Entrudo

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O costume de se brincar no período do carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo.

Já na Idade Média, costumava-se comemorar o período carnavalesco em Portugal com toda uma série de brincadeiras que variavam de aldeia para aldeia. Em algumas notava-se a presença de grandes bonecos, chamados genericamente de "entrudos".

A denominação genérica de Entrudo, entretanto, engloba toda uma variedade de brincadeiras dispersas no tempo e no espaço. Aquilo que a maioria das obras descreve como Entrudo, é apenas a forma que essas brincadeiras adquiriram a partir de finais do século XVIII na cidade do Rio de Janeiro. Mesmo aí, a brincadeira não se resumia a uma única forma. Havia, na verdade vários tipos de diversões que se modificavam de acordo com o local e com os grupos sociais envolvidos.

Atualmente, como explica o pesquisador Felipe Ferreira, em O livro de ouro do carnaval brasileiro, entende-se que existiam, no Rio de Janeiro do início do século XIX, duas grandes categorias de Entrudo: O Entrudo Familiar e o Entrudo Popular.

Os diferentes "Entrudos"[editar | editar código-fonte]

O Entrudo na Família[editar | editar código-fonte]

Jogos durante o entrudo no Rio de JaneiroAquarela de Augustus Earle, c.1822
  • Acontecia dentro das casas senhoriais dos principais centros urbanos. Era caracterizado pelo caráter delicado e convivial e pela presença dos limões de cheiro que os jovens lançavam entre si com o intuito de estabelecer laços sociais mais intensos entre as famílias.

O Entrudo Popular[editar | editar código-fonte]

  • Era a brincadeira violenta e grosseira que ocorria nas ruas das cidades. Seus principais atores eram os escravos e a população das ruas, e sua principal característica era o lançamento mútuo de todo tipo de líquidos (até sêmem ou urina) ou pós que estivessem disponíveis.

Entre esses dois extremos havia toda uma variedade de "Entrudos" que envolviam em maior ou menor grau grande parte da população dos principais centros urbanos do país.

A batalha contra o Entrudo[editar | editar código-fonte]

A partir dos anos 1830, uma série de proibições se sucedem na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira.

Combatido como jogo selvagem, o entrudo continuou a existir com esse nome até as primeiras décadas do século XX e existe até hoje no espírito das brincadeiras carnavalescas mais agressivas, como a "pipoca" do carnaval baiano ou o "mela-mela" da folia de Olinda.

O Entrudo de ARRAIAS-TO

Atualmente o Entrudo, mais próximo de suas origens, é o que sobrevive na cidade de Arraias, estado do Tocantins, a 446 km de Palmas. A presença do Entrudo no Carnaval arraiano é tradição antiga, que vem desde o século XVIII, caracterizado pela alegria, espontaneidade, pacífico, onde participam crianças, jovens, adultos e terceira idade; acontece com o envolvimento quase total da comunidade local.

A festa é conhecida regionalmente como o carnaval mais animado do estado do Tocantins, os blocos são formados por amigos, familiares, conhecidos e convidados - coordenados pela Comissão local organizadora do Entrudo. A cada dia de carnaval a Comissão e todos os blocos participantes iniciam marcha carnavalesca que sai por volta das 7h da manhã da casa do folião responsável por um dos blocos integrantes do Entrudo.

A tradição preconiza que todos os participantes da marcha devem ser molhados com água, antes do início da mesma. Após atendido este quesito, os carnavalescos tomam caldo quente, geralmente feito a base de mandioca e carne para aquecer o corpo, oferecido pelo dono da casa; em seguida, a marcha percorre o itinerário do entrudo, passa pelas casas dos foliões responsáveis pelos demais blocos, e também pelos principais pontos históricos da cidade até finalizar na Praça da Matriz de Arraias, onde junta-se ao grande baile público de carnaval. Durante toda a festa é comum observar o ato de jogar água em quaisquer pessoas presentes, conhecidas ou não. Sendo que tanto os locais, quanto visitantes estão com o espírito aberto para a brincadeira, sem direito à apelação. Durante toda a marcha há o consumo de bebida e farofa. Interessante lembrar que toda essa marcha termina por volta das 5 ou 6h da tarde, e que o percurso é composto por ladeiras sinuosas e estreitas com piso tipo paralepípedo.

Há vários blocos do Entrudo, mas nem todos participam da marcha, sendo que alguns apenas esperam a chegada do Entrudo na Praça da Matriz ou mantém suas atividades concentradas no centro da cidade.

Alguns blocos do Entrudo arraiano são: Godelas de Lucim; Comissão do Entrudo; Alvorada; CPI da Cevada e muitos outros.

A festa é muito divertida, mas não esqueça de levar seu pequeno balde com alça (para carregar e jogar água nos demais), a pequena sombrinha colorida (que imita aquela utilizado no frevo), roupa leve que seque rápido, e calçado que não acumule água e aguente o percurso do Entrudo, sem prejudicar os pés.

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