Elza Soares

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Elza Soares
Elza Soares.jpg
A cantora brasileira Elza Soares durante o II Encontro Afro-Latino realizado na Bahia.
Informação geral
Nome completo Elza da Conceição Soares Pereira
Também conhecido(a) como "Elzinha"
Nascimento 23 de junho de 1937 (77 anos)
Origem Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
País  Brasil
Gênero(s) Samba
MPB
Bossa Nova
Sambalanço
Hip-hop
Samba rock
Samba enredo
Ocupação(ões) Cantora, compositora e dançarina
Instrumento(s) Vocal
Outras ocupações Atriz e modelo
Gravadora(s) EMI-Odeon, Tapecar Brasil, CBS, Recarey Brasil, Som Livre, RGE Brasil, World Music Network, Tratore, Dubas Música, Luna Brasil, Universal Music e Biscoito Fino
Afiliação(ões) Miltinho (cantor), Nando Reis, Fernanda Abreu, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Emanuelle Araújo, Lobão (músico), Wander Pires, Arlindo Cruz, Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Virgínia Rodrigues, Carlinhos Brown, Zé Keti, Fred Zero Quatro e Jorge Ben Jor
Influência(s) Celia Cruz e Louis Armstrong
Página oficial elzasoares.com.br

Elza da Conceição Soares, mais conhecida pelo nome artístico Elza Soares (Rio de Janeiro, 23 de junho de 1937),[1] é uma cantora e compositora brasileira de samba, bossa nova, MPB, sambalanço, samba rock e hip-hop.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Elza Soares, filha do operário e tocador de guitarra Gomes Soares, e da lavadeira Rosária Maria da Conceição. Nasceu na favela da Moça Bonita, em Padre Miguel, que hoje é a Vila Vintém, e foi criada desde que nasceu no bairro da Água Santa.[2]

Em sua infância vivia a brincar na rua, soltar pipa, brincar com piões de madeira, até brigar com os meninos, era uma vida pobre, porém feliz para uma criança, apesar de ter que trabalhar, levando latas d'água na cabeça.[3] Aos doze anos de idade foi obrigada pelo pai a largar os estudos e a casar-se com Lourdes Antônio Soares, conhecido como Alaúrdes. Aos 13 anos teve seu primeiro filho, João Carlos, que nasceu prematuro e desnutrido. O bebê morreu de fome ainda recém-nascido. Nessa época, antes de seu filho falecer, e com ele ainda doente, fez de tudo para poder comprar os remédios necessários. Como tinha o sonho de cantar, participou do programa de Ary Barroso na Rádio Tupi, e fez sua primeira apresentação ao vivo no auditório da emissora, que era a maior de seu tempo. A princípio não foi levada a sério, por seu jeito bem humilde de falar e se vestir, mas ao cantar mostrou todo seu potencial. Assim ganhou um dinheiro de participação e comprou os remédios do filho, mas nem isto o salvou.[3]

Com 14 anos engravidou novamente, e com 15 o ganhou um menino de parto prematuro, onde a criança nasceu muito desnutrida. Para seu desespero, seu segundo filho também veio a falecer com poucos dias de vida.

Para manter o lar, e com o marido doente, teve que ajudá-lo e passou a trabalhar como encaixotadora e conferente na Fábrica de Sabão Véritas, no Engenho de Dentro.[2]

Aos 20 anos mais um duro golpe do destino se abateu sobre sua vida: Ficou viúva. Seu marido havia morrido de tuberculose.[3] Sozinha no mundo, pois toda sua família havia morrido, Elza tinha 5 filhos para criar, quatro meninos e uma menina, sendo a menina recém-nascida ainda. Tudo isso foi uma situação de extremo sofrimento. Passou a trabalhar em todo tipo de serviço: Foi doméstica, faxineira, lavadeira, passadeira, e sempre mandando os filhos a escola, não os queria sem um bom futuro. Apesar de trabalhar em serviços do lar, seu sonho mesmo era cantar. Quando sobrava algum tempo, fazia algumas apresentações em bares, e crescia a cada dia.[2]

Em 1959, aos 22 anos, vivendo uma situação desesperadora de extrema pobreza, onde passava muita fome, Elza deu um de seus filhos, a única menina, para uma família com mais posses poder criar. A menina estava desnutrida e doente, e não querendo perder mais um filho, se viu obrigada a aceitar o pedido de um casal rico que não podia ter filhos, que queria adotar a criança. Elza quis salvar a vida da menina e pensou que só assim ela teria um bom estudo e um futuro melhor. Foi prometido a Elza sempre que quisesse poderia ver a filha, mesmo que de longe, e que esse casal iria ajudá-la na criação dos outros filhos. Acreditando que não ia perder o contato com sua menina, Elza aceitou, e eles levaram a criança, mas Elza foi enganada, e o casal sumiu com sua filha.[3] ficando só com seus 4 filhos, Elza entrou em grande depressão, e passou a fazer de tudo para achar sua filha.[3]

Elza sofreu com a miséria e com a morte de entes queridos, e isso a fez muito infeliz, mas seguiu em seu propósito de vida, que era cantar, escrever letras, tinha um dom para música que nem ela sabia explicar, já que o som e a voz sempre foram sua vida.[2]

Aos 25 anos conheceu o famoso jogador de futebol Garrincha. Ela sofreu muito para estar ao lado dele: Uma cantora de início de carreira se envolve com um jogador de futebol casado, que se separou para assumir o relacionamento dos dois. Isso causou a fúria da sociedade, e Elza era xingada, ameçada de morte, sua casa era alvejada por ovos e tomates, tudo porque seu namorado quis se divorciar da esposa e todos a acusavam de ter acabado com o casamento de Garrincha.

Foram casados por 16 anos, de 1968 a 1982. Após casar-se com ele, os amigos de seu marido não aceitavam Elza como esposa, a xingavam de bruxa, pois ela rodava os bares pedindo para ninguém dar bebida alcoólica ao marido, que era alcoólatra.[3]

Elza e Garrincha tiveram um filho, nascido em 1977, que o jogador queria tanto, pois só teve filhas mulheres com a outra esposa. O menino possuía o mesmo nome de seu pai, e era apelidado de Garrinchinha. Em 1983 Garrincha morreu de cirrose, o que a fez ficar arrasada, mesmo já estando separada dele. Em 1986, outra tragédia em sua vida: Seu filho morreu em um acidente de carro aos 9 anos de idade, ao ir visitar o túmulo do pai em Magé. Ela não aguentou a perda desse filho, estava derrotada, pensava em acabar com sua vida, até que saiu do Brasil e ficou 9 anos morando fora, fazendo turnês com shows na Europa e EUA. Após muitos anos investigando onde sua filha estava, ao voltar ao Brasil descobriu sobre a menina, o que foi um recomeço em sua vida. Sua filha estava formada, tinha uma boa educação e uma vida estruturada, e a aceitou como mãe ao longo do tempo.[3]

Apesar de tantas atribulações, Elza é conhecida na mídia por sempre aparecer feliz e cantando, sorrindo, o que mostra um exemplo de vitória para quem passa por dificuldades como ela passou.

Hoje namora um homem bem mais jovem e tem sua familia formada por seus filhos unidos e muitos netos.

Carreira[editar | editar código-fonte]

O início de sua carreira musical se deu quando ela ainda se apresentava em show de calouros, apresentado por Ary Barroso.

Elza Soares tornou-se popular com as canções "Se Acaso Você Chegasse", "Mas Que Nada", entre outros sambas de sucesso. Recebeu indicações ao GRAMMY Awards e, foi eleita pela BBC de Londres "a cantora do milênio". Em 2007, a cantora foi convidada para cantar o Hino Nacional Brasileiro a cappella na Cerimônia de Abertura dos Jogos Panamericanos Rio 2007. Seu último álbum foi lançado em 2004, Vivo Feliz, que mistura diversos ritmos que vai do samba à música eletrônica.

Elza participou de um show de calouros apresentado pelo renomado músico brasileiro Ary Barroso, e recebeu as maiores notas. No fim da década de 1950, Elza Soares fez uma turnê de um ano pela Argentina, juntamente com Mercedes Batista. Tornou-se popular com sua primeira música "Se Acaso Você Chegasse", na qual introduziu o scat a la Louis Armstrong, adicionando um pouco de jazz ao samba. Mudou-se para São Paulo, onde se apresentou em teatros e casas noturnas. A voz rouca e vibrante tornou-se sua marca registrada. Após terminar seu segundo LP, A Bossa Negra, Elza foi ao Chile representando o Brasil na Copa do Mundo da FIFA de 1962. Seu estilo "levado" e exagerado fascinou o público no Brasil e no exterior.

Nos anos de 1967 a 69, Elza gravou três álbuns LP pela Gravadora Odeon, com cantor Miltinho [Elza, Miltinho E Samba  Vol_1 (1967), Elza, Miltinho E Samba  Vol_2 (1968) e Elza, Miltinho E Samba  Vol_3 (1969)], Esses discos tinham, majoritariamente, o esquema de Pout Pourri em duetos e caíram nos gostos de publico e critica, levando a uma trilogia de sucesso; tiveram produção de Milton Miranda e Hermínio Bello de Carvalho, sendo, posteriormente, todos relançados em 2003 por EMI em CDs.

Nos anos 70, Elza entrou em turnê pelos Estados Unidos e Europa. Sua carreira remonta mais de 50 anos. Em 2000, foi premiada como "Melhor Cantora do Milênio" pela BBC em Londres, quando se apresentou num concerto com Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Virgínia Rodrigues. No mesmo ano, estreou uma série de shows de vanguarda, dirigidos por José Miguel Wisnik, no Rio de Janeiro.

Autógrafo da artista.

Elza Soares teve inúmeras músicas no topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira; alguns dos maiores sucessos incluem: "Se Acaso Você Chegasse" (1960), "Boato" (1961), "Cadeira Vazia" (1961), "Só Danço Samba" (1963), "Mulata Assanhada" (1965) e "Aquarela Brasileira" (1974).

Alguns dos álbuns de Elza foram relançados em versões remasterizadas de CD: de 1961 – A Bossa Negra (contendo seu maior sucesso no ano, "Boato") – e de 1972, com uma grandiosa banda, Elza Pede Passagem (produzida por Dom Salvador), sendo dois dos seus mais aclamados trabalhos. Elza pede passagem não fez tanto sucesso como seus trabalhos anteriores, quando lançados originalmente no Brasil; no entanto, é considerado um clássico e representante do som "samba-soul" do início dos anos 70.

Em 2000, foi eleita a cantora do milênio pela BBC de Londres.

Em 2002, o álbum Do Cóccix Até O Pescoço garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco recebeu críticas estupendas da imprensa da música e divulgou uma espécie de quem é quem de artistas brasileiras que com ela colaboraram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor, entre outros. O lançamento impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo.

Em 2004, Elza lançou o álbum Vivo Feliz. Não tão bem-sucedido em vendas quanto suas obras anteriores, o álbum continuou a executar o tema de fazer um mix de samba e bossa com música eletrônica e efeitos modernos. O álbum apresentou colaborações de artistas inovadores como Fred Zero Quatro e Zé Keti.

Em 2007, nos Jogos Pan-americanos do Brasil, Elza interpretou o Hino Nacional Brasileiro, no início da cerimônia de abertura do evento, no Maracanã.E lançou o álbum "Beba-me" nesse álbum Elza gravou as músicas que marcaram sua carreira.

Como puxadora de samba-enredo[editar | editar código-fonte]

Elza Soares foi a primeira mulher brasileira a puxar um samba enredo. Já atuou como puxadora de samba-enredo, tendo passagens pelo Salgueiro, Mocidade[4] e Cubango.

Novos Projetos[editar | editar código-fonte]

Em 2010, Elza Soares gravou o álbum "Arrepios", em parceria com o músico e compositor, João de Aquino e produzido pela Pivetz.

Desde 2008, a vida e obra da cantora é tema do projeto de longa-metragem "http://elzasoaresavozdobrasil.blogspot.com" / www.elzasoares.com, produzido pela IT Filmes, Comunicação e Entretenimento e dirigido pela cineasta e jornalista Elizabete Martins Campos.

Ainda em 2010, gravou a faixa "Brasil" no disco tributo de George Israel ao Cazuza. O disco se chama "13 parcerias com Cazuza". Nesta faixa há a participação do saxofonista do Kid Abelha e do despojado Marcelo D2. Como grande amiga do artista, já havia gravado "Milagres" antes, inclusive apresentando-a ao vivo com o próprio Cazuza.

Em 2010 pela primeira vez a artista comandou e poxou um trio eletrico no circuito DODO ( Barra - Ondina), o trio levou o nome de " A Elza pede passagem" arastando uma grande multidão pelas ruas de Salvador- Bahia no carnaval daquele ano.

Em 2011, gravou a música "Perigosa", já cantada pelo grupo "As Frenéticas", para a minissérie "Lara com Z", da Globo. Também neste ano, gravou a música "Paciência", de Lenine, para o filme "Estamos Juntos".

Em 2012 fez uma participação na música "Samba de preto" da banda paulista Huaska, faixa título do terceiro cd da banda.

Em 2014 estréia o show "A Voz e a Máquina" baseado em musica eletrônica acompanhada na palco apenas pelos DJs Ricardo Muralha, Bruno Queiroz e Guilherme Marques.

Discografia[editar | editar código-fonte]

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  • Se Acaso Você Chegasse (Odeon 1960)
  • Tenha Pena de Mim (Odeon 1960)
  • Eu e o rio (Odeon 1961)
  • Beija-me (Odeon 1961)
  • Mulata Assanhada (Odeon 1961)
  • A Bossa Negra (Odeon 1961 / Universal 2003)
  • Sambossa (Odeon 1963)
  • Na Roda do Samba (Odeon 1964)
  • Um Show de Beleza (Odeon 1965)
  • O Samba Brasileiro (Odeon 1965)
  • Verão do Meu Rio (Odeon 1965)
  • O Neguinho e a Senhorita (Odeon 1965)
  • Com A Bola Branca (Odeon 1966)
  • Palmas no portão (Odeon 1967)
  • O Mundo Encantado de Monteiro Lobato (Odeon 1967)
  • Negro Telefone (Odeon 1967)
  • Com Que Roupa (Odeon 1967)
  • Elza, Miltinho e Samba (Odeon 1967)
  • O Máximo em Samba (Odeon 1967)
  • Balanço Zona Sul (Odeon 1968)
  • Diálogo de Crioulos (Odeon 1968)
  • Mestre-Sala (Odeon 1968)
  • Capoeira (Odeon 1968)
  • Onde Está Meu Samba (Odeon 1968)
  • Elza, Miltinho e Samba Vol.2 (Odeon 1968)
  • Elza Soares e Wilson das Neves (Odeon 1968)
  • Boggie Woogie na Favela (Odeon 1969)
  • Heróis da Liberdade (Odeon 1969)
  • Juntinho de Novo (Odeon 1969)
  • Elza Carnaval & Samba (Odeon 1969)
  • Elza, Miltinho e Samba Vol.3 (Odeon 1969)
  • Samba & Mais Sambas (Odeon 1969)
  • Sambas e Mais Sambas (Odeon 1970)
  • Se Acaso Você Chegasse (Odeon 1971)
  • Sangue, Suor e Raça (Odeon 1972)
  • Grade do Amor (Odeon 1972)
  • Elza Pede Passagem (Odeon 1972 / EMI 2004)
  • Swing Negrão Odeon 1972)
  • Maria Vai com as Outras (Odeon 1972)
  • Lendas do Abaeté (Odeon 1973)
  • Aquarela Brasileira (Odeon 1973)
  • Salve a Mocidade (Tapecar 1974)
  • Quem é bom já nasce feito (Tapecar 1974)
  • Samba, Minha Raiz (Tapecar 1974)
  • Com Que Roupa (Odeon 1974)
  • Pilão+Raça=Elza (Odeon 1977)
  • Elza Negra, Negra Elza (CBS 1980)
  • Voltei (1988)
  • Carioca da Gema (1999)
  • Do Cóccix Até O Pescoço (Maianga / Tratore 2002)
  • Vivo Feliz (Tratore 2004)
  • Beba-me - Ao Vivo (Biscoito Fino 2007)
  • Chega de Saudade - Trilha Sonora do Filme (Universal 2008)

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Grandes Sucessos de Elza Soares (Tapecar Brasil 1978)
  • Salve a Mocidade (Tapecar Brasil 1997)
  • Meus Momentos – Volumes 1 & 2 (EMI Brasil 1998)
  • Elza Soares – Raízes do Samba (EMI Brasil 1999)

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Elza Soares. Visitado em 24 de junho de 2011.
  2. a b c d "Elsa Soares", Cicionário MPB, BR, http://www.dicionariompb.com.br/elza-soares/biografia .
  3. a b c d e f g Brasileiros, BR, http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/20/textos/519/ .
  4. Eliane Maria (03/10/2009). Elza Soares, madrinha da Mocidade avisa: 'A Eva vai estar na Avenida' Jornal Extra.
Bibliografia

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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