Elefante branco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Um elefante branco em pintura tailandesa do século XIX.

Elefante branco é uma expressão idiomática para uma posse valiosa da qual seu proprietário não pode se livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. O termo é utilizado na política para se referir a obras públicas sem utilidade.

Na Espanha, o termo é utilizado popularmente para se referir a Alfonso Armada, militar que participou no falido golpe de estado apoiado pelo Rei de Espanha, no 23 de fevereiro de 1981 contra o presidente democrático Adolfo Suárez, cujo objetivo era derrubar o presidente democraticamente eleito e restaurar a ditadura militar.

Origem do termo[editar | editar código-fonte]

O termo tem origem nos elefantes albinos mantidos pelos monarcas do Sudeste Asiático em Myanmar, Tailândia, Laos e Camboja, onde eram considerados sagrados. Possuir um elefante branco era considerado (e ainda é considerado na Tailândia e no Mianmar) um sinal de que o governante reinava com justiça e poder e de que o reino era abençoado com paz e prosperidade. A tradição deriva de contos que associam o elefante branco com o nascimento de Siddhartha Gautama, o Buda, já que a mãe dele teria sonhado com um elefante branco presenteando-a com uma flor de lótus, símbolo de sabedoria e pureza, na véspera do parto.[1] Como os animais eram considerados sagrados e as leis os protegiam do trabalho, receber um elefante branco de presente de um monarca era simultaneamente uma bênção e uma maldição: uma bênção porque o animal era sagrado e um sinal do favoritismo do monarca pelo cortesão que o recebia, e uma maldição porque o animal não tinha muito uso prático que compensasse o custo de sua manutenção.

A Ordem do Elefante Branco é uma honraria concedida pelo governo da Tailândia. Composta por oito tipos de medalhas, foi criada em 1861 pelo então rei do Sião Rama IV.

Exemplos de supostos elefantes brancos[editar | editar código-fonte]

  • O Hospital Modelo de Cuiabá, adquirido pelo governo do estado da iniciativa privada em 2003, foi considerado um elefante branco pela jornalista Sandra Carvalho por estar abandonado desde então.[2]
  • De acordo com o jornalista Rodrigo Vianna, a Rede Globo pode vir a se transformar em um elefante branco caso o preço da publicidade na emissora caia. Para ele, é "impossível manter aquela estrutura verticalizada se a grana encurtar".[11]
  • Na cidade de Santos, há um viaduto que "liga o nada ao lugar nenhum", conhecido popularmente como elefante branco.[12]
  • O metrô de Salvador que há anos é construído e nunca terminou, e que conta só com sua via encurtada para 6Km, não serve para praticamente nada, a não ser como promessa de eleição de que será concluído.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "The Birth of Buddha". New Kadampa Tradition - International Kadampa Buddhist Union. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  2. Carvalho, Sandra. "Hospital Modelo comprado pelo Governo segue depredado e sem utilidade ". Expresso MT. 21 de dezembro de 2010. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  3. Thuswohl, Maurício. "Olimpíadas de 2016 ensaiam o salto orçamentário do Pan". Carta Maior. 26 de março de 2010. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  4. Rodrigues, Gleriston. "Velódromo usado no Pan virou elefante branco e segue sem prática esportiva". Site do Sidney Rezende. 10 de outubro de 2009. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  5. "Para MPF, Belo Monte joga sustentabilidade no lixo". Diário do Pará. 5 de janeiro de 2011. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  6. Folha Online. "EUA avaliam que submarino nuclear é elefante branco". ClickPB. 1° de dezembro de 2010. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  7. Fernandes, George. ""Natal está na Copa de 2014, o resto é especulação", diz secretário". Portal 2014. 13 de janeiro de 2011. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  8. Foreque, Flávia e Coutinho, Filipe. "Ministro diz que Itaquerão é "caso à parte" e defende alteração no cronograma da Fifa". Folha Online. 17 de novembro de 2010. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  9. http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2013/08/1328910-candidata-a-elefante-branco-arena-amazonia-custara-r-6-milhoes-ao-ano.shtml
  10. http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/24/quatro-dos-12-estadios-da-copa-devem-ser-elefantes-brancos-apos-torneio-diz-estudo.htm
  11. Vianna, Rodrigo. "Os números da Globo: lenta decadência". Planeta Osasco. 5 de janeiro de 2011. Acesso em 14 de janeiro de 2011.
  12. "Histórias e Lendas de Santos". Acesso em 25 de outubro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]