Elevado Presidente Costa e Silva

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Placa elevado-sp.png
Subprefeitura: , Lapa
Bairro: Perdizes, Pacaembu, Consolação, Sé
Início*: Praça Roosevelt - Rua da Consolação
Término*: Largo Padre Péricles - Avenida Francisco Matarazzo
Comprimento: 3400 m
Abertura: 1970
(*):O início e o término do logradouro geralmente é indicativo, apontando as vias principais.
Copan Building.jpg
Elevado Costa e Silva e o Edifício Copan ao fundo.

O Elevado Presidente Costa e Silva, também conhecido simplesmente como Elevado ou Minhocão, é uma via expressa elevada da cidade de São Paulo, Brasil, que liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, em Perdizes.

Foi construído com o intuito de desafogar o trânsito de vias que, por cortar regiões centrais da cidade, não poderiam ser alargadas para ampliar sua capacidade. Assim, a solução seria a construção de uma via paralela sobre os logradouros para que a capacidade de tráfego fosse duplicada.

Ele funciona de segunda a sábado, das 6h30 às 21h30, permanecendo fechado para veículos nos demais dias e horários, inclusive em feriados nacionais, quando é aberto apenas a pedestres e ciclistas.

Ruas e avenidas[editar | editar código-fonte]

As ruas avenidas que se localizam sob o Elevado Costa e Silva são

Histórico[editar | editar código-fonte]

O elevado não é considerado por muitas pessoas uma obra de arquitetura, mas sim de engenharia bruta, fato que causou incontestável impacto na paisagem urbana da região central de São Paulo. O Minhocão foi idealizado em 1968, quando um arquiteto do departamento de Urbanismo da Prefeitura sugeriu ao então prefeito José Vicente Faria Lima uma via elevada sobre a Avenida São João, que poderia diminuir o trânsito no local.[1] O arquiteto elaborou um projeto até a Praça Marechal Deodoro, recusado pelo prefeito, que conhecia o efeito que tais obras tinham causado em outras cidades.[1] Porém, Faria Lima acabaria por encaminhar um projeto à Câmara reservando as áreas para a obra, que poderia ser iniciada por outro prefeito.[1] Quando Paulo Maluf assumiu, ele deu andamento ao projeto, estendendo-o até o Largo Padre Péricles, no bairro das Perdizes.[1]

Maluf teria tentado imprimir sua marca, para se contrapor[1] ao prefeito anterior como um bom administrador público, uma vez que, aos 38 anos, nunca havia assumido um cargo dessa envergadura. O projeto, que custaria quarenta milhões de cruzeiros[1] , virou realidade após 11 meses de obras, engolindo o espaço da Praça Roosevelt, na Consolação, até o Largo Padre Péricles, em Perdizes, passando sobre a Rua Amaral Gurgel, a Avenida São João e a sua continuação, a Avenida General Olímpio da Silveira.

Desde antes de as obras começarem, o nome do elevado tinha sido dado, por Maluf, em homenagem a um dos generais-presidentes do Brasil no período do regime militar, que fora, também, o responsável pela indicação do prefeito para seu cargo.[1]

O Minhocão possui horário de funcionamento, devido à proximidade com os edifícios.

Passando a cinco metros dos prédios de apartamentos, o elevado tem 3,4 quilômetros de extensão e liga a região central à zona oeste da cidade. Foram usados na obra trezentos mil sacos de cimento, sessenta mil metros cúbicos de concreto e duas mil toneladas de cabos de aço, entre outros materiais.[1] A obra recebeu diversas críticas, sendo chamado de "cenário com arquitetura cruel" e "uma aberração arquitetônica". O jornal O Estado de S. Paulo criticou a obra, em dezembro de 1970, alegando que ela não tinha "um objetivo definido": "A via elevada não é resposta a nenhuma pesquisa de origem e destino da população, não tem um objetivo definido. É apenas uma obra. O prefeito [Maluf] já tentou explicá-la, mas não apresentou nenhum argumento técnico, nenhum dado de pesquisa."[1]

Houve críticas, ainda, relacionadas à obra do Metrô, que teria sido atrasada por causa do Minhocão, que também causaria mudanças no trajeto da então futura Linha Leste-Oeste, que passaria sob a Avenida São João, mas teria de mudar de lugar ou receber um método de construção mais caro, por causa dos pilares do elevado.[1] Ainda hoje, não é bem visto pela população da região, devido à desvalorização dos imóveis próximos e à deterioração do local.

Em 1976, o Minhocão passou a ser interditado à noite, medida adotada para evitar os acidentes noturnos, que se tornavam rotina, e para a diminuição do barulho na região. Em novembro de 1989, a então prefeita Luiza Erundina determinou que ele fosse interditado das 21h30 às 6h30.

O Elevado ao lado do Largo do Arouche, ambos vistos do Terraço Itália.

Em 6 de maio de 2010, foi divulgado, pelo prefeito Gilberto Kassab, projeto visando a sua demolição. Conforme a Folha de S. Paulo, agentes do mercado estimavam que, se isso ocorresse, não o seria antes de 2025.[2]

Na cultura[editar | editar código-fonte]

O Elevado Costa e Silva já foi cenário de filmes, como os longas Terra Estrangeira, de Walter Salles, As Meninas, adaptação do romance de Lygia Fagundes Telles dirigido por Emiliano Ribeiro e protagonizado por Cláudia Liz e Otávio Augusto, Não Por Acaso, de Philippe Barcinski, e Ensaio Sobre a Cegueira, dirigido por Fernando Meirelles e protagonizado por Mark Ruffalo, Julianne Moore, Alice Braga, Danny Glover e Gael García Bernal. Também foi utilizado na série da HBO Alice.

Em 1998, o elevado foi decorado com pinturas de artistas plásticos. O projeto, batizado de "Elevado à Arte", foi criado pela Funarte, entidade ligada ao Ministério da Cultura, e custou quinhentos mil reais à patrocinadora, a Porto Seguro Seguros. As pinturas das laterais do Minhocão são de autoria dos artistas plásticos Maurício Nogueira Lima e Sônia von Brüsky. Nas colunas do trecho entre as Avenidas São João e General Olímpio da Silveira, seria reconstituído o trabalho do arquiteto Flávio Motta, feito no local, na década de 1970.

Referências

  1. a b c d e f g h i j (1 de dezembro de 1970) "Elevado, o triste futuro da avenida". O Estado de S. Paulo (29 342): 23. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931. Página visitada em 5/6/2013.
  2. Evandro Spinelli (6 de maio de 2010). Prefeito Kassab anuncia projeto que prevê fim do Minhocão. Folha de S. Paulo. Página visitada em 5/6/2013.