Encouraçado de Esquadra Riachuelo

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Riachuelo
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Operador Armada Imperial Brasileira
Fabricante Samuda & Brothers
Homônimo Batalha Naval do Riachuelo
Batimento de quilha 31 de agosto de 1881
Lançamento 7 de julho de 1883
Comandante(s) Eduardo Wandenkolk
José Cândido Guillobel
Saldanha da Gama
Alexandrino Faria de Alencar
João Justino Proença
Estado Retirado em 1910
Características gerais
Tipo de navio Encouraçado a vapor
Classe Riachuelo
Deslocamento 5,029 t (11 100 lb)
Comprimento 93,33 m (306 ft)
Boca 17,16 m (56,3 ft)
Calado 5,60 m (18,4 ft)
Propulsão vela, com três mastros armado em Barca
8 caldeiras cilíndricas a carvão
2 máquinas combinadas de três cilindros a vapor
4,500 hp (3,36 kW)
Velocidade 16.5 nós (30,56 km/h)
Blindagem 178 a 280 mm nas laterais do casco
254 mm nas torretas principais
254 mm na superestrutura
Armamento 4 canhões de 225 mm (8,9 in)
4 canhões de 140 mm (5,5 in)
11 metralhadoras de 25 mm (0,98 in)
5 metralhadoras de 11 mm (0,43 in)
5 tubos lança-torpedos
Tripulação 367 homens e oficiais

O Encouraçado Riachuelo foi uma das principais embarcações da Armada Imperial Brasileira.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em abril de 1880 o então Ministro da Marinha, Almirante José Rodrigues de Lima Duarte, apresentou um relatório à Assembléia Legislativa sobre a urgência de se modernizar a Marinha Imperial, com a adoção de então modernos navios encouraçados. A intenção do Almirante era a de adquirir duas dessas embarcações junto a estaleiros britânicos, e desse modo, foram encomendados os encouraçados Riachuelo e Aquidabã.

O Riachuelo[editar | editar código-fonte]

O encouraçado foi construído pelos estaleiros Samuda & Brothers, na Grã-Bretanha. A sua quilha foi batida a 31 de agosto de 1881, tendo sido lançado ao mar a 7 de junho de 1883 e incorporado à Armada Imperial Brasileira a 19 de novembro de 1883. O seu primeiro comandante foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eduardo Wandenkolk - mais tarde Primeiro Ministro da Marinha após a Proclamação da República Brasileira.

Assim que chegou ao Brasil, tendo aportado ao Rio de Janeiro, então Capital do Império, a 13 de novembro de 1883, a embarcação foi subordinada à Esquadra de Evoluções, sob o comando do Almirante Barão de Jaceguai, entre os anos de 1884 e 1885.

O Riachuelo tinha como características gerais:

  • Comprimento: 93,33 metros
  • Boca: 17,16 metros
  • Calado: 5,60 metros
  • Deslocamento: 5.029 toneladas
  • Potência: 4.500 hps
  • Velocidade máxima: 16 nós
  • Raio de ação: 6.000 milhas náuticas, a 10 nós
  • Armamento:
    • Principal: 4 canhões de 225 mm montados em duas torres
    • Acessório: 4 canhões de 140 mm, 11 metralhadoras de 25 mm, 5 metralhadoras de 11 mm e 5 tubos lança-torpedos
  • Tripulação: 367 homens

A Comissão Naval designada para acompanhar a construção e receber ambos os encouraçados foi presidida pelo Contra-Almirante José da Costa Azevedo, assessorado pelo Engenheiro Naval Trajano de Carvalho.

Quando da proclamação da República, o Riachuelo, sob o comando do então Capitão de Corveta Alexandrino Faria de Alencar, foi designado para escoltar, até à linha do Equador, o Vapor Alagoas, que conduziu a Família Imperial Brasileira para o exílio na Europa.

A primeira revolta da Armada[editar | editar código-fonte]

O cenário político logo após a Proclamação da República (1889) era muito conturbado. Esse estado de coisas agravou-se após a promulgação da Constituição brasileira de 1891. Desse modo, na manhã de 3 de novembro de 1891 o Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, fechou as duas casas do Legislativo.

À época, vários oficiais da Marinha do Brasil conspiraram para derrubar o governo ditatorial que se esboçava, liderados pelo Almirante Custódio José de Mello, que agregava grande número de oficiais subalternos, espalhados nas diversas unidades navais sediadas no Rio de Janeiro. Embora estivesse preocupado com o atraso da eclosão do contra-golpe, um dos principais motivos para essa demora era o fato dos dois mais poderosos navios da Marinha - o Riachuelo e o Aquidabã - estarem docados, em reparos.

Com o Encouraçado Riachuelo comprometido com o movimento, Custódio de Mello já traçara um plano de contingência: o movimento partiria do Cruzador Primeiro de Março, que estaria fundeado entre a Ilha das Cobras e o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, de onde partiriam os oficiais, a maioria de baixa patente, para assumirem o comando das outras unidades navais. Parte da guarnição do Primeiro de Março assumiria o Riachuelo, seguindo então para o Aquidabã, que acabara de sair do dique; caso este resistisse, seria afundado; caso aderisse ao movimento, como era esperado, seria então rebocado, já que se encontrava ainda sem propulsão, para a Ponta da Armação em Niterói a fim de proteger as instalações lá existentes, o que acabou por acontecer.

O Marechal Deodoro designou o Capitão-de-Mar-e-Guerra Eliezer Tavares para assumir o comando do Aquidabã no dia 22 de novembro, logo ordenando os preparativos para combate, mas este ainda estava sem propulsão e dependia de um rebocador para movimentar-se. O novo comandante declarou a sua intenção de resistir ao movimento e de afundar o Riachuelo caso houvesse resistência do mesmo, porém a tripulação se recusou a entrar em combate. Com toda a força rebelada, capitaneada pelo Encouraçado Riachuelo, preparava-se para os combates que viriam, o que não foi necessário, pois a 23 de novembro de 1891 Deodoro renunciou, sendo substituído pelo Marechal Floriano Peixoto.

Comissões[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1893 o Encouraçado Riachuelo seguiu viagem para a Toulon, na França, onde foi modernizado nos estaleiros Forges et Chantiers de la Méditerranée, recebendo ainda dois novos mastros militares que lhe deram maior estabilidade, além de diversas reformas estruturais. O Riachuelo só voltou ao serviço ativo em 1896, tendo ficado fora do Brasil durante toda a Segunda Revolta da Armada.

Voltou ao Brasil novamente como nau capitânia da Esquadra e, em 1900, capitaneou um grupo-tarefa designado para levar o presidente Campos Sales em visita oficial à Argentina, acompanhado pelos cruzadores Barroso e Tamoio. Esse grupo-tarefa ficou conhecido como Divisão Branca, uma vez que os seus navios foram pintados dessa cor, especialmente para essa comissão.

Em 1907 realizou a sua última missão importante, conduzindo a bordo a Comissão Naval Brasileira, presidida pelo Contra-Almirante Huet de Bacellar, designada para acompanhar a construção e receber os novos encouraçados encomendados dentro do Plano Naval de 1906: o Encouraçado Minas Gerais e o Encouraçado São Paulo.

Após o recebimento dos novos encouraçados, o Riachuelo foi desativado em 1910, seguindo a reboque para um desmanche na Europa. Afundou, porém, antes de chegar ao seu destino final, descansando no único túmulo digno para qualquer navio de guerra, o fundo do mar.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]