Elise Hensler

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Elise
Condessa de Edla
Condessa d'Edla.jpg
Retrato de Elise Hensler
Governo
Consorte D. Fernando II
Vida
Nome completo Elise Friederike Hensler
Nascimento 22 de Maio de 1836
La Chaux-de-Fonds, Suíça Suíça
Morte 21 de Maio de 1929 (92 anos)
Lisboa, Portugal Portugal
Pai Johann Friedrich Conrad Hensler
Mãe Louise Josephe Hechelbacher

Elise Friederike Hensler (La Chaux-de-Fonds, Neuchâtel, 22 de maio de 1836Lisboa, Coração de Jesus, 21 de maio de 1929), titulada Condessa de Edla, foi a segunda esposa de Fernando II de Portugal, viúvo de D. Maria II.

Família e educação[editar | editar código-fonte]

De origem suíça-alemã, Elise Hensler era filha de Johann Friederich Conrad Hensler e de sua esposa, Louise Josephe Hechelbacher, e nasceu em La Chaux-de-Fonds, em Neuchâtel.[1]

Aos doze anos, emigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidadosa educação. Amante das artes e das letras, terminou os seus estudos em Paris. Ao longo dos anos, tornou-se fluente em sete idiomas.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Após o término de sua educação, Hensler atuou no Teatro alla Scala, em Milão, Itália. No dia de Natal de 1857, em Paris, aos vinte e um anos, ela deu à luz uma menina, batizada Alice Hensler, cujo pai era desconhecido.

No dia 2 de fevereiro de 1860, Elise chegou em Portugal como membro da Companhia de Ópera de Laneuville, para cantar no Teatro Nacional São João, no Porto. Atuou em seguida no São Carlos, de Lisboa, no dia 15 de abril de 1860. Interpretava a pagem da ópera "Um Baile de Máscaras", de Verdi. D. Fernando II, em meio à platéia, apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos.

Além de cantora e atriz, Hensler era escultora, ceramista, pintora, arquiteta e floricultora.

Casamento com D. Fernando[editar | editar código-fonte]

Elisa Hensler, condessa d'Edla.

Em 10 de junho de 1869, desposou morganaticamente D. Fernando II, em Benfica. O rei de Portugal era então o segundo filho de Fernando, D. Luís I. O título de condessa de Edla foi-lhe concedido dias antes da cerimónia por Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gota.

A imprensa e a nobreza portuguesa dividiram-se na apreciação do casamento entre o rei e a ex-cantora de ópera. Talvez por isso ela foi quase esquecida da História de Portugal.

Vida como esposa[editar | editar código-fonte]

O casal gostava de se refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro da Nossa Senhora da Pena. Deve-se o atual patrimônio florestal da serra de Sintra a D. Fernando, que sempre foi apaixonado pela botânica, e à cumplicidade da condessa d'Edla. Como resultado, as plantações do Parque da Pena intensificaram-se por volta de 1869. Elise introduziu certas espécies arbóreas do lugar à América do Norte. O rei e a condessa tiveram o apoio do cunhado americano de Hensler, o silvicultor John Slade.

No meio do parque, a condessa iniciou a construção do chamado Chalet ("chalé", em português), o qual ela mesma projetou em estilo das casas rurais norte-americanas. Mulher culta, dedicou-se com o marido ao patrocínio de vários artistas, entre eles o mestre Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Vianna da Motta.

Em 1999, o chalet da condessa d'Edla foi consumido por um incêndio. O chalet reabriu ao público em 2011, depois de quatro anos de obras de recuperação.

Últimos anos e morte[editar | editar código-fonte]

D. Fernando II e Elise Hensler.

Em 1885, D. Fernando faleceu e, em seu testamento, deixou à sua viúva todo os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, ambos em Sintra. Foi D. Carlos I que, pagando 410 contos à condessa, conseguiu reaver os dois castelos para o Estado Português.

Elise Hensler, depois disso, abandonou Sintra e passou a viver com sua filha Alice, que se casou com Manuel de Azevedo Gomes. Faleceu em Coração de Jesus, freguesia de Lisboa, aos noventa e dois anos, vítima de uremia.

A condessa d’ Edla recebeu na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D. Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu representante em seu funeral.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Teresa Rebelo, Condessa d'Edla : a cantora de ópera quasi rainha de Portugal e de Espanha. Lisboa : Alêtheia Editores, 2006 (ISBN 989-622-031-X).
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