Empiema pleural

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Empiema pleural
Classificação e recursos externos
CID-10 J86
CID-9 510
DiseasesDB 4200
MedlinePlus 000123
eMedicine med/659
MeSH D016724
Star of life caution.svg Aviso médico

Empiema pleural (também conhecido como piotórax ou pleurite purulenta) corresponde ao acúmulo de pus na cavidade pleural. A maioria dos empiemas pleurais surgem a partir de uma infecção no pulmão (pneumonia), frequentemente associada com derrames parapneumônicos.[1]

Existem três estágios: exsudativo, fibrinopurulento e de organização. No estágio exsudativo o pus se acumula.

Patologia[editar | editar código-fonte]

A contaminação do espaço pleural pode ocorrer por via linfática, hematogênica ou direta. As pneumonias são a principal causa e a propagação nesses casos é direta. Cerca de 40% dos pacientes com pneumonia desenvolvem derrame pleural, e 10% evoluem para empiema pleural. Cerca de 20% dos pacientes tem uma história prévia de manipulação cirúrgica, como tóraco centeses e drenagens pleurais praticadas em serviços de urgência ou sem técnica apropriada. Os estafilococos são o principal agente envolvido.

A contaminação da cavidade pleural desencadeia um processo inflamatório com várias fases distintas. Inicialmente observa-se uma fase exsudativa, caracterizado por líquido fluido, livre e não septado na cavidade pleural. Esse derrame pode ser inicialmente estéril. Na fase fibrino-purulenta, o exsudato é substituído por uma secreção purulenta espessa, rica em polimorfonucleares e fibrina que se organiza produzindo septações. Finalmente, com a proliferação dos fibroblastos, surge uma membrana envoltória mais espessa e consistente, que restringe a expansão do pulmão. O líquido torna-se denso e cremoso, limitado entre as septações que constituem a parede do empiema.

A fase de organização pode culminar em drenagem espontânea através da parede torácica. O tempo necessário para a passagem de uma fase para outra depende de fatores individuais e do agente etiológico. Em geral, na fase aguda, o empiema pleural manifesta-se com tóraco algia, dispneia, tosse e quadro toxicêmico geral mais ou menos intenso. Empiemas com o tempo de evolução um pouco maior podem apresentar sinais flogísticos locais, com abaulamento do hemitórax afetado, flutuação e drenagem espontânea da coleção purulenta, seja por fístula pleuro-cutânea, ou por erosão do parênquima pulmonar.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A seta aponta um empiema pleural

Os sintomas do empiema pleural podem variar de gravidade. Os sintomas típicos incluem tosse, dor torácica, sudorese e dispneia.

Pode ser observado hipocratismo digital em casos de natureza crônica. O murmúrio vesicular pode estar diminuído ou mesmo abolido. É importante observar que os empiemas encapsulados podem ser oligossintomáticos, sem dispneia significativa, exigindo um maior grau de suspeição por parte do médico assistente.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é sugerido pela anamnese e exame físico, e complementado pela radiologia e toracocentese.

A radiologia é uma ferramenta essencial, e deve ser realizada nas incidências póstero-anterior, perfil e lateral. A radiologia permite ainda avaliar de modo grosseiro o tempo de evolução do empiema.

O fluido pleural tipicamente possui uma leucocitose, baixo pH (<7.20), baixa glicose (<60 mg/dL), LDH alto (desidrogenase lática), muitas proteínas e pode conter organismos infecciosos.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Um ou mais tubos são inseridos dentro da caixa torácica para drenar os fluídos pleurais usando ultrassom como guia. Antibióticos injetáveis são usados em caso de infecções bacterianas. Tanto o excesso de perfuração e drenagem, quanto a drenagem inadequada ou o entupimento dos tubos podem ser fatais, além do risco da infecção naturalmente espalhar ou ser resistente aos medicamentos, sendo assim uma cirurgia delicada e de alto risco. [2] Efeitos colaterais como hemorragias ou reações de hipersensibilidade a algum dos componentes do tratamento também podem ser fatais.[3]

É ainda mais difícil de ser tratada quando é um problema crônico (recorrente). Em casos graves parte do pulmão precisa ser ressecado.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O empiema pleural continua sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade, especialmente nas camadas mais pobres da população.

Referências

  1. http://web.archive.org/web/20090302044505/http://www.mercksource.com/pp/us/cns/cns_hl_dorlands_split.jsp?pg=/ppdocs/us/common/dorlands/dorland/three/000034872.htm
  2. Pothula V, Krellenstein DJ (March 1994). "Early aggressive surgical management of parapneumonic empyemas". Chest 105 (3): 832–6. PMID 8131548. Retrieved 2010-06-05.
  3. Chai FY, Kuan YC (2011). "Massive hemothorax following administration of intrapleural streptokinase". Ann Thorac Med 6 (3): 149–151. PMC3131759