - University of St Andrews, acesso em 27 de maio de 2010
  7. Guinet, Christophe Guinet. Les éléphants de mer sondent l'océan Austral, Mercator Océan, acesso em 27 de maio de 2010
  8. Péron, François; Lesueur, Charles Alexandre; Freycinet, Louis. Voyage de découverte aux Terres australes : exécuté sur les corvettes le Géographe, la Naturaliste et la goëlette le Casuarina pendant les années 1800, 1801, 1802, 1803 et 1804, t. 2, Imprimerie royale, Paris, 1816, p. 38
  9. Association Globice. Alan le solitaire, acesso em 27 de maio de 2010
  10. Antenne Réunion. (6 de agosto de 2008). Un éléphant de mer prend ses quartiers à la Réunion, acesso em 27 de maio de 2010
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