Enuma Elish

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Relevo assírio mostrando a luta de Marduque com Tiamat

O Enûma Eliš (em cuneiforme acádico: 𒂊𒉡𒈠𒂊𒇺), é o mito de criação babilônico. Foi descoberto por Austen Henry Layard em 1849 (em forma fragmentada) nas ruínas da Biblioteca de Assurbanípal em Nínive (Mossul, Iraque), e publicado por George Smith em 1876.[1]

O Enûma Eliš tem cerca de mil linhas escritas em babilônico antigo sobre sete tábuas de argila, cada uma com cerca de 115 a 170 linhas de texto. A maior parte do Tablete V nunca foi recuperado, mas com exceção desta lacuna o texto está quase completo. Uma cópia duplicada do Tablete V foi encontrada em Sultantepe, antiga Huzirina, localizada perto da moderna cidade de Şanlıurfa na Turquia.

Este épico é uma das fontes mais importantes para a compreensão da cosmovisão babilônica, centrada na supremacia de Marduque e da criação da humanidade para o serviço dos deuses. Seu principal propósito original, no entanto, não é uma exposição de teologia ou teogonia, mas a elevação de Marduque, o deus chefe da Babilônia, acima de outros deuses da Mesopotâmia.

O Enûma Eliš possui várias cópias na Babilônia e Assíria. A versão da Biblioteca de Assurbanípal data do 7º século a.C. A composição do texto, provavelmente, remonta a Idade do Bronze, nos tempos de Hamurabi ou talvez o início da Era Cassita (cerca de 18 a 16 séculos AEC), embora alguns estudiosos favoreçam uma data posterior a ca. 1100 AEC[2]

Dadas as suas enormes semelhanças com a narração bíblica do Génesis, várias discussões têm surgido sobre qual das histórias é a original e qual é uma adaptação à religião em causa. Para a cultura babilónica, o Enuma Elish explica a origem do poder real, a sua natureza, a permanência da instituição e a sua legitimidade. A realeza humana e terrena tem a sua origem na realeza divina. A divindade continuará a ser o verdadeiro rei e também o modelo a imitar pelo rei terreno. A existência de um modelo divino impõe limites à realeza humana.

O deus Marduque

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Quando os sete tabletes foram descobertos pela primeira vez, as evidências indicavam que ele fora usado em um "ritual", significando que ele era recitado durante uma cerimônia ou comemoração. Essa festa é agora conhecida como o festival de Akitu, ou o ano novo babilônico. Esta, fala da criação do mundo e do triunfo de Marduque sobre Tiamat, e como se relaciona com ele tornando-se o rei dos deuses. Então segue-se uma invocação a Marduque por seus cinqüenta nomes.[3]

O título, significando "quando no alto" é o incipit. O primeiro tablete começa:

Texto inicial:

e-nu-ma e-liš la na-bu-ú šá-ma-mu
šap-liš am-ma-tum šu-ma la zak-rat
ZU.AB-ma reš-tu-ú za-ru-šu-un
mu-um-mu ti-amat mu-al-li-da-at gim-ri-šú-un
A.MEŠ-šú-nu iš-te-niš i-ḫi-qu-ú-šú-un
gi-pa-ra la ki-is-su-ru su-sa-a la she-'u-ú
e-nu-ma dingir dingir la šu-pu-u ma-na-ma
"Quando no alto não se nomeava o céu,
e em baixo a terra não tinha nome,
do oceano primordial (Apsu), seu pai;
e da tumultuosa Tiamat, a mãe de todos,
suas águas se fundiam numa,
e nenhum campo estava formado, nem pântanos eram vistos;
quando nenhum dos deuses tinha sido chamado a existência,

Tábua I[editar | editar código-fonte]

Os vários deuses representam aspectos do mundo físico. Apsu é o Deus da água doce e Tiamat, sua esposa, é a Deusa do mar e, consequentemente, do caos e da ameaça. A partir deles, vários deuses são criados. Estes novos deuses são demasiado tumultuosos e Apsu decide matá-los. Ea , também conhecido por Enki ,descobre o plano, antecipa-se e mata Apsu. Posteriormente, Damkina, esposa de Ea, dá à luz Marduque. Entretanto, Tiamat, enraivecida pelo assassinato de seu marido jura vingança e cria onze monstros para executar uma vingança. Tiamat casa com Kingu e coloca-o à frente de seu novo exército.

Tábua II[editar | editar código-fonte]

As forças que Tiamat reuniu preparam-se para a vingança. Entretanto Ea descobre o plano e confronta-a. Numa zona danificada da tábua é aparente a derrota de Ea. Anu desafia-a, mas tem o mesmo destino. Os deuses começam a temer que ninguém será capaz de deter Tiamat.

Tábua III[editar | editar código-fonte]

Gaga, ministro de Assur, é encarregado de vigiar as atividades de Tiamat e de os informar da vontade de Marduque de a enfrentar.

Tábua IV[editar | editar código-fonte]

O conselho dos deuses testa os poderes de Marduque. Depois de passar o teste, o conselho entrega o trono a Marduque e encarrega-o de lutar com Tiamat. Com a autoridade do conselho, reúne as armas, os quatro ventos e ainda os sete ventos da destruição, e segue para o confronto. Depois de prender Tiamat numa rede, liberta o Vento do Mal contra ela. Incapacitada, Marduque mata-a com uma seta no coração, capturando os deuses e monstros aliados. Marduque divide o corpo de Tiamat, usando metade para criar a terra e a outra metade para criar o céu.

Tábua V[editar | editar código-fonte]

Marduque cria residências para os outros deuses. À medida que estes vão ocupando o seu lugar vão sendo criados os dias, meses e estações do ano. As fases da Lua determinam o ciclo dos meses. Da saliva de Tiamat, Marduque cria a chuva. A cidade da Babilónia é criada sob a protecção do rei Marduque.

Tábua VI[editar | editar código-fonte]

Marduque decide criar os seres humanos mas precisa de sangue para os criar, mas apenas um dos deuses poderá morrer, o culpado de lançar o mal sobre os deuses. Marduque consulta o conselho e descobre que quem incitou a revolta de Tiamat foi o seu marido, Kingu. O mata e usa seu sangue para criar o Homem, de forma a que este sirva de criado dos deuses. Em honra a Marduque, os deuses constroem-lhe uma casa na Babilónia, havendo um grande festim para os deuses quando terminada.

Tábua VII[editar | editar código-fonte]

Continuação do louvor a Marduque como chefe da Babilónia e pelo seu papel na criação. Instruções às pessoas para estas relembrarem os feitos de Marduque. Neste louvor surgem os 50 nomes de Marduque.

Comparação com o Livro do Génesis[editar | editar código-fonte]

São várias as similaridades entre a história da criação no Enuma Elish e a história da criação no Livro do Génesis. O Génesis descreve seis dias de criação, seguido de um dia de descanso, enquanto que o Enuma Elish descreve a criação de seis deuses e um dia de descanso. Em ambos a criação é feita pela mesma ordem, começando na Luz e acabando no Homem. A deusa Tiamat é comparável ao Oceano no Génesis, sendo que a palavra hebraica para oceano tem a mesma raiz etimológica que Tiamat.[carece de fontes?]

Estas semelhanças levaram a que muitos estudiosos tivessem chegado à conclusão que ou ambos os relatos partilham a mesma origem, ou então uma delas é uma versão transformada da outra.[carece de fontes?]

Notas

  1. G. Smith, "The Chaldean Account of Genesis" (London, 1876).
  2. Bernard Frank Batto, Slaying the dragon: mythmaking in the biblical tradition, Westminster John Knox Press, 1992, ISBN 9780664253530, p. 35.
  3. Jacobsen, Thorkild "The Treasures of Darkness: A History of Mesopotamian Religion".

Edições e Traduções[editar | editar código-fonte]

  • The Seven Tablets of Creation, The Babylonian Legends of Creation, by E. A. Wallis Budge, (1921).
  • Seven Tablets of Creation, Luzac's Semitic Text and Translation Series, No 12 & 13, ISBN 978-0404113445 (1973).
  • L. W. King, Enûma Eliš: The Seven Tablets of Creation, London (1902); 1999 reprint ISBN 978-1585090433; 2002 reprint ISBN 1402159056.
  • Anton Deimel, Enûma Eliš (1936).
  • W. C. Lambert, S. B. Parker, Enûma Eliš. The Babylonian Epic of Creation, Oxford (1966).
  • D. D. Luckenbill, The Ashur Version of the Seven Tablets of Creation, The American Journal of Semitic Languages and Literatures, Vol. 38, No. 1 (Oct., 1921), pp. 12-35 .
  • F. N. H. Al-Rawi, J. A. Black, A New Manuscript of Enūma Eliš, Tablet VI, Journal of Cuneiform Studies (1994).
  • H. L. J. Vanstiphout, Enūma eliš: Tablet V Lines 15-22, Journal of Cuneiform Studies (1981).
  • B. Landsberger, J. V. Kinnier Wilson, The Fifth Tablet of Enuma Eliš, Journal of Near Eastern Studies (1961).
  • Arvid S. Kapelrud, The Mythological Features in Genesis Chapter I and the Author's Intentions, Vetus Testamentum (1974) (jstor link).
  • Alexander Heidel, "Babylonian Genesis" (1951) (google books link)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]