Energias renováveis na União Europeia

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Consumo total de energia vinda de fontes renováveis, 2004

As energias renováveis são energias que provêm da Natureza, mas que não são fósseis, como o carvão, o petróleo ou o gás natural. São energias que se renovam naturalmente, daí o nome renováveis. São o Sol, o vento, as ondas e marés, a geotermia e a biomassa. Os países da União Europeia, são actualmente os líderes mundiais no desenvolvimento e na aplicação das Energias renováveis. Promover a utilização de fontes de energias renováveis é importante, tanto para a redução da dependência da UE das importações energéticas estrangeiras, bem como no cumprimento de metas fixadas pelo Protocolo de Quioto para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e combater o aquecimento global.


Políticas a aplicar e objectivos[editar | editar código-fonte]

Percentagem do consumo total de energia proveniente de fontes renováveis, 2010

Portugal tem aplicado desde 2002 uma política crescente de implantação, produção e consumo de energias renováveis com resultados visíveis desde 2007. Portugal produzia quase 63% da energia total que consumia. Actualmente, esse valor ultrapassa os 66%. Metade da energia produzida (52%), provém de fontes renováveis. (Dados da EDP)

As renováveis, em Portugal, estão a ter um papel importante não só na produção e crescente independência energética (sobretudo de Espanha) como já ocupa o 5º lugar dos 27, com mais de 25% no consumo de energia a partir das renováveis. O 1º lugar é ocupado pela Suécia com 48%. (Dados da UE) Países como a Inglaterra, a França, a Itália, a Alemanha e até a Espanha, têm ainda caminho a percorrer para chegar ao nível de outros países europeus no consumo de energia a partir de fontes renováveis. O consumo nestes dois últimos é ainda modesto apesar de uma grande adesão ao fotovoltaico e às eolicas. São aliás os 2 maiores da Europa, nestas tecnologias. Em Março de 2007, numa reunião dos 27, foi conseguido um acordo, em que até 2020, a UE, se compromete a chegar, no mínimo, a 20% do consumo total de energia, a partir de fontes renováveis.


Investimento português[editar | editar código-fonte]

Portugal fez um grande investimento nas renováveis, sobretudo na energia Solar, Eólica e Geotérmica.

Na Energia Solar, o Alentejo e o Algarve, pela quntidade de Sol que recebem por ano, são o palco perfeito para esta tecnologia. Foram instalados dois parques Solares Fotovoltaicos: 1 na Amareleja, perto de Moura, com capacidade de 46 MW e o outro em Brinches junto a Serpa com capacidade de 11 MW. Estes são os maiores parques Solares no país, sendo o da Amareleja o 2º maior da Europa e um dos maiores do mundo. Estes 2 parques em conjunto produziam, em 2008, 57 MW de energia por hora. Actualmente ultrapassam os 60 MW, mas ainda estão longe das metas. Estão em construção mais 3 parques Solares, todos no baixo Alentejo e outros 2 fora do Alentejo e há cerca de uma dezena de novos projectos de instalação de parques Solares pelo país. Todos os painéis são de alto rendimento (quase todos de tecnologia e fabrico português) e estão a 2 metros acima no solo, permitindo assim, que o terreno continue a ser aproveitado para a agricultura e o pastoreio. Até 2020, planeia-se instalar mais de um milhão e meio de metros quadrados de painéis solares fotovoltaicos em Portugal. Actualmente este valor é pouco superior a 400 mil. Quanto aos parques Solares Térmicos, ou termo-solares, está um em construção em Tavira e irá ser construído outro em Moura. Os painéis termo-solares poderão ter uma forma tradicional ou uma forma parabólica (mais provável) que concentrará a energia solar de modo a produzir vapor de água. Este vapor acionará turbinas que produzem electricidade. Na Europa, esta tecnologia está instalada em Espanha e em Itália. A tecnologia é australiana.

Na Energia Geotérmica, o maior investimento foi para a central Geotérmica dos Açores, instalada na ilha de são Miguel, perto do Pico Vermelho, concelho da Ribeira Grande, onde já existia uma central em funcionamento desde 1980. Esta foi modernizada e inaugurada em 2007. Ao lado da central do Pico Vermelho está a central da Ribeira Grande. As duas centrais em conjunto, produzem 41% da energia necessária à ilha. Outra grande central está a ser instalada, com alguns estudos ainda em curso, na ilha terceira. Os Açores têm o maior potencial do país, no aproveitamento desta fonte de energia. 8 das 9 ilhas do arquipélago possuem centrais geotérmicas. No território continental, também existem centrais geotérmicas: a central de Chaves; a do hospital militar do Lumiar, em Lisboa; a de Monção, perto do rio Minho, que estará pronta no Outono de 2013, são alguns exemplos.

A Energia Eólica está a ser explorada com sucesso e o investimento tem-se mantido estável apesar da conjuntura económica que o país atravessa. Vão continuar a ser instalados novos parque Eólicos e a ser estendidos alguns dos existentes. Há até projectos para serem instaladas turbinas em mar aberto, a eólica offshore ou eólica flutuante, até 30 metros de profundidade, tal como já existe na Dinamarca (que tem torres até 100 metros de profundidade). O WindFloat, é a primeira plataforma eólica portuguesa offshore, já em funcionamento, a produzir energia à rede, desde a Primavera de 2012. Está equipado com um aerogerador de 2 MW, o que corresponde ao consumo de cerca de 1300 habitações e está ao largo da costa da Aguçadoura, na Póvoa de Varzim. Estavam instalados, no fim de 2012 cerca de 4400 MW de energia Éolica, que é mais de 20% da energia produzida no nosso país a partir de fontes renováveis e coloca Portugal em décimo lugar a nível mundial. No 1º e 2º lugares da Europa (3º e 4º mundial) continuam a Alemanha e a Espanha, em capacidade, não em consumo. (Dados da World Wind Energy Association)

A Energia da Biomassa foi introduzida em Portugal em 1988 e o nº de centrais está a crescer. Alguns exemplos são: a central de Miranda do Corvo, de Mortáguada, da Guarda, de Viseu, a de Portalegre, acabada de construir, entre outras. O combustível desta fonte de energia provém sobretudo da limpeza de matas e florestas. Com a energia Solar e o processo químico natural, obtem-se energia, que nalguns casos pode ser significativa. Nos últimos anos, os avanços científicos têm sido consideráveis e irão certamente continuar.

Na Energia das Ondas, uma parceria de uma empresa portuguesa com outra australiana, criaram em 2008, na costa portuguesa, na Aguçadoura, junto à Póvoa de Varzim, 3 geradores flutuadores de 1ª geração. Foram testados separadamente a cerca de 3 milhas da costa, entre Julho e Setembro de 2008, funcionando em conjunto entre Setembro e Novembro. Os testes não correram como previsto, surgiram problemas técnicos, o investimento caiu por terra, devido a dificuldades financeiras, (sobretudo da empresa australiana, proprietária do projecto) e as duas empresas abandonaram o projecto na mesma altura que este foi desligado, o que aconteceu em Novembro de 2008. Os flutuadores foram rebocados para terra e estão ainda hoje à espera de serem vendidos, provavelmente para a sucata. Mesmo assim, neste teste, foi a 1ª vez no mundo, que se realizou com multiplos flutuadores acoplados a produzir energia à rede. Em 2004 tinha já sido testado um protótipo no mesmo local.

Os testes não ficaram por aqui e em 2012, Portugal volta a dar cartas nas renováveis, sendo mesmo líder mundial, com a nova tecnologia de energia das ondas, o Waveroller. Este protótipo pré-comercial foi instalado no fundo do mar a 900 metros da costa de Peniche. As placas (as pás) movem-se com o movimento da corrente das ondas, numa parceria com uma empresa filandesa, desde 2010. Isto surge na sequência dum protótipo, testado com sucesso em 2007. As placas já estão a produzir energia que está a entrar na rede. Segundo os responsáveis, o investimento vai continuar e o projecto será alargado a outros locais da costa portuguesa. Esta tecnologia, por estar no fundo do mar, tem alguns pontos negativos, como a manutenção não ser propriamente simples, a água do mar, por ser salgada, é altamente corrosiva e as placas de betão terem que ser substituídas cada 15 anos devido à erosão.

A Central Piloto Europeia de Energia das Ondas, instalada na ilha do Pico, nos Açores, foi construída com o objectivo de estudar, desenvolver, viabilizar e promover a energia das ondas e marés, através de experiências de laboratório e em alto mar que incluem monitorização. Tem uma potência instalada de 400 kW e é a primeira central do mundo de energia das ondas ligada à rede. A funcionar desde meados de 1999, a Central de Ondas do Pico, é gerida desde 2004 pela WavEC - Wave Energy Center, uma associação sem fins lucrativos. A Central tem estado sem actividade durante largos periodos, devido à falta de manutenção por não haver verbas para a manter em operação permanente. Actualmente esta Central, necessita de obras urgentes para evitar o colapso. O valor estimado das obras, segundo o sítio wavec.org, chega a um milhão e meio de €, dos quais 265 mil são financiamento privado. Será uma grande perda para a Ciência, se esta Central encerrar definitivamente.

No Arquipélago da Madeira[editar | editar código-fonte]


A Região Autónoma da Madeira tem feito desde 1992 um esforço para se desenvolver quanto às energias renováveis e substituir a dependência dos combustíveis fósseis. Os últimos dados de 2011 revelam que as energias renováveis foram responsáveis por 30% da energia consumida na região. As estimativas dizem que, com o investimento previsto, esta percentagem chegue aos 52% em 2020.

Ficheiro:Rede de produção regional.jpg
Rede de produção regional em 2005

Porto Santo[editar | editar código-fonte]

A ilha do Porto Santo está em vias de se tornar autónoma em produção de energia com o desenvolver do projecto de produção através das algas fabricando um biocombustível que poderá ser usado na transformação de energia eléctrica e nos automóveis. Esta ilha dispõe também de um parque eólico e um parque fotovoltaico, este com uma produção de 2 MW.

Desertas e Selvagens[editar | editar código-fonte]

Nos sub-arquipélagos das Desertas e Selvagens a energia eléctrica é resultado de painéis fotovoltaicos que iluminam as casas dos vigilantes da natureza do Parque Natural da Madeira.

Madeira gasparinho[editar | editar código-fonte]

Na ilha da Madeira é onde tem sido feito o maior investimento em energias renováveis cujo início remonta a meados do século XX com a construção de grandes levadas e centrais hidroeléctricas. A maior parte da energia produzida na ilha ainda provém das centrais de transformação térmica através do petróleo mas as energias limpas começam a ganhar terreno. Existem 5 centrais hidroeléctricas na ilha: Porto Moniz, Fajã dos Padres, Fajã da Nogueira, Serra de Água e Calheta onde está em marcha uma ampliação deste complexo hidroeléctrico. Existem outras pequenas centrais de pequena produção. Existem dois complexos eólicos nesta ilha. Um no Paúl da Serra, outro na freguesia do Caniçal. Existem igualmente no Paúl da Serra e no Caniçal parques fotovoltaicos. A ilha dispõe de uma central de resíduos sólidos.

Investimentos futuros - ilha da Madeira[editar | editar código-fonte]

  • Está prevista uma central de biomassa que faça aproveitamentos dos imensos recursos florestais da ilha.
  • Está previsto o investimento em mais uma central hidroeléctrica no Chão da Ribeira, freguesia do Seixal.
  • Sendo uma ilha de origem vulcânica e dado que durante perfurações nas montanhas da ilha foram detectadas águas quentes, poderá no futuro ser haver investimentos em energia geotérmica.
  • Não está descartada a hipótese de investimentos em energia das ondas e marés.

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