Engenharia metalúrgica

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A Engenharia Metalúrgica é um ramo da engenharia, mais precisamente da engenharia de materiais que é dedicado ao estudo dos materiais metálicos, englobando sua caracterização estrutural, propriedades mecânicas, produção e processamento.

O engenheiro metalurgista é o profissional que desenvolve, executa e coordena projetos de tratamento e de produção de metais, é responsável por todo processo de beneficiamento de minérios, por sua transformação em ligas metálicas com propriedades físicas, químicas e metalúrgicas adaptadas a usos diversos, e estuda a utilização desses metais na confecção de máquinas, estruturas ou peças. Na indústria, determina a composição química dos metais e seu modo de industrialização. O engenheiro metalúrgico é também responsável pelo desenvolvimento de novas ligas metálicas, com propriedades físicas, químicas e metalúrgicas adaptadas a usos diversos.

Vista interna de indústria siderúrgica

Índice

[editar] Porque ser metalurgista

Aptidão para os números, interesse por atividades científicas, conhecimento de línguas estrangeiras e meticulosidade são os requisitos do engenheiro metalúrgico. Gosta de cálculo? E de Engenharia? Então há uma carreira que vale a pena conhecer: a do engenheiro metalúrgico. Com poucas escolas no país, o profissional é um dos mais disputados pelo mercado.

Descobrir o comportamento de materiais metálicos capazes de sustentar plataformas de petróleo ou de se adaptar ao interior do corpo humano está na base das atribuições da metalurgia. E a importância da atividade faz com que os sobreviventes da graduação - a média de formandos no Brasil é de menos de 300 por ano - embarquem em uma rota de sucesso na carreira.

Dentro ou fora da siderurgia, esses engenheiros são requisitados a projetar, executar e inspecionar a extração, a transformação e a aplicação dos metais, da fundição ao controle de qualidade.

- O assédio por alunos é grande. Em troca de indicações de bons estudantes, as empresas fazem até doações para a universidade - conta o professor da UFRGS, Telmo Roberto Strohaecker.

O perfil dos estudantes de engenharia metalúrgica são de jovens curiosos, dedicados, com bom conhecimento de inglês, bom relacionamento com professores e colegas e que buscam oportunidades de pesquisa e de trabalho. Boas notas não garantem uma boa carreira. As características profissionais e pessoais fazem a diferença, e muitas delas são desenvolvidas na faculdade. O estudante deve gostar da área acima de tudo.

Com base de trabalho no laboratório, o engenheiro metalúrgico precisa de disciplina e metodologia. Ao longo da carreira, não são poucas as horas que ele passará concentrado na análise dos metais. A experiência garantirá a ele a base do conhecimento para realizar a sua missão: apresentar soluções para os problemas do cotidiano.

Veja o depoimento de Luciano Piana, 35 anos, engenheiro metalúrgico;

Como eu fiz:

- Sou de Erechim e fiz vestibular em Santa Maria para Engenharia Elétrica. Cursei dois anos e vi que o mercado era difícil para conseguir estágio. Então, um amigo me falou muito bem da Metalúrgica. Disse que a área oferecia mais opções para o estudante. Mudei para Porto Alegre, fiz mais um vestibular e comprovei: desde o meu ingresso no curso, nunca fiquei mais de dois meses sem trabalho. O mercado ainda é muito bom para o engenheiro metalúrgico. Comecei a carreira com iniciação científica na faculdade. Fiz estágio na Aços Finos Piratini e em uma empresa de armamentos, onde também trabalhei como engenheiro. Passei por mais algumas empresas e voltei à universidade para o mestrado. A pós-graduação é importante. Em 2001, prestei o concurso da Petrobras e assumi no ano seguinte. Trabalho no centro de pesquisas da empresa no Rio de Janeiro, em uma gerência que atua com materiais. O meu cotidiano é em um laboratório, mas viajo bastante e não tenho rotina. Somos acionados para resolver problemas incomuns. Analisamos falhas e cuidamos da integridade estrutural da empresa em todo o país. Vivo em emergências e com a tarefa de solucioná-las rapidamente, o que exige muito estudo. Por isso, a Petrobras também investe muito nas universidades. Em Porto Alegre, o Laboratório de Metalurgia Física da UFRGS (Lamef) investe quantias consideráveis para aplicar em projetos e pesquisas que beneficiam os estudantes. Eu trabalhei lá por muito tempo e ganhei experiência. Quem pretende ingressar na profissão deve investir no inglês e aproveitar as oportunidades de estágios no país e no Exterior. Deve também lembrar que só o conhecimento técnico não sustenta um profissional no mercado de trabalho. O engenheiro trabalha em equipe. Aqui, somos muitos. Luciano Piana, 35 anos, engenheiro metalúrgico

Alto forno elétrico de aço, o forno é inclinado para o derramamento. As faíscas indicam a fluidez do aço.

[editar] O curso de Engenharia Metalúrgica

Os dois primeiros anos são de aulas básicas de cálculo, física e química, em dois turnos. Boa parte das disciplinas específicas, do 5º ao 10º semestre, ocorrem em laboratórios. Os estudantes se envolvem em pesquisas, projetos e trabalhos como a certificação de materiais e perícias. Professores e alunos estudam em dez áreas: metalurgia física, processamento mineral, siderurgia, estudos ambientais para metalurgia, fundição, processos eletroquímicos e corrosão, transformação mecânica, termodinâmica computacional e fundamentos de economia e administração.

Uma antiga siderúrgica em Fundidora Park, Monterrey, Mexico.

[editar] O mercado

O mercado está aquecido para o profissional na metalurgia e mineração, pois a demanda ainda é maior que a oferta de formados. Engenheiros metalúrgicos encontram boa chance de emprego em empresas dos setores mecânico, metalurgia de metais não ferrosos, automobilísticas, de mineração, de armamento, de base, áreas de extração mineral. Outro campo promissor está nas indústrias aeronáuticas e siderúrgicas. De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Brasil é o nono maior produtor e o 13º exportador mundial do aço. Novos investimentos garantem perspectivas positivas de emprego na área para os próximos dez anos. Nas mineradoras, especialmente as dos setores de alumínio e cobre, o profissional trabalha na área de metalurgia primária, que inclui a laminação e a fundição dos produtos. Os empregadores concentram-se principalmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Maranhão. Os engenheiros metalúrgicos também são requisitados em setores públicos, empresas de projetos e de consultoria, indústrias de autopeças, além de bancos para fazer análise de projetos e centros de pesquisa. Outro campo em crescimento é o do ensino, já que a tendência é de aumento no número de cursos oferecidos no país.

  • Na siderurgia

O parque siderúrgico brasileiro tem 25 usinas, administradas por 11 empresas. A privatização trouxe ao setor uma concorrência expressiva de capitais. Assim, muitas empresas produtoras ampliaram o interesse na siderurgia. O parque produtor brasileiro é novo e passa por um processo de atualização tecnológica. O parque metal-mecânico do Brasil está aquecido com novas unidades. Mais informações: http://www.ibs.org.br

  • Fora da siderurgia

A Petrobras é a empresa que mais contrata engenheiros metalúrgicos no país. Eles atuam em inspeção, pesquisa, dutos, refinarias e apoio nas plataformas. O profissional também trabalha em bioengenharia (uso de próteses para o corpo humano), controle ambiental e em processos de indústrias automobilísticas, mecânicas, instituições de ensino e pesquisa.

  • Remuneração

O piso salarial do engenheiro é oito salários mínimos, variando de estado e por função exercida.

  • Onde estudar

UEMG,UFRGS, UFOP, UFC, UFF, UFMG, UFRJ, USP, PUC-RJ, IFES (antigo CEFET-ES), Fasar, UENF, Mackenzie, Sociesc, UVV, UnilesteMG

  • Dica

Os laboratórios da faculdade funcionam como porta para o mercado. O aluno deve buscar oportunidades e caprichar no trabalho de conclusão.

[editar] Curiosidades

No final do Período Neolítico, o homem aperfeiçoa os seus instrumentos através do uso da metalurgia. Os artefatos de pedra polida foram substituídos por ferramentas de metal, por volta do ano 5000 a.C., inaugurando a chamada Idade dos Metais. O domínio da técnica de fundição dos metais representa um grande avanço científico alcançado pelos homens naquele período. O primeiro metal utilizado pelo homem foi o cobre; posteriormente, através da fusão do cobre com o estanho, o homem obteve o bronze. O processo de desenvolvimento da metalurgia culminou finalmente com a utilização do ferro. Porém, sendo o ferro um metal escasso e mais difícil de ser fundido, só foi obtido por volta de 1500 a.C. e dominado somente por alguns povos. Eles aproveitaram o ferro para a utilização de seus armamentos afirmando sua superioridade militar. Vale lembrar que nem todos os homens dominavam plenamente as técnicas de fundição; por este motivo, os instrumentos fabricados de pedra continuaram predominando em várias comunidades. Além disso, a prática da metalurgia não deveria ser realizada por todos os homens da comunidade. A complexidade desta atividade exigia a divisão do trabalho entre agricultores e artesãos, por isso somente as comunidades que produzissem o excedente de alimentos é que poderiam organizar tal divisão de tarefas. Fonte: Brasil Escola


[editar] Ver também


[editar] Referências



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