Emanacionismo

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Emanacionismo é uma idéia da cosmologia ou cosmogonia presente em alguns sistemas religiosos ou filosóficos. Emanar - do latim emanare - significa "fluir de" e, neste contexto, é o modo pelo qual todas as coisas derivam de uma Realidade Inicial ou Princípio. Todas as coisas são derivadas deste Princípio (ou de um Deus perfeito) através de passos para degraus inferiores de existência (degradação) e à cada passo os seres emanados são menos puros, menos perfeitos, menos divinos. O Emanacionismo propõe um princípio transcendente do qual tudo é derivado e, teologicamente, se contrapõe ao Criacionismo (onde o universo é criado por um Deus consciente que é distinto de sua criação) e do Materialismo (que postula que não existe uma natureza subjetiva ou ontológica por trás dos fenômenos, sendo imanente a divindade).

Principais princípios[editar | editar código-fonte]

Que as coisas complexas são criadas na natureza não está em questão pelos criacionistas (Religiões abraâmicas, por exemplo), emanacionistas, místicos do paganismo, nihilistas e ateístas. Ao invés disso, os dois princípios que estão em questão são o locus da criação e se um Absoluto consciente, cônscio de si ('Deus') é uma necessidade para a criação. Emanacionistas, como Pitágoras, Plotino e outros argumentaram que os padrões complexos encontrados na natureza são uma consequência natural da procissão desde o Absoluto (Uno, Mônade).

De acordo com o Emanacionismo de Plotino, o Absoluto, sua natureza e sua atividade devem ser apenas uma única coisa, inseparável, chamada vontade. Por sua própria natureza é inseparável também o ato de "ter vontade" e de "causar" que as coisas "sejam" ou "ocorram", desta forma mantendo o centro do sistema lógico do emanacionismo[1] . Adicionalmente, agnosis (Diade) é uma privação primordial que precisa ser corrigida antes da "Unificação" (junção ao Uno)[2] .

Origens[editar | editar código-fonte]

O primeiro expoente clássico do emanacionismo foi Plotino, que propôs em sua obra '"Eneades"' (em grego: Ἐννεάδες) que todas as coisas, fenômenos ou não, eram uma emanação do Uno (Hen). Na obra, o emanacionismo é comparado a uma difusão do Uno, de onde as três hipóstases primárias, o Uno (Hen), o Intelecto/Vontade (Nous) e a Alma (Psiquê tou pantos)[2] . Para ele, a emanação, ou "descida da alma", é o resultado da natureza indefinida do Díade, a agnosis primordial inerente ao e dentro do Absoluto, a Divindade[3] .

Veja também[editar | editar código-fonte]

Conceitos ou visões emanacionistas também podem ser encontrados em:

Referências

  1. Plotino. Eneades: THE THREE INITIAL HYPOSTASES (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1.4. , vol. 5.
  2. a b Plotino. Eneades: THE THREE INITIAL HYPOSTASES (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1.6. , vol. 5.
  3. Plotino. Eneades: THE THREE INITIAL HYPOSTASES (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1.5. , vol. 5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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