Enéas Carneiro

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Enéas Ferreira Carneiro
Enéas Ferreira Carneiro
Deputado federal por  São Paulo
Mandato 1 de fevereiro de 2003
até 6 de maio de 2007
Vida
Nascimento 5 de novembro de 1938
Rio Branco, Acre
Morte 6 de maio de 2007 (68 anos)
Rio de Janeiro
Dados pessoais
Partido PRONA, PR
Profissão Médico cardiologista

Enéas Ferreira Carneiro (Rio Branco, 5 de novembro de 1938Rio de Janeiro, 6 de maio de 2007)[1] foi um médico cardiologista e político brasileiro.[2] Como político, fundou o extinto Partido da Reedificação da Ordem Nacional, o PRONA.[1] [2]

Após se candidatar por três vezes à Presidência da República (1989, 1994 e 1998) e uma vez à prefeitura de São Paulo (2000),[1] em 2002 foi eleito Deputado Federal pelo estado de São Paulo, recebendo votação recorde com mais de 1.537.642 de votos, a maior de toda a história, Tiririca em 2010 chegou perto com com 1.348.295, também candidatando-se ao mesmo cargo e no mesmo estado, tal fenômeno é chamado de voto de protesto.[1] [3] Em 2014 Celso Russomanno teve a segunda maior votação da história 1.524.361 para deputado federal.

Tornou-se muito famoso em todo o Brasil a partir de 1989 (em sua candidatura à Presidência da República daquele ano) por seu bordão "Meu nome é Enéas!", usado sempre ao término de seus pronunciamentos no horário eleitoral gratuito brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e vida profissional[editar | editar código-fonte]

Enéas Ferreira Carneiro nasceu na cidade de Rio Branco, no estado Acre, em 1938. Perdeu o pai aos nove anos de idade, sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe.[4]

Em 1958 iniciou seus estudos no Rio de Janeiro, na Escola de Saúde do Exército. Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesiologia, sendo primeiro lugar de sua turma.[4]

Em 1960 iniciou seus estudos na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.[4]

Em fevereiro de 1962 prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara, curso de licenciatura em Matemática e Física. Aprovado em primeiro lugar. No mesmo ano iniciou atividade como professor destas disciplinas, preparando alunos para vestibulares.[5]

Em 1965 formou-se médico pela já citada Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, pedindo então baixa do Exército, após 8 anos de serviço ativo no Hospital Central do Exército, onde realizou mais de 5.000 anestesias, já tendo recebido a medalha Marechal Hermes.[4]

Em 1968 diplomou-se licenciado em Matemática e Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara e fundou o Curso Gradiente, pré-universitário, do qual foi diretor-presidente e onde lecionou Matemática, Física, Química, Biologia e Português.[4]

Em 1969 fez o curso de especialização em Cardiologia na 6ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e, a partir daí, foi integrado como assistente naquele Serviço de Cardiologia.[4]

De 1973 a 1975 fez o Mestrado em Cardiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse período ministrou também aulas de Fisiologia e Semiologia Cardiovascular na mesma universidade. Em 1975 apresentou a primeira versão de seu famoso curso O Eletrocardiograma, no Rio de Janeiro, mais tarde ministrado em São Paulo (1983), Quito - Equador (1985) e novamente no Rio de Janeiro (1986), dessa vez como curso nacional, ocorrido no Copacabana Palace.[4]

Em 1976 defendeu sua dissertação de Mestrado, "Alentecimento da Condução AV", e recebeu o título de Mestre em Cardiologia pela UFRJ. Ainda em 1976 escreveu o livro O Eletrocardiograma, referência no gênero.[4] Publicado em 1977 e reeditado em 1987 como O Eletrocardiograma: 10 anos depois, essa obra é conhecida no meio médico como a "bíblia do Enéas".[6]

A produção acadêmica de Enéas não se restringe à Medicina: ele é autor de artigos em diversas outras áreas, como Filosofia, Lógica e Robótica.[carece de fontes?]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Enéas fundou, em 1989, o PRONA, lançando-se imediatamente candidato à Presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período da Ditadura Militar. O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era de dezessete segundos. Todavia, sua aparência exótica (um homem pequeno, calvo, com enorme barba cerrada e grandes óculos), aliada a uma fala rápida e a um discurso inflamado e ultranacionalista (terminado sempre por seu bordão: "Meu nome é Enéas"), fez com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos,[1] colocando-o em 12º lugar entre 21 candidatos. A propaganda vinha sempre acompanhada pela Sinfonia n.º 5 de Ludwig van Beethoven.

Percebendo a penetração de sua imagem junto ao eleitorado, Enéas voltou a se candidatar em 1994, dispondo então de um minuto e 17 segundos no horário eleitoral. Mesmo sendo o PRONA um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.[2] com mais de 4,6 milhões de votos (7%).[1] [2]

Em 1998, com um minuto e quarenta segundos disponíveis no horário eleitoral, Enéas expôs seu discurso em que defendeu questões polêmicas como a construção da bomba atômica, a ampliação do efetivo militar[2] e a nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro. Nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado,[2] com um total de 1.447.090 votos.[1] [2]

Em 2000 candidatou-se à prefeitura de São Paulo, obtendo 3% dos votos,[1] e conseguiu reunir votos para a eleição de sua candidata a vereadora Havanir Nimtz. Em 2002 candidatou-se a deputado federal por São Paulo, obtendo a maior votação da história brasileira para aquele cargo: cerca de 1,5 milhão de votos,[1] recorde que permanece imbatido.[3] Seu partido obteve votos suficientes para, através do sistema proporcional, eleger mais cinco deputados federais (mesmo com votações inexpressivas, abaixo dos mil votos). Este episódio ficou marcado pela polêmica de que alguns destes candidatos teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao partido através de Enéas. Enéas também participou ativamente das eleições para prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais, como Rio e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.

Enéas Carneiro apresentava-se como um político nacionalista e radicalmente contrário ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo.[2] Alguns críticos o associavam como um novo ícone do Movimento Integralista. Analistas enxergam Enéas como um fruto da democracia moderna, alegando que sua imagem excêntrica e seu bordão ("Meu nome é Enéas") se sobrepõem ao seu discurso hermético e intelectualizado frente às classes mais pobres da sociedade brasileira.

No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de saúde, uma pneumonia e uma leucemia mielóide aguda, fazendo com que ele optasse por retirar sua folclórica barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em função de seus problemas de saúde, em junho de 2006 Enéas anunciou que desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria novamente à Câmara de Deputados. Na nova campanha, mudou seu bordão para "Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas". Foi reeleito com a quarta maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386 905 votos, cerca de 1,90% dos votos válidos no estado.[7] [2]

Após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, seu partido, o PRONA, se funde com o PL e então é fundado um novo partido, o Partido da República.

Morte[editar | editar código-fonte]

No dia 6 de maio de 2007, aos 68 anos, Enéas Carneiro faleceu em sua casa, vitimado pela leucemia mielóide aguda, após ter desistido do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o Hospital Samaritano, por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito. Seu corpo foi velado na manhã do dia 7 de maio no Memorial do Carmo (que fica no Cemitério São Francisco Xavier), e cremado, na tarde do mesmo dia, no crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O último pedido de Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara.[1] [8] Sua suplente na Câmara foi Luciana Castro de Almeida (PR, candidata pelo PRONA), que conseguira apenas 3.980 votos na eleição de 2006.[9]

Notas e referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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