Embraer
| Embraer | |
|---|---|
| Tipo | Sociedade Anônima (BM&F Bovespa: EMBR3/NYSE) |
| Fundação | 19 de Agosto de 1969 (42 anos) |
| Sede | São José dos Campos, SP |
| Pessoa(s) chave | Ozires Silva Maurício Botelho Frederico Curado |
| Empregados | 17.389 (fevereiro de 2009)[1] |
| Indústria | Aeronáutica/Defesa |
| Produtos | Aviões, serviços e material de defesa |
| Valor de mercado | US$ 18,4 bilhões |
| Faturamento | US$ 8,5 bilhões |
| Renda líquida | US$ 704,6 milhões |
| Website | www.embraer.com.br |
A Embraer S.A.[2] ou simplesmente Embraer (BM&F Bovespa[3] / NYSE Euronext[4] é um conglomerado brasileiro fabricante de aviões comerciais, executivos,[5] agrícolas e militares.[6][7]
Ao lado da rival canadense Bombardier, é a terceira maior produtora mundial de jatos civis, atrás de Airbus e Boeing,[8] e uma das maiores companhias exportadoras do Brasil em termos de valor absoluto desde 1999. Detém também a maior carteira de pedidos entre os fabricantes de jatos regionais de passageiros, sendo líder de mercado no segmento de 70 a 122 assentos.
Está sediada na cidade de São José dos Campos, interior do estado de São Paulo,[9] com diversas unidades no Brasil e exterior, inclusive duas joint-ventures, uma na China, a Harbin Embraer, e outra em Portugal, a OGMA. Para teste de aviões a companhia possui uma pista de pouso e decolagem na cidade de Gavião Peixoto (Aeródromo de Gavião Peixoto), cuja extensão de 4967 metros é considerada a quarta pista asfaltada mais longa do mundo.
Índice |
[editar] Histórico
[editar] Inícios
A Embraer nasceu como uma iniciativa do governo brasileiro dentro de um projeto estratégico para implementar a indústria aeronáutica no país, em um contexto de políticas de substituição de importações. Em 1950 o engenheiro aeroespacial e o fundador da Focke-Wulf em Bremen, o alemão Heinrich Focke[10][11] com seus engenheiros foi convidado fazer alguns obras de acumulação no Brasil. Ele desenvolveu vários helicópteros, como o Convertiplane HC-1.
[editar] Fundação
Fundada no ano de 1969, seu primeiro presidente foi o engenheiro Ozires Silva, que havia liderado o desenvolvimento do avião Bandeirante. Inicialmente, a maior parte de seu quadro de pessoal formou-se pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). De certa maneira, a Embraer nasceu dentro do CTA. No ano de 1980, houve uma fusão com a Indústria Aeronáutica Neiva, que se tornou sua empresa subsidiária. Durante as décadas de 1970 e 1980, a Embraer conquistou importante projeção nacional e internacional com os aviões Bandeirante, Xingu e Brasília. Atualmente a empresa encontra-se em ascendência, com muitos contratos de venda, e expandindo-se não somente em espaço físico, mas também em número de empregados, contando com cerca de dezassete mil empregados, dos quais aproximadamente onze mil são diretos e seis mil indiretos.
[editar] Cooperação e crise
Ao iniciar uma parceria com a Itália em 1981, foi possível elaborar o caça de ataque ar-terra AMX, considerado um importante salto tecnológico para a elaboração de novos projetos. Em 1986, Ozires Silva deixou a presidência da empresa para assumir a Petrobras. Em 1988 deu início ao desenvolvimento de um avião binacional, que seria projetado e construído tanto pela Embraer como pela Fábrica Militar de Aviones (FMA) da Argentina. A aeronave teve a designação de CBA-123, sendo CBA a sigla para Cooperação Brasil-Argentina.
Em 1990 o primeiro protótipo voou, mas seu alto preço, além da crise econômica e política da época, acabou com o projeto. Um dado curioso sobre a aeronave é a motorização na parte traseira da fuselagem, com as hélices voltadas para trás. O final da década de 1980 foi marcada por uma grande crise financeira, que abalou a economia do Brasil e atingiu em cheio a Embraer, que quase fechou. Em 1992 Ozires Silva foi convidado a voltar à presidência da empresa e a conduzir o processo de privatização. Em 1994, durante o governo de Itamar Franco, a empresa foi leiloada, para depois passar por um longo processo de reestruturação e apresentar novos projetos que a tornariam uma gigante de setor.
A Embraer, antes de ser privatizada, estava a beira da bancarrota e sequer figurava entre as empresas com maior valor de mercado e, hoje, é avaliada em R$ 17 bilhões,[12] além de figurar como a terceira maior fabricante de jatos do mundo.[13]
Tornou-se uma das mais importantes blue chips negociadas na Bovespa, e distribui dividendos a acionistas minoritários e funcionários.[14] Os novos controladores acionários passaram a ser os fundos de pensão Previ e Sistel (20% cada), a Cia. Bozano, Simonsen (20%), além de um grupo de investidores com participação acionária menor (total de 20%), formados pela Dassault, EADS, Snecma e Thales Group. Após a privatização, a empresa foi presidida pelo engenheiro Maurício Botelho, substituído em 2007 por Frederico Curado.
[editar] Crescimento internacional
Maurício Botelho foi responsável pela reestruturação da empresa, principalmente no âmbito financeiro. O lançamento do projeto da família ERJ-145, jatos comerciais com capacidade de até 50 passageiros, foi um sucesso de mercado que atingiu a marca de 1000 aeronaves vendidas em 2006.
O passo seguinte foram novos investimentos para a criação da linha de aviões EMBRAER 170/190, uma aposta no segmento de 70 a 120 lugares, classificados como E-Jets. Estes são um sucesso com 878 encomendas firmes e 915 intenções de compra, e que foram logo associados a um novo nicho de mercado, ocupado pelas principais empresas aeronáuticas (Major) e as de baixo-custo e baixa-tarifa (low-cost, low-fare). Neste segmento, sua atual maior concorrente é a empresa canadense Bombardier com modelos de até 90 lugares. Ela não está tão bem posicionada no mercado, pois seus produtos são versões estendidas das aeronaves de 50 passageiros, tornando-os menos espaçosos e econômicos. Em 2000, a empresa lançou ações nas bolsas de valores de Nova Iorque e de São Paulo.
Devido a subsídios adotados pela empresa canadense, o governo brasileiro entrou com um pedido de reparação na Organização Mundial do Comércio. A disputa durou alguns anos, e ambas as partes foram condenadas a adotar novas formas de financiamento aceitas internacionalmente para a venda, fabricação e desenvolvimento de suas aeronaves.
Em 2002, uma joint-venture com a China Aviation Industry Corporation II (AVIC II) criou a Harbin Embraer Aircraft Industry Co. Ltd. (HEAI), possibilitando a construção e venda de aviões ERJ-145 para o mercado da China. Em 2004, foi criada uma associação com a empresa do ramo de defesa Lockheed Martin para o fornecimento de aviões de sensoriamento remoto com base no ERJ-145 para a marinha e aeronáutica dos Estados Unidos da América. No entanto, este projeto foi suspenso em janeiro de 2006. Em 2005, um consórcio liderado pela Embraer foi declarado o vencedor no processo de privatização da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal S/A, derrotando o consórcio ítalo-americano composto das companhias Alenia Aeronautica e Lockheed Martin.[15] No mesmo ano a empresa iniciou uma ofensiva comercial para ampliar sua participação no mercado de aviões executivos, presente apenas com o Legacy, cuja plataforma é o jato ERJ-135. Para tanto, iniciou uma reestruturação interna nessa área, organizada pelo seu vice-presidente de aviação executiva Luís Carlos Affonso. Em maio, anunciou o projeto do Embraer Light Jet e do Embraer Very Light Jet. Juntamente com modelos em tamanho real, seus nomes oficiais foram divulgados durante a National Business Aviation Association (NBAA) em Orlando, EUA, em novembro, como Phenom 300 e Phenom 100, respectivamente. Também neste ano foi lançado o Embraer Lineage 1000, maior avião executivo baseado no Embraer 190.
Em janeiro de 2006, foi anunciado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, o veto dos Estados Unidos à venda de aviões de treinamento Super Tucano à seu país, por alegada transferência de tecnologia de origem norte-americana, presente na aviônica das aeronaves. Pelo mesmo motivo, foi anunciado veto à venda para o Irã.
Em abril de 2008 foi anunciado o desenvolvimento de aviões intermediários entre o Phenom 300 e o Legacy 600, denominados Embraer Mid Light Jet e o Embraer Mid Size Jet, que foram batizados de Legacy 500 e Legacy 450, com entrada em operação prevista para 2012 e 2013, respectivamente. O Legacy 450 terá alcance de 4.260 km (2.300 milhas náuticas) e o Legacy 500 de 5.560 (3.000 milhas náuticas). A intenção é que em um período de dez anos, os jatos executivos representem 20% do total de vendas.
[editar] Reestruturação societária
Em 20 de janeiro de 2006, a Embraer anunciou um plano de reestruturação societária, segundo a qual o poder decisório será pulverizado entre todos os acionistas, pois todos os portadores de ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo terão direito a voto. Além disso, o esquema no qual os fundos de pensão Previ, Sistel e a Cia. Bozano que controlam 60% das ações, desde sua privatização, será desfeito. Maurício Botelho continuará na presidência do Conselho de Administração da empresa até 2009.
Em 14 de fevereiro de 2007, a empresa EADS vendeu sua participação acionária de 2,12% da Embraer por 124 milhões de euros. Foi eleita pelo Great Place to Work Institute (GPTW) como uma das cem melhores empresas para se trabalhar no Brasil.[16]
Atualmente a Embraer conta com 46% de suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e 54% de suas ações negociadas na Bolsa de Valores e Mercadorias de São Paulo (BM&FBOVESPA), sendo composto por 13,7% Fundos de pensão (PREVI), 6,1% Cia Bozano, 6,5% Oppenheimer Fund's, 6,0% Thornburg Investments, 5,5% BNDES e ainda 21,9% composto de pequenos acionistas individuais pela BM&FBOVESPA e 40,3% proveniente de pequenos grupos investidores da Bolsa de valores de Nova York (NYSE).[17]
[editar] Unidades e Subsidiárias
- Indústria Aeronáutica Neiva Ltda., localizada na cidade de Botucatu, no Estado de São Paulo. Fabrica pequenos aviões para uso agrícola, como o EMB-202 Ipanema.
- ELEB, localizada na cidade de São José dos Campos, fabrica trens de pouso e sistemas hidráulicos.
[editar] Aviões
Lista com aeronaves projetadas, fabricadas ou em desenvolvimento pela Embraer.
[editar] Planadores
[editar] Motores a Pistão
- EMB-200 Ipanema
- EMB-800 Seneca, fabricado sob licença da Piper Aircraft.
[editar] Turbohélices
- EMB-110 Bandeirante
- EMB-120 Brasília
- EMB-121 Xingu
- CBA-123 Vector, projetado em conjunto com a FMA, o projeto foi descontinuado
[editar] Aviões comerciais a jato
Os aviões a jato da Embraer tem como sigla ERJ, que significa Embraer Regional Jetliners (Jatos Regionais Embraer).
A nova família de aviões, os EMBRAER 170/190, têm como alvo o segmento de mercado voltado às companhias aéreas que necessitam aviões de 70 a 110 passageiros. A antiga designação ERJ foi substituída por EMBRAER para evitar que esses modelos fossem associados apenas à aviação regional.
[editar] Aviões executivos
- Phenom 100 Veja o voo inaugural [4]
- Phenom 300
- Legacy 450
- Legacy 500
- Legacy 600
- Legacy 650
- Legacy Shuttle
- Lineage 1000
[editar] Aviões militares
- AMX
- EMB-312 Tucano
- EMB-314 Super Tucano
- EMB-326 Xavante, avião fabricado sob licença da Aermacchi.
- EMB-145 AEW&C
- EMB-145 RS/AGS
- EMB-145 MP/ASW, construído com a plataforma do ERJ-145.
- EMB-111 Bandeirante Patrulha, construído com a plataforma do EMB 110 Bandeirante.
- Embraer KC-390. Em desenvolvimento.
[editar] Principais empresas concorrentes
- Bombardier, com seus aviões de médio porte para o mercado de aviação regional.
- Sukhoi, com seu novo projeto de avião para uso civil, o RRJ, ou Sukhoi Russian Regional Jet|Russian Regional Jet.
- AVIC I,com seu novo avião comercial modelo ARJ21, com capacidade de 70 a 90 passageiros.
- Mitsubishi,com seu novo projeto de avião para uso civil, o MRJ, ou Mitsubishi Regional Jet, com capacidade de 70 a 90 passageiros.
[editar] Principais clientes
- África
- Capital Airlines
- América do Norte
- Air Canada
- American Eagle
- Atlantic Southeast Airlines
- Compass Airlines
- Continental Express
- ExpressJet
- US Airways
- Republic Airways
- SkyWest
- JetBlue Airways
- Aeroméxico
- América Central
- América do Sul
- Air Minas
- America Air
- Aerolineas Argentinas
- AeroRepública
- Azul Linhas Aéreas
- SAM (Colômbia)
- Passaredo
- TRIP Linhas Aéreas
- Vip (Equador)
- Ásia
- Europa
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Embraer em números (em português). Página visitada em 26 de abril de 2009.
- ↑ Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Contribuintes Credenciados Habilitados no Regime Especial Simplificado de Exportação. Página visitada em 28 de agosto de 2011.
- ↑ EMBR3 Bovespa
- ↑ [1]
- ↑ The Company: Business embraer.com (Official Site)
- ↑ Corporate governance, pg. 357/651 Robert A. G. Monks, Nell Minow. John Wiley and Sons. 2008.
- ↑ Timeline Embraer Historical Center (Official Site)
- ↑ Embraer vê clientes mais dispostos à compra de aviões. Economia. Exame. Página visitada em 8 de fevereiro de 2011.
- ↑ The Company: Profile embraer.com (Official Site)
- ↑ American Institute of Aeronautics and Astronautics, Inc. ultimo paragrafo, recuperado 26 de Dezembro 2011 (em ingles)
- ↑ Jetmobil: Embraer Commercial Jets 2° paragrafo, recuperado 26 de Dezembro 2011 (em alemão)
- ↑ Revista Bovespa
- ↑ [2]
- ↑ Tratar bem o acionista minoritário garante ao Itaú, Vale do Rio Doce e Telemar o disputado selo Animec
- ↑ Consórcio liderado pela Embraer vai privatizar indústria aeronáutica portuguesa
- ↑ Revista Época, n. 588, 24 de agosto de 2009.
- ↑ [3]