Envira

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Município de Envira
"Espelho Cultural da Amazônia"
"Pacatuba"
"Embira"
"Princesa"
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 31 de janeiro
Fundação 19 de dezembro de 1955
Gentílico envirense
Lema Juntos Somos Mais
Prefeito(a) Ivon Rates da Silva (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Envira
Localização de Envira no Amazonas
Envira está localizado em: Brasil
Envira
Localização de Envira no Brasil
07° 25' 58" S 70° 01' 22" O07° 25' 58" S 70° 01' 22" O
Unidade federativa  Amazonas
Mesorregião Sudoeste Amazonense IBGE/2008[1]
Microrregião Juruá IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Eirunepé, Pauini, e com os municípios do Acre de Feijó e Tarauacá.
Distância até a capital (Linha Reta) 1,216 km
Características geográficas
Área 13 369,291 km² [2]
População 18 051 hab. (AM: 45º) –  IBGE/2011[3]
Densidade 1,35 hab./km²
Altitude 150 m
Clima Quente-úmido
Fuso horário UTC-5
Indicadores
IDH-M 0,509 baixo PNUD/2010 [4]
PIB R$ 68 411,571 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 989,48 IBGE/2008[5]
Página oficial

Envira é um município brasileiro localizado no interior do estado do Amazonas. Pertencente à Microrregião de Juruá e Mesorregião do Sudoeste Amazonense, situa-se a sudoeste de Manaus, capital do estado. Sua população estimada em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 18 051 habitantes.[6] sendo então o 44º mais populoso do estado e o quarto de sua microrregião.

Na vegetação do município predomina o bioma amazônico. A taxa de urbanização de sua população em 2010 era de 64,63%.[3] O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,509, considerado médio em relação ao estado.[4] Situada em uma área de Floresta Amazônica, não há, em Envira, acesso a outras cidades por meio de rodovias, existindo, como meio ligação à capital ou a municípios vizinhos, apenas transportes fluvial e aéreo.

O povoamento da região de Envira se deu no início do século XIX, com a chegada de nordestinos. O desenvolvimento do município ocorreu durante um grande período dado pelo Ciclo da Borracha.[7]

Na área cultural, destaca-se principalmente pelo turismo, existindo diversos atrativos, como igrejas e praças, além de suas praias de água doce, ilhas, igarapés e lagos que formam a geografia municipal. Nota-se também a realização de eventos culturais e tradicionais, como a festa do aniversário do município.

História[editar | editar código-fonte]

A história do município de Envira pode ser descrita com a trajetória social e política de um povo de raízes nordestinas, com a participação de remanescentes indígenas e de alguns imigrantes de outros locais determinantes da cultura popular, condicionante de muitos hábitos e costumes típicos das atividades de exploração do látex e do "status" que no regime de arrendamento predominava nos seringais.

Datam de meados do século XIX, as penetrações pelo Rio Juruá acima, chegando até a região onde se encontra Envira, promovidas pelos desbravadores dos primeiros seringais nativos do ciclo da borracha. Desta época até o final da Segunda Guerra Mundial, quando cessou a vinda da última grande leva migratória dos conhecidos "soldados da borracha", os nordestinos representaram a principal força de trabalho e ocupação territorial da região, enquanto as populações indígenas foram gradativamente diminuindo, às margens do Rio Tarauacá, afluente do Juruá. Nessa época a literatura registra referências aos índios Cuaná, Curiqueares, Marauás, Canamaris, Catuquinas, Catauaixis e outros.

Primórdios[editar | editar código-fonte]

Casa de caboclo na beira do rio.

O período de povoação da Amazônia inicia-se entre os anos de 1580 a 1640,[8] época em que Portugal e Espanha permaneceram sob uma só coroa, tendo os portugueses penetrado no vale amazônico, sem desrespeito oficial aos interesses espanhóis. A ocupação do lugar onde se encontra hoje o município de Manaus foi demorada, devido aos interesses comerciais portugueses, que não viam na região a facilidade em obter grandes lucros a curto prazo, pois era de difícil acesso e era desconhecida a existência de riquezas (ouro e prata).[8]

Cabanagem[editar | editar código-fonte]

A Cabanagem foi um movimento político e um conflito social ocorrido entre 1835 e 1840 no Pará, envolvendo homens livres e pobres, sobretudo indígenas e mestiços que se insurgiram contra a elite política e tomaram o poder.[9] A entrada da Comarca do Alto Amazonas (hoje Manaus, a qual foi o berço do manifesto na Amazônia Ocidental) na Cabanagem foi fundamental para o nascimento do atual estado do Amazonas.[9] Durante o período da revolução, os cabanos da Comarca do Alto Amazonas desbravaram todo o espaço do estado onde houvesse um povoado, para assim conseguir um número maior de adeptos ao movimento, ocorrendo com isso uma integração das populações circunvizinhas e formando assim o estado.[9]

O período áureo da borracha[editar | editar código-fonte]

O Ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil e de Envira, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha. Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso às cidades de Manaus, Porto Velho e Belém, até hoje maiores centros e capitais de seus Estados, Amazonas, Rondônia e Pará, respectivamente. No mesmo período foi criado o Território Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia por meio de uma compra por 2 milhões de libras esterlinas em 1903. O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Após a Segunda Guerra Mundial, a Amazônia passou a integrar o processo de desenvolvimento nacional. A criação do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) em 1952, a implantação das agências de desenvolvimento regional como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) em 1966 e a Zona Franca de Manaus, em 1967, passaram a contribuir no povoamento da região e na execução de projetos voltados para a região. Foi o extrativismo da borracha que impulsionou o grande crescimento da cidade de envira.

Formação Administrativa[editar | editar código-fonte]

  • Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1920, entre os distritos do município de Eirunepé, figura o da Foz do Embira (Envira).Posteriormente esse distrito com os demais daquele município, com exceção do distrito sede, foram extintos.
  • Pela Lei Estadual nº 096 de 19 de Dezembro de 1955, foi criado o Município Autônomo de Envira, desmembrado do Município de Eirunepé e parte do Município de Carauarí, constituído de seus distritos denominados Foz do Murú, Foz do Envira, parte da Foz Taraucá e Foz do Cujubim.

[10]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

População e domicílios[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional: 2002 a 2009
Ano Habitantes
2002 19.797
2003 20.100
2004 13.312
2005 13.548
2006 13.746
2007 16.438
2008 17.850
2009 17.614


Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se na microrregião de Juruá, mesorregião do Sudoeste Amazonense. O município tem 17.431 habitantes (2007) e 13.381 km².Limita-se com as cidades de Eirunepé[1] , Pauini[1] , e com os municípios do Acre[1] de Feijó[1] e Tarauacá[1] .

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Os rios que passam por Envira são:

O Rio Juruá é um rio de águas barrentas, navegáveis e piscosas que banha Envira,seu nome Juruá é de origem indígena, é uma derivação do nome "Yurá", usado pelos indígenas que habitavam suas margens. O rio nasce no Peru e, com mais de 3 mil quilômetros de extensão, está entre os 10 maiores do planeta. É considerado um rio novo e rico em sais minerais. Suas margens, após as vazantes, são utilizadas pelos ribeirinhos ou "barranqueiros" para o plantio de produtos agrícolas como: feijão, milho, batata, melancia e outros. Os afluentes do rio Juruá são: rio Tarauacá, rio Gregório e Tejo. Suas águas caudalosas e barrentas tem dois períodos distintos: no inverno, especialmente de dezembro a maio, é a época das enchentes, quando ele invade todas as terras baixas; e o período de verão, de junho a novembro, quando suas águas baixam de tal maneira que os barcos e balsas de maior porte não conseguem chegar a Envira. Há uma grande quantidade de lagos espalhados pelo município, localizados, quase sempre, próximos ao Rio Juruá ou à seus afluentes. O aspecto e a largura que apresentam são semelhantes aos dos cursos d'água que passam nas proximidades. Medem, aproximadamente, 6 km de extensão e são, geralmente, piscosos.

O Rio Tarauacá é um rio brasileiro que banha os estado do Acre e Amazonas que é afluente de margem direita do rio Juruá.

Economia[editar | editar código-fonte]

Composição econômica [11]
Serviços
77,3%
Agropecuária
12,3%
Indústria
10,4%

A economia é fundamentada na agricultura e pecuária, sendo auto-suficiente em ambas.Também notamos um razoável crescimento nos serviços.[12]

Ano PIB (R$ 1000) PIB per capita (R$)
2003 41 343 2 057
2004 37 686 2 831
2005 37 724 2 785
2006 48 978 3 563
2007 52 304 3 182
Fonte: IBGE.

Setor Primário[editar | editar código-fonte]

  • Agricultura: destaque para a cultura temporária de mandioca, arroz, milho, cana-de-açúcar, feijão e batata-doce. Culturas permanentes: banana, cupuaçu, café, citros, abacaxi, etc. Com potencial agrícola acentuado, pelas suas terras férteis, o município já exporta excedentes de arroz, milho farinha e banana.[13]
  • Pecuária: em franco desenvolvimento nas áreas adjacentes às principais estradas vicinais do município. A produção leiteira é crescente, com produção de derivados do leite.[13]
  • Pesca: com representatividade econômica limitada pela forma artesanal da pesca e infra-estrutura de apoio. No entanto, além de garantir, em conjunto com a farinha, a dieta alimentar da maioria absoluta da população, gera excedentes para os municípios vizinhos de Tarauacá (AC) e Feijó (AC). Tende a um incremento sensível a partir da implantação de nova infra-estrutura frigorífica e geleira.
  • Extrativismo Vegetal: voltado para extração de madeira, com atendimento da demanda local e pequena exportação. Em menor escala, atividades remanescentes da exploração do látex, coleta de cacau nativo, plantas medicinais e aproveitamento do açaí, buriti, abacaba, andiroba, copaíba, e outros produtos naturais com fins de consumo familiar e do mercado da sede municipal.
  • Avicultura: com bases domésticas para o consumo familiar, em fase de expansão com fins de abastecimento da sede através da implantação de módulos de criação intensiva.
  • Piscicultura: cerca de 30 pequenos açudes, construídos no período de 1990 a 1995, representam o início promissor da piscicultura local, ainda com pouca representatividade econômica.[13]

Setor Secundário[editar | editar código-fonte]

  • Indústrias: usinas de beneficiamento de arroz, serrarias, olarias, marcenaria e sorveteria.[13]

Setor Terciário[editar | editar código-fonte]

  • Comércio: varejista e atacadista.
  • Serviço: hotéis, pensões, restaurantes, pensão alimentícia, lanchonetes, clubes dançantes, bares, mercados, feiras e borracharias.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Atrações turísticas[editar | editar código-fonte]

O município possui igarapés e lagos, para não falar no rio que lhe banha a sede em cujas águas podemos encontrar os mais belos matupás, salientando-se a Vitória-Régia, que sem dúvida alguma é um motivo de atração para quem visita a região.[13]

Riquezas Naturais[editar | editar código-fonte]

São bem importantes a flora e a fauna do município, principalmente a primeira, na qual sobressaem a seringueira e madeira de boa qualidade como: aguano e o cedro. Na segunda citam-se, por exemplo: onça, maracajá, queixada e capivara.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada é um mamífero típico da Amazônia brasileira.

Como em todo o Amazonas, sobressaem matas de terra firme, várzea e igapós. Toda essa vegetação faz parte da extensa e maior floresta tropical úmida do mundo: a Hileia Amazônica. Os solos são de terra firme - do tipo lateríticos: solos vermelhos das zonas úmidas e quentes, cujos elementos químicos principais são hidróxido de alumínio e ferro, propícios à formação de bauxita e, portanto, pobres para agricultura. Solos de várzea são os mais férteis da região. São solos jovens, que periodicamente são enriquecidos de material orgânico e inorgânico, depositados durante a cheia dos rios. A flora do estado apresenta uma grande variedade de vegetais medicinais, dos quais se destacam andiroba, copaíba e aroeira. São inúmeras as frutas regionais e entre as mais consumidas e comercializadas estão: guaraná, açaí, cupuaçu, castanha-do-brasil (castanha-do-pará), camu-camu, pupunha, tucumã, buriti e taperebá.

Vegetação típica da Amazônia.

O Amazonas tem 98% da sua área florestal intacta, pois sua vocação econômica foi desviada para outras atividades a partir da reorganização e ampliação da Zona Franca de Manaus em 1967. Os governos têm procurado incentivar o chamado desenvolvimento sustentável, voltando-se para a preservação do legado ecológico. Existe um esforço para manter os projetos agropecuários dentro dos limites da preservação ambiental, enquanto que a valorização do manejo da floresta como fonte de renda contribuiu para que o Amazonas enfrentasse o desafio de reduzir o desmatamento em 21% em 2003, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE.

O município possui hoje quatro escolas estaduais, sendo que só uma oferece ensino médio, tendo uma demanda razoável de alunos.Há uma estrada improvisada que liga até a comunidade Vila União na vizinha Eirunepé[1] , e de lá se faz o trajeto de barco que dura mais ou menos 2 horas.[14] .De acordo com o PNDU em 2000 o IDH da cidade era de 0,513.

Culinária envirense[editar | editar código-fonte]

Cupuaçu, fruta típica da Amazônia.

A culinária envirense é caracterizada pela utilização de uma grande variedade de peixes provenientes da própria bacia do rio Juruá. Entre os destaques, podemos encontrar o "pirarucu de casaca"[15] feito com o peixe pirarucu e banana pacovã, o tambaqui grelhado, ou a famosa caldeirada de tambaqui, muito popular entre os habitantes.[16] Outros peixes como pacu, matrinchã, curimatá e jaraqui, também são de grande apreço da população. Envira é uma das maiores cidades estaduais em consumo de proteína animal (peixe).[17] Cerca de 14% de sua população consome proteína animal (peixe) por dia.[17] A culinária envirense tem forte influência indígena. Possui pratos típicos como: pato no tucupi com jambu, o tacacá, a maniçoba, entre outras delícias como o açaí. Há quem diga que o sabor dos peixes e das frutas é realmente diferente. Os elementos encontrados na região formam a base de seus pratos. Com mais de uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas no Ver-o-Peso, feiras livres, mercados e supermercados do município; elas são responsáveis diretas pelo sabor das sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.[17] Cerca de 14% de sua população consome proteína animal (peixe) por dia.[17]

Folclore[editar | editar código-fonte]

Personagens da Festa Junina.

O calendário de comemorações de festas de Envira prevê:


Referências

  1. a b c d e f g h Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. a b Estimativa Populacional 2011 Censo Populacional 2011. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (julho de 2011). Página visitada em 18 de outubro de 2011.
  4. a b Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 09 de setembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas IBGE_Pop_2013
  7. Ferias Tur. Envira no FériasTur. Página visitada em 21 de janeiro de 2011.
  8. a b A Povoação das Américas História do Mundo.
  9. a b c Cabanagem Portal Amazônia.
  10. Histórico de Envira Cidades@. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (14 de agosto de 2009). Página visitada em 16 de agosto de 2009.
  11. Seplan Secretária de Planejamento do Amazonas (09 de Março de 2010). Produto Interno municipal do Estado do Amazonas (em Português). Página visitada em 15 de outubro de 2010.
  12. Anuario Estatistico do estado do Amazonas ([[[PDF]]) Seplan. (14 de agosto de 2009). Página visitada em 16 de agosto de 2009.
  13. a b c d e f g h i j k Caracteristicas de Envira Portal Envira.. Página visitada em 15 de outubro de 2010.
  14. Anuario Estatistico do estado do Amazonas PMERN.. Página visitada em 16 de agosto de 2009.
  15. Pirarucu à Casaca Governo do Acre. Página visitada em 5 de maio de 2010.
  16. Caldeirada de Tambaqui Governo do Acre. Página visitada em 5 de maio de 2010.
  17. a b c d Envira Ache tudo região. Página visitada em 5 de maio de 2010.