Eleição presidencial no Brasil em 1930

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Eleição presidencial brasileira de 1930
  1926 ← Flag of Brazil.svg → 1934
1º de março de 1930
Eleição anulada pela Revolução de 1930
Júlio Prestes 1930.jpg Getulio Vargas (1930).jpg
Candidato Júlio Prestes Getúlio Vargas
Partido PRP AL
Natural de São Paulo Rio Grande do Sul
Companheiro de chapa Apoiou Vital Soares Apoiou João Pessoa
Votos 1.091.709 742.794
Porcentagem 59,39% 40,41%


Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil

A eleição presidencial brasileira de 1930 foi a décima-segunda eleição presidencial e a décima-primeira eleição presidencial direta. Foi realizada em 1º de março em todos os vinte estados da época e no Distrito Federal com sede no Rio de Janeiro, tendo seus resultados divulgados em 21 de maio. Foi a última eleição da República Velha (1889-1930). Júlio Prestes foi eleito, mas não chegou a tomar posse por causa da Revolução de 1930.

Processo eleitoral da última eleição da República Velha (1889-1930)[editar | editar código-fonte]

As próximas eleições... “de cabresto”, charge de 1927 ironizando o então sistema político vigente, publicada na revista Careta. A legenda original era a seguinte:
Ella – É o Zé Besta?
Elle – Não, é o Zé Burro![1]

De acordo com a Constituição de 1891 que vigorou durante toda a República Velha (1889-1930), o direito ao voto foi determinado a todos os homens com mais de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares.[2] Mesmo tendo o direito de voto estendido a mais pessoas, pouca parcela da população participava das eleições.[3] A Constituição de 1891 também declarou que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.[4] A eleição para presidente e vice eram realizadas individualmente, e o mesmo poderia se candidatar para presidente e vice.

Durante a República Velha, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças para fazer prevalecer seus interesses e se revezarem na Presidência da República, assim, esses partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo, até que essas alianças se quebrassem em 1930. Essas alianças são chamadas de política do café com leite.[5]

Nessa época, o voto não era secreto, e existia grande influência dos coronéis - pessoas que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente o poder militar da região. Os coronéis praticavam a fraude eleitoral e obrigavam as pessoas a votarem em determinado candidato. Com isso, é impossível determinar exatamente os resultados corretos.[6]

As candidaturas e a quebra da política do café com leite[editar | editar código-fonte]

Cartaz de campanha de Júlio Prestes.
Cartaz de campanha de Júlio Prestes.
Cartaz de campanha de Getúlio Vargas.
Cartaz de campanha de Getúlio Vargas.

De acordo com a política do café com leite, era a vez de um candidato mineiro ser Presidente da República, mas o então presidente paulista Washington Luís decidiu que outro paulista o sucederia, o advogado Júlio Prestes. Com o apoio de dezessete estados da época, Júlio Prestes pelo Partido Republicano Paulista (PRP) formou a "Concentração Republicana". O Partido Republicano Mineiro (PRM) não aceitou a candidatura de Júlio e apoiou o governador de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. O PRM inseguro da eleição procurou fazer alianças com outros estados, e em 17 de junho de 1929, Antônio Carlos cedeu sua candidatura ao gaúcho Getúlio Vargas. Assim, os três estados dissidentes de Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba formaram a Aliança Liberal (AL), e indicaram o governador do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas para presidente, tendo apoiado o paraibano João Pessoa como candidato a vice.[7]

Getúlio Vargas defendeu o voto secreto, reformas democráticas, a independência do judiciário, a anistia para os tenentes envolvidos nas diversas rebeliões ao longo dos anos de 1920, a proteção à exportação do café e reformas sociais. Ganhou a adesão do Partido Democrático Paulista, da maior parte das oposições estaduais. A campanha mobilizou as grandes cidades, mas prevaleceu a fraude praticada por quase todos os partidos envolvidos. Julio Prestes foi eleito, mas não assumiu o governo, graças à Revolução de 1930.[7]

Resultados[editar | editar código-fonte]

A população aproximada em 1930 era de trinta e sete milhões e quatroscentas mil de pessoas (37.400.000), sendo dois milhões e quinhentos e vinte e cinco (2.525.000) eleitores, dos quais compareceram um milhão e novescentos mil e duzentos e cinquenta e seis (1.900.256), representando 5% da população.

Eleição para presidente do Brasil em 1930 Eleição para vice-presidente do Brasil em 1930
Candidato Votos Porcentagem Candidato Votos Porcentagem
Júlio Prestes 1.091.709 59,39% Vital Soares 1.079.360 59,67%
Getúlio Vargas 742.794 40,41% João Pessoa 725.566 40,11%
Minervino de Oliveira 131 0,007% Gastão Valentim 141 0,007%
Outros 3.701 0,20% Outros 3.723 0,21%
Votos nominais 1.838.335 Votos nominais 1.808.790
Votos brancos/nulos 61.921 Votos brancos/nulos 91.466
Total 1.900.256 Total 1.900.256
Fonte:[7]

Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral).

Referências

  1. As próximas eleições... “de cabresto”. Revista de História da Biblioteca Nacional (05/08/2008). Página visitada em 12 de julho de 2010.
  2. Constituição de 1891. Cola da Web. Acessado em 14/10/2011
  3. Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho. Página 40. Google Books. Acessado em 14/10/2011.
  4. Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011.
  5. Política do café com leite. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  6. Coronelismo. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
  7. a b c Eleição Presidencial - 1º de março de 1930 (Sábado) (Pós 1945) Acessado em 23/10/2011.
Bibliografia
  • PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.
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