Eleições legislativas portuguesas de 2005
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As eleições legislativas portuguesas de 2005 realizaram-se a 20 de Fevereiro de 2005, e delas resultaram a vitória da maioria do Partido Socialista, liderado por José Sócrates, o que levou à formação do XVII Governo Constitucional de Portugal.
Índice |
[editar] Contexto económico
As eleições realizaram-se no contexto de uma conjuntura económica difícil. Foram frequentemente apontadas as necessidades de várias reformas, incluindo as seguintes:
- A redução do peso do aparelho do Estado no PIB, uma situação que dificulta o cumprimento dos limites impostos por Bruxelas quanto ao défice.
- A elevada evasão fiscal
- A crescente fuga de capitais externos do país, motivada pela procura de países com mão-de-obra mais barata e mais qualificada.
[editar] Resultados
Resultados nacionais apurados pela Comissão Nacional de Eleições.[1]
| Partido | Votos | Votos (%) | Votos (±) | Assentos | Assentos (%) | Assentos (±) | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Partido Socialista | 2 588 312 |
|
+7,24% | 121 | 52,61% | +25 | |
| Partido Social Democrata | 1 653 425 |
|
-11,44% | 75 | 32,61% | -30 | |
| Coligação Democrática Unitária(a) | 433 369 |
|
+0,6% | 14 | 6,09% | +2 | |
| Partido Popular | 416 415 |
|
-1,48% | 12 | 5,22% | -2 | |
| Bloco de Esquerda | 364 971 |
|
+3,61% | 8 | 3,48% | +5 | |
| PCTP/MRPP | 48 186 |
|
+0,18% | 0 | 0% | 0 | |
| Nova Democracia | 40 358 |
|
+0,7% | 0 | 0% | 0 | |
| Partido Humanista | 17 056 |
|
+0,09% | 0 | 0% | 0 | |
| Partido Nacional Renovador | 9 374 |
|
+0,07% | 0 | 0% | 0 | |
| Partido Operário de Unidade Socialista | 5 535 |
|
+0,02% | 0 | 0% | 0 | |
| Partido Democrático do Atlântico | 1 681 |
|
+0,03% | 0 | 0% | 0 | |
| Totais | 5 578 682 | 230 | |||||
| Votos em Branco | 103 537 | 1,8% | +0,79% | ||||
| Votos Nulos | 65 515 | 1,14% | +0,18% | ||||
| Participação | 5 747 734 | 64,26% | +2,78% | ||||
| ↑ (a) Partido Comunista Português (12 deputados) e "Os Verdes" (2 deputados) concorreram em coligação |
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| Fonte: Comissão Nacional de Eleições, Assembleia da República - Resultados Eleitorais | |||||||
[editar] Análise dos resultados
Comparando os resultados com os de 2002, o PS cresceu (e de forma significativa) graças aos votos do eleitorado do centro (que vagueia entre o PS e o PSD) e uma parte significativa dos portugueses que normalmente se abstêm de votar e que, desta vez, optaram por ir à urnas para penalizar o PSD.
Deste modo, o crescimento do PS não surgiu às custas do eleitorado à sua esquerda, que apresentou uma subida, nomeadamente a CDU, que inverteu a tendência de perda de votos e mandatos que já existia há cerca de 20 anos, e o Bloco de Esquerda, uma formação política que surgiu em 1999 pela "fusão" da UDP, PSR e outros partidos de extrema esquerda, e que nestas eleições quase triplicou o número de mandatos (tinha 3). O Bloco tem uma presença forte nos grandes centros urbanos e na população mais jovem.
Deste modo, os grandes derrotados são os partidos que estavam no governo. O PSD, sem dúvida o maior derrotado, e o PP, principalmente por ter elevado demasiadamente a fasquia. Os seus objectivos (obter mais votos e lugares que a soma do PCP e do BE, 10%, manter a posição de 3º partido, impedir uma maioria absoluta do PS, ...) não foram alcançados, o que levou Paulo Portas a apresentar a demissão. Pedro Santana Lopes anunciou a realização de um congresso extraordinário e anunciou que não voltaria a ser candidato à liderança do partido.
[editar] Partidos não representados na assembleia
Relativamente aos partidos que não têm representação na Assembleia da República, o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), marxista-leninista-maoista e do conhecido advogado perito em legislação laboral, Garcia Pereira, mantém-se como o maior dos mais pequenos.
A Nova Democracia (PND) é um partido conservador liberal que está no espaço do CDS e surgiu com base na imagem do seu líder, Manuel Monteiro, ex-presidente do CDS-PP. Recebeu 40221 votos.
O Partido Humanista (PH) é um partido de esquerda que baseia o seu discurso no princípio da política dever servir os homens e não os interesses económicos. Recebeu 16870 votos.
O Partido Nacional Renovador (PNR) representa a extrema direita portuguesa. Obteve 9401 votos.
O Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), de Carmelinda Pereira é trotskista e praticamente só tem expressão quando se realizam eleições.
O Partido Democrático do Atlântico (PDA) é um partido que se baseia nos Açores. Teve 1640 votos.
[editar] Ver também
Notas e referências
- ↑ Resultados Nacionais. Comissão Nacional de Eleições. Página visitada em 7 de maio de 2010.
[editar] Ligações Externas