Ent

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ents, na obra de J. R. R. Tolkien, são uma raça de árvores humanóides da Terra-média. Aparentemente foram inspirados em árvores falantes que povoam histórias folclóricas de todo o mundo. Em O Senhor dos Anéis, é Barbárvore o Ent de maior destaque.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra ent vem do Anglo-Saxão, língua na qual significa gigante, retirada por Tolkien de fragmentos de poemas orþanc enta geweorc, "trabalho de gigantes habilidosos", e eald enta geweorc, "trabalhos antigos de gigantes". Esses fragmentos foram usados, num poema Anglo-Saxão, para descrever as ruínas de Roma. Se for considerado o sentido dessa palavra, os Ents são provavelmente as criaturas mais presentes na fantasia e no folclore, perdendo, talvez, apenas para os dragões. A palavra Ent, em seu uso histórico, pode referir-se a qualquer criatura grande e humanóide, incluindo gigantes, trolls, orcs, e até mesmo Grendel, do poema Beowulf. Os Ents, portanto, são um dos pilares da fantasia e mitologia, junto com magos, cavaleiros, princesas e dragões, ainda que não sejam chamados por seu nome tradicional.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Barbárvore e os Hobbits. Ilustração de Tom Loback

Barbárvore, o mais velho Ent vivo, era descrito como "uma figura semelhante a um homem, quase semelhante a um troll, de pelo menos quatro metros e meio de altura, muito robusta, com uma cabeça alta e quase sem pescoço. Se estava coberta por alguma coisa semelhante a casca de árvore verde e cinzenta, ou se aquilo era seu couro, era difícil dizer. De qualquer forma, os braços, numa pequena distância do tronco, não eram enrugados, mas cobertos de uma pele lisa e castanha. Cada um dos pés tinha sete dedos. A parte inferior do rosto comprido estava coberta por uma vasta barba cinza, cerrada, quase dura como galhos na raiz, fina feito musgo nas pontas. Mas naquela hora os hobbits notaram pouca coisa além dos olhos. Uns olhos profundos, lentos e solenes, mas muito penetrantes. Eram castanhos, carregados de uma luz esverdeada." [1]

Os Ents são uma raça antiqüíssima que apareceu na Terra-média junto dos Elfos. Aparentemente foram criados por Eru Ilúvatar, atendendo aos pedidos de Yavanna depois que ela soube que os Anões, crias de seu marido Aulë, precisariam derrubar as árvores que ela tanto amava. Os Ents foram então criados como Pastores das Árvores, para proteger as florestas dos Orcs, Anões e outros perigos. Embora fossem criaturas sensíveis desde seu despertar, eles não aprenderam a falar até serem ensinados pelos Elfos. Barbárvore afirma que foram os elfos que os curaram de seu silêncio, e que isso era um dom magnífico que não podia ser esquecido.

Ents são criaturas arvorescas, tornando-se de certa forma parecidos com as árvores das quais eram pastores. Variavam nas feições, em altura e tamanho, cor e número de dedos das mãos e dos pés. Estavam sujeitos às mesmas fraquezas mortais, como fogo ou algo maior que eles que os pudesse atingir. Um Ent assemelha-se em partes com a espécie de árvore que guarda. Por exemplo, Tronquesperto cuidava de sorveiras, e ele parecia com uma, alto e magro. Na Terceira Era da Terra-média, a floresta de Fangorn parecia ser o único lugar onde ainda havia Ents, embora os Huorns, criaturas parecidas com os Ents, ainda habitassem outros lugares, como a Floresta Velha.

Barbárvore gabou-se da força dos Ents. Ele disse que eram muito mais fortes que os Trolls, criados por Morgoth como uma cópia dos Ents, mas que nem se aproximavam em poder. Ele comparou-os à imitação que Morgoth fez dos Elfos, os Orcs. Ents são capazes de quebrar rocha e pedra, e Tolkien descreve uma cena em que eles arremessam grandes rochas e quebram as muralhas de Isengard como migalha de pão.

Diferente dos Anões, os Ents não se preocupam em guardar sua própria língua como segredo. Conhecida como Entês, é muito longa e tediosa que nenhuma outra raça conseguia aprender.

O nome Élfico para a raça dos Ents era Onodrim, para um único Ent, Onod, e para muitos Ents, Enyd.

História[editar | editar código-fonte]

Primeira Era[editar | editar código-fonte]

Quase nada é sabido da história primitiva dos Ents. Depois que os Anões foram adormecidos por Eru para que esperassem a chegada dos Elfos, Aulë disse a Yavanna, sua esposa que ama tudo aquilo que cresce na terra, que os Anões criados por ele precisariam de madeira, e para isso derrubariam suas amadas árvores. Depois disso, Yavanna recorreu a Manwë, Rei dos Valar, e apelou para que ele protegesse as árvores, e esse é o início da História dos Ents, os Pastores das Árvores. Barbárvore falou sobre uma época em que toda Eriador era uma floresta e parte de seus domínios, mas foi derrubada pelos Númenorianos da Segunda Era ou destruída pela guerra de Sauron e Elfos na Segunda Era, fatores esses corroborados por relatos de Elrond em Valfenda.

Entesposas[editar | editar código-fonte]

Costumava haver Entesposas, mulheres-ents, mas elas passaram a afastar-se dos Ents pois gostavam de plantar e controlar as coisas, ao passo que os Ents gostavam das coisas seguindo seu curso natural. Por isso elas passaram a habitar a região que seria mais tarde conhecida como Terras Castanhas, próximas ao Grande Rio, e os Ents visitavam-nas lá. As Entesposas, diferentemente dos Ents, interagiam com a raça dos Humanos e muito a ensinou sobre a arte da agricultura.

Aparentemente os Ents e as Entesposas tinham aparências diferentes, mostrando-se aí o dimorfismo sexual. Os Ents assemelhavam-se às árvores que guardavam nas florestas, como sorveiras e carvalhos, mas as Entesposas cuidavam da agricultura, e parece que assumiam formas parecidas com essas plantas. Barbárvore diz que, quando da última vez que viu as entesposas, elas "estavam curvadas e escurecidas devido ao trabalho; seus cabelos ficaram ressecados pelo sol, assumindo a tonalidade de trigo maduro, e suas faces ficaram como maçãs vermelhas".

As Entesposas viveram em paz até que seus jardins foram destruídos por Sauron, e elas desapareceram. Os Ents procuraram muito por elas, sem sucesso. Os Elfos costumavam cantar uma canção que fala sobre o reencontro de Ents e Entesposas. Em O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei, Barbárvore implora para que os Hobbits não se esqueçam de mandar notícias caso saibam sobre as Entesposas.

Entezela, ou Donzela Ent. Ilustração de Jenny Rossander

Em A Sociedade do Anel, Samwise Gamgee menciona que seu primo Hal diz ter visto um gigante arvoresco, que lembrava um olmo não só no tamanho mas na aparência, a norte do Condado. Durante a estadia com Barbárvore, em As Duas Torres, Merry e Pippin falam com ele sobre o Condado. Barbárvore diz que as Entesposas teriam gostado de lá. Essa afirmação, somada à visão do primo Hal de Sam, levou alguns leitores a especularem que as Entesposas podem ter vivido próximas ao Condado. O próprio Tolkien passou bastante tempo considerando sobre o que de fato aconteceu às Enteposas. Na sua carta de número 144 de As Cartas de J.R.R.Tolkien, ele diz: "Acredito que, na verdade, as Entesposas desapareceram para sempre; foram destruídas junto de seus jardins na Guerra da Última Aliança..."

Ao fim da estória, depois de Aragorn ser coroado rei, ele promete a Barbárvore que os Ents poderiam prosperar de novo e espalhar-se por novas terras sem a ameaça de Mordor, e retomar sua busca pelas Entesposas. No entanto, Barbárvore diz tristemente que as florestas podem até se multiplicar, mas não os Ents, e ele previu que os poucos Ents que restaram permaneceriam em Fangorn até que seu número diminuisse ou se tornassem "arvorescas".

Entinhos[editar | editar código-fonte]

Embora nunca tenham sido vistos e apenas brevemente mencionados, Entinhos são Ents jovens. Quase não há descrições deles, mas pode-se presumir, pela aparência do jovem e apressado Tronquesperto e pelos comentários de Barbárvore sobre Ents mais jovens que eles são mais "flexíveis", parecidos com rebentos, e talvez até mudas quando muito crianças. Não está claro se nascem parecidos com as árvores que irão pastorear, ou se tornar-se-ão como tais, ou até mesmo a forma como nascem.

De acordo com Barbárvore, não havia Entinhos na Terra-média na Terceira Era, nem houve por bastante tempo. E não haverá mais Entinhos, já que as Entesposas estão perdidas.

A Última Marcha dos Ents[editar | editar código-fonte]

Em As Duas Torres, os Ents, geralmente muito pacientes, rebelam-se contra Saruman, cujas hostes estão pondo abaixo muitas árvores. É convocado o Entebate, um encontro dos Ents de Fangorn no Valarcano.

Depois de três dias de deliberação (um período muito curto aos olhos dos Ents), eles marcharam contra a fortaleza de Saruman, em Isengard. Essa foi a Última Marcha dos Ents. Liderados por Barbárvore, o mais velho dos Ents, e acompanhados pelos hobbits Meriadoc Brandebuque e Peregrin Tûk. Eram aproximadamente cinqüenta Ents e mais os Huorns. Destruiram Isengard, quebrando suas paredes, e até o poder de sua voz causava grande destruição, tanto que mesmo "se o Grande Mar se erguesse em fúria e caísse como uma tempestade sobre as colinas, não teria feito tanto estrago". No evento, deixaram Saruman recluso na torre de Orthanc.

Ents conhecidos[editar | editar código-fonte]

Seis Ents são identificados pelo nome em O Senhor dos Anéis. O mais importante, o primeiro a ser encontrado pelos Hobbits é Barbárvore, também chamado de Fangorn. Os outros são Ossofaia, Bregalad, Fimbrethil, Finglas e Fladrif. O Ent que presumivelmente é Ossofaia também tem uma pequena aparição no filme As Duas Torres, de Peter Jackson.

  • Fangorn: também conhecido como Barbárvore, era, junto com Finglas e Fladrif, o único dos primeiros Ents que apareceram na Terra-média em algum momento da Primeira Era, e como tal era uma das criaturas mais velhas existentes. Com o passar dos anos, o domínio dos Ents reduziu-se à Floresta de Fangorn, nomeada a partir do nome Sindarin de Barbárvore. No filme de Peter Jackson, As Duas Torres, Barbárvore diz categoricamente que nunca ouviu falar de Hobbits.
  • Finglas: traduzido do élfico como Mecha-de-Folha, foi um dos três primeiros Ents que ainda existiam na Terceira Era. À época da Guerra do Anel, Mecha-de-Folha havia se tornado sonolento e quase arvoresco. Ele começara a ficar parado sozinho e semi-adormecido durante o verão, acordando durante o inverno. Sua cabeleira era de folhas.
  • Fladrif: junto com Fangorn e Finglas, foi um dos primeiros Ents a aparecerem na Terra-média. Seu nome significa, em Sindarin, Casca-de-Pele, e ele vivia nas encostas das montanhas a oeste de Isengard. Os orcs atacaram sua área, matando muitas árvores e Ents, e o próprio Fladrif se machucou. Por isso ele subiu para lugares altos, para viver junto das bétulas, suas preferidas, e não desceu de lá.
  • Ossofaia: era um Ent que foi queimado e morreu devido às artes de Saruman. Sua morte enraiveceu os outros Ents. Na adaptação do filme de Peter Jackson, o Ent que presumivelmente é Ossofaia aparece brevemente apagando o fogo de seus cabelos na água que cobre Isengard.
  • Bregalad: também conhecido como Tronquesperto, Bregalad era um Ent relativamente novo à época da Guerra do Anel, muito mais jovem do que Barbárvore, embora fosse, certamente, um Ent adulto. Bregalad guardava as sorveiras, e ele próprio assemelhava-se com uma. O nome dele na versão original é Quickbeam, que pode significar "Cinzas de montanha" ou "Sorveira" num dialeto inglês. O nome Bregalad vem do Sindarin "Bragol" (rápido, repentino) e "Galad" (árvore). Ele recebeu esse nome quando disse "Sim" a um Ent mais velho antes de este terminar a pergunta, o que mostra seu perfil "apressado" para a raça. No Entebate ele mostrou esse lado, sendo o primeiro a decidir atacar Isengard. Vendo que o Ent já havia se decidido, Barbárvore o levou para ficar cuidando dos Hobbits enquanto o debate continuava com os outros Ents. É afirmado que Tronquesperto gostava muito de rir, e o fazia com freqüência. Ele posteriormente desempenhou um papel importante no ataque a Isengard, quase capturando Saruman. Embora não tenha aparecido explicitamente na adaptação de Peter Jackson, há um Ent Sorveira que muitos fãs acreditam ser Tronquesperto, reduzido a um papel sem falas.
  • Fimbrethil: era a esposa de Barbárvore, há muito perdida, também chamada de Pé-de-Fada, a dos passos leves. Eles já estavam apaixonados antes mesmo de Morgoth, o Primeiro Senhor do Escuro, ascender ao poder durante a juventude do mundo. Seu nome significa "Bétula-esguia". Assim como as outras Entesposas, Fimbrethil desapareceu desde que seus jardins foram atacados por Sauron durante Segunda Era. À época de O Senhor dos Anéis, fazia mais de três mil anos que não era vista por Barbárvore.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Na primeira e mais antiga tradução da obra para o português, de Antônio Rocha e Alberto Monjardim, os Ents tinham o nome de Enidas, e as Entesposas foram chamadas de Enidamas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. TOLKIEN, J.R.R., O Senhor dos Anéis, as Duas Torres.