Emmanuel Zamor

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Emmanuel Zamor
Nome completo Emmanuel Hector Zamor
Nascimento 19 de maio de 1840[1]
Bahia,  Brasil
Morte 1917 (77 anos)
 França
Ocupação Pintor
Crianças negras, sem data, pintura de Emmanuel Zamor. Acervo do Museu Afro Brasil, São Paulo.

Emmanuel Hector Zamor (Bahia, 19 de maio de 1840 - França, 1917), alcunhado Le petit brésilien, foi um pintor e cenógrafo brasileiro radicado na França.

Especializou-se na pintura de paisagens e naturezas mortas, sofrendo influências dos artistas ligados à escola de Barbizon e dos impressionistas.[2]

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Mulato, oriundo de família humilde, Emmanuel Zamor foi adotado pelo casal de franceses Pierre Emmanuel Zamor e Rose Neveu na paróquia de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador. Na Europa, já por volta de 1845, iniciou estudos de música e desenho. Frequentou a Academia Julian de Paris e começou a trabalhar como cenógrafo. Presume-se, por questões estilísticas, que Emmanuel tenha entrado em contato nessa época com os pintores de Barbizon e com os artistas que logo seriam definidos como impressionistas: Cézanne, Renoir, Degas, Pissarro, Sisley e Monet.[3]

Em 1860, Emmanuel retornou à sua terra-natal, estabelecendo-se em Salvador. Sua pintura, marcada pela sóbria predominância dos tons verde-musgo e ocre, adquire então uma uma nova luminosidade e colorido, onde sobressaem tons de vermelhos e laranjas assimilados da natureza e da atmosfera tropicais. Um incêndio em sua residência, entretanto, destruiu quase totalmente a sua produção local. Com a morte do pai adotivo, em 1862, Zamor retornou definitivamente à França.[3]

A partir de então, tornam-se numerosas as lacunas em sua biografia. Há uma imagem do artista atribuída a Maurice Nadar[2] , fotógrafo que registrou os mais importantes intelectuais e artistas da França do final do século XIX, o que atestaria algum reconhecimento de seu talento no cenário artístico europeu. Não obstante, as últimas notícias a seu respeito descrevem-no vivendo, casado e sem filhos, em uma situação de miséria, tendo de usar seus trabalhos como lenha para manter-se aquecido no inverno.[4]

Emmanuel Zamor seria ignorado pela crítica especializada durante as décadas seguintes e permaneceria desconhecido na historiografia brasileira até o fim do século XX. Em 1984, o marchand Rafael Kastoriano "redescobriu" o pintor durante um leilão. Intrigado pela obra de Zamor, Kastoriano arrematou todos os 37 trabalhos disponíveis do artista após descobrir que se tratava de um brasileiro. As obras de Zamor foram exibidas pela primeira vez ao público no Museu de Arte de São Paulo, em 1985. A Fundação Armando Álvares Penteado dedicou-lhe outra mostra, em 1990.[2] [3] Pietro Maria Bardi elogiou sua "viva sensibilidade". Júlio Louzada o define como "ótimo colorista" e elogia sua estética pré-impressionista: "Zamor soube captar as tonalidades dos verdes, os claros e escuros, que estão em contraste com a luminosidade das flores".[5]

Paysage à la Ferme, 1867. Coleção particular.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas tm
  2. a b c Araújo, Emanoel. Negros pintores. Arquitextos. Página visitada em 28 de junho de 2010.
  3. a b c Zamor, Emmanuel - Biografia. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Página visitada em 28 de junho de 2010.
  4. Zamor, Emmanuel - Histórico. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Página visitada em 28 de junho de 2010.
  5. Zamor, Emmanuel - Textos Críticos. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Página visitada em 28 de junho de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARDI, Pietro Maria, LEVI, Lisetta & KARMAN, Ernestina. Emmanuel Zamor. São Paulo: MASP, 1985.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro; Artlivre, 1988.
  • ____________________________ Pintores negros do oitocentos. São Paulo: Edições MWM-IFK, 1988.